Crepsculo (Twilight)

STEPHENIE MEYER Primeiro livro da srie.

PREFCIO Eu nunca pensei muito sobre como eu iria morrer - achei que eu
tinha motivos suficientes nos ltimos meses - mas mesmo que eu no
tivesse, eu no iria imaginar assim. Eu encarei sem respirar atravs do
longo aposento, dentro dos olhos escuros do caador, e ele olhou
agradavelmente de volta pra mim. Com certeza essa foi uma boa forma de
morrer, no lugar de outra pessoa, outra pessoa que eu amava. Nobre, at.
Que deve ser levado em conta pra alguma coisa. Eu sabia que se eu nunca
fosse para Forks, eu no estaria encarando a morte agora. Mas,
aterrorizada como eu estava, eu no podia me fazer lamentar a deciso.

1.  PRIMEIRA VISTA Minha me me levou ao aeroporto com as janelas
abaixadas. Estava fazendo 24C em Phoenix, o cu estava um azul perfeito
e sem nuvens. Estava vestindo minha camiseta preferida: sem mangas, de
renda furadinha. Usava-a como um gesto de despedida. Minha bagagem de
mo era um parka. Na Pennsula Olmpica, no noroeste do estado de
Washington, nos Estados Unidos, existe uma cidadezinha chamada Forks que
est quase que constantemente coberta por nuvens. Nessa cidade
desimportante chove mais do que em qualquer outro lugar do pas. Foi
dessa cidade e da sua sombra depressiva e onipresente que minha me
fugiu comigo quando eu tinha s alguns meses de vida. Era nessa cidade
que eu era obrigada a passar todos os veres at completar 14 anos.
Aquele foi o ano em que bati o p. Ento, nos ltimos trs veres, meu
pai, Charlie, passou duas semanas de frias comigo na Califrnia. Agora
era em Forks que ia me exilar, algo que fiz com muito custo. Eu
detestava Forks. Eu amava Phoenix. Amava o sol e o calor escaldante.
Amava a cidade vigorosa e grande. -- Bella -- minha me me disse - pela
milsima vez - antes de eu entrar no avio. -- Voc no precisa fazer
isso. Minha me parece-se comigo, exceto pelo cabelo curto e pelo rosto
risonho. Senti um espasmo ao encarar os olhos infantis e bem abertos
dela. Como poderia deixar minha amorosa, errtica e ingnua me para se
cuidar sozinha? Claro, ela tinha o Phil agora, ento as contas
provavelmente seriam pagas, haveria comida na geladeira, gasolina no
carro, e algum pra ligar quando ela se perdesse, mas ainda assim... --
Eu quero ir -- eu menti. Sempre fui uma pssima mentirosa, mas j estava
contando essa mentira to freqentemente por esses dias que agora j
soava quase convincente. -- Diz 'oi' para o Charlie por mim. -- Pode
deixar. -- Verei voc logo -- ela insistiu. -- Pode voltar pra casa
quando quiser. Virei assim que voc precisar. Mas pude perceber o
sacrifcio em seus olhos, por trs da promessa. -- No se preocupe
comigo -- eu pedi -- Vai ser timo. Amo voc, me. Ela me abraou
apertado por um tempo, ento entrei no avio e ela se foi. De Phoenix
para Seatle o vo dura quatro horas, mais uma hora num pequeno avio at
Port Angeles, e ento uma hora de carro at Forks. O vo no me
incomodava, j passar uma hora num carro com Charlie estava me
preocupando. Charlie estava sendo at legal sobre essa histria toda.
Ele parecia genuinamente feliz que eu iria morar com ele  quase que
permanentemente pela primeira vez. Ele j tinha me matriculado na escola
e ia me ajudar a arranjar um carro. Mas com certeza ia ser estranho
morar com  Charlie. Nenhum de ns era o que se poderia chamar de
falantes, e nem sei o que haveria para ser dito. Sabia que ele estava
mais do que confuso com a minha deciso  - como minha me j havia feito
antes de mim, eu nunca tinha escondido que no gostava de Forks. Quando
o avio pousou em Port Angeles, estava chovendo. No achei  que fosse um
mau pressgio, s era inevitvel. J tinha me despedido do sol. Charlie
estava me esperando no carro-patrulha. J era de se esperar. Charlie  o
Chefe  de Polcia para os bons cidados de Forks. Meu motivo maior para
comprar um carro, apesar da escassez dos meus rendimentos, era que eu me
negava ser levada pela  cidade

num carro com luzes vermelhas e azuis em cima. Nada melhor pra fazer o
trnsito andar devagar do que um policial. Charlie me deu um abrao meio
estranho, de um brao s, quando sai tropeando do avio. -- Bom te ver,
Bells. -- ele disse sorrindo, enquanto automaticamente me segurava para
eu no cair. -- Voc no mudou muito. Como vai Rene? -- Mame vai bem.
 bom te ver tambm, pai. -- ele no me deixava cham-lo de Charlie. S
tinha trazido algumas malas. A maior parte das roupas que usava no
Arizona eram muito permeveis para usar em Washington. Minha me e eu
tnhamos nos juntado para suplementar meu guarda-roupa com roupas de
inverno, mas ainda tinha pouca coisa. Coube tudo na mala do
carro-patrulha, facilmente. -- Achei um bom carro para voc, bem barato.
-- ele anunciou quando j estvamos no carro. -- Que tipo de carro? --
achei suspeito a maneira como ele disse "carro bom para voc", ao invs
de s "carro bom". -- Bem, na verdade  uma caminhonete, um Chevrolet.
-- Onde o achou? -- Lembra-se de Billy Black, de La Push? -- La Push  a
pequena reserva indgena na costa. -- No. -- Ele costumava ir pescar
conosco no vero.  -- Charlie ofereceu ajuda. Isso explicaria porque eu
no lembrava dele. Me dou bem em bloquear da minha memria coisas
dolorosas e desnecessrias. -- Ele est numa  cadeira de rodas agora --
Charlie continuou quando no respondi -- ento no pode dirigir mais,
por isso se ofereceu para vender a caminhonete bem barato. -- De  que
ano ? -- pude ver pela mudana de expresso que essa era uma pergunta
que ele esperava que eu no fosse fazer. -- Bem, Billy trabalhou
bastante no moto - s  tem alguns anos. Esperava que ele no fosse achar
que eu desistiria assim to fcil. -- Quando ele comprou a caminhonete?
-- Acho que foi em 1984. -- Era nova quando  ele comprou? -- Na verdade,
no. Acho que era nova no comeo dos anos 60 - ou no fim dos 50, no
mximo. -- ele admitiu, envergonhado. -- Ch... pai, no sei muito  sobre
carros. No saberia consertar nada se estragasse, e no poderia pagar um
mecnico... -- Realmente, Bella, a coisa anda direito. No fazem mais
carros como  aquele. A coisa, pensei comigo mesma... era uma
possibilidade - como apelido, no mnimo. -- Barato  quanto? -- afinal,
essa era a parte onde eu no podia abrir  mo. -- Bem, querida, eu meio
que j comprei ele pra voc. Um presente de boas-vindas. -- Charlie
espiou para o meu lado, com uma expresso esperanosa no rosto.  Uau. De
graa. -- No precisava fazer isso, pai. Eu ia comprar o carro eu mesma.
-- Eu no me importo. Quero que voc seja feliz aqui. -- Ele olhava em
frente na  estrada quando falou isso. Charlie no ficava confortvel ao
expressar suas emoes em voz alta. Eu herdei isso dele. Ento olhava
bem pra frente quando respondi.  -- Isso foi muito legal, pai, obrigada.
Fico muito agradecida. -- no precisava adicionar que eu ser feliz em
Forks era uma impossibilidade. Ele no precisava sofrer  comigo. E eu
nunca recusaria uma caminhonete de graa.

-- Bem, ento, de nada. -- ele murmurou, envergonhado com o meu
agradecimento. Trocamos mais alguns comentrios sobre o tempo, que
estava molhado, e era isso em  termos de conversa. Ficamos olhando pela
janela em silncio. Era lindo, claro, no podia negar isso. Tudo era
verde: as rvores, os troncos cobertos de musgo, os  galhos pendurados
formando uma cobertura, o cho coberto com plantas. At mesmo o ar
ficava meio verde ao passar pelas folhas. Era muito verde - um planeta
aliengena.  Finalmente chegamos na casa do Charlie. Ele ainda vivia na
casa pequena, de dois quartos, que ele comprara com minha me logo que
se casaram. Esse foi o nico perodo  do casamento deles. Ali,
estacionada na rua em frente  casa que nunca mudara, estava minha nova
- bem, nova para mim - caminhonete. Era uma cor vermelha desbotada,  com
uma grande cabina e enormes calotas. Para minha grande surpresa, eu
amei. No sabia se ela ia andar, mas conseguia me imaginar dentro dela.
Ainda por cima, era  uma daquelas coisas slidas de ferro, que nunca se
amassam - do tipo que se v num acidente nem arranhada, circundada pelos
pedaos do carro que ela tinha destrudo.  -- Uau, pai, adorei!
Obrigada! -- agora meu dia horrvel que seria amanh iria ser um pouco
menos horroroso. Eu no precisaria escolher entre andar na chuva por
mais de trs quilmetros ou aceitar uma carona no carro-patrulha para
chegar no colgio. -- Fico feliz que voc tenha gostado. -- Charlie
disse, envergonhado de  novo. S precisou uma viagem para levar todas as
minhas coisas para o andar de cima. Fiquei com o quarto que tinha janela
para o ptio da frente. O quarto me era  familiar. Era meu desde que
tinha nascido. O cho de madeira, as paredes azul claro, o teto curvado,
as cortinas de renda j amareladas - tudo isso fez parte da  minha
infncia. As nicas mudanas que Charlie tinha feito fora por eu ter
crescido: mudou o bero por uma cama e colocou um escrivaninha. A
escrivaninha agora tinha  um computador de segundamo, com o fio do
telefone para a internet grampeada pelo cho at chegar na tomada de
telefone mais prxima. Isso tinha sido estipulado  por minha me, para
que pudssemos manter contato fcil. A cadeira de balano dos meus
tempos de beb ainda estava num canto. Havia somente um pequeno banheiro
no  andar de cima, o qual teria que dividir com Charlie. Tentava no
pensar muito nisso. Uma das coisas boas sobre Charlie  que ele no fica
me cuidando. Ele me deixou  sozinha para desfazer minhas malas e me
ajeitar, uma coisa que seria completamente impossvel para minha me.
Era bom poder estar sozinha e no ter que ficar sorrindo  e parecer
feliz. E era um alvio poder olhar com desnimo para a chuva na janela e
deixar escaparem algumas lgrimas. No estava afim de comear uma
choradeira.  Guardaria isso para a hora de dormir, quando fosse pensar
na manh que estava por vir. A Escola de Forks tinha o aterrorizante
total de apenas trezentos e cinquenta  e sete agora cinquenta e oito -
alunos. S no meu ano, l em Phoenix, havia mais de setecentos alunos.
Todo mundo aqui tinham crescido juntos - seus avs tinham  sido bebs
juntos. Eu seria a garota nova da cidade grande. Uma curiosidade, uma
aberrao. Talvez se eu parecesse com uma garota de Phoenix isso poderia
ser uma  vantagem. Mas fisicamente eu nunca me encaixaria em lugar
algum. Eu deveria ser bronzeada, esportiva, loira - jogadora de vlei,
ou lder de torcida, talvez - essas  coisas associadas ao vale do sol.
No lugar disso, eu tinha pele branca apesar do sol constante, sem nem
ter a desculpa de ter olhos azuis ou cabelos ruivos. Sempre  fora meio
magra, mas nem tanto, obviamente no era atleta. No tinha a coordenao
motora necessria para praticar esportes sem me humilhar - e machucar a
mim mesma  ou qualquer um parado muito perto de mim.

Quando terminei de colocar minhas roupas no velho guarda-roupa de pinho,
peguei minha bolsa de produtos de beleza e fui ao banheiro comunal para
me lavar depois  do dia de viagem. Olhei para meu rosto no espelho
enquanto penteava meu cabelo embaraado e mido. Talvez fosse a luz, mas
eu j parecia mais plida, pouco saudvel.  Minha pele poderia ser bela
- era bem clara, parecia transparente - mas tudo dependia da cor, e eu
no tinha isso. Encarando meu reflexo plido no espelho fui obrigada  a
admitir que estava mentindo para mim mesma. No era s fisicamente que
eu nunca me encaixaria. E seu eu no conseguia achar um lugar para mim
numa escola com trs  mil pessoas, quais eram minhas chances aqui? Eu
no me relacionava bem com pessoas da minha idade. Talvez a verdade
fosse que eu no me relacionava bem com as pessoas,  ponto. At minha
me, que era a pessoa mais prxima de mim no planeta, nunca estava em
harmonia comigo, nunca estvamos exatamente de acordo. As vezes
imaginava  se eu via as mesmas coisas atravs de meus olhos que o resto
do mundo via com os deles. Talvez houvesse um problema no meu crebro.
Mas o motivo no importava. O  que importava era o resultado. E amanh
seria s comeo. No dormi bem naquela noite, mesmo depois de ter
chorado tudo que precisava. O barulho constante da chuva  e do vento no
telhado no saiam da minha mente. Puxei a coberta desbotada sobre minha
cabea e depois adicionei o travesseiro tambm. Mas no consegui dormir
at  depois da meia-noite, quando a chuva finalmente diminuiu para um
chuvisco. Cerrao fechada era tudo que conseguia ver pela minha janela
de manh, e pude sentir  a claustrofobia comeado. No se podia ver o
cu aqui, era quase uma jaula. O caf-da-manh com Charlie foi um evento
silencioso. Ele me desejou boa-sorte na escola.  Eu agradeci, sabendo
que as esperanas dele eram inteis. Boa-sorte tinha a tendncia de me
evitar. Charlie saiu primeiro, indo para o posto policial que era sua
esposa e famlia. Depois que ele saiu, sentei  velha mesa quadrada em
uma das trs cadeiras que no combinavam entre si e examinei sua pequena
cozinha, suas paredes  com painis escuros, armrios amarelo brilhante,
e piso de linleo branco. Nada mudara. Minha me pintara os armrios
dezoito anos antes na tentativa de trazer alguma  luz para a casa. Sobre
a pequena lareira, na sala do tamanho de um leno que ficava logo ao
lado da cozinha, havia uma fileira de fotos. A primeira era uma do
casamento  de Charlie e minha me em Las Vegas, uma de ns trs no
hospital quando eu nasci, tirada por uma enfermeira prestativa, seguida
de uma procisso de fotos escolares  minhas at o ltimo ano. Essas eram
embaraosas de se ver - teria que ver se convencia Charlie a coloc-las
em outro lugar, pelo menos enquanto eu estivesse morando  aqui. Era
impossvel, estando nessa casa, no perceber que Charlie nunca tinha
superado minha me. Isso me fazia ficar desconfortvel. Eu no queria
chegar cedo  demais na escola, mas no podia ficar mais na casa . Vesti
meu casaco - que me fazia sentir como numa roupa anti-nuclear - e sai
para a chuva. Ainda chuviscava,  mas no o suficiente para me molhar
muito enquanto procurava pelas chaves da casa que sempre ficavam
escondidas nas plantas perto da porta e a trancava. O barulho  das
minhas novas botas  prova d'gua era irritante. Sentia falta do barulho
normal de cimento quando caminhava. No pude parar para admirar minha
nova caminhonete  como queria. Estava com pressa para sair da nvoa
molhada que rondava minha cabea e se grudava no meu cabelo por baixo do
capuz. Dentro da caminhonete estava seco  e bom. Obviamente, Billy ou
Charlie tinham limpado o carro, mas os assentos ainda cheiravam
vagamente  tabaco, gasolina e menta. O motor ligou rpido, para meu
alvio, mas bem alto, ganhando vida

ruidosamente e ento chegando ao volume mximo. Bom, uma caminhonete
velha assim tinha que ter um defeito. O rdio velho funcionava, uma
vantagem que eu no esperava.  Achar a escola no foi difcil, apesar de
nunca ter estado l antes. Ela ficava, assim como a maioria das coisas,
bem perto da estrada. No era obviamente uma escola,  foi o painel, onde
dizia "Escola de Forks", que me fez parar. Parecia uma coleo de casas
geminadas, construdas com tijolos marrons. Havia tantas rvores e
moitas  que no pude perceber seu tamanho logo no incio. Onde estava a
aparncia de lugar pblico? Me perguntava nostalgicamente. Onde estavam
as cercas e os detetores  de metais? Estacionei em frente ao primeiro
prdio, onde havia uma pequena placa que dizia "secretaria". No havia
mais carros estacionados ali, ento tive certeza  de que era proibido,
mas decidi que pegaria instrues l dentro ao invs de ficar andando em
crculos na chuva como uma idiota. Sa a contragosto da caminhonete
quentinha e fui por um caminho de pedra circundado por uma sebe escura.
Respirei fundo antes de abrir a porta. L dentro estava bem iluminado e
bem mais quente do  que imaginava. A secretaria era pequena, com uma
pequena sala de espera com cadeiras dobrveis, carpete laranja, avisos e
prmios abarrotados pelas paredes e um  grande e ruidoso relgio. A sala
era partida ao meio por um grande balco, cheia de cestas de arame
repletas de papis e anncios coloridos colados na parte da frente.
Havia trs mesas atrs do balco, uma delas ocupada por uma mulher ruiva
e grande, usando culos. Ela vestia uma camiseta roxa, que imediatamente
me fez sentir com  roupas demais. A ruiva olhou para mim. -- Posso
ajud-la? -- Sou Isabella Swan -- informei-lhe, e vi seus olhos
demonstrarem reconhecimento imediato. Eu era esperada,  tpico de
fofocas, com certeza. A filha da ex-mulher do chefe de polcia
finalmente retorna  casa. -- Claro -- ela disse. Ela percorreu uma
pilha precria de documentos  em sua mesa at achar os que procurava. --
Seu horrio est aqui, e um mapa da escola. -- Ela trouxe vrias folhas
at o balco para me mostrar. Ela me ditou todas  as minhas aulas,
mostrando-me no mapa a melhor maneira de chegar at elas, e me deu um
papel para que todos os professores assinassem, que deveria trazer de
volta  no fim do dia. Ela sorriu para mim e desejou, como Charlie, que
eu gostasse de Forks. Sorri de volta da maneira mais convincente
possvel. Quando cheguei de volta  na caminhonete, outros alunos
comeavam a chegar. Fui atrs do trfego, contornando a escola. Fiquei
feliz ao ver que a maior parte dos carros eram velhos como o  meu, nada
muito chique. Em casa eu morava num dos poucos bairros de classe baixa
que estavam includos no Distrito Paradise Valley. Era comum ver um
Mercedes ou  Porsche novo no estacionamento dos alunos. O carro mais
legal aqui era um brilhante Volvo, que se sobressaia. Mesmo assim, logo
que estacionei desliguei o motor,  para que o barulho enorme no
chamasse ateno para mim. Olhei para o mapa na caminhonete, tentando
memoriz-lo agora, esperando que no fosse precisar andar com  ele
colado no nariz o dia todo. Enfiei tudo dentro da mochila, coloquei a
ala sobre o ombro e respirei bem fundo. "Posso fazer isso", menti muito
mal para mim mesma.  Ningum ia me morder. Eu finalmente exalei e sai do
carro. Fiquei com o rosto coberto pelo capuz enquanto caminhava at a
calada, cheia de adolescentes. Meu casaco  preto e simples no se
destacava na multido, percebi com alvio. Assim que cheguei no
refeitrio era fcil de ver o prdio trs. Um grande "3" estava pintado
num  quadrado branco no casto leste do prdio. Senti minha respirao
acelerar

cada vez mais enquanto me aproximava da porta. Tentei segurar minha
respirao enquanto seguia duas capas de chuva unisex atravs da porta.
A sala de aula era pequena.  As pessoas na minha frente pararam assim
que entraram na sala para pendurar seus casacos numa longa fileira de
ganchos. Fiz o mesmo. Eram duas garotas. Uma loira  com pele de
porcelana, outra, tambm com a pele clara, tinha cabelos castanho claro.
Pelo menos a minha pele no se destacaria aqui. Levei o papel para o
professor,  um homem alto e calvo. Sua mesa tinha uma placa que o
identificava como Sr. Mason. Ele ficou me olhando assim que leu meu nome
- o que no era encorajador - e lgico  que fiquei vermelha igual a um
tomate. Mas pelo menos ele me mandou sentar numa classe vazia no fundo
da sala sem me apresentar  turma. Era mais difcil para meus  colegas
ficarem me encarando enquanto eu estava no fundo da sala, mas de alguma
forma eles conseguiam. Fixei meu olhar na lista de leitura que o
professor tinha  me dado. Era bem bsica: Bront, Shakespeare, Chaucer,
Faulkner. J tinha lido todos. Isso era reconfortante... e chato. Fiquei
pensando se minha me me mandaria  minha pasta de trabalhos velhos, ou
se ia pensar que isso era colar. Fiquei pensando em diferentes
discusses que teria com ela enquanto o professor falava. Quando  bateu
o sinal, um garoto meio desajeitado, alto, com problemas de pele e
cabelo preto como carvo se encostou no batente da porta para falar
comigo. -- Voc  Isabella  Swan, no ? -- ele parecia do tipo muito
prestativo, parte do clube de xadrez. -- Bella -- corrigi. Todo mundo em
volta se virou para me olhar. -- Onde  sua prxima  aula -- ele
perguntou. Precisei olhar na mochila. -- Hm, Governo, com o professor
Jefferson, no prdio seis. No havia para onde olhar sem encontrar olhos
curiosos.  -- Estou indo para o prdio quatro, posso te mostrar o
caminho... -- definitivamente muito prestativo. -- Sou Eric. -- Ele
adicionou. Sorri discretamente. -- Obrigada.  Pegamos nossos casacos e
saimos para a chuva, que tinha ficado mais forte. Poderia jurar que
muitas das pessoas andando atrs de ns estavam perto o bastante para
ficar ouvindo a conversa. Desejei no estar ficando paranica. -- Ento,
aqui  bem diferente de Phoenix, hein? -- ele perguntou. -- Muito. --
No chove muito l,  no ? -- Trs ou quatro vezes por ano. -- Uau,
como ser que  isso? -- ele ficou imaginando. -- Ensolarado. -- eu lhe
disse. -- Voc no parece bronzeada. -- Minha  me  parte albina. Ele
analisou meu rosto com apreenso e eu suspirei. Parecia que nuvens e
senso de humor no se misturavam. Alguns meses disso aqui e eu
esqueceria  como se usa sarcasmo. Andamos de volta ao redor do
refeitrio, em direo aos prdios que ficavam no sul, ao lado do
ginsio. Eric me levou at a porta, apesar de  estar bem claro que
aquele era o prdio. -- Bem, boa sorte. -- Ele disse enquanto eu
alcanava a maaneta. -- Talvez tenhamos outras aulas juntos. -- Ele
soava esperanoso.  Sorri vagamente para ele e entrei. O resto da manh
passou da mesma maneira. Meu professor de trigonometria, o Sr. Varner, a
quem eu detestaria de qualquer forma  por causa da matria que ensinava,
foi o

nico que me fez ficar na frente da turma e me apresentar. Eu gaguejei,
fiquei vermelha, e tropecei no caminho para a minha classe. Depois de
duas aulas, comecei  a reconhecer muitos dos rostos em cada uma delas.
Sempre havia aqueles que eram mais corajosos e vinham se apresentar e me
perguntar se estava gostando de Forks.  Tentei ser diplomtica, mas o
que mais fiz foi mentir bastante. Pelo menos no precisei usar o mapa.
Uma garota sentou do meu lado em ambas Trigonometria e Espanhol,  e foi
comigo at o refeitrio na hora do almoo. Ela era bem baixinha, com
vrios centmetros do que os meus 1,65m, mas o cabelo escuro e
encaracolado ajudava a  balancear nossa diferena de alturas. No
conseguia lembrar o nome dela, ento eu sorria e balanava a cabea
enquanto ela discorria sobre os professores e sobre  as aulas. No
tentei acompanhar a conversa. Sentamos no final de uma mesa cheia dos
amigos dela, os quais ela me apresentou. Esqueci os nomes assim que ela
os disse.  Eles pareciam impressionados com a coragem dela para falar
comigo. O garoto do Ingls, Eric, acenou para mim do outro lado do
refeitrio. Foi ali, sentada no refeitrio,  tentando conversar com
vrios estranhos curiosos, que eu os vi pela primeira vez. Eles estavam
sentados num canto do refeitrio, o mais longe possvel de onde eu
estava. Eram cinco. No conversavam e no comiam, apesar de cada um
deles ter uma bandeja intocada de comida na sua frente. Eles no estavam
me encarando, como a  maior parte dos outros alunos, ento era seguro
ficar olhando para eles sem ter medo de encontrar um par de olhos
excessivamente interessado. Mas no foi nenhuma  dessas coisas que
chamou, e prendeu, minha ateno. Eles no se pareciam em nada. Dos trs
garotos, um era grande - musculoso como um levantador de peso
profissional,  com cabelo escuro e encaracolado. Outro era alto, mais
magro, mas ainda musculoso, e com cabelo loiro escuro. O outro era mais
magro, menos musculoso, com cabelo  cor de bronze, meio bagunado. Ele
parecia mais jovem do que os outros, que pareciam que poderiam estar na
faculdade, ou at mesmo serem professores ao invs de  alunos. As
garotas eram opostos. A mais alta era maravilhosa. Ela tinha uma
silhueta linda, do tipo que se v na capa da revista Sports Illustrated,
na edio de  roupas de banho, e daquelas que fazem as outras garotas se
sentirem mal consigo mesma s por estarem na mesma sala. O cabelo dela
era dourado, gentilmente balanando  at o meio das costas. A outra
garota era mais baixa e parecia uma fadinha. Bem magra, com feies
pequenas. O cabelo dela era totalmente preto, cortado curtinho  e
apontando para todas as direes. E ainda assim, eles se pareciam muito.
Todos eram muito plidos, os mais plidos de todos os alunos dessa
cidade sem sol. Mais  plidos do que eu, a albina. Todos tinham olhos
bem escuros, apesar da diferena na cor dos cabelos. Alm disso, eles
tinham olheiras - sombras arroxeadas, como  machucados. Como se todos
eles tivessem passado a noite em claro, ou quase se recuperando de ter o
nariz quebrado. Apesar de seus narizes, de todas as partes de  seus
corpos, serem perfeitamente retos e angulares. Mas no era por causa de
tudo isso que no conseguia tirar os olhos deles. Eu os olhava por que
seus rostos,  to diferentes, to iguais, eram todos devastadoramente,
inumanamente lindos. Eram rostos que voc nunca espera encontrar alm
de, talvez, nas pginas editadas de  uma revista de moda. Ou pintadas
por um dos velhos mestres como a face de um anjo. Era difcil decidir
quem era o mais belo - talvez a perfeita loira, ou o garoto  com cabelos
cor de bronze.

Estavam todos olhando para longe - longe um dos outros, longe dos outros
alunos, longe de qualquer coisa em particular que eu pudesse ver.
Enquanto eu olhava a garota  mais baixa levantou com a bandeja - o
refrigerante fechado, a ma inteira - e foi embora com um passo rpido
e gracioso que deveria estar em uma passarela. Eu fiquei  olhando,
maravilhada com os passos de danarina dela, at ela largar a bandeja e
sair pela porta de trs, mais rpido do que eu imaginava ser possvel.
Meus olhos  voltaram logo para os outros, que estavam l, sem mudanas.
-- Quem so eles? -- perguntei  garota da aula de espanhol, de quem eu
no lembrava o nome. Enquanto  ela olhava para ver de quem eu estava
falando - apesar de j saber, provavelmente, por causa do meu tom de voz
- de repente ele olhou para ela, o mais magro, o mais  garoto de todos,
talvez o mais jovem. Ele olhou para a garota do meu lado por s uma
frao de segundo e ento seus olhos escuros se dirigiram aos meus. Ele
olhou  para longe bem rpido, mais rpido do que eu conseguiria, apesar
de numa onde de vergonha eu tenha baixado meus olhos na mesma hora.
Naquele pequeno instante, seu  rosto no aparentou interesse - era como
se ela tivesse chamado o nome dele, e ele olhara numa resposta
involuntria, j tendo decidido que no ia responder. A garota  do meu
lado riu envergonhada, olhando para a mesa, assim como eu. -- Aqueles
so Edward e Emmett Cullen e Rosalie e Jasper Hale. A que foi embora 
Alice Cullen.  Todos vivem juntos com o Dr. Cullen e a esposa dele. --
Ela falou isso meio entre os dentes. Olhei meio de lado para o garoto
lindo, que agora olhava para a bandeja  dele, picando um pozinho com
dedos plidos e longos. Seus lbios se moviam rapidamente, seus lbios
perfeitos mal se abrindo. Os outros trs ainda olhavam para  longe,
ainda assim eu sentia que ele estava falando com eles. Nomes estranhos e
pouco populares, eu pensei. Os tipos de nomes que avs tinham. Mas
talvez fosse moda  aqui - nomes de cidade pequena? Finalmente lembrei
que a garota ao meu lado se chamava Jessica, um nome perfeitamente
comum. Havia duas garotas chamadas Jessica  na minha aula de Histria,
em Phoenix. -- Eles so... muito bonitos. -- lutei contra a bvia falta
de intensidade do que disse. -- Sim! -- Jessica concordou dando  outro
risinho. -- Mas eles j esto juntos - Emmett e Rosalie, e Jasper e
Alice. E moram juntos. -- A voz dela continha todo o choque e reprovao
de uma cidade  pequena, pensei criticamente. Mas se eu fosse honesta,
teria que admitir que at em Phoenix algo assim seria motivo de fofocas.
-- Quais so os Cullens? -- perguntei  -- Eles no se parecem... -- Ah,
mas no so. O Dr. Cullen  bem jovem, tem uns 20 ou 30 e poucos. So
todos adotados. J os Halle so irmo e irm, gmeos - so  os loiros -
e vivem com eles. -- Eles no so um pouco velhos pra isso? -- Agora
sim, Jasper e Rosalie j tm dezoito anos, mas vivem com a Sra. Cullen
desde que  tinham oito. Ela  tia deles ou algo assim. -- Isso  bem
legal - deles cuidarem de todas essas crianas assim, sendo to jovens.
-- Acho que sim. -- Jessica admitiu  relutantemente, e fiquei com a
impresso de que ela no gostava do doutor e da esposa dela por algum
motivo. Com os olhares que ela dava na direo deles, imaginei  que o
motivo fosse inveja. -- Mas acho que a Sra. Cullen no pode ter filhos.
-- ela disse, como se isso diminusse a bondade deles. Durante toda essa
conversa,  meus olhos iam e voltavam para a mesa onde a estranha famlia
estava sentada. Eles continuavam olhando para as paredes e no comendo.
-- Eles sempre moraram em Forks?  -- perguntei. Com certeza eu os teria
notado em algum dos meus veres aqui.

-- No. -- ela disse num tom de voz que implicava que isso era bvio,
at algum recm chegado como eu deveria saber. -- Eles vieram para c
dois anos atrs, vindos  de algum lugar no Alasca. Senti uma onda de
compaixo, e alvio. Compaixo porque, apesar de serem lindos, eram de
fora, claramente no eram aceitos. Alvio porque  eu no era a nica
novata aqui, e certamente no a mais interessante. Enquanto eu os
analisava, o mais novo, um dos Cullens, olhou para mim e nossos olhos se
encontraram,  dessa vez com uma expresso evidente de curiosidade.
Enquanto eu esquivava meu olhar, me pareceu que no dele havia alguma
expectativa no alcanada. -- Qual deles   o garoto de cabelos
castanhos avermelhados? -- perguntei. Espiei com o canto do olho e ele
ainda me encarava, mas no como os outros alunos tinham feito durante
todo o dia - a expresso dele era meio frustrada. Olhei para baixo
novamente. -- Aquele  Edward. Ele  maravilhoso, lgico, mas no perca
tempo. Ele no namora.  Nenhuma das garotas daqui so bonitas o
suficiente para ele, aparentemente. -- ela desdenhou, um caso claro de
rejeio. Fiquei me perguntando quando ele tinha rejeitado  ela. Mordi o
lbio para esconder um sorriso, e ento olhei para ele novamente. Seu
rosto estava virado para o outro lado, mas me pareceu, pelos msculos do
rosto,  que ele sorria tambm. Aps mais alguns minutos os outros quatro
deixaram a mesa juntos. Todos eram notoriamente graciosos - at mesmo o
grandalho. Era algo desconcertante  de se observar. O que se chamava
Edward no olhou para mim novamente. Fiquei na mesa com Jessica e seus
amigos mais tempo do que ficaria se estivesse sozinha ali.  Estava
ansiosa para no chegar atrasada nas aulas no meu primeiro dia. Uma das
minhas novas conhecidas, que gentilmente me lembrou que seu nome era
Angela, tinha  Biologia II comigo no prximo perodo. Fomos juntas para
a aula, em silncio. Ela era tmida tambm. Quando entramos na sala de
aula, Angela foi sentar-se numa mesa  de laboratrio, com tampa preta,
exatamente como as que eu estava acostumada. Ela j tinha um par. Na
verdade, todas as mesas estavam ocupadas, com a exceo de  uma. Ao lado
da fileira do meio, reconheci Edward Cullen por seu cabelo peculiar,
sentado ao lado da nica cadeira vazia. Enquanto fui at o professor
para me apresentar  e pedir para que ele assinasse meu papel,
secretamente observava Edward. No momento em que passei, ele ficou
rgido de repente. Ele me encarou novamente, seus olhos  encontraram os
meus com a mais estranha das expresses em seu rosto - era hostil,
furiosa. Olhei para longe rapidamente, chocada, ficando vermelha
novamente. Tropecei  num livro e precisei me segurar em uma mesa. A
menina sentada ali riu. Tinha notado que os olhos dele eram negros, como
carvo. O Sr. Banner assinou meu papel e  me entregou um livro sem o
besteirol das apresentaes. Pude prever que nos daramos bem.
Obviamente, ele no tinha escolha a no ser mandar eu me sentar na nica
classe vazia no meio da sal. Mantive meu olhar baixo enquanto ia sentar
ao lado dele, confusa com o olhar maldoso que ele tinha me dado. No
olhei para cima enquanto  colocava o livro na mesa e me sentava, mas vi,
com o canto do olho, sua postura mudar. Ele estava se inclinando para
longe de mim, sentado bem na ponta da cadeira  e virando a cara como seu
eu tivesse cheiro ruim. Discretamente, cheirei meu cabelo. Tinha cheiro
de morangos, que era o perfume do meu xampu preferido. Parecia  um
cheiro inocente o bastante. Deixei meu cabelo cair

sobre meu ombro direito, criando uma cortina escura entre ns, e tentei
prestar ateno no professor. Infelizmente a aula era sobre anatomia
celular, algo que eu  j tinha estudado. Fui fazendo anotaes mesmo
assim, sempre olhando para baixo. No conseguia me conter e, de vez em
quando, olhava para o garoto estranho ao meu  lado, atravs da cortina
de cabelo. Durante a aula toda ele no relaxou de posio, sentado na
ponta da cadeira, o mais longe possvel de mim. Pude ver que sua mo
sobre a perna esquerda estava em punho, os tendes se destacando sob a
pele clara. Tambm no relaxou a mo sequer uma vez. As mangas da sua
camisa branca estavam  puxadas at os cotovelos, e seu brao era
surpreendentemente musculoso. Ele no era to frgil quanto parecia
quando comparado com o irmo. A aula parecia se arrastar  mais do que as
outras. Ser que era por que o dia estava finalmente acabando ou por que
esperava que seu pulso fosse relaxar? Ele nunca o fez. Ele estava to
imvel  que parecia que no respirava. Qual era o problema dele? Ser
que isso era o comportamento normal dele? Me questionei sobre o que
tinha pensado sobre a amargura  de Jessica durante o almoo. Talvez ela
no fosse to rancorosa como eu pensava. No poderia ser comigo. Ele
nunca tinha me visto na vida. Espiei de novo e me arrependi.  Ele estava
me olhando novamente, seus olhos negros cheios de repulsa. Enquanto me
afastava dele, me espremendo na cadeira, a frase "se olhar matasse"
cruzou minha  mente. Naquele momento o alarme bateu alto, me assustando,
e Edward Cullen j tinha se levantado. Ele era muito mais alto do que
tinha imaginado, e de costas para  mim ele se foi fluidamente. Antes que
qualquer um dos outros estivesse de p, ele j tinha sado pela porta.
Fiquei congelada no lugar, olhando para ele. Ele era  muito mau. No era
justo. Comecei a juntar minhas coisas devagar, tentando bloquear a raiva
que me consumia, para no acabar chorando. Por algum motivo, meu humor
tinha ligao com meus canais lacrimais. Geralmente chorava quando
estava com raiva, uma mania humilhante. -- Voc no  Isabella Swan? --
perguntou uma voz masculina.  Olhei para ver um garoto bonitinho, com
cara de beb, o cabelo loiro claro cuidadosamente moldado com gel,
sorrindo para mim de um jeito amigvel. Ele, com certeza,  no achava
que eu cheirava mal. -- Bella. -- corrigi com um sorriso. -- Sou Mike.
-- Oi, Mike. -- Precisa de ajuda pra encontrar sua prxima aula? -- Na
verdade,  estou indo para o ginsio. Acho que consegui ach-lo. -- Essa
 minha prxima aula tambm. -- ele parecia extasiado, apesar de no ser
muita coincidncia numa escola  to pequena. Fomos para a aula juntos.
Ele era um conversador - ele falava bastante, o que facilitava para mim.
Ele tinha morado na Califrnia at os dez anos, ento  ele me entendia
com relao ao sol. E ele estava na minha aula de ingls tambm. Tinha
sido a pessoa mais legal que conhecera aquele dia. Mas enquanto
entrvamos  no ginsio ele perguntou -- Ento, voc fincou o lpis no
Edward Cullen ou o qu? Nunca o vi agir assim. Ento no tinha sido s
eu que notara. E, aparentemente,  no era assim que ele se comportava
normalmente. Decidi bancar a desentendida. -- Era o garoto sentado do
meu lado em biologia? -- perguntei ingenuamente. -- Sim.  -- ele disse
-- Parecia que ele estava com dor ou algo parecido.

-- No sei. -- respondi -- Nunca conversei com ele. --  um cara
estranho. -- Mike ficou por ali ao invs de ir para o vestirio. -- Se
eu tivesse tido a sorte de  sentar do seu lado, teria conversado com
voc. Sorri para ele antes de ir para o vestirio das meninas. Ele era
legal e claramente gostava de mim, mas isso no foi  o bastante para
diminuir minha irritao. O professor de Educao Fsica, Treinador
Clapp, me deu um uniforme mas no me fez vesti-lo para a aula. Em
Phoenix, s  dois anos de EF eram obrigatrios, aqui, era obrigatrio
durante todos os anos. Forks literalmente era o meu inferno na Terra.
Assisti a quatro jogos de vlei ao  mesmo tempo. Lembrando quantas vezes
tinha machucado a mim mesma - e os outros - jogando vlei, me senti
nauseada. O sinal tocou finalmente. Fui lentamente at a  secretaria
para entregar minha papelada. A chuva tinha parado, mas o vento estava
mais forte e mais frio. Me enrolei mais nas roupas. Quando entrei na
quente secretaria,  quase me virei e sa de novo. Edward Cullen estava
parado  mesa logo na minha frente. Novamente reconheci aquele cabelo
cor de bronze e desarrumado. Ele pareceu  no perceber a minha entrada.
Me encostei na parede, esperando a recepcionista poder me atender. Ele
estava conversando com ela numa voz baixa e atraente. Logo peguei  o
motivo da conversa: ele queria trocar o perodo da aula de biologia para
outro horrio, qualquer outro. No podia acreditar que era por minha
causa. Tinha que  ser outra coisa, algo que acontecera antes de eu
entrar na sala. A expresso em seu rosto tinha que ser por outro motivo.
Era impossvel que esse estranho tivesse  me detestado tanto assim, to
subitamente. A porta abriu novamente, e o vento frio entrou de repente,
levantando os papis sobre a mesa, jogando meu cabelo sobre  meu rosto.
A garota que entrara simplesmente chegou na mesa, colocou um bilhete na
cesta de arame e saiu novamente. Mas Edward Cullen ficou rgido e se
virou lentamente  para me olhar - o rosto dele era absurdamente lindo
com olhos fulminantes e cheios de dio. Por um instante senti puro medo,
levantando os plos dos meus braos.  O olhar s durou um segundo, mas
me congelou mais do que o vento enregelante. Ele se virou novamente para
a recepcionista. -- Deixa para l, ento. -- ele disse  apressadamente
com uma voz aveludada. -- Vejo que  impossvel. Muito obrigado pela
ajuda. -- se virou sem olhar para mim de novo e saiu pela porta. Fui
calmamente  at a mesa, meu rosto branco ao invs de vermelho, e
entreguei o papel assinado. -- Como foi seu primeiro dia, querida? -- a
recepcionista perguntou, maternalmente.  -- Bem. -- menti com a voz
fraca. Ela no pareceu convencida. Quando cheguei na caminhonete, era
praticamente o ltimo carro no estacionamento. Ela era como um refgio,
a coisa mais perto de um lar que eu tinha nesse buraco verde e mido.
Sentei l dentro por um tempo, simplesmente olhando pelo vidro. Mas logo
estava frio o bastante  para precisar do aquecedor, ento virei a chave
e o motor ganhou vida. Peguei meu caminho de volta para a casa do
Charlie, lutando para no chorar durante todo o  caminho.

2-LIVRO ABERTO O outro dia foi melhor...e pior. Foi melhor porque no
estava chovendo ainda,apesar de as nuvens estarem densas e opacas.Foi
mais fcil porque eu  j sabia o que esperar do meu dia.Mike veio se
sentar ao meu lado em Ingls,e me acompanhou at a minha prxima
aula,com Eric Do Clube De Xadrez encarando ele o  tempo inteiro;era uma
reclamao.As pessoas no ficaram me olhando tanto quanto ontem.Eu
sentei com um grande grupo que incluia Mike,Eric,Jessica e muitas outras
daquelas pessoas cujos nomes e rostos eu lembrava agora.Eu comecei a
sentir que agora eu andava na gua, ao invs de afundar nela. Foi pior
porque eu estava cansada;  eu ainda no conseguia dormir com o vento
ecoando ao redor da casa.Foi pior porque o Sr.Varner me chamou em
Trigonometria quando a minha mo no estava levantada  e eu dei a
resposta errada.Foi infeliz porque eu tive que jogar Vlei,e na nica
vez que eu no fugi da bola eu ating a minha parceira de time na cabea
com ela.E  foi pior porque Edward Cullen no estava na escola. durante a
manh inteira eu estive temendo o almoo,sentindo seus olhares
bizarros.Parte de mim queria confront-lo  e ordenar que ele disesse
qual era o problema.Enquanto eu estava deitada acordada na cama,eu at
imaginei o que eu diria.Mas eu me conhecia bem demais pra achar  que eu
teria a coragem de fazer isso.Eu fiz o leo covarde do Mgico de Oz
parecer o Exterminador. Mas quando eu entrei na cafeteria com
Jssica-tentando evitar  que os meus olhos vasculhassem o lugar
procurando por ele,e falhando miservelmente- eu v que seus quatro
irmo estavam sentados juntos na mesma mesa,e ele no  estava com eles.
Mike nos recebeu e nos guiou at a mesa dele.Jessica parecia alegre pela
ateno,e as amigas dela rapidamente se juntaram  ns. Enquanto eu
tentava  ouvir a conversa fluente deles,eu estava terrivelmente
desconfortvel,esperando nervosamente pelo momento que ele chegaria.Eu
esperava que ele simplesmente me ignorasse  quando chegasse,e provasse
que as minhas suspeitas eram falsas. Ele no veio,e com o passar do
tempo eu fiquei mais e mais nervosa. Eu fui para Biologia mais confiante
quando,ao final do almoo,ele ainda no havia aparecido.Mike,que estava
agindo como um co de guarda,andou fielmente ao meu lado at a sala de
aula.Eu segurei o  flego na porta,mas Edward Cullen tambm no estava
l.Eu exalei e fui me sentar.Mike me seguiu, falando de uma viagem 
praia que estava pra acontecer.Ele se curvou  na minha mesa at que o
sinal tocou.A ele sorriu tristemente pra mim e foi sentar perto de uma
garota de aparelho e com um penteado ruim.Parecia que eu teria que
fazer alguma coisa em relao  Mike,e no seria fcil.Em uma cidade
como essa,em que todo mundo vive em cima de todo mundo,diplomacia 
essencial.Eu nunca tive  muito tato;eu nunca tive muita prtica em lidar
com garotos amigveis demais. Eu estava aliviada que teria a mesa para
mim mesma,que Edward estava ausente.Eu disse  isso para mim mesma
repetidamente.Era rudiculo, e egosta,pensar que eu podia afetar algum
desse jeito.Era impossvel.E ainda assim eu no conseguia parar de
pensar  que fosse verdade. Quando o dia na escola finalmente acabou,e as
minhas bochechas no estavam mais coradas por causa do incidente no
Vlei,eu rapidamente coloquei  as minhas calas jeans e o meu suter
azul marinho.Eu sa correndo do vestirio feminino,contente de ver que
momentaneamente eu havia conseguido afastar o meu amigo  co de guarda.
Eu caminhei rapidamente at o estacionamento.Agora estava cheio de
alunos.Eu entrei na minha caminhonete e procurei na minha mochila pra
ver se eu  tinha tudo que eu precisava.

noite passada eu descobr que Charlie no sabia cozinhar nada alm de
ovos fritos e bacon.Ento eu ped pra tomar conta dos detalhes da
cozinha enquanto durasse  a minha estada.Ele ficou feliz o suficiente
pra me passar a chava da sala do banquete.Ento eu estava com a minha
lista de compras e o dinheiro do jarro no armrio  onde havia DINHEIRO
DA COMIDA escrito,e estava  caminho da Thriftway(axu q  o nome de uma
loja). Eu dei ingnio no motor barulhento,ignorando as cabeas que
viraram  em minha direo e dei r cuidadosamente e entrei na fila de
carros que esperava para sair do estacionamento.Enquanto eu
esperava,tentando fingir que o barulho ensurdecedor  estava vindo do
carro de outra pessoa,eu v os dois irmos Cullen e os dois gmeos Hale
entrando no carro deles.Era um Volvo novinho em folha. claro. Eu nunca
havia  reparado nas roupas deles antes-eu estav hipnotizada demais com
os rostos deles.Agora que eu havia olhado,era bvio que todos eles se
vestiam excepcionalmente bem;simples,mas  com roupas que claramente eram
assinadas por estilistas famosos.Com os seus rostos notveis e com o
estilo com que se comportavam,eles podiam usar trapos e ainda  ficarem
bem.Parecia demais pra eles ter tanto beleza quanto dinheiro.At onde eu
podia dizer,era assim que a vida funcionava na maioria da vezes.No caso
deles, isso  no parecia ter comprado aceitao por aqui. No,eu no
acreditava inteiramente nisso.A isolao deve ser desejo deles;eu no
podia imaginar nenhuma porta que no  estivesse aberta  esse grau de
beleza. Eles olharam para a minha caminhonete barulhenta quando eu
passei por eles,igual a todo mundo.Eu mantive os meus olhos virados
para a frente e fiquei aliviada quando finalmente estava livre da
escola. A Thriftway no era longe da escola,s algumas ruas ao sul,fora
da estrada.Era bom estar  dentro do supermercado;parecia normal.Eu fazia
as compras em casa,e me moldei aos padres da tarefa familiar
alegremente. A loja era grande o suficiente pra me fazer  no ouvir a
chuva no telhado e esquecer de onde eu estava. Quando eu cheguei em
casa,eu descarregeui as compras e enfiei elas em qualquer espao vazio
que consegui  achar.Eu esperava que Charlie no se incomodasse.Eu
embrulhei batatas em papel alumnio e coloquei no forno pra assar,cobri
bifes com molho marinado e equilibrei-os  em cima de uma caixa de
ovos,em uma frigideira. Quando eu terminei de fazer isso,eu sub com a
minha mochila.Antes de comear a fazer o meu dever de casa,eu me troquei
colocando uma cala seca e prendendo o meu cabelo em um rabo de cavalo,e
chequei meus e-mails pela primeira vez.Eu tinha trs mensagens.
"Bella",minha me escreveu...  ME ESCREVA ASSIM QUE CHEGAR.ME DIGA COMO
FOI O SEU VO.EST CHOVENDO? J SINTO A SUA FALTA.J ESTOU QUASE
TERMINANDO DE FAZER AS MALAS PARA A FLRIDA, MAS NO CONSIGO  ACHAR A
MINHA BLUSA ROSA. VOC SABE ONDE EU DEIXEI? PHIL DIZ OI. MAME. Eu
suspirei e fui para a prxima mensagem.Foi mandada oito horas depois da
primeira. "Bella",ela  escreveu... PORQU VOC AINDA NO ME RESPONDEU? O
QUE VOC EST ESPERANDO? MAME.

A ltima foi de hoje de manh. ISABELLA,SE EU NO TIVER NOTCIAS DE VOC
AT 5:30 DE TARDE DE HOJE,EU VOU LIGAR PARA CHARLIE. Eu olhei para o
rlgio.Eu ainda tinha  uma hora,mas minha me era bem conhecida por
agir precipitadamente. ME SE ACALME. EU ESTOU ESCREVENDO AGORA. NO
FAA NADA IMPRUDENTE. BELLA. Eu enviei essa e comecei  de novo. ME,
TUDO EST TIMO. CLARO QUE EST CHOVENDO.EU ESTAVA ESPERANDO POR ALGO
SOBRE O QUE ESCREVER.A ESCOLA NO  RUIM,S UM POUCO REPETITIVA.EU
CONHEC UM  PESSOAL LEGAL QUE SENTA COMIGO NO ALMOO. SUA BLUSA EST NA
LAVANDERIA- VOC DEVIA TER IDO BUSCAR ELA SEXTA FEIRA. CHARLIE COMPROU
UMA CAMINHONETE,D PRA ACREDITAR?  EU ADOREI. MEIO VELHA, MAS TEM
PORTE,O QUE  BOM,SABE,PRA MIM. TAMBM SINTO SUA FALTA.EU VOU ESCREVER
DE NOVO EM BREVE,MAS NO VOU FICAR CHECANDO OS MEUS E-MAILS  A CADA
CINCO MINUTOS.RELAXE,RESPIRE.EU TE AMO. BELLA. Eu decid ler O MORRO DOS
VENTOS UIVANTES-o romance que estamos estudando atualmente em Ingls- de
qualquer  forma era s pela diverso,e era isso que eu estava fazendo
quando Charlie chegou em casa.Eu perd a noo do tempo,e corr para
tirar as batatas do forno e colocar  o bife pra grelhar. "Bella?",meu
pai chamou quando me ouviu descer as escadas. Quem mais? Eu pensei
comigo mesma. "Oi,pai,bem vindo ao lar" "Obrigado".Ele tirou  o colete
da arma e tirou as botas enquanto eu entrava na cozinha.At onde eu
sabia,meu pai nunca usou sua arma no trabalho.Mas ele a mantinha
pronta.Quando eu vinha  aqui quando criana ele sempre tirava as balas
assim que entrava em casa.Acho que agora me considerava velha o
suficiente pra no atirar em mim mesma por acidente,e  no deprimida o
suficiente para no atirar em mim mesma de propsito. "O que tem para o
jantar?",ele perguntou cautelosamente.Minha me era uma cozinheira
imaginativa  e os experimentos dela no eram sempre comestveis.Eu
estava surpresa,e triste,que ele parecia se lembrar daquela poca. "Bife
e batatas",eu disse e ele pareceu  aliviado. Ele pareceu se sentir
estranho de p na cozinha sem fazer nada;ele foi pra a sala de estar
assistir TV enquanto eu trabalhava na cozinha.Ficvamos os dois  mais
confortveis desse jeito.Eu fiz uma salada enquanto os bifes grelhavam,e
fiz a mesa.

Eu o chamei quando o jantar estava pronto,ele cheirou apreciadoramente
enquanto entrava na cozinha. "O cheiro  bom,Bell." "Obrigada" Ns
comemos em silncio por  alguns minutos.No era desconfortvel. Nenhum
de ns estava incomodado por estar quieto.Em alguns sentidos, ns
servamos para morar juntos. "Ento,voc gostou da  escola? Voc fez
amigos?"ele perguntou como que pra passar o tempo. "Bem,eu tenho algumas
aulas com uma garota chamada Jssica.Eu sento com as amigas dela no
almoo.E  tem esse garoto,Mike,que  muito amigvel.Todos parecm ser
muito legais."Com uma excesso. "Esse deve ser Mike Newton.Bom garoto-
Boa famlia.O pai dele  dono da  loja de suplementos esportivos que
fica fora da cidade.Ele faz um bom dinheiro por causa daqueles
mochileiros que vm  cidade." "Voc conhece a famlia Cullen?"  eu
perguntei hesitante. "A famlia do Dr.Cullen? Claro.O Dr.Cullen  um
timo homem" "Eles...as crianas so um pouco diferentes.Eles no
parecem se adequar muito  bem na escola." Charlie me surpreendeu
parecendo um pouco irritado. "As pessoas dessa cidade." ele murmurou.
"Dr.Cullen  um cirurgio brilhante que poderia provavelmente  trabalhar
em qualquer hospital do mundo,ganhando dez vezes mais do que o salrio
dele aqui." ele continuou,falando mais alto "Temos sorte por t-lo -
sorte que a  esposa dele quis viver numa cidade pequena.Ele  um aditivo
 comunidade e todos aqueles garotos so bem comportados e educados. Eu
tive as minhas dvidas quando  eles vieram pra c,com todos aqueles
adolescentes adotados.Eu pensei que teramos problemas com eles.Mas eles
so todos muito maduros- eu nunca tive nenhuma espcie  de problema com
nenhum deles.Isso  mais do que eu posso dizer de algumas crianas cujas
famlias viveram aqui por geraes. E eles ficam juntos do jeito que uma
famlia deve ficar- acampando s vezes nos finais de semana...S porque
eles so novos na cidade as pessoa tm que ficar falando." Foi o
discurso mais longo que  eu j v Charlie fazendo.Ele deve ser
fortemente contra o que quer que as pessoas esto dizendo. Eu dei pra
tras. "Eles pareceram bons o suficiente pra mim.Eu s  reparei que eles
ficam muito sozinhos.Eles so todos muito atraentes." eu adicionei isso
tentando parecer complementar. "Voc devia ver o doutor" Charlie disse
rindo  "Que bom que ele  feliz no casamento.Muitas enfermeiras se
esforam em se concentrar em seus trabalhos quando ele est por perto"
Ns continuamos em silncio at  terminarmos de comer. Ele limpou a mesa
enquanto eu comecei a lavar os pratos. Ele voltou para a TV, e depois
que eu terminei de lavar os pratos  mo- nada de lavadora  de pratos-
eu sub sem vontade pra fazer o meu dever de Matemtica. A noite
finalmente estava quieta. Eu ca no sono rapidamente, exausta. O resto
da semana foi  sem novidades. Eu me acostumei  rotina das aulas. Na
sexta eu j era capaz de reconhecer,se no nomear,quase todos os alunos
da escola. Na ginstica,os garotos  do meu timeaprenderam a no me
passar a bola e a entrar rapidamente na minha frente se o outro time
tentasse se aproveitar da minha fraqueza. Eu ficava alegremente  fora do
caminho deles.

Edward Cullen no voltou  escola. Todos os dias eu observava
ansiosamente quando os outros Cullen entravam na cafeteria sem ele.
Ento eu podia relaxar e aproveitar  a conversa da hora do almoo. Na
maioria das vezes a coversa era sobre uma viagem ao Prque Oceanogrfico
de La Push dentro de duas semanas que Mike estava planejando.  Eu fiu
convidada e tive que aceitar,mais por educao que por vontade. Praias
tm que ser quentes e secas. Na sexta eu j me sentia confortvel
entrando na sala  de Biologia, sem me preocupar que Edward pudesse estar
l. At onde eu sabia,ele havia desistido da escola. Eu tentei no
pensar nele,mas eu no podia suprimir totalmente  a preocupao de que
eu pudesse ser a responsvel por sua ausncia,por mais ridiculo que
parecesse. Meu primeiro fim de semana em Forks passou sem incidentes.
Charlie,  desacostumado  ficar na casa normalmente vazia,trabalhou a
maior parte do fim de semana. Eu limpei a casa,adiantei o dever de casa
e escrev mais e-mails com bobagens  alegres para a minha me. Eu dirig
at a biblioteca pblica no sbado,mas o estoque era to pobre que eu
nem me encomodei em fazer um carto;eu teria que arranjar  uma data pra
visitar Olympia ou Seattle em breve e achar uma boa loja de livros. Eu
pensei  toa quantas milhas a caminhonete faria com um litro de
gasolina...e  trem com o pensamento. A chuva permaneceu leve durante o
fim de semana,quieta,ento eu pude dormir bem. As pessoas me
cumprimenteram no estacionamento da escola  na segunda de manh. Eu no
sabia todos os nomes deles,mas eu acenei de volta e sorr pra todos.
Esta manh estava mais frio,mas felizmente no chovendo. Em Ingls,Mike
sentou no assento de costume ao meu lado. Tivemos uma arguio sobre O
Morro dos Ventos Uivantes,eu estava adiantada,muito fcil. Tudo por
tudo,eu estava me sentindo  muito mais confortvel do que eu imaginei
que sentiria a esse ponto. Mais confortvel do que eu jamais esperei me
sentir aqui. Quando samos da sala, o ar estava  cheio de pedaos
brancos rodando. Eu podia ouvir as pessoas gritando excitadamente umas
para as outras. O vento mordeu minhas bochechas,meu nariz. "Uau", Mike
disse,  "Est nevando." Eu olhei para os pedacinhos de algodo que
estavam se alojando na calada e danando errneamente enquanto passavam
pelo meu rosto. "Eca". Neve.  L se vai meu bom dia. Ele pareceu
surpreso."Voc no gosta de neve?" "No,significa que est frio demais
para chover". Obvio. "Alm do mais,eu pensei que elas deviam  descer
como flocos- sabe, unicos e essa coisa toda. Esses parecem contonetes
usados." "Voc nunca viu a neve cair?" ele perguntou sem acreditar.
"Claro que j."  eu pausei "na TV." Mike riu,e ento uma grande,molhada
bola de neve derretendo atingiu a parte de trs da sua cabea. Eu tinha
minhas suspeitas sobre Eric, que estava  andando pra longe, de costas
pra ns- na direo errada para a sua prxima aula. Aparentemente,Mike
era da mesma opinio. Ele se curvou e comeou a juntou uma pilha  de
neve branca. "Eu te vejo no almoo t?" Eu continuei caminhando enquanto
falava. "Quando as pessoas comeam a atirar coisas molhadas, eu vou pra
dentro" Ele s  acenou com a cabea,seus olhos na figura se distanciando
de Eric.

Durante a manh,todos falavam excitadamente sobre a neve; aparentemente
era a primeira nevasca do ano. Eu mantive minha boca fechada. Claro,era
mais seca do que  a chuva- at que derretia nas suas meias. Eu caminhei
em alerta para a cafeteria com Jssica. As bolas de neve voavam por todo
lugar. Eu mantive uma pasta na minha  mo,pronta para us-la como escudo
se necessrio. Jessica achou hilrio,mas algo na minha expresso no
permitiu que ela mesma me atingisse com uma bola de neve.  Mike nos
alcansou quando passamos pela porta,rindo,com gelo derretendo pelos seus
cabelos arrepiados. Ele e Jssica converssavam animadamente sobre a
guerra de neve  quando entramos na fila para comprar a comida. Eu olhei
para a mesa no canto por puro hbito. E congelei onde eu estava. Haviam
cinco pessoas na fila. Jssica me  puxou pelo brao. "Al? Bella? O que
voc quer?" Eu olhei para baixo; minhas orelhas estavam quentes. Eu no
tinha motivos para me sentir constrangida,eu lembrei  a mim mesma. Eu
no fiz nada errado. "Qual o problema com Bella?", Mike perguntou a
Jssica. "Nada",eu respond."Hoje eu s quero um refrigerante".Eu me
aproximei  do fim da fila. "Voc no est com fome?",Jssica perguntou.
"Na verdade, eu estou me sentindo um pouco enjoada.",eu falei,meus olhos
ainda no cho. Eu esperei que  eles pegassem suas comidas,e ento segui
eles at a mesa,meus olhos nos meus ps. Eu bebi o meu refrigerante
devagar,meu estmago revirando. Mike perguntou duas  vezes,com
preocupao desnecessria,como eu estava me sentindo. Eu disse a ele que
no era nada,mas estava imaginando se eu deveria usar isso como desculpa
para  fugir para a enfermaria e ficar l durante a prxima hora.
Ridculo. Eu no devia precisar fugir. Eu decid me permitir dar uma
olhada para a mesa da famlia Cullen.  Se ele estivesse me encarando,eu
iria faltar Biologia como a covarde que eu era. Eu mantive minha cabea
abaixada e olhei pra cima por baixo dos meus clios. Nenhum  deles
estava olhando na minha direo. Eu levantei a cabea um pouco. Eles
estavam rindo. Edward,Jasper e Emmett todos eles estavam inteiramente
cobertos com neve  derretendo. Alice e Rosalie se afastaram enquando
Emmett balanava o cabelo pingando dele na direo delas. Eles estavam
aproveitando o dia de neve,igual a todo  mundo- s que eles pareciam
mais com a cena de um filme do que o resto de ns. Mas,sem contar os
risos e brincadeira,havia algo diferente, e eu no conseguia apontar
qual era essa diferena. Eu examinei Edward mais cuidadosamente. A pele
dele estava menos plida,eu decid- talvez corada pela guerra de neve-
os crculos embaixo  dos olhos dele estavam muito menos visveis. Mas
havia algo mais. Eu reflet, encarando,tentando notar a diferena.
"Bella,pra onde voc t olhando?",Jssica se  intrometeu,acompanhando os
meus olhos. Nesse preciso momento os olhos dele brilharam e se
encontraram com os meus. Eu deixei minha cabea cair,deixando meus
cabelos  cairem pra cobrir meu rosto. Eu tinha certeza,no entanto,no
momento que nossos olhos se encontraram, que ele no parecia severo ou
hostil como ele estava da ltima  vez que eu o v. Ele parecia curioso
de novo, insatisfeito de alguma forma. "Edward Cullen est te
encarando",Jssica deu uma risadinha no meu ouvido. "Ele no parece
estar com raiva parece?",eu no pude deixar de perguntar.

"No",ela respondeu parecendo confusa com a minha pergunta."Ele deveria
estar?" "Eu acho que ela no gosta de mim",eu confidenciei. Eu me sent
enjoada. Eu coloquei  minha cabea abaixada no meu brao. "Os Cullen no
gostam de ningum...bem,eles no prestam ateno suficiente em ningum
pra gostar deles. Mas ele ainda est te  encarando." "Pare de olhar pra
ele", eu sussurei. Ela sorriu mas parou de olhar pra ele. Eu levantei
minha cabea o suficiente pra ter certeza que ela faria isso,disposta  a
usar de violncia se ela se opusesse. Mike nos interrompeu- ele estava
planejando uma batalha pica do temporal no estacionamento da escola e
queria que ns nos  juntssemos. Jssica concordou alegremente. O jeito
como ela olhava para Mike no deixou muitas dvidas de que ela toparia
qualquer coisa que ele propusesse. Eu  fiquei em silncio. Eu teria que
me esconder no ginsio at que o estacionamento estivesse vazio. Pelo
resto do horrio do almoo eu mantive meus olhos muito cuidadosamente
na minha prpria mesa. Eu estava decidida a honrar o negcio que fiz
comigo mesma. J que ele no parecia estar com raiva eu podir ir para a
aula de Biologia. Meu  estmago deu cambalhotas quando eu pensei em
sentar perto dele de novo. Eu no queria muito ir para a sala de aula
com Mike como sempre- ele parecia ser um alvo  popular para os
atiradores de bolas de nevemas quando ns foi para a porta,todos menos
eu gemeram em coro. Estava chovendo,lavando todos os traos de neve,
levando-a  embora em uma tira de gelo que se estendia pela calada. Eu
levantei meu capuz,secretamente satisfeita. Eu estaria livre para ir
direto pra casa depois da Ginstica.  Mike continuou uma sequncia de
reclamaes no caminho para o prdio quatro. Uma vez dentro da sala de
aula, eu v aliviada que a minha mesa continuava vazia. A  aula no
comeou por alguns minutos e a sala zumbia com a conversa.Eu mantive os
meus olhos longe da porta, batucando  toa na capa do meu caderno. Eu
ouv muito  claramente quando a cadeira prxima a mim se moveu, mas os
meus olhos se mantiveram cautelosamente no que eu estava fazendo.
"Ol",disse uma voz calma,musical. Eu  olhei pra cima,abismada porque
ele estava falando comigo. Ele estava sentando to longe de mim quanto a
mesa permitia,mas sua cadeira estava virada pra mim. O cabelo  dele
estava pingando de to molhado,desgrenhado- mesmo assim, parecia que ele
havia acabado de gravar um comercial de gel pra cabelo. Seu rosto
estonteante era amigvel,aberto,um  leve sorriso nos seus lbios
indefectveis. Mas seus olhos eram cautelosos. "Meu nome  Edward
Cullen",ele continuou. "Eu no tive a oportunidade de me apresentar  na
semana passada. Voc deve ser Bella Swan." Minha mente estava girando de
to confusa. Eu inventei a coisa toda? Ele era perfeitamnete educado
agora. Eu tinha  que falar;ele estava esperando. Mas eu no consegui
pensar em nada convencional pra dizer. "C-como voc sabe o meu nome?",eu
gaguejei. Ele sorriu um sorriso leve,encantador.  "Oh, eu acho que todo
mundo sabe o seu nome. A cidade inteira esteve esperando voc chegar" Eu
fiz uma careta. Eu sabia que havia sido algo assim. "No",eu insist
estupidamente."Eu quis dizer,porque voc me chamou de Bella?" Ele
pareceu confuso. "Voc prefere Isabella?"

"No,eu gosto de Bella", eu disse. "Mas Charlie- quer dizer meu pai-
deve me chamar de Isabella pelas costas-  assim que todos parecem me
conhecer",eu tentei explicar,me  sentindo como a mais burra entre as
burras. "Oh",ele deixou sair. Eu olhei pro outro lado me sentindo
estranha. Por sorte,o Sr. Banner comeou a aula nessa hora.  Eu tentei
me concentrar na experincia que faramos na hoje. Os slides na caixa
estavam fora de ordem. Trabalhando como parceiros de laboratrio, ns
tinhamos que  separar os slides em tipos de raizes das espcies de
clulas das fases da mitose que eles representavam e etiquetlas
adequadamente. Ns no podamos usar os nosso  livros. Em vinte minutos
ele voltaria pra ver quem havia acertado. "Comecem", ele ordenou.
"Primeiro as damas,parceira?" Edward perguntou. Eu olhei pra cima pra
v-lo sorrindo um sorriso to lindo que eu no podia fazer nada alm de
olhar pra ele como uma idiota. "Ou eu posso comear,se voc quiser". O
sorriso sumiu;ele  estava obviamente imaginando se eu era mentalmente
competente. "No", eu disse ficando corada. "Eu vou na frente." Eu
estava me mostrando,s um pouquinho. Eu j  havia feito essa
experincia,e eu sabia o que eu estava procurando. S podia ser fcil.
Eu coloquei o primeiro slide no lugar embaixo do microscpio e ajustei a
lente para o objetivo de 40 X. Eu estudei o slide brevemente. Minha
avaliao foi confiante."Prfase." "Voc se importa se eu der uma
olhada?",ele perguntou quando  eu comecei a remover o slide. Amo dele
segurou a minha, para me parar, quando ele perguntou. Os dedos dele eram
frios como gelo,como se ele tivesse colocado-a no  gelo antes de entrar
na sala de aula. Mas no foi por isso que eu puxei minha mo to rpido.
Quando ele tocou minha mo,eu sent uma puno como se uma corrente
eltrica tivesse passado por ns. "Me desculpe",ele murmurou tirando sua
mo imediatamente. No entanto,ele continuou tentando alcansar o
microscpio. Eu observei  ele,ainda vacilante,enquanto ele examinava o
microscpio por um tempo ainda menor do que eu. "Prfase",ele
concordou,escrevendo cuidadosamente no primeiro espao  em branco da
nossa folha de trabalho. Ele rapidamente trocou o primeiro slide pelo
segundo,e ento olhou curiosamente para ele. "Anfase",ele
murmurou,escrevendo  no papel enquanto falava. Eu mantive minha voz
indiferente."Posso?" Ele sorriu maliciosamente e me passou o
microscpio. Eu olhei pela lente ansiosamente,s pra  me disapontar.
Droga,ele estava certo. "Slide trs?",eu levantei minha mo sem olhar
pra ele. Ele me passou;parecia que ele estava sendo cuidadoso para no
tocar  minha pele de novo. Eu dei a olhada mais rpida que eu consegui.
"Intrfase".Eu passei o microscpio antes que ele pudesse pedir. Ele deu
uma olhada rpida e ento  escreveu. Eu podia ter escrito enquanto ele
olhava sua escrita limpa e elegante me intimidou. Eu no queria sujar a
folha com os meus garranchos desajeitados. Ns  terminamos antes que
qualquer outra pessoa estivesse perto. Eu podia ver Mike e sua parceira
comparando dois slides de novo e de novo, e outro grupo tinha aberto  o
livro por debaixo da mesa.

Isso no me deixou outra alternativa a no ser tentar no olhar pra
ele...sem sucesso. Eu olhei pra cima,e ele estava olhando pra mim,
aquele inxplicvel olhar de  frustrao nos seus olhos. De repente eu
perceb qual era a sbita diferena no rosto dele. "Voc usa lentes de
contato?",eu soltei sem pensar. Ele pareceu confuso  pela minha pergunta
inesperada. "No". "Oh",eu murmurei."Eu achei que havia algo diferente
nos seus olhos." Ele encolheu os ombros e olhou pra longe. De fato,eu
tinha  certeza que algo estava diferente. Eu lembrava vividamente aquela
cor negra nos olhos dele na ltima vez que ele olhou pra mim- a cor era
facilmente notvel em contraste  com a sua pele plida e seu cabelo
ruivo.Hoje os olhos dele tinham uma cor completamente diferente:um ocre
estranho,mais escuros que Whisky, mas com a mesma tonalidade  dourada.
Eu no entendia como isso podia estar acontecendo,a no ser que por
algum motivo ele estivesse mentindo sobre as lentes de contato. Ou
talvez Forks estivesse  me deixando louca no sentido literal da palavra.
Eu olhei pra baixo. As mos dele estavam apertadas contras os punhos de
novo. O Sr.Banner veio at a nossa mesa  nessa hora,pra ver porque no
estavamos trabalhando. Ele olhou por cima dos nossos ombros para ver a
experincia completa,e ento olhar ainda mais atentamente para  checar
as respostas. "Ento,Edward,voc no achou que Isabella podia ter uma
chance com o microscpio?", o Sr.Banner perguntou. "Bella.",Edward
corrigiu automaticamente.  "Na verdade,ela identificou trs dos cinco."
Sr.Banner olhou pra mim agora,sua expresso era ctica. "Voc j fez
essa experincia antes?",ele perguntou. Eu sorr  timidamente, "No com
razes de cebola." "Blastula de peixe branco?" "" Sr. Banner concordou
com a cabea."Voc estava numa colocao avanada no programa de
Phoenix?"  "Sim." "Bem",ele disse depois de um momento. "Eu acho que 
bom que vocs dois so parceiros de laboratrio.",ele murmurou algo mais
enquanto ia embora. Depois que  ele foi embora,eu comecei a batucar no
meu caderno de novo. " uma pena sobre a neve,no ?" Edward perguntou.
Eu tinha a sensao de que ele estava se esforando  pra conversar
bobagens comigo. A parania me atingiu de novo. Era como se ele tivesse
ouvido minha conversa com Jssica no almoo e estivesse tentando provar
que  eu estava errada. "No muito",eu respond honestamente,ao invs de
tentar ser normal como todo mundo.Eu ainda estava tentando desalojar o
estpido sentimento de  suspeita e no conseguia me concentrar. "Voc
no gosta do frio." No era uma pergunta. "Ou do molhado." "Forks deve
ser difcil de viver pra voc",ele meditou.  "Voc no faz idia",eu
murmurei obscuramente. Ele pareceu fascinado pelo que eu disse,por algum
motivo que eu no podia imaginar. O rosto dele era uma distrao  to
grande que eu tentei no olhar pra ele mais do que a cortesia pedia.
"Ento, porque voc veio pra c?" Ningum havia me perguntado isso- no
diretamente como  ele perguntou,exigente. "...complicado." "Eu acho que
consigo acompanhar",ele pressionou.

Eu pausei por um longo momento,e ento comet o erro de encontra o seu
olhar. Seus olhos dourados escuros me confundiram,e eu respond sem
pensar. "Minha me casou  novamente",eu disse. "Isso no parece to
complicado",ele discordou, ma de repemte estava simptico. "Quando isso
aconteceu?" "Setembro passado",minha voz pareceu  triste at para mim
mesma. "E voc no gosta dele",Edward presumiuseu tom ainda gentil.
"No,Phil  legal.Talvez novo demais,mas legal o suficiente" "Porque
voc  no ficou com eles?" Eu no conseguia compreender o seu
interesse,mas ele continuou a me olhar com olhos penetrantes,como se a
histria chata da minha vida fosse  de alguma forma vitalmente
importante. "Phil viaja muito.Ele joga bola pra se sustentar." Eu dei um
meio-sorriso. "Eu j ouv falar dele?",ele perguntou,sorrindo  em
resposta. "Provavelmente no. Ele no joga bem .S na menor liga. Ele se
muda muito." "E sua me te mandou pra c pra poder viajar com ele."ele
disse novamente  como uma suposio,no uma pergunta. Meu queixo
levantou uma frao, "No, ela no me mandou,eu mandei a mim mesma" As
sobrancelhas dele se encontraram."Eu no entendo.",ele  admitiu e
pareceu excessivamente frustrado com o fato. Eu suspirei. Porque eu
estava explicando isso pra ele? Ele continuou a me encarar com obvia
curiosidade. "No  incio ela ficou comigo,mas ela sentia a falta dele.
Eu a fiz infeliz,ento eu decid que estava na hora de passar umas horas
de qualidade com Charlie." Minha voz  estava mal-humorada quando eu
terminei. "Mas agora voc est infeliz",ele apontou. "E?",eu desafiei.
"Isso no me parece justo",ele encolheu os ombros mas seus olhos  ainda
estavam intensos. Eu sorr sem humor. "Nunca te contaram? A vida no 
justa." "Eu acredito que eu j tinha ouvido isso antes",ele concordou
secamente. "Ento  isso  tudo" eu insist,me perguntando porque ele
ainda estava me olhando daquele jeito. O olhar dele se tornou
avaliativo. "Voc faz um belo show",ele disse vagarosamente.  "Mas eu
seria capaz de apostar que voc est sofrendo mais do que deixa os
outros verem." Eu fiz uma careta pra ele,tentando comtrolar o impulso de
mostrar minha  lngua pra ele como uma criana de cinco anos e olhei pro
outro lado. "Estou errado?" Eu tentei ignor-lo "Eu acho que no",ele
disse. "Porque isso importa pra voc?,eu  perguntei irritada. Eu mantive
os olhos distantes,observando o professor andando pela sala. "Essa  uma
pergunta muito boa",ele murmurou,to baixo que eu imaginei  se ele
estaria falando consigo mesmo. Porm,depois de algund minutos de
silncio, eu perceb que essa era a nica resposta que eu receberia. Eu
suspirei e olhei  para o quadro negro carrancuda. "Eu estou te
aborrecendo?",ele me perguntou parecendo divertido

Eu olhei pra ele sem pensar...e disse a verdade de novo. "No
exatamente. E u estou aborrecida comigo mesma. Meu rosto  to fcil de
ler- minha me sempre me chama  de livro aberto.",eu fiz cara feia.
"Pelo contrrio,eu acho voc bem difcil de ler". Apesar de tudo o que
eu disse e de tudo que ele advinhou,ele parecia sincero.  "Voc deve ser
um bom leitor ento",eu repliquei. "Geralmente",ele sorriu
largamente,mostrando uma srie de dentes perfeitos e super brancos.
Sr.Banner pediu ordem  na sala, e eu me virei aliviada para ouvir. Eu
no conseguia acreditar que eu havia acabado de explicar minha vida
melanclica para esse bizarro e lindo garoto que  pode ou no me
desprezar. Ele pareceu absorvido pela nossa conversa,mas agora eu podia
ver pelo canto do meu olho,que ele estava se mantendo longe de mim de
novo,as  mos dele agarrando a borda da mesa,com inegvel tenso. Eu
tentei fingir que prestava ateno enquanto o Sr.Banner explicava com
transparncias no projetor,o que  eu havia visto antes com dificuldade
pelo microscpio. Mas os meus pensamentos eram indceis. Quando o sinal
finalmente tocou,Edward correu to rapidamente e graciosamente  da sala
como na segunda feira passada. Eu o observei maravilhada. Mike pulou
rapidamente pra o meu lado e pegou os meus livro pra mim. Eu imaginei
com um rabinho  balanando. "Aquilo foi horrvel",ele gemeu. "Todos eles
pareciam exatamente iguais.Voc tem sorte por ter Cullen como parceiro."
"Eu no tive nenhum problema"eu  disse,com raiva pela suposio dele.Eu
me arrepend do esnobismo na hora. "Eu j havia feito essa
experincia",eu falei antes que eu pudesse magoar os sentimentos  dele.
"Cullen pareceu amigvel o suficiente hoje",ele comentou enquanto
vestamos os casacos de chuva.Ele no pareceu feliz com isso. Eu tentei
parecer indiferente:"Eu  me pergunto qual era o problema dele na segunda
passada." Eu no consegui me concentrar na conversa de Mike enquanto
caminhvamos para a aula de Eduacao Fsica,e  tambm no fiz muito pra
me manter concentrada. Ele nobremente cobriu a minha posio e a sua
prpria,ento eu s saia da minha posio quando era a minha vez de
sacar. O meu time se abaixava e saia do caminho sempre que era a minha
vez. A chuva era s uma nvoa quando eu caminhei para o
estacionamento,mas eu estava mais  contente quando eu entrei na cabine
seca. Eu liguei o aquecedor,pela primeira vez sem me importar com o
barulho ensurdecedor do motor. Eu baixei o zper do meu casaco,baixei  o
capuz e afofei meu cabelo para que o aquecedor o secasse no caminho pra
casa. Eu olhei ao redor pra ter certeza de que o caminho estava limpo.
Foi a que eu v  a figura ereta,branca. Edward Cullen estava enconstado
na porta do seu Volvo  trs carros de distncia de mim e olhando
atentamente na minha direo. Eu rapidamente  olhei pra longe e dei a r
na caminhonete quase batendo num Toyota Corolla na minha pressa. Pra
sorte do Corolla,eu pisei no freio a tempo. Esse  exatamente o tipo  de
carro que o meu carro deixaria em pedacinhos. Eu respirei fundo,olhando
pra fora pelo outro lado do meu carro,e cautelosamente tirei o carro,com
mais sucesso.  Eu olhei direto para a frente quando eu passei pelo
Volvo,mas pela minha viso perifrica,eu poderia jurar que v ele rindo.

3. Fenmeno Quando eu abri meus olhos essa manh, algo estava diferente.
Era a luz. Ainda estava a luz cinza-esverdeada de um dia nublado na
floreta, mas estava mais claro de  alguma forma. Eu percebi que no
havia nenhuma nvoa vendando minha janela. Eu me levantei pra olhar l
fora, e ento gemi horrorizada. Uma fina camada de neve cobria  o
jardim, varria a parte de cima da minha caminhonete, e deixava a estrada
toda branca. Mas essa no era a pior parte. Toda a chuva de ontem tinha
congelado, virado  gelo -- cobrindo o topo das rvores em fantstico
padres deslumbrantes, e cobrindo a calada com um gelo mortal. Eu tive
bastante dificuldade para no cair no cho  seco; poderia estar mais
seguro para eu voltar agora para cama. Charlie tinha ido para o trabalho
antes de eu descer escada abaixo. De muitos modos, vivendo com  Charlie
tinha como eu ter meu prprio lugar, e eu fiquei me divertindo sozinha,
mesmo sem ter ningum. Eu joguei rapidamente no cho uma tigela de
cereal e um pouco  de suco de laranja da caixa de papelo. Eu me sentia
excitada para ir para a escola, e isso me assustou. Eu sabia que no era
o estmulo do ambiente, percebi que  estava me antecipando, ou meu novo
grupo de amigos. Eu tinha que ser honesta comigo mesma, eu sabia que
estava ansiosa para chegar a escola porque eu veria Edward  Cullen. E
isso era mesmo muito estpido. Eu deveria o estar evitando completamente
depois de minha conversa desmiolada e embaraosa ontem. E eu suspeitava
dele;  por que ele deveria mentir sobre os olhos dele? Eu ainda estava
amedrontada pela hostilidade que eu s vezes sentia emanando dele, e eu
ainda ficava com a lngua-amarrada  sempre que olhava a face perfeita
dele. eu estava plenamente cosciente que ns eramos opostos que no se
atraam. Ento eu no devia estar absolutamente to ansiosa  pra ver ele
hoje. Eu tive que usar toda a minha concentrao pra conseguir
sobreviver  descida nos tijolos cobertos se gelo da entrada. Eu quase
perd o equilbrio  quando finalmente cheguei  caminhonete, mas eu
consegu me agarrar no retrovisor e me salvar. Claramente, hoje seria um
pesadelo. Dirigindo para a escola, eu me  distra do medo de cair e as
minhas especulaes no desejadas sobre Edward Cullen e pensando em Mike
e Eric, e na diferena bvia em como os garotos adolescentes  me
tratavam aqui. Eu tinha certeza que era exatamente a mesma que era em
Phoenix. Talvez fosse s porque os garotos de Phoenix me viram passar
por todas as fases  estranhas da adolescencia e ainda pensavam em mim
daquele jeito. Talvez fosse porque eu era novidade aqui, onde as
novidades so algo muito raro. Talvez o meu jeito  desajeitado fosse
visto como uma coisa mais encarecedora do que pattica, me transformando
numa donzela ao invs de algum tormento. Qualquer que fosse a razo, o
comportamento de cozinho de Mike e a aparente rivalidade de Eric eram
desconcertantes.Eu no tinha certeza que no preferia ser ignorada.

Minha caminhonete parecia no ter problemas com o gelo preto que cobria
a estrada. apesar disso, eu dirigi bem devagar pra no cravar uma
espcie de trilha na rua  principal. Quando eu sa do meu carro na
escola eu v porque eu tive to poucos problemas. Algo prateado chamou
minha ateno, e eu caminhei para o fundo da caminhonete  segurando
cautelosamente o suporte lateral- para examinar os meus pneus. Haviam
pequenas correntes cruzadas em formatos de diamantes ao redor deles.
Charlie deve  ter acordado sabe-se l que horas pra colocar as correntes
nos meus pneus. De repente eu sent minha garganta apertando. Eu no
estava acostumada a ser cuidada,  e a preocupao de Charlie me pegou de
surpresa. Eu estava no canto de trs da minha caminhonete, tentando
lutar com a onda de emoes que as correntes de neve troxeram,  quando
eu ouv um som estranho. Era como um arranho muito alto, estava
rapidamente se tornando dolorosamente alto. Eu olhei para
cima,estarrecida. Eu v vrias  coisas simultneamente. Nada estav se
mexendo em cmera lenta como acontece nos filmes. ao invs disso, a
adrenalina pareceu fazer o meu crebro trabalhar muito  mais rpido, e
eu fui capaz de absorver em detalhes claros vrias coisas ao mesmo
tempo. Edward Cullen estava parado quatro carros  minha frente me
encarando horrorizado.  O rosto dele se destacou do mar de rostos, todos
petrificados com a mesma expresso de choque. Mas de mais imediata
importncia havia uma van azul escura derrapando,  pneus guinchando
contra os freios, girando selvagemente no gelo do estacionamento. Ia
bater num dos cantos traseiros da minha caminhonete, e eu estava entre
eles.  Eu nem tive tempo de fechar os meus olhos. Logo antes de ouvir o
barulho de algo se quebrando vindo da carroceria da minha caminhonete,
alguma coisa bateu em mim,  forte, mas no da direo que eu estava
esperando. Minha cabea bateu contra o gelo empretecido, e eu senti
alguma coisa slida e fria me pressionando no cho. Eu  estava deitada
no cho atrs do carro de pintura queimada que estava estacionado
prximo ao meu. Mas eu no tive a chance de prestar ateno em mais nada
porque  a van ainda estava vindo. Ela havia feito uma curva no fundo da
minha caminhonete, e ainda girando e deslizando, estava prestes a
colidir comigo de novo. Uma voz  baixa me disse que alguem estava
comigo,e a voz era impossvel no reconhecer. Duas mos longas, brancas
ficaram protetoramente na minha frente e a van parou a um  palmo de
distncia de mim, as mos grandes cabendo perfeitamente num vo profundo
na lateral da van. As mos dele se moveram to rpido que ficaram fora
de foco.  Uma delas estava de repente agarrando o fundo da van, e alguma
coisa estava me puxando,empurrando minhas pernas como se elas fossem de
uma boneca de trapo at que  elas encostaram no pneu do carro com a
pintura queimada. O baque de um som metloco fez meus ouvidos doerem, e
a van estava estabilizada no cho, vidro caindo no  asfalto - exatamente
onde minhas pernas haviam estado. Tudo ficou absolutamente silencioso
por um longo segundo antes da gritaria comear.Mas mais claramente que
a gritaria, eu podia ouvir a voz baixa, desesperada de Edward no meu
ouvido. "Bella? Voc est bem?" "Eu estou bem". Minha voz soou estranha.
Eu sentei sentar, e  me dei conta que ele estava me apertando do lado do
corpo dele com muita fora. "Tenha cuidado",ele avisou quando eu
relutei," eu acho que voc bateu bem forte com  a cabea". Eu me dei
conta de uma dor pulsante centrada bem acima da minha orelha esquerda.

"Au", eu disse, surpresa. "Foi o que eu pensei". "A voz dele,
incrivelmente, fez parecer que ele estav prendendo uma risada. "Como
diabos..." eu parei, tentando  limpar minha mente,me orientar. "Como 
que voc chegou aqui to rpido?" "Eu estava parado bem ao seu lado,
Bella" ele disse, seu tom estava srio de novo. Eu tornei  a sentar, e
dessa vez ele deixou, soltando o seu brao da minha cintura e
escorregando pra o mais longe de mim que foi possvel no espao
limitado. Eu olhei para  a expresso preocupada, inocente dele e mais
uma vez estava disorientada pela fora dos seus olhos dourados. O que 
que eu estava perguntando a ele? E ento eles  nos encontraram, uma
multido de pessoas com lgrimas saindo dos olhos e escorrendo pelo
rosto, gritando umas para as outras, gritando para ns. "No se mexam"
algum  instruiu. "Tirem Tyler da van!" outra pessoa gritou. Havia um
fluxo de atividade ao nosso redor. Eu tentei levantar, mas as mos frias
de Edward me puxaram pra baixo  pelo ombro. "Fique quieta por enquanto".
"Mas est frio", eu reclamei. Eu me surpreend quando ele gargalhou
baixinho. Havia uma margem no som. "Voc estava bem  al", de repente eu
lembrei, e a gargalhada dele parou na hora. "Voc estava perto do seu
carro". A expresso dele ficou dura. "No, eu no estava." "Eu v voc".
Tudo ao nosso redor estava um caos. Eu pude ouvir a voz spera de
adultos se aproximando da cena. Mas eu obstinadamente me mantive na
nossa discusso; eu estava  certa, e ele ia ter que admitir. "Bella, eu
estava em p com voc, e eu te tirei do caminho." Ele usou todo o poder
imenso, devastador do seu olhar em mim, como  se estivesse tentando me
comunicar algo crucial. "No", eu apertei minha mandbula. O dourado dos
seus olhos brilhou. "Por favor, Bella". "Porque?" eu perguntei.  "Confie
em mim." ele alegou, a voz dele opressiva. Eu podia ouvir o som de
sirenes agora. "Voc promete que vai me explicar tudo depois?" "T bom"
ele disse, subtamente  exasperado. "T bom", eu repeti enfurecida. Foi
preciso seis paramdicos e dois professores- Sr. Varner e treinador
Clapp- para afastar a van o suficiente pra trazer  macas at ns. Edward
veementemente recusou a dele, e eu tentei fazer o mesmo,mas o traidor
contou a eles que eu tinha batido a minha cabea e que provavelmente
tinha tido uma concusso. Eu quase morr de humilhao quando eles
colocaram o suporte de pescoo. Parecia que a escola inteira estava l,
assistindo sbriamente  enquanto eles me colocaram no fundo da
ambulncia. Edward pde ir na frente. Era enlouquecedor. pra piorar a
situao, o chefe Swan chegou antes que eles pudessem  me colocar a uma
distncia segura. "Bella!", ele gritou em pnico quando me reconheceu na
maca. "Eu estou completamente bem, Char- pai.", eu suspirei. "No tem
nada  errado comigo."

Ele se virou para o paramdico mais prximo para pedir uma segundo
opinio. Eu desliguei ele da minha mente pra tentar considerar a
confuso de imagens inexplicveis  se agitando loucamente na minha
cabea. Quando eles me tiraram de perto do carro, eu pude ver um buraco
profundo na lateral do carro do carro com a pintura queimada-  uma
cavidade muito distinta que se ajustava ao contorno dos ombros de
Edward...como se ele tivesse se forado contra o carro com fora
suficiente para danificar  a estrutura de metal... E l estava a famlia
dele, olhando de longe, com expresses que iam da desaprovao  furia
mas que no continham nenhuma espcie de preocupao  com a segurana do
irmo. Eu tentei encontrar uma soluo lgica que pudesse explicar o que
havia acabado de ver- uma soluo que exclusse a possibilidade de eu
ser louca. Naturalmente, a ambulncia conseguiu uma escolta policial. Eu
me sent ridcula em cada intante enquanto eles me tiravam de l. O que
piorou a situao  foi que Edward entrou no hospital por suas prprias
pernas. Eu apertei meus dentes. Eles me colocaram na sala de emergncia,
uam sala longa com uma fileira de camas  separadas por cortinas em tom
pastel. Uma enfermeira colocou um medidor de presso arterial no meu
brao e um termometro embaixo da minha lngua. J que ningum  se
incomodou em puxar a cortina para me proferir alguma privacidade, eu
decid que no era mais obrigada a usar aquele suporte para pescoo
ridculo. Quando a enfermeira  foi embora, eu rapidamente soltei o
Velcro e joguei ele embaixo da cama. Houve outro fluxo do pessoal do
hospital, outra maca foi trazida para o meu lado. Eu reconhec  Tyler
Crowley da minha aula de Histria embaixo das bandagens apertadas na
cabea dele que estava coberta de sangue. Tyler pareceu 100 vezes pior
do que eu me sentia.  Mas ele estava me encarando ansiosamente. "Bella,
me desculpe." "Eu estou bem, Tyler- voc parece horrvel, est tudo
bem?" Enquanto falvamos, as enfermeiras comearam  a tirar as bandagens
encharcadas dele, deixando expostas uma poro de cortes superfciais em
toda a sua testa e na bochecha esquerda. Ele me ignorou. "Eu pensei  que
fosse matar voc!Eu estav indo rpido demais e bat errado no gelo..."
Ele choramingou enquanto a enfermeira tocava o seu rosto de leve. "No
se preocupe com  isso; voc errou a pontaria." "Como  que voc saiu do
caminho to rpido? Voc estava l, e de repente no estava mais..."
"Umm... Edward me tirou do caminho."  "Quem?" "Edward Cullen- ele estava
do meu lado." Eu sempre ment muito mal; eu no soei nem um pouco
convicente. "Cullen? Eu no v ele...uau, foi rpido demais,  eu acho.
Ele est bem?" "Eu acho que sim. Ele t aqui, em algum lugar, mas eles
no o fizeram usar uma maca". Eu sabia que eu no estava louca. O que
aconteceu?  No havia nenhuma forma de explicar o que tinha visto. Ento
eles me levaram pra fazer um raio-x. Eu disse a eles que no havia nada
errado comigo, e eu estava certa.  Nem uma concusso. Eu perguntei se
podia ir embora, mas a enfermeira disse que eu tinha que falar com um
mdico antes. Ento eu estava presa na sala de emergncia,  esperando,
sendo molestada pelos pedidos contantes de desculpa de Tyler e pelas
promessas de que ele ia me recompensar.

Eu tentei convenc-lo de que estava bem, mas ele continuou se
atormentando. Finalmente, eu fechei os meus olhos e ignorei ele. Ele
continuou com o seu discurso cheio  de remorso. "Ela est dormindo?",
perguntou uma voz musical. Meus olhos se abriram. Edward estava no p da
minha cama, sorrindo. Eu encarei ele. No foi fcil- seria  mais natural
admir-lo. "Ei, Edward, eu lamento muito -" Tyler comeou. Edward
levantou a mo para parar ele. "Sem sangue, sem danos ",ele disse
mostrando seus dentes  brilhantes. Ele foi se sentar na borda da cama de
Tyler, me encarando. Ele sorriu de novo. "Ento, qual  o veredito?" ele
me perguntou. "No tem absolutamente nada  de errado comigo, mas eles
no querem me deixar ir embora.", eu reclamei. "Como  que voc no est
acorrentado numa cama como o resto de ns?" "Tudo depende dos  seus
contatos", ele respondeu. "Mas no se preocupe, eu vim pra te animar."
Nessa hora um mdico virou no corredor e o meu queixo caiu. Ele era
jovem, ele era loiro...  e muito mais bonito do que qualquer estrela de
cinema que eu j tenha visto. No entanto, ele era plido e parecia
cansado, com crculos embaixo dos olhos. Pela descrio  de Charlie,
esse tinha que ser o pai de Edward. "Ento senhorita Swan", Dr. Cullen
disse numa voz notavelmete atraente, "como  que voc est se sentindo?"
"Eu estou  bem", eu repet pela ltima vez,eu esperava. Ele caminhou
para o painl de luz em cima da minha cabea, e o ligou. "Seu raio-x
parece bom", ele disse. "A sua cabea  est doendo?Edward disse que voc
bateu com fora." "Ela est bem", eu repeti com um suspiro, olhando de
relance na direo de Edward. Os dedos frios do doutor tatearam
levemente no meu crnio. Ele percebeu quando eu gem. "Delicado?" ele
perguntou. "Na verdade no", podia ser pior. Eu ouv uma gargalhada e
olhei pra ver o sorriso  complacente de Edward. Eu revirei os olhos.
"Bem, o seu pai est na sala de espera- voc pode ir pra casa com ele
agora. Mas volte se voc tiver vertigens ou se  tiver qualquer problema
com a sua viso." "Eu posso voltar para a escola?", eu perguntei,
imaginando Charlie tentando ser atencioso. "Talvez voc devesse pegar
leve  hoje". Eu dei uma olhada pra Edward. "Ele vai poder voltar para a
escola?" "Algum tem que espalhar a boa notcia que ns sobrevivemos",
Edward disse fazendo chacota.  "Na verdade", Dr. Cullen corrigiu.
"Parece que toda a escola est na sala de espera." "Ah no", eu gem
cobrindo o rosto com as mos. Dr. Cullen ergueu as sobrancelhas.  "Voc
quer ficar?" "No, no!" Eu insisti jogando as minhas pernas pelo lado
da cama e me colocando rpido de p. Rpido demais- eu cambaleei, e Dr.
Cullen me sugurou.  Ele pareceu preocupado. "Eu estou bem." Eu assegurei
pra ele. No tinha porque dizer pra ele que os meus problemas com o
equilbrio no tinham nada a ver com o fato  de eu ter batido com a
cabea.

"Tome Tylenol para a dor" ele sugeriu enquanto me sustentava. "No de
tanto", eu insisti. "Parece que voc teve muita sorte", Dr. Cullen disse
enquanto assinava  a meu quadro com um gesto floreado. "Sorte que Edward
estava do meu lado", eu emendei com um olhar duro na direo do objeto
da minha declarao. "Oh, bem, sim",  Dr. Cullen concordou, subitamente
ocupado com uns papis na frente dele.Depois ele olhou pro outro lado,
pra Tyler, e andou at a prxima cama. Minha intuio flutuou;  o Dr.
sabia de tudo. "Eu temo que voc ter que ficar conosco um pouco mais de
tempo". Ele disse para Tyler e comeou a checar os cortes dele. Assim
que o Dr. ficou  de costas eu me aproximei de Edward. "Ser que eu posso
falar com voc por um minutinho?" eu cochichei por baixo do flego. Ele
deu um passo se afastando de mim,  sua mandbula subitamente apertada.
"Seu pai est esperando por voc", ele disse entre dentes. Eu olhei de
relance pra Dr. Cullen e Tyler. "Eu gostaria de falar  com voc em
particular, se voc no se incomodar.", eu pressionei. Ele me olhou
fixamente, e depois me deu as costas e caminhou pelo longo quarto. Eu
praticamente  tive que correr para acompanh-lo. Assim que viramos na
curva para um pequeno corredor, ele se virou para me encarar. "O que
voc quer?" ele perguntou, parecendo  aborrecido. Seus olhos eram frios.
A expresso nada amigvel dele me intimidou. Minhas palavras sairam com
menos severidade do que eu pretendia. "Voc me deve uma  explicao", eu
lembrei ele. "Eu salvei a sua vida- eu no te devo nada" Eu vacilei com
o resentimento na voz dele. "Voc prometeu." "Bella, voc bateu com a
cabea,  voc no sabe do que est falando" o tom dele era cortante.
Agora o meu temperamento estava em chamas, eu encarei ele
desafiadoramente. "No tem nada errado com  a minha cabea". Ele me
encarou de volta. "O que voc quer de mim, Bella?" "Eu quero saber a
verdade," eu disse."Eu quero saber porque estou mentindo por voc."  "O
que voc acha que aconteceu?", ele soltou. Saiu num sopro. "Tudo o que
eu sei  que voc no estava em nenhum lugar perto de mim- Tyler tambm
no viu voc, ento  no diga que eu bat muito forte com a cabea.
Aquela van ia esmagar ns dois- e no esmagou, e as suas mos deixaram
buracos na lateral dela- e voc deixou um buraco  na lateral daquele
outro carro, e voc no est absolutamente machucado. E a van devia ter
amassado as minhas pernas, mas voc estava segurando ela..." Eu tinha
noo do quanto aquilo soava louco, e eu no pude continuar. Eu estava
com tanta raiva que podia sentir as lgrimas chegando; eu tentei
for-las a desaparecer apertando  os meus dentes juntos. Ele estava me
olhando incrdulo. Mas o rosto dele estava tenso, na defensiva. "Voc
acha que eu tirei uma van de cima de voc?". O tom dele  questionava a
minha sanidade, mas s me deixou mais suspeitas. Era como uma fala
perfeitamente decorada por um ator talentoso. Eu simplesmente afirmei
com a cabea  uma vez, mandbula apertada. "Ningum vai acreditar nisso,
sabe." agora a voz dele tinha um tom de zombaria. "Eu no vou contar pra
ninguem". Eu disse cada palavra  vagarosamnete, cuidadosamnete
controlando a minha raiva. A surpresa apareceu no rosto dele. "Ento
porque isso importa?"

"Importa pra mim" eu insist. "Eu no gosto de mentir- ento seria
melhor se eu tivesse uma boa razo pra fazer isso." "Ser que voc no
pode s me agradecer e  esquecer isso?" "Obrigada", eu disse fumaando e
esperando. "Voc no vai desistir, vai?" "No." "Nesse caso... eu espero
que voc gosto do desapontamento." Ns  nos olhamos em silncio. Eu fui
a primeira a quebrar o silncio, tentando manter o foco. Eu corria o
risco de me distrair com o seu rosto lvido,glorioso. Era como  tentar
encarar um anjo destruidor. "Porque voc se incomoda?" eu perguntei
frigidamente. Ele pausou, por um instante seu rosto estonteante ficou
inesperadamente  vulnervel. "Eu no sei", ele cochichou. A ele me deu
as costas e caminhou pra longe de mim. Eu estava com tanta raiva que
demorou uns minutos at que eu pudesse  me mover. Quando eu consegui
andar, eu caminhei lentamente lentamente para a sada no final do
corredor. A sala de espera estava mais desagradvel do que eu temia.
Parecia que todos os rostos que eu conhecia em Forks estavam l, me
encarando. Charlie correu para o meu lado; eu levantei as mos. "No tem
nada de errado comigo",  eu assegurei solenemente. Eu ainda estava
importunada, sem o mnimo humor pra conversinha. "O que o doutor disse?"
"Dr. Cullen me viu, e ele disse que eu estava  bem e que podia ir pra
casa.", eu suspirei. Mike e Jssica e Eric estavam todos l, comeando a
vir na nossa direo. "Vamos logo", eu apressei. Charlie colocou  o
brao atrs das minhas costas, no necessariamente me tocando, e me
guiou at as portas de vidro da sada. Eu acenei timidamente para os
meus amigos, esperando  convenc-los de que eles no precisavam mais se
preocupar comigo. Era um enorme alvio- a primeira vez que j me sent
assim - entra na viatura. Ns dirigimos em  silncio. Eu estava to
presa nos meus pensamentos que praticamente nem reparei que Charlie
estava l. Eu tinha certeza que a postura defensiva de Edward era uma
confirmao de todas as bizarrices que eu ainda no podia acreditar que
tinha testemunhado. Quando ns chegamos em casa, Charlie finalmente
falou. "Umm... voc vai  precisar ligar pra Rene", ele baixou a cabea,
em sinal de culpa. Eu estava aptica. " Voc contou  mame!"
"Desculpe." Eu bat a porta da viatura um pouco mais  forte do que o
necessrio quando sa. Minha me estava histrica,  claro. Eu tive que
dizer a ela que estava bem pelo menos umas trinta vezes antes dela se
acalmar.  Ela me implorou pra voltar pra casa- esqucendo que nossa casa
estava vazia naquele momento- mas as splicas dela foram mais fceis de
resistir do que eu imaginava.  Eu estava consumida pelo mistrio que
Edward representava. E uma pouco mais obsecada pelo prprio Edward.
Burra, burra, burra. Eu no estava to ansiosa pra deixar  Forks quanto
eu deveria estar, como qualquer pessoa normal e s deveria estar. Eu
decid que devir ir dormir mais cedo naquela noite. Charlie continuou
cuidando  de mim ansiosamente, e isso estava me deixando nervosa. Eu
parei no caminho pra pegar trs Tylenol no banheiro. Eles ajudaram, e
quando a dor passou, eu peguei no  sono.

Essa foi a primeira noite que eu sonhei com Edward Cullen.

4. Convite No meu sonho estava muito escuro, e a pouco luz que havia l
parecia estar vindo da pele de Edward. Eu no conseguia ver ele, s as
costas dele enquanto ele andava  pra longe de mim, me deixando na
escurido. No importava o quanto eu corresse, eu no conseguia
acompanh-lo; no importava o quanto eu gritasse por ele, ele nunca  se
virava. Confusa, eu acordei no meio da noite e no consegu mais dormir
pelo que pareceu ser um longo tempo. Depois disso, ele estava nos meus
sonhos praticamente  toda noite, mas sempre distante, nunca a meu
alcance. O ms que se seguiu ao acidente foi incmodo, tenso, e, a
princpio, at embaraoso. Para meu desnimo, eu  me tornei o centro das
atenes pelo resto da semana. Tyler Crowley estava impossvel, me
seguindo, obeseca com a idia de me recompensar de algum modo. Eu tentei
convenc-lo de que o que mais queria era que ele esquecesse o que
aconteceu - especialmente j que nada aconteceu comigo - mas ele
continuou insistindo. Ele me seguiu  entre as aulas e se sentou na nossa
agora lotada mesa do almoo. Mike e Eric eram ainda menos amigveis com
ele do que um com o outro, o que me deixou preocupada  por estar
ganhando outro f indesejado. Ningum pareceu preocupado com Edward,
apesar de eu ter explicado milhes de vezes que ele era o heri - como
ele me tirou  do caminho e quase foi atingido tambm. Eu tentei ser
convincente. Jssica, Mike, Eric e todos os outros sempre comentavam que
eles nem sequer tinham visto ele l  at que a van foi tirada do
caminho. Eu pensei comigo mesma porque ningum havia visto ele em p l
longe, antes que ele estivesse de repente, impossivelmente salvando  a
minha vida. Com pesar, eu me dei conta da possvel causa - ningum
estava to conscinte da presena de Edward quanto eu estava. Ningum
mais observava ele como  eu. Que pena. Edward nunca estava cercado de
espectadores ansiosos pela sua ateno. As pessoas evitavam ele como
sempre. Os Cullen e os Hales se sentavam na mesma  mesa como sempre, sem
comer,falando apenas uns com os outros. Nenhum deles, especialmente
Edward, olhou mais na minha direo. Quando ele sentava perto de mim na
sala, to longe de mim quanto a mesa permitia, ele parecia totalmente
alheio  minha presena. S de vez em quando, quando os pulsos dele se
apertavam - a pele ficava  ainda mais branca ao redor dos ossos - eu
ficava imaginando se ele estava mesmo to inconscinte quanto queria
fazer parecer. Ele desejava no ter me tirado do caminho  da van de
Tyler - pra mim no havia outra concluso. Eu queria muito falar com
ele, e no dia depois do acidente eu tentei. Na ltima vez que eu v ele,
fora da sala  de emergncia, ns dois estvamos to furiosos. Eu ainda
estava com raiva por ele no confiar em mim a ponto de dizer a verdade,
apesar de eu estar cumprindo com  a minha parte do trato perfeitamente.
Mas ele tinha de fato salvado a minha vida, no importa como. Durante a
noite a minha raiva se transformou em gratido. Ele  j estava sentado
quando eu entrei em Biologia, olhando diretamente pra frente. Ele no
deu nenhum sinal de que sabia que eu estava l. "Ol Edward", eu disse
agradavelmente,  pra mostr-lo que eu ia me comportar direitinho. Ele
virou uma frao na minha direo sem olhar pra mim, balanou a cabea
uma vez, e ento olhou pro outro lado.

E esse foi o ltimo contato que eu tive com ele, apesar dele estar l, a
um passo de mim, todos os dias. As vezes eu ficava observando ele, sem
conseguir me controlar  -  distncia, contudo, na cafeteria ou no
estacionamento. Eu observava como os seus olhos dourados ficavam
perceptivelmente mais e mais pretos a cada dia. Mas na  aula eu no dava
mais ateno a ele do que ele dava pra mim. Eu estava arrasada. E os
sonhos continuavam. Apesar das minhas mentiras deslavadas, a tenacidade
doas  meus e-mails alertaram Rene para a minha depresso, e ela ligou
algumas vezes, preocupada. Eu tentei convenc-la de que era s o clima
que estava me deixando pra  baixo. Mike, ao menos, parecia estar
satisfeito pela bvia frieza entre mim e meu parceiro de laboratrio. Eu
podia ver que ele andava preocupado que o salvamento  arriscado de
Edward tivesse me impressionado, e ele parecia aliviado que pareceu ter
o efeito o oposto. Ele ficou mais confiante, sentando na borda da minha
mesa  pra conversar antes da aula de Biologia comear, ignorando Edward
to completamente quanto ele ignorava ns dois. A neve foi embora de vez
depois daquele dia perigosamente  gelado. Mike estava desapontado porque
no pde fazer a sua briga de bola de neve, mas satisfeito que a ida 
praia seria o mais breve possvel. A chuva, porm,  continuou pesada e
as semanas foram passando. Jssica me alertou de outro evento
despontando no horizonte - ela ligou na primeira Tera-feira de Maro
pra pedir  minha permisso pra convidar Mike para o baile da escolha das
garotas dentro de duas semanas. "Tem certeza que voc no se
importa...voc no estava planejando convid-lo?"  ela insistiu quando
eu disse que no me importava nem um pouco. "No Jess, eu no vou." eu
garant pra ele. Danar estava alm do alcance dasminha habilidades.
"Vai  ser muito divertido", a tentativa de convite dela foi meio falsa.
Eu suspeitava que Jssica gostava mais da minha inexplicvel
popularidade do que da minha companhia  propriamente dita. "Se divirta
com Mike", eu encoragei. No outro dia, eu fiquei surpresa que Jssica
no estava sendo a mesma pessoa em Trigonometria e Espanhol.  Ela estava
quieta enquanto andava ao meu lado entre as aulas, e eu estava com medo
de perguntar o por qu. Se Mike deixou ela na mo, eu seria a ltima
pessoa pra  quem ela iria querer contar. Meus medos cresceram no almoo
quando Jssica se sentou to longe de Mike quanto foi possvel,
conversando animadamente com Eric. Mike  estava estranhamente quieto.
Mike ainda estava calado quando me acompanhou  aula, a expresso
desconfortvel no rosto dele era um mal sinal. Mas ele no tocou no
assunto at que eu estava sentada e ele estava curvado sobre a minha
mesa. Como sempre, eu estava eletricamente consciente da presena de
Edward sentado ao alcance  do meu toque, distante como se ele fosse um
fruto da minha imaginao. "Ento", Mike disse olhando pro cho,
"Jssica me convidou para o baile de primavera". "Isso   timo". Eu fiz
a minha voz ficar contente e entusiasmada. "Voc vai se divertir muito
com a Jssica" "Bem...", ele gaguejou enquanto examinava o meu sorriso,
claramente  discontente com a minha resposta. "Eu disse a ela que
precisava pensar." "Porque voc faria isso?" eu deixei a desaprovao
aparecer no meu tom, apesar de estar  aliviada que ele no tinha dado um
no definitivo  ela. O rosto dela estava vermelho quando ele olhou pro
cho de novo. A piedade me deixou balanada.

"Eu estava imaginando se...bem, se voc estava planejando me convidar."
Eu parei um segundo, odiando a onda de culpa que passou por mim. Mas eu
v, pelo canto dos  meus olhos, quando um reflexo fez Edward virar a
cabea na minha direo. "Mike, eu acho que voc devia dizer sim pra
ela", eu disse. "Voc j convidou outra pessoa?"  Ser que Edward
percebeu os olhos de Mike na direo dele? "No," eu garant pra ele "eu
nem sequer vou ao baile." "Porque no?", Mike quis saber. Eu no queria
falar sobre os perigos que danar representava, ento eu rapidamente
inventei novos planos. "Eu vou pra Seattle esse Sbado", eu expliquei.
Eu precisava sair da  cidade mesmo- de repente era o momento perfeito
pra ir. "Voc no pode ir outra semana?" "Desculpa, no", eu disse.
"Ento voc no devia fazer Jess esperar mais-   rude." ", voc est
certa." ele murmurou, e se virou, arrasado, pra voltar pro seu lugar. Eu
fechei os meus olhos e pressionei os dedos nas minhas tmporas, tentando
tirar a culpa e a pena da minha cabea. O Sr. Banner comeou a falar. Eu
suspirei e abr os olhos. E Edward estava me olhando cheio de
curiosidade, aquele mesmo  olhar de frustrao ainda mais distinto agora
nos seus olhos pretos. Eu olhei de volta, surpresa, esperando que ele
olhasse rapidamente pra longe. Mas ao invs disso,  ele continuou me
olhando intensamente nos olhos. Eu no afastaria o olhar de jeito
nenhum. Minhas mos comearam a tremer. "Sr. Cullen", o professor
chamou, querendo  a resposta para uma pergunta que eu no tinha ouvido.
"O ciclo dos caranguejos", Edward respondeu, parecendo relutante
enquanto ele virava pra olhar para o Sr. Banner.  Eu olhei para os meus
livros assim que estava livre do olhar dele, tentando me
encontrar.Covarde como sempre, eu coloquei o meu cabelo sobre o meu
ombro direito  pra esconder o meu rosto. Eu no conseguia acreditar na
onda de emoes pulsando no meu corpo - s porque ele olhou pra mim pela
primeira vez em seis semanas. Eu  no podia permitir que ele tivesse
esse nvel de influncia sobre mim. Era pattico. Pior que pattico, no
era saudvel. Eu fiz o que pude pra no me dar conta  da presena dele
pela hora restante, e, j que era impossvel, pelo menos fiz de tudo pra
ele no se dar conta que eu me dava conta da presena dele. Quando o
sinal  finalmente tocou, eu me virei de costas pra ele pra juntar as
minhas coisas, esperando que ele fosse embora imediatamente, como
sempre. "Bella?" a voz dele no devia  soar to familiar pra mim, como
se eu conhecesse esse som por toda a minha vida e no por apenas algumas
semanas. Eu virei devagar, sem vontade. Eu no queria sentir  o que eu
sabia que ia sentir quando olhasse para o seu rosto mais que perfeito. A
minha expresso era cautelosa quando eu finalmente me virei pra ele; a
expresso  dele era ilegvel. Ele no disse nada. "O que? Voc j est
falando comigo de novo?" eu finalmente perguntei, um pouco de petulncia
desintencional na minha voz.  Os lbios dele se contorceram, lutando
contra um sorriso. "Na verdade no", ele admitiu. Eu fechei meus olhos e
inalei vagarosamente pelo nariz, consciente de que  os meus dentes
estavam se apertando. Ele esperou. "Ento o que voc quer, Edward?" eu
perguntei, mantendo meus olhos fechados; era mais fcil conversar
coerentemente  com ele desse jeito.

"Me desculpe", ele pareceu sincero."Eu estou sendo muito rude, eu sei.
Mas desse jeito  melhor, mesmo." Eu abr meus olhos. O rosto dele
estava srio. "Eu no sei  o que voc quer dizer", eu disse, minha voz
cautelosa. " melhor se ns no formos amigos", ele explicou. "Confie em
mim". Meus olhos reviraram. Eu j ouv isso  antes. " uma pena que voc
no tenha descoberto isso mais cedo", eu falei entre meus dentes. "Voc
podia ter se poupado desse arrependimento". "Arrependimento?",  a
palavra e o meu tom obviamente pegaram ele de surpresa. "Arrependimento
pelo qu?" "Por no ter simplesmente deixado aquela van estpida passar
por cima de mim."  Ele estava incrdulo. Ele me olhava em descrena.
Quando ele finalmente falou, ele parecia com raiva. "Voc acha que eu me
arrependo de ter salvado a sua vida?"  "Eu sei que voc se arrepende." ,
eu disse. "Voc no sabe de nada", ele definitivamente estava com raiva.
Eu virei rapidamente a minha cabea, prendendo a minha  mandbula pra
no soltar de vez todas as acusaes que tinha contra ele. Eu juntei os
meus livros, ento me levantei e caminhei at a porta. Eu planejava sair
da  sala dramaticamente da sala, mas  claro que eu bat a minha bota da
porta e derrubei os meus livros. Eu fiquei l por um momento, pensando
em deixlos. Ento eu  suspirei e me abaixei para apanh-los. Ele estava
l; eles j tinha os colocado numa pilha. Ele me passou eles, sua
expresso dura. "Obrigada", eu disse geladamente.  Ele revirou os olhos.
"De nada", ele devolveu. Eu me levantei, dei as costas pra ele e fui pra
aula de ginstica sem olhar pra trs. A ginstica foi brutal. Ns
estavamos jogando Basquete. Meu time nunca me passava a bola, e isso era
bom, mas eu ca muito. As vezes eu derrubava as pessoas comigo. Hoje eu
estava pior que  o normal porque minha cabea estava cheia de Edward. Eu
tentei me concentrar nos meus ps, mas ele voltava a inundar meus
pensamentos quando eu mais precisava de  equilbrio. Eu estava aliviada,
como sempre, por ir embora. Eu quase corr pro meu carro; havam tantas
pessoas que eu queria evitar. A caminhonete sofreu o mnimo  de danos
pelo acidente. Eu tive que trocar os faris, e quando ela fosse pintada
ficaria perfeita. Os pais de Tyler tiveram que vender a van por partes.
Eu quase  tive um ataque do corao quando v uma silhueta alta, escura
encostada na lateral da minha caminhonete. Ento eu me dei conta que era
s Eric. Eu comecei a andar  de novo. "Ei Eric", eu chamei. "Oi Bella."
"O que foi?" eu disse enquanto destravava a porta. Eu no estava
prestando ateno ao tom desconfortvel da voz dele,  ento suas
prximas palavras me pegaram de surpresa. "Uh, eu estava s
imaginando...se voc no gostaria de ir ao baile de primavera comigo." A
voz dele desapareceu  na ltima palavra. "Eu pensei que fosse escolha
das garotas" eu disse, assustada demais pra ser diplomtica. "Bem, ..."
ele admitiu, envergonhado. Eu recuperei  minha compostura e tentei
sorrir docemente. "Obrigada por me convidar, mas eu vou pra Seattle
nesse dia."

"Ah", ele disse. "Talvez da prxima vez." "Claro", eu concordei e a
mord meu lbio. Eu no queria que ele levasse isso muito a srio. Ele
foi embora, em direo   escola. Eu ouv uma gargalhada baixinha.
Edward estava passando pela minha caminhonete, olhando diretamente pra
frente, seus lbios pressionados. Eu abr a porta  e pulei pra dentro,
batendo ela com fora atrs de mim. Eu liguei o motor desafiadoramente e
dei a r saindo pelo corredor. Edward j estava em seu carro, a duas
vagas de distncia, deslizando vagarosamente na minha frente, me
atrapalhando. Ele parou l- pra esperar sua famlia; eu podia ver eles
caminhando nessa direo,  mas ainda perto da cafeteria. Eu pensei em
arrancar o retrovisor do seu Volvo, mas haviam muitas testemunhas. Eu
olhei no meu espelho retrovisor. Uma fila estava  comeando a se formar.
Diretamente atrs de mim, Tyler Crowley estava no seu Sentra usado,
recentemente adquirido, acenando. Eu estava agitada demais pra prestar
ateno nele. Enquanto eu estava sentada l, olhando pra todos os cantos
menos pro carro na minha frente, eu ouv uma batidinha na minha janela
do lado do passageiro.  Eu olhei; era Tyler. Eu olhei de novo no meu
retrovisor, confusa. O carro dele ainda estava ligado, a porta esquerda
aberta. Eu me estend pela cabine pra abrir  a janela. Estava dura. Eu
abr at a metade, depois desist. "Desculpa, Tyler, eu estou presa
atrs de Cullen", eu estava aborrecida- obviamente o engarrafamento  no
era culpa minha. "Oh, eu sei- eu s queria te perguntar uma coisa
enquanto estamos presos aqui", ele sorriu largamente. Isso no podia
estar acontecendo. "Voc  vai me convidar para o baile de primavera?"
ele continuou. "Eu no vou estar na cidade Tyler", minha voz pareceu um
pouco aguda. Eu tinha que lembrar que no era  culpa dele que Mike e
Eric j tinham acabado com a minha cota de pacincia por aquele dia. ",
Mike disse isso", ele admitiu. "Ento porque -" Ele encolheu os ombros.
"Eu estava pensando que voc s no queria machuc-lo" OK, foi culpa
dele. "Desculpe, Tyler", eu disse tentando esconder minha irritao. "Eu
estou mesmo saindo  da cidade" "Tudo bem. Ainda temos o baile de fim de
ano." E antes que eu pudesse responder, ele estava caminhando de volta
pro seu carro. Eu podia sentir o choque  no meu rosto. Eu olhei pra
frente pra ver Alice, Rosalie, Emmett e Jasper todos entrando no Volvo.
No espelho retrovisor dele, os olhos de Edward estavam em mim.  Ele
estava inquestionvelmente se balanando de rir, como se ele tivesse
ouvido cada palavra de Tyler. Meu p se aproximou do acelerador... um
empurrozinho no  ia machucar nenhum deles, s aquela pintura prateada
do Volvo. Eu acelerei o motor. Mas eles estavam todos dentro, e Edward
estava indo embora. Eu dirig pra casa  devagar, cuidadosamente,
murmurando pra mim mesma durante o caminho inteiro. Quando eu cheguei em
casa, eu resolv fazer enchiladas de frango pro jantar. Era um  longo
processo, e me manteria ocupada. Enquanto eu estava picando as cebolas e
o chili, o telefone tocou. Eu estava quase com medo de atender, mas
podia ser Charlie  ou minha me.

Era Jssica, e ela estava exultante; Mike alcanou ela depois da escola
para aceitar o seu convite. Eu comemorei brevemente com ela enquanto me
movimentava. Ela  tinha que desligar. Ela tinha que ligar pra Angela e
Lauren pra contar a elas. Eu suger - com uma inocncia casual- que
talvez Angela, a garota tmida que tinha  Biologia comigo, podia
convidar Eric. E Lauren, uma garota reservada que sempre me ignorava na
mesa do almoo, podia convidar Tyler; eu tinha ouvido dizer que eles
estavam disponveis. Jess achou que essa era uma tima idia. Agora que
ela tinha certeza de Mike, ela realmete pareceu sincera quando disse que
gostaria que eu  fosse para o baile. Eu dei a desculpa de Seattle.
Depois que eu desliguei, eu tentei me concentrar no jantar- cortando o
frango especialmente; eu no queria fazer  outra visita sala de
emergncia. Mas a minha cabea estava rodando, tentando analizar cada
palavra que Edward havia dito hoje. O que ele queria dizer com , era
melhor que no fssemos amigos? Meu estmago revirou quando eu entend o
que ele queria dizer. Ele deve ter reparado no quanto eu estava
absorvida por ele; ele no  deve querer que eu me engane...ento no
poderiamos ser amigos... porque ele no estava nem um pouco interessado
em mim.  claro que ele no estava interessado em  mim, eu pensei com
raiva, meus olhos pulsando- uma reao s cebolas. Eu no era
interessante. E ele era. Interessante...e brilhante...e misterioso...e
perfeito...e  lindo... ...E possvelmente capaz de levantar vans com uma
mo s. Bom, tudo bem. Eu podia deix-lo em paz. Eu ia deix-lo em paz.
Eu ia suportar a sentena dada  por mim mesma aqui no purgatrio, e
talvez alguma escola no Sul, possivelmente no Hava ia me dar uma bolsa
de estudos. Eu me concentrei em praias ensolaradas e  palmeiras enquanto
terminava as enchiladas e colocava elas no forno. Charlie pareceu
desconfiado quando chegou em casa e sentiu o cheiro dos pimentes. Eu
no podia  culp-lo- a nica comida Mexicana prxima do comestvel
estava no Sul da Califrnia. Mas ele era um policial, mesmo que um
policial de uma cidade pequena, ento  ele foi corajoso o suficiente pra
dar a primeira mordida. Ele pareceu gostar. Era engraado observar
enquanto ele comeava a confiar em mim na cozinha. "Pai?" eu  perguntei
quando ele j estava quase acabando. "Sim, Bella?" "Um, s queria te
dizer que eu vou pra Seattle no prximo Sbado...tudo bem?" Eu no
queria pedir permisso-  deixava uma m imagem- mas eu achei rude, ento
mudei de idia no fim. "Porque?", ele pareceu surpreso, como se ele no
pudesse imaginar algo que Forks no pudesse  oferecer. "Bom, eu queria
ir pegar alguns livros- a biblioteca daqui  bem limitada- e talvez vez
algumas roupas." Eu tinha mais dinheiro do que estava acostumada,  desde
que, graas ao Charlie, eu no precisei comprar um carro. No que a
caminhonete no fosse cara em se tratando de gasolina. "Essa caminhonete
provavelmente  no faz uma milhagem muito boa com a gasolina", ele disse
fazendo um eco com os meus pensamentos. "Eu sei, eu vou parar em
Montesano e Olympia- e Tacoma se precisar."  "Voc vai sozinha?", ele
perguntou, e eu no consegu dizer se ele pensava que eu tivesse um
namorado secreto ou se ele s estava preocupado por causa do carro.
"Sim". "Seattle  uma cidade grande, voc pode se perder", ele disse.
"Pai, Phoenix  cinco vezes maior que Seattle- e eu sei ler um mapa, no
se preocupe." "Voc  quer que eu v com voc?"

Eu tentei ser profissional enquanto escondia o meu horror. "Est tudo
bem pai. Eu provavelmente estarei em provadores o dia inteiro- muito
chato." "Oh, OK". O pensamento  de passar o dia inteiro sentado em lojas
de roupas de mulher acalmou ele imediatamente. "Obrigada." eu sorr pra
ele. "Voc vai estar de volta  tempo pro baile?"  Grrr. So numa cidade
pequena como essa os pais sabem quando so os bailes. "No- eu no dano
pai." Ele, de todas as pessoas,devia entender isso- eu no herdei os
problemas de equilbrio da minha me. Ele entendeu. "Oh, tudo bem." Ele
se tocou. Na manh seguinte, quando eu estacionei no estacionamento, eu
deliberadamente estacionei  o mais distante possvel do Volvo prateado.
Eu no queria cair em tentao e acabar fazendo ele merecer um carro
novo. Saindo da cabine, eu deixei as chaves cairem  numa poa aos meus
ps. Enquanto eu me abaixava para apanh-las, uma mo branca pegou-as
num flash antes que eu pudesse tentar. Edward Cullen estava bem na minha
frente, encostado casualmente na minha caminhonete. "Como voc faz
isso?" "Faz o que?" Ele me passou as chaves enquanto falava. Quando eu
ia apanh-las ele jogou  elas na palma da minha mo. "Aparece do nada"
"Bella, no  culpa minha que voc no  particularmente observadora" a
voz dele era quieta como sempre- aveludada,  emudecida. Eu olhei para o
seu rosto perfeito. Os olhos dele estavam claros hoje de novo, uma cor
dourada da cor do mel, profunda. Ento eu tive que olhar pra baixo  pra
reagrupar os meus pensamentos agora confusos. "Porque aquela pataquada
no trfego ontem?" eu perguntei de uma vez, ainda olhando pra longe. "Eu
pensei que voc  devia estar me ignorando e no me irritando at a
morte." "Aquilo foi pro bem de Tyler, no pro meu. Eu tinha que dar uma
chance a ele." ele riu silenciosamente.  "Voc..." eu gaguejei. Eu no
consegu pensar numa palavra ruim o suficiente. Eu sent que o calor
daminha raiva podia queim-lo fisicamente, mas ele parecia estar  se
divertindo. "Eu no estou fingindo que voc no existe", ele continuou.
"Ento voc est tentando me irritar at a morte? J que Tyler no
conseguiu terminar  o trabalho?" A raiva transpareceu nos seus olhos. Os
seus lbios se pressionaram at formar uma linha fina, todos os sinais
de humor tinham desaparecido. "Bella,  voc  muito absurda", ele disse,
sua voz baixa estava fria. Minhas palmas coaram- eu queria tanto bater
em alguma coisa. Eu estava surpresa comigo mesma. Normalmente  eu no
era uma pessoa violenta. Eu dei as costas e comecei a caminhar.
"Espere", ele chamou. Eu continuei andando, caminhando furiosamente pela
chuva. Mas ele estava  perto de mim, acompanhando o passo facilmente.
"Me desculpe por ser rude", ele disse enquanto andvamos. Eu ignorei
ele. "Eu no estou dizendo que no  verdade",  ele continuou, "Mas
mesmo assim foi rude." "Porque voc no me deixa em paz?", eu murmurei.
"Eu queria perguntar uma coisa, mas voc me desconcentrou",ele riu.

Ele parecia ter recuperado o bom humor. "Voc tem alguma disordem de
mltipla personalidade?", eu perguntei severamente. "Voc est fazendo
de novo". Eu suspirei.  "T bom, o que voc quer perguntar?" "Eu estava
imaginando se no Sbado da prxima semana- voc sabe, no dia do baile de
primaveira-" "Voc est tentando ser engraado  ?" Eu interromp me
virando pra ele. Meu rosto ficou encharcado quando eu olhei pra cima pra
ver sua expresso. Seus olhos estavam estranhamente divertidos. "Ser
que voc pode me deixar terminar por favor?" Eu mord meu lbio e juntei
minhas mos, entrelaando meus dedos, assim eu no faria nada de que eu
pudesse me arrepender.  "Eu ouv voc dizendo que vai pra Seattle nesse
dia, e eu estava imaginando se voc quer uma carona." Isso foi
inesperado. "O que?" Eu no tinha idia de onde ele  queria chegar.
"Voc quer uma carona at Seattle?" "Com quem?" eu perguntei,
mistificada. "Comigo, obviamente". Ele pronunciou cada slaba, como se
estivesse falando  com algum mentalmente incapacitado. Eu ainda estava
atordoada. "Porque? "Bom, eu estava planejando ir  Seattle nas prximas
semanas, e, pra ser honesto, eu no  tenho certeza se o seu carro
aguenta." "Minha caminhonete funciona muito bem, obrigada pela
preocupao." Eu comecei a andar de novo, mas eu estava muito surpresa
pra manter o mesmo nvel de raiva. "Mas a sua caminhonete consegue
chegar at l com um tanque de gasolina?" Ele acompanhou o meu passo de
novo. "Eu no vejo como  isso pode ser da sua conta." Estpido dono do
Volvo brilhante. "O desperdcio de bens findveis  da conta de todo
mundo." "Honestamente, Edward",eu sentuma alegria  percorrer meu corpo
quando eu disse o nome dele. "Eu no consigo te acompanhar. Eu pensei
que voc no queria ser meu amigo." "Eu disse que seria melhor se no
fssemos  amigos, no que eu no queria ser." "Oh, obrigada, isso
esclarece tudo" Sarcasmo pesado. Eu perceb que tinha parado de caminhar
de novo. Estvamos sob o teto da  cafeteria agora, ento eu podia olhar
para o seu rosto com mais facilidade. O que certamente no ajudou muito
na claridade do pensamento. "Seria mais...prudente  se voc no fosse
minha amiga", ele explicou. "Mas eu estou cansado de tentar ficar longe
de voc, Bella." Seus olhos estavam gloriosamente intensos enquanto ele
pronunciava a ltima frase, sua voz flamejante. Eu no conseguia lembrar
de respirar. "Voc vai pra Settle comigo?" ele perguntou, ainda intenso.
Eu ainda no conseguia  falar, ento s balancei a cabea. Ele sorriu
brevemente, ento seu rosto ficou srio. "Voc realmente devia ficar
longe de mim", ele avisou. "Te vejo na aula."  Ele se virou abruptamente
e caminhou pra o lugar de onde tinhamos vindo.

5. Tipo Sanguneo Eu fui pra aula de ingls totalmente ofuscada. Eu nem
me dei conta quando eu entrei na sala que a aula j tinha comeado.
"Obrigado por se juntar a ns, Srta. Swan".  Sr Mason disse me tom de
afronta. Eu corei e corr pro meu lugar. Foi s no final da aula que eu
percebi que Mike no estava sentado no seu lugar de sempre ao meu  lado.
Eu sent uma ponta de culpa. Mas ele e Eric me encontraram na porta como
sempre, ento eu imaginei que eu estivesse um pouco desculpada. Mike
pareceu se tornar  mais ele mesmo enquanto caminhvamos, ganhando
entusiasmo enquanto ele falava da previso pro clima pra esse fim de
semana. A chuva daria uma pequena trgua, ento  talvez seu passeio 
praia fosse possvel. Eu tentei parecer eufrica, pra me redimir por ter
desapontado ele ontem. Era difcil; com chuva ou sem, a temperatura
continuaria um pouco baixa, isso se tivssemos sorte. O resto da manh
passou num sopro. Era difcil de acreditar que eu no tinha apenas
imaginado o que Edward  havia me dito, e a expresso nos olhos dele.
Talvez fosse s um sonho muito convincente que eu confund com a
realidade. Isso parecia mais prvvel do que eu sendo  apelativa pra ele
em qualquer sentido. Eu estava muito impaciente e aflita quando eu e
Jssica entramos na cafeteria. Eu queria ver seu rosto, ver se ele havia
voltado  a ser a pessoa fria, indiferente que eu conhec pelas ltimas
semanas. Ou se, por algum milagre, eu realmente tinha ouvido o que eu
achava que tinha ouvido essa  manh. Jssica estava tagarelando sobre os
seus planos para o baile - Lauren e Angela haviam convidado os outros
garotos e eles estavam todos indo juntos- completamente  alheia  minha
desateno. Desapontamento me inundou quando os meus olhos se
concentraram na mesa dele. Os outros quatro estavam l, mas ele estava
ausente. Ele  foi pra casa? Eu segui a ainda tagarelante Jssica pela
fila, arrasada. Eu tinha perdido o meu apetite - eu no comprei nada
alm de uma garrafa de limonada. Eu  s queria ir me sentar e mofar.
"Edward Cullen est olhando pra voc de novo", Jssica disse, finalmente
quebrando a minha distrao com o nome dele. "Eu me pergunto  porque ele
est se sentando sozinho hoje." Minha cabea deu um salto. Eu segui o
olhar dela pra ver Edward, sorrindo, me observando de uma mesa vazia no
lado contrrio  de onde ele se sentava de costume. Assim que ele
encontrou meus olhos ele fez um gesto com o dedo indicador pedindo pra
que eu me juntasse a ele. Enquanto eu o encarava  sem acreditar, ele
piscou pra mim. "Ele t chamando voc?" Jssica perguntou com um
assombro muito insultante. "Talvez ele precise de ajuda com o dever de
casa de  Biologia", eu murmurei pro bem dela. "Umm,  melhor eu ir ver o
que ele quer". Eu podia sentir ela me encarando enquanto eu me afastava.
Quando eu alcancei a mesa  dele, eu fiquei de p atrs da cadeira na
frente dele, incerta. "Porque voc no se senta comigo hoje?" ele me
perguntou, sorrindo. Eu sentei automaticamente, observando  ele com
cuidado. Ele ainda estava sorrindo. Era difcil de acreditar que algum
to bonito pudesse ser real. Eu temia que ele desaparecesse
repentinamente numa nuvem  de fumaa, e eu acordasse. Ele parecia estar
esperando que eu dissesse alguma coisa. "Isso  diferente", eu
finalmente consegui dizer. "Bem...", ele pausou, depois  suas palavras
sairam todas de uma s vez. "Eu decid que j que eu estou indo pro
inferno,  melhor fazer direito."

Eu esperei pra que ele dissesse alguma coisa que fizesse sentido. Os
segundos foram passando. "Voc sabe que eu no fao idia do que voc
quer dizer", finalmente  eu apontei. "Eu sei", Ele sorriu de novo, e
ento mudou de assunto. "Eu acho que os seus amigos esto bravos comigo
por roubar voc." "Eles vo sobreviver", eu podia  sentir o olhar deles
cravados nas minhas costas. "Porm, eu posso no te devolver", ele disse
com um brilho estranho no olhar. Eu engol seco. Ele sorriu. "Voc
parece preocupada". "No", eu disse, ridiculamente, minha voz fugiu.
"Surpresa, na verdade...o que causou tudo isso?" "Eu j te disse... eu
me cansei de tentar ficar  longe de voc. Ento, eu estou desistindo."
Ele ainda estava sorrindo, mas seus olhos estavam srios. "Desistindo?",
eu repet confusa. "Sim- desistindo de tentar  ser bonzinho. Eu vou
fazer o que eu quiser agora, e deixar acontecer o que tiver de
acontecer." Seu sorriso sumiu enquanto ele explicava, sua voz adquiriu
um tom  duro. "Voc me perdeu de novo." O sorriso arrebatador
reapareceu. "Eu sempre falo demais quando estou com voc- esse  um dos
problemas." "No se preocupe, eu no  entendo nada mesmo.", eu disse.
"Eu estou contando com isso." "Ento, em Ingls simples, ns somos
amigos agora?" "Amigos...", ele meditou, em dvida. "Ou no."  eu
murmurei. Ele sorriu. "Bem, ns podemos tentar, eu suponho. Mas eu te
aviso que eu no sou um bom amigo pra voc." Por trs do sorriso, se
aviso era de verdade.  "Voc diz muito isso.", eu notei, tentando
acalmar o nervosismo no meu estmago e manter minha voz calma. "Sim,
porque voc no est me ouvindo. Eu estou esperando  que voc acredite
em mim. Se voc for esperta, voc vai me evitar." "Eu acho que voc
tambm j deixou clara a sua opinio sobre o meu intelecto.", meus olhos
reviraram.  Ele sorriu. "Ento, enquanto eu estou sendo...no esperta,
ns vamos tentar ser amigos?" eu lutei pra entender a confusa mudana.
"Isso parece correto." Eu olhei  para as minhas mos entrelaadas na
garrafa de limonada, sem saber o que fazer agora. "No que voc est
pensando?", ele perguntou curiosamente. Eu olhei pra os seus  profundos
olhos dourados, fiquei abobalhada, e como sempre, soltei toda a verdade.
"Eu estou tentando descobrir o que voc ." A mandbula dele se
contraiu, mas  ele continuou sorrindo com algum esforo. "Est tendo
alguma sorte?", ele perguntou num tom desinteressado. "No muita", eu
admiti. Ele gargalhou. "Quais so as  suas teorias?" Eu corei. Durante o
ltimo ms eu estive entre Bruce Wayne e Peter Parker. No tinha jeito
de eu dizer isso.

"Voc no vai me contar?" ele perguntou inclinando a cabea pra um lado
com um sorriso chocantemente tentador. Eu balancei minha cabea. "Muito
embaraoso". "Isso   muito frustrante, sabe", ele reclamou. "No", eu
discordei rapidamente, meus olhos revirando. "Eu no consigo imaginar
porque isso seria frustrante- s porque  uma pessoa se recusa a te dizer
o que ela est pensando, s porque ela est s criando pequenas
observaes obscuras que te mantm voc acordado se perguntando o  que
elas poderiam querer dizer com aquilo... agora, porque isso seria
frustrante?" Ele fez uma careta. "Ou melhor", eu continuei, o tom de
aborrecimento saindo livremente  agora. "Digamos que essa pessoa tanbm
fez algumas coisas bizarras- de salvar a sua vida sob circunstncias
impossveis um dia pra depois tratar voc como uma estranha  no outro
dia, e ele nunca explica nada disso, mesmo se ele prometeu. Isso, tambm
seria muito no frustrante." "Voc tem um temperamento um pouco forte,
no tem?"  "Eu no gosto de duplos padres". Ns encaramos um ao outro,
sem sorrir. Ele deu uma olhada por cima do meu ombro, e
ento,inesperadamente, ele sorriu silenciosamente.  "O que ?" "O seu
namorado parece estar pensando que eu estou sendo rude com voc- ele
est se questionando se deve ou no vir aqui apartar a nossa briga.",
ele  sorriu silenciosamente de novo. "Eu no sei do que voc est
falando", eu disse frigidamente. "Mas de qualquer forma, eu tenho
certeza que voc est enganado." "Eu  no estou. Eu j te disse, a
maioria das pessoas  fcil de ler." "Exceto eu,  claro." "Sim. Exceto
voc.", seu humor mudou de repente; seus olhos se tornaram pensativos.
"Eu me pergunto o porqu disso." Eu tive que olhar pra longe da
intensidade do seu olhar. Eu me concentrei em tirar o rtulo da minha
garrafa de limonada. Eu tomei  um gole, olhando para a mesa sem
enxerg-la. "Vic no est com fome?", ele perguntou distrado. "No",
eu no estava a fim de dizer que o meu estmago j estava  cheio- de
borboletas. "Voc?" eu olhei para a mesa vazia na frente dele. "No, eu
no estou com fome." Eu no entend a expresso dele - parecia que ele
estava de  divertindo com algum tipo de piada secreta. "Voc pode me
fazer um favor?", eu perguntei depois de um segundo de hesitao. De
repente ele estava cauteloso. "Depende  do que voc quer". "No 
muito", eu garant. Ele esperou, cauteloso, mas curioso. "Eu s estava
imaginando...se voc poderia me avisar com antecedncia na prxima  vez
que voc resolver me ignorar para o meu prprio bem. S pra eu me
preparar.", eu olhei para a garrafa de limonada enquanto falava,
passando o dedo na boca da  garrafa. "Parece justo." Ele estava
pressionando os lbios pra no rir quando eu olhei pra cima. "Obrigada."
"Ento posso ter uma resposta em retorno?" ele pediu.  "Uma." "Me diga
uma das suas teorias."

Opa. "Essa no." "Voc no qualificou, voc s prometeu uma resposta",
ele me lembrou. "Voc tambm j quebrou suas promessas.", eu lembrei pra
ele tambm. "S uma  teoria- eu no vou rir." "Vai sim". eu tinha
certeza disso. Ele olhou pra baixo e depois olhou pra mim por entre seus
longos clios negros, seus olhos chamuscando.  "Por favor?", ele
respirou se inclinando na minha direo. Eu pisquei, minha mente ficando
obscurecida. Santa Me, como  que ele faz isso? "Er, o que?", eu
perguntei  ofuscada. "Por favor,me diga s uma teoria.", seus olhos
ainda grudados em mim. "Hum, bem, mordido por uma aranha radioativa?"
Ele fazia hipnose, tambm? Ou eu era  um caso sem esperana? "Isso no 
muito criativo". ele zombou. "Me desculpe,  tudo que eu tenho", eu
disse amuada. "Voc no est nem perto", ele caoou. "Nada  de aranhas?"
"No" "E nada de radioatividade?" "Nada" "Droga", eu suspirei.
"Kryptonita tambm no me incomoda", ele gargalhou. "Voc no podia rir,
lembra?" Ele  lutou pra recompor o rosto. "Eu vou descobrir mais cedo ou
mais tarde", eu avisei. "Eu gostaria que voc no tentasse". Ele estava
srio de novo "Porque...?" "E  se eu no for um super-heri? E se eu for
o bandido?", ele sorriu brincando, mas seus olhos eram impenetrveis.
"Oh", eu disse,agora muitas da dicas que ele havia  dado faziam
sentido."Eu entendo." "Entende?" seu rosto estava abruptamente severo,
como se ele estivesse com medo de ter falado demais. "Voc  perigoso?"
eu chutei,  meu pulso disparou quando eu me dei conta da verdade nas
minhas palavras. Ele era perigoso. Ele esteve tentando me dizer isso o
tempo inteiro. Ele s olhou pra mim,  os olhos cheios de uma emoo que
eu no conseguia compreender. "Mas no mau." eu balancei minha cabea.
"No, eu no acredito que voc seja mau." "Voc est errada."  A voz
dele era praticamente inaudvel. Ele olhou pra baixo, roubou a tampa
daminha garrafa e comeou a rod-la entre os dedos.. Eu olhei pra ele,
imaginando porque  eu no sentia medo. Ele falava srio - isso era
bvio. Mas eu s me sentia ansiosa, no limite...e mais que tudo,
fascinada. Da mesma forma que eu sempre me sentia  quando estava perto
dele. O silncio durou at que eu perceb que a cafeteria estava quase
vazia. Eu fiquei de p num pulo." Ns vamos nos atrasar". "Eu no vou  
aula hoje", ele disse rodando a tampa to rpido que era s um vulto.
"Porque no?" " saudvel faltar a aula de vez em quando.", ele sorriu
pra mim, mas seus  olhos ainda pareciam confusos.

"Bom, eu vou indo", eu disse pra ele. Eu era covarde demais pra arriscar
ser pega. Ele voltou a ateno pra sua tampinha. "At mais tarde ento."
Eu hesitei, dividida,  mas ento o sinal tocou e eu sa correndo pela
porta- dando uma ultima olhada pra confirmar que ele no tinha se movido
nem um centmetro. Enquanto eu meio que corria  para a minha aula, minha
cabea estava girando mais rpida que uma hlice. To poucas perguntas
foram respondidas em relao quelas que foram perguntadas. Ao menos  a
chuva tinha parado. Eu estava com sorta; o Sr. Banner ainda no estava
na sala quando eu cheguei. Eu me arrumei rapidamente no meu lugar,
consciente de que tanto  Mike quanto Angela estavam olhando pra mim.
Mike parecia ressentido, e Angela parecia surpresa, e at demonstrou um
pouco de reverncia. Sr. Banner entrou ento,  pedindo ordem na sala.
Ele estava equilibrando umas caixinhas pequenas nos braos. Ele colocou
eleas na mesa de Mike e pediu pra ele comear a distribu-las pela
classe. "Tudo bem, pessoal, eu quero que vocs peguem um pedao de cada
caixa.", ele disse enquanto tirava um par de luvas de borracha do seu
jaleco e colocava-as  nas mos. O som agudo das luvas de borracha
batendo contra o pulso dele pareceu um mal pressgio pra mim. "A
primeira coisa  uma carto de instruo", ele continuou,  pegando um
carto branco com quatro quadrados marcados nele."A segunda  um
aplicador-",ele segurou alguma coisa que parecia ter dentes "-e a
terceira  uma micro-agulha  esterilizada". Ele pegou um pacote de
plstico azul e abriu. O aparador era quase invisvel a essa distncia,
mas o meu estmago deu voltas. "Eu vou passar com um  conta gotas para
preparar os seus cartes, ento por favor no comece at que eu chegue
em vocs". Ele comeou na mesa de Mike de novo, cuidadosamente colocando
uma gota de gua em cada quadradinho. "Agora eu quero que cada um de
vocs fure o seu dedo cuidadosamente com a agulha..." Ele agarrou a mo
de Mike e enfiou a agulha  na pontinha do seu dedo do meio. Oh no. Um
suor frio comeou a sair na minha testa. "Ponham uma pequena gotinha de
sangue em cada quadradinho". Ele demonstrou pegando  o dedo de Mike e
apertando at o sangue sair. Eu engol convulssivamente, meu estmago
pesando. "E ento aplique no carto", ele terminou, segurando o carto
com  gotas vermelhas pra todos ns vermos. Eu fechei os meus olhos,
tentando ouvir alm do zumbido nos meus ouvidos. "A cruz vermelha est
vindo  Port Angeles no prximo  fim de semana, ento eu pensei que
todos vocs podiam saber o seu tipo sangunio". Ele parecia orgulhoso de
s mesmo. "Aqueles que ainda no tem dezoito anos vo  precisar da
permisso dos seus pais- eu tenho documentos na minha mesa." Ele
continuou passando na sala com as suas gotinhas de gua. Eo cloquei a
minha bochecha  no topo da mesa fria e tentei me manter consciente. Em
todo lugar ao meu redor eu podia ouvir gemidos, reclamaes e
gargalhadas dos meus colegas de classe enquanto  eles furavam seus
dedos. Eu respirava calmamente pra dentro e pra fora pela minha boca.
"Bella, voc est bem?" o Sr. Banner perguntou. A voz dele estava perto
da  minha cabea, e pareceu alarmada. "Eu j sei meu tipo sangunio Sr.
Banner", eu disse com a voz fraca. Eu estava com medo de levantar a
minha cabea. "Voc est  se sentindo desfalecer?" "Sim, senhor", eu
murmurei, me chutando por dentro por no ter faltado a aula quando eu
tive a chance.

"Algum pode levar Bella  enfermaria por favor?", ele pediu. Eu no
precisei olhar pra cima pra saber que Mike foi voluntrio. "Voc pode
andar?" o Sr. Banner perguntou.  "Sim", eu murmurei. S me tirem daqui,
eu pensei. Eu vou rastejando. Mike pareceu ansioso quando colocou o
brao dele ao redor da minha cintura e colocou meu brao  sobre seus
ombros. Eu me inclinei pesadamente nele enquanto saamos da sala. Mike
me guiou lentamente pelo campus. Quando estvamos passando pela
cafeteria, fora  do campo de viso da sala de aula, quando o Sr. Banner
no podia mais ver, eu parei. "Ser que voc pode me deixar sentar um
minuto, por favor?", eu implorei. Ele  me ajudou a sentar na beira da
calada. "E o que quer que voc faa, mantenha a sua mo no bolso", eu
avisei. Eu ainda estava muito atordoada. Eu ca pro lado, encostando  o
meu rosto no cimento frio, sujo da calada e fechei meus olhos. Isso
pareceu ajudar um pouco. "Uau, voc est verde, Bella", Mike disse
nervosamente. "Bella?",  uma voz diferente chamou de longe. No! Por
favor diga que eu estou imaginando essa voz horrivelmente familiar.
"Qual o problema- ela est machucada?" A voz dele  estava mais prxima
agora, e ele parecia aflito. Eu no estava imaginando. Eu apertei meus
olhos, esperando morrer. Ou pelo menos, no vomitar. Mike pareceu
estressado.  "Eu acho que ela est passando mal. Eu no sei o que
aconteceu, ela nem furou o dedo." "Bella", a voz de Edward estava bem ao
meu lado, aliviada agora. "Voc consegue  me ouvir?" "No", eu gem. "V
embora". Ele sorriu. "Eu estava levando ela para a enfermaria", Mike
explicou em tom de defesa, "Mas ela no conseguiu ir adiante".  "Eu vou
levar ela", Edward disse. Eu ainda podia ver o sorriso na voz dele.
"Voc pode voltar para a sala de aula." "No", Mike protestou. "Sou eu
quem deve fazer  isso". De repente a calada desapareceu. Meus olhos se
abriram com o susto. Edward tinha me pego nos braos, to facilmente
como se eu no pesasse nada. "Me ponha  no cho!" Por favor, por favor
no me deixe vomitar nele. Ele j estava caminhando antes que eu
terminasse de falar. "Ei!" Mike chamou, j muito atrs de ns. Edward
ignorou ele. "Voc parece horrvel", ele me disse sorrindo. "Me coloque
de volta na calada", eu gem. O movimento da caminhada no estava
ajudando muito. Ele me  segurou longe do corpo dele, cuidadosamente,
aguentando todo o meu peso s nos braos- ele no parecia estar se
incomodando. "Ento voc passa mal quando v sangue?",  ele perguntou.
Isso parecia divertido pra ele. Eu no respond. Eu fechei meus olhos e
lutei contra a nusea com todas as minha foras, apertando meus lbios.
"E  nem  o seu prprio sangue" ele continuou, se divertindo. Eu no sei
como ele conseguiu abrir a porta enquanto me carregava, mas de repente
estava quente, ento  eu sabia que estvamos do lado de dentro. "Meu
Deus", eu ouv uma voz de mulher suspirar.

"Ela passou mal na aula de Biologia", Edward explicou. Eu abr meus
olhos. Eu estava na secretara e Edward continuou avanando em direo 
enfermaria. A Sr. Cope,  a recepcionista ruiva da secretara, passou na
frente dele para abrir a porta. A enfermeira que tinha cara de vov,
tirou os olhos de um livro, pasma, enquanto Edward  me carregava pelo
quarto e me colocava gentilmente em cima do papel que cobria o colcho
de vinil na nica cama. Ento ele se afastou e foi se inclinar numa
parede  to distante quanto foi possvel. Seus olhos estavam brilhando,
exitados. "Ela s est um pouco enjoada", ele garatiu para a enfermeira.
"Eles esto testando o sangue  na aula de Biologia." A enfermeira
balanou a cabea. "Sempre tem um." Ele tentou abafar um riso. "Fique um
pouco deitada, meu bem; vai passar logo". "Eu sei", eu  suspirei. A
nusea j estava desaparecendo. "Isso acontece muito?", ela perguntou.
"As vezes", eu admit. Edward tossiu para disfaar outra risada. "Voc
pode voltar  para a sala agora", ela disse pra ele. "Eu devo ficar com
ela", ele disse com tanta autoridade que- mesmo torcendo os lbiosa
enfermeira no discutiu mais. "Eu vou  pegar um pouco de gelo pra voc
colocar na sua testa, querida",ela disse pra mim e ento saiu da sala.
"Voc estava certo", eu gem deixando os meus olhos fechados.  "Eu
geralmente tenho- mas sobre o que em particular desta vez?" "Faltar a
aula  saudvel." eu pratiquei respirar uniformemente. "Voc ma assustou
por um minuto  l fora", ele admitiu depois de uma pausa. O tom que ele
usou fez parecer que ele estava confessando uma fraqueza vergonhosa. "Eu
pensei que Mike estava arrastando  o seu cadver pra enterr-lo no
bosque". "Ha ha". Eu ainda estava com os olhos fechados, mas estava me
sentindo melhor a cada minuto. "Honestamente- eu j v cadveres  com
uma cor melhor. Eu j estava preocupado em ter que vingar o seu
assassinato". "Pobre Mike. Eu aposto que ele est bravo". "Ele
absolutamente me detesta.", Edward  disse alegremente. "Voc no tem
como saber disso". eu discuti, mas depois imaginei se ele tinha como
saber. "Eu v o rosto dele- eu posso dizer." "Como voc me  viu? Eu
pensei que voc estivesse escondido".Eu estava quase bem agora, apesar
de que os enjos iam passar mais rpido se eu tivesse comido alguma
coisa no almoo.  Por outro lado, talvez fosse bom que o meu estmago
estivesse vazio. "Eu estava no meu carro ouvindo um CD". Uma resposta
to normal- me surpreendeu. Eu ouv a porta  abrir e abr os olhos pra
ver a enfermeira entrar com uma compressa fria na mo. "Aqui, querida".
Ela colocou-a na minha testa. "Voc parece melhor", ela falou.  "Eu acho
que estou bem", eu disse, me sentando. S um pequeno zumbido nos meus
ouvidos, nada girando. As paredes verdes estavam exatamente onde
deveriam estar. Eu  v que a enfermeira estava prestes a me fazer deitar
de novo, mas a porta se abriu nessa hora, a Sra Cope colocou a cabea
pra dentro. "Tem outro aqui", ela avisou.  Eu desc pra deixar a cama
livre para o prximo invlido. "Eu devolv a compressa para a
enfermeira. "Aqui, eu no preciso mais disso."

Ento Mike entrou, agora carregando um plido Lee Stephens, outro garoto
da nossa aula de Biologia. Eu e Edward ficamos colados na parede pra dar
espao  eles.  "Oh no", Edward murmurou. "Bella, v para a
secretaria". Eu olhei pra ele, confusa. "Confie em mim- v." Eu me virei
e sa antes que a porta se fechasse, deixando  a enfermaria. Eu podia
sentir Edward bem atrs de mim. "Voc realmente me ouviu", ele parecia
abismado. "Eu sent o cheiro de sangue", eu disse, torcendo o nariz.
Lee no estava passando mal por causa dos outros, como eu. "As pessoa
no podem cheirar sangue", ele me contradisse. "Bem, eu consigo-  isso
que me deixa doente.  Tem cheiro de ferrugem e...sal." Ele estava me
encarando com uma expresso ilegvel. "O que ?", eu perguntei. "No 
nada". Nessa hora Mike saiu, olhando pra mim  e Edward. O olhar que ele
passou pra Edward confirmou o que Edward disse sobre detestar. Ele olhou
de volta pra mim, seus olhos mal-humorados. "Voc parece melhor",  ele
acusou. "Mantenha a sua mo no bolso", eu avisei de novo. "No est mais
sangrando", ele murmurou. "Voc vai voltar pra aula?" "Voc t
brincando? Eu vou voltar  pra c na certa." ", eu acho...Ento, voc
vai esse fim de semana? Para a praia?" Enquanto ele falava, ele deu
outra olhada na direo de Edward, que estava inclinado  no balco, to
imvel quanto uma escultura, olhando para o nada. Eu tentei soar o mais
amigvel possvel. "Claro, eu disse que ia." "Vamos nos encontar na loja
do  meu pai, as dez." Os olhos dele foram parar em Edward de novo,
pensando se ele estava dando informao demais. Alinguagem corporal que
ele usou, deixou bem claro  que no era um convite em aberto. "Eu
estarei l", eu promet. "Eu te vejo na aula de eduacao fsica,
ento", ele disse, se movendo devagar at a porta. "A gente  se v", eu
disse. Ele olhou pra mim de novo, fazendo biquinho, e ento, enquanto
ele passava vagarosamente pela porta, seus ombros cairam. Uma onda de
simpatia passou  pelo meu corpo. Eu pensei em como seria ver o seu rosto
triste de novo...na aula de educao fsica. "Educao fsica", eu gem.
"Eu posso cuidar disso", eu no  perceb Edward se aproximando de mim,
mas agora ele estava falando no meu ouvido. "V se sentar e fique
plida", ele cochichou. Isso no era muito difcil; eu j  era
naturalmente plida, e o meu recente show deixou um rastro de suor na
minha testa. Eu sentei em uma das cadeiras e descansei a cabea na
parede com os meus olhos  fechados. Crises de enjo sempre me deixavam
cansada. Eu ouv Edward falando levemente no balco" "Sra Cope?" "Sim?",
eu no ouv ela voltar para a mesa. "A prxima  aula de Bella  de
Educao fsica, e eu no acho que ela se sente bem o suficiente. Na
verdade, eu acho que eu devia levar ela pra casa agora.Voc acha que
pode  liber-la dessa aula?" A voz dele parecia mel derretendo. Eu podia
imaginar como os olhos dele estavam persuasivos agora.

"Voc tambm precisa ser liberado, Edward?" A Sra Cope flutuou. Porque
eu no podia fazer isso? "No, eu tenho aula com a Sra Goff, ela no vai
se incomodar." "Ok,  ento est tudo acertado. Melhoras, Bella", ela
falou pra mim. Eu balancei a cabea fracamente, levantando ela s um
pouco. "Voc consegue caminhar, ou prefere que  eu te carregue de novo?"
Quando voltou da recepo, sua expresso estava sarcstica. "Eu vou
caminhando". Eu me levantei vagarosamente, e ainda estava bem. Ele
segurou  a porta pra mim, seu sorriso educado mas seus olhos estavam
zombando de mim. Eu sa para a nvoa fria,fria que estava comeando a
aparecer no cu- enquanto ela limpava  o suor da minha testa.
"Obrigada", eu disse enquanto ele me seguia. "Quase vale a pena ficar
doente pra perder Educao fsica." " s pedir", ele olhava diretamente
pr frente, andando na chuva. "Ento voc vai? Sbado, eu quero dizer."
Eu estava esperando que ele fosse, mas parecia difcil. Eu no conseguia
imagin-lo enchendo  uma van com os amigos da escola; ele no pertencia
a esse mundo. Mas eu esperava que ele me desse uma razo pra querer ir a
essa excurso. "Onde vocs todos esto  indo, exatamente?" Ele ainda
estava olhando pra frente, sem expresso. "Vamos  La Push, para a
praia". Eu estudei o rosto dele, tentando entend-lo. Os olhos dele
pareceram estreitar imperceptivelmente. Ele olhou pra mim com o canto
dos olhos, sorrindo. "Eu no acho que eu tenha sido convidado". Eu
suspirei. "Eu acabei de  te convidar". "Eu e voc no vamos mais pedir
tanto do pobre Mike esse fim de semana. Ns no queremos que ele tenha
uma colapso". Os olhos dele danaram; ele gostava  da idia mais do que
devia. "Mike boboca", eu cochichei, preocupada com o jeito que ele
disse "eu e voc". Eu gostei disso mais do que eu devia. Nos estvamos
perto  do estacionamento agora. Eu fui andando para a esquerda na,
direo do meu carro. Algo agarrou minha jaqueta e me puxou de volta.
"Onde  que voc pensa que vai?",  ele perguntou, enfurecido. Ele estava
agarrando a minha jaqueta com o punho inteiro segurando com um mo. Eu
estava confusa. "Eu vou pra casa". "Voc no me ouviu  prometer que te
levaria pra casa em segurana? Voc acha que eu vou te deixar dirigir
nessas condies?" A voz dele estava indignada. "Que condies? E a
minha caminhonete?",  eu reclamei. "Eu vou pedir pra Alice lev-la
depois da escola". Ele j estava me arrastando em direo ao carro dele,
me puxando pela jaqueta. Eo acompanhei pra  no cair de costas no cho.
Ele provavelmente ia me arrastar de volta de qualquer jeito mesmo. "Me
solta!", eu insist. Ele me ignorou. Eu andei a passos largos  na
calada molhada at que chegamos no Volvo. Ento ele finalmente me
libertou. Eu quase me bat na porta do passageiro. "Voc  muito
mando", eu gritei. "Est  aberta", foi tudo o que ele respondeu. Ele
foi para o lado do motorista. "Eu sou perfeitamente capaz de dirigir at
em casa!", eu fiquei parada perto do carro, fumaando.  Estava chovendo
mais forte agora, e eu no tinha levantado o meu capuz, ento meu cabelo
estava grudando nas minhas costas. Ele abaixou o vidro automtico e se
inclinou  no banco. "Entre no carro, Bella".

Eu no respond. Eu estava calculando as minhas chances de alcanar meu
carro antes dele me pegar. Eu tenho que admitir, as chances no eram
boas. "Eu vou pegar  voc de novo", ele ameaou, adivinhando meu plano.
Eu tentei manter toda a dignidade que pude ao entrar no carro dele. Mas
no tive muito sucesso- eu parecia um  gato escaldado e as minhas botas
esguicharam. "Isso foi completamente desnecessrio", eu disse meio
durona. Ele no respondeu. Ele mexeu nos controles, aumentando  o
aquecedor e abaixando a msica. Enquanto ele saa do estacionamento, eu
estava me preparando pra dar a ele o tratamento do silncio - meu rosto
demonstrando as  minhas intenes- mas ento eu reconhec a msica que
estava tocando, e a minha curiosidade foi alm das minhas intenes.
"Clair De Lune?", eu perguntei, surpresa.  "Voc conhece Debussy?", ele
tambm surpreso. "No muito", eu admit. "Minha me toca muita muita
musica clssica em casa. Eu s conheo as minhas favoritas." "  uma das
minhas favoritas tambm", ele olhou para a chuva l fora, perdido em
pensamentos. Eu escutei a msica, relaxando no couro cinza claro do
banco. Era impossvel  no responder a melodia familiar,
tranquilizadora. A chuva transformou tudo l fora em uma nvoa cinza e
verde. Eu comecei a perceber que estvamos indo rpido demais;  apesar
disso, o carro se movia com tanta uniformidade e calma que eu nem sentia
a velocidade. Somente a cidade passando rpido me fazia reparar. "Como 
a sua me?",  ele me perguntou de repente. Eu olhei pra ele pra ver ele
me observando com olhos curiosos. "Ela se parece muito comigo, mas ela 
mais bonita", eu disse. Ele ergueu  as sobrancelhas. "Eu tenhomuito de
Charlie em mim. Ela  mais divertida que eu, e mais corajosa. Ela 
irresponsvel e um pouco excntrica e uma cozinheira muito
imprevisvel. Ela  minha melhor amiga." Eu parei. Falar sobre ela
estava me deixando deprimida. "Quantos anos voc tem, Bella?", A voz
dele parecia frustrada por  algum motivo que eu no conseguia imaginar.
Ele parou o carro, e eu me dei conta de que j estvamos na casa de
Charlie. A chuva estava to forte que eu mal conseguia  ver a casa. Era
como se o carro estivesse dentro de um rio. "Eu tenho dezessete", eu
respond um pouco confusa. "Voc no parece ter dezessete". Seu tom era
de reprovao;  me fez rir. "O que foi?", ele perguntou, curioso de
novo. "Minha me sempre diz que eu nasc com trinta e cinco anos de
idade e que fico mais velha a cada ano que  passa." Eu sorr e ento
suspirei. "Bem, algum tem que ser o adulto". Eu pausei por um segundo.
"Voc tambm no parece um jovenzinho", eu notei. Ele fez uma careta  e
mudou de assunto. "Ento porque sua me se casou com Phil?" Eu estava
surpresa que ele ainda lembrava do nome; eu s o mencionei uma vez, h
quase dois meses atrs.  Eu levei algum tempo pra responder. "Minha
me...ela  muito jovem para a idade dela. Acho que Phil a faz se sentir
ainda mais jovem. De qualquer forma, ela  louca  por ele." Eu balancei
minha cabea. A atrao era um mistrio pra mim. "Voc aprova?", ele
perguntou.

"Isso importa?" eu apontei. "Eu quero que ela seja feliz...e  ele que
ela quer." "Isso  muito generoso...eu imagino", ele refletiu. "O qu?"
"Se ela estenderia  a mesma cortesia pra voc, voc acha? No importa
qual seja a sua escolha?" De repente ele estava atento, seus olhos
procurando os meus. "E-eu acho que sim" Eu gaguejei.  "Mas de qualquer
forma ela  uma me, apesar de tudo.  um pouco diferente". "Nada muito
assustador ento" ele brincou. Eu sorr em resposta. "O que voc quer
dizer  com assustador? Vrios piercings corporais e tatuagens
gigantescas?" " uma definio, eu acho". "Qual  a sua definio?" Mas
ele ignorou minha pergunta e me fez  outra. "Voc acha que eu poderia
ser assustador?" Ele ergueu uma sobrancelha e a leve sombra de um
sorriso iluminou o seu rosto. Eu pensei por um momento, refletindo  se
seria melhor falar a verdade ou mentir. Eu decid que seria melhor dizer
a verdade. "Hmmmm... eu acho que voc poderia ser, se voc quisesse."
"Voc est com  medo de mim agora?" O sorriso desapareceu e o seu rosto
celestial estava srio de novo. "No" mas eu respond rpido demais. O
sorriso reapareceu. "Ento, agora  voc vai me falar sobre a sua
famlia?" eu perguntei pra distra-lo. "Deve ser uma histria bem mais
interessante do que a minha". Ele estava instantneamente cauteloso.  "O
que voc quer saber?" "Os Cullen te adotaram?", eu verifiquei. "Sim". Eu
hesitei por um momento. "O que aconteceu com os seus pais?" "Eles
morreram h muitos  anos atrs." O tom dele era decisivo. "Eu lamento",
eu murmurei. "Na verdade eu no lembro deles muito claramente. Carlisle
e Esme so meus pais a muito tempo agora."  "E voc ama eles". No era
uma pergunta. Era bvio pela maneira que ele falava deles. "Sim". Ele
sorriu. "Eu no poderia imaginar duas pessoas melhores". "Voc tem
muita sorte." "Eu sei que tenho." "E seu irmo e sua irm?" Ele deu uma
olhada para o relgio no teto. "Meu irmo e minha irm, e Jasper e
Rosalie por falar nele,  vo ficar bem bravos se tiverem que ficar na
chuva esperando por mim". "Oh, desculpe, eu acho que voc tem que ir".
Eu no queria sair do carro. "E provavelmente  voc quer o seu carro
aqui antes que Charlie chegue em casa, assim voc no ter que contar
pra ele sobre o acidente na aula de Biologia." Ele sorriu pra mim. "Eu
tenho certeza que ele j sabe. No existem segredos em Forks". Eu
suspirei. Ele sorriu, mas havia algo mais nesse sorriso. "Se divirta na
praia...timo clima pra  um banho de sol." Ele olhou para a chuva
caindo. "Eu no vou ver voc amanh?" "No. Emmett e eu vamos comear o
fim de semana mais cedo." "O que vocs vo fazer?"  Uma amiga podia
perguntar isso, n? Eu esperava que o desapontamento no estivesse muito
aparente na minha voz.

"Ns vamos fazer uma caminhada na Selva de Pedra da Cabra,  Sul de
Rainier." Eu lembrei que Charlie disse que os Cullen iam acampar
frequentemente. "Hum, bem, divirta-se".  Eu tentei demonstrar
entusiasmo. Eu no acho que o enganei, apesar disso. Um sorriso estava
brincando nos cantos dos lbios dele. "Ser que voc poderia fazer uma
coisa por mim esse fim de semana?". Ele se virou pra me olhar
diretamente nos olhos, utilizando todo o poder dos seus olhos dourados
flamejantes. Eu balancei a cabea  desamparadamente. "No se ofenda, mas
voc parece ser uma dessas pessoas que atraem acidentes como um im.
Ento...tente no cair no oceano ou ser atingida por algo,  est bem?"
Ele deu um sorriso torto. O desamparo fugiu enquanto ele falava. Eu
encarei ele. "Eu vou ver o que posso fazer", eu soltei enquanto saa
para a chuva.  Eu bat a porta atrs de mim com fora excessiva. Ele
ainda estava sorrindo quando foi embora.

6. Histrias Assustadoras. Eu sentei no meu quarto, tentando me
concentrar no terceiro captulo de Macbeth, eu estava tentando ouvir
quando meu carro chagasse. Eu pensei que mesmo com a chuva  torrencial,
eu poderia ouvir o ronco do motor. Mas quando eu dei uma olhadinha pela
cortina- de novo- ele estava l. Eu no estava muito ansiosa pelo
Sexta-feira,  e as minhas expectativas foram mais que atendidas.  claro
que houveram alguns comentrios. Especialmente Jssica que parecia j
estar totalmente atualizada com  a histria. Por sorte, Mike ficou
calado e ningum soube do envolvimento de Edward na histria. Jssica,
no entanto, tinha algumas perguntas pra fazer na hora do  almoo. "Ento
o que Edward Cullen queria ontem na hora do almoo?", Jssica perguntou
na aula de Trigonometria. "Eu no sei", eu disse sinceramente. "Ele no
chegou  ao ponto". "Voc parecia um pouco aborrecida", ela pescou.
"Eu?",minha expresso no dizia nada. "Sabe, eu nunca tinha visto ele
sentar com ningum alm da sua famlia  antes. Aquilo foi estranho".
"Estranho", eu concordei. Ela pareceu nervosa, ela balanava seus cachos
pretos impacientemente- eu imaginei que ela estava esperando  por uma
boa fofoca pra passar por a. A pior parte da sexta-feira foi que,
apesar de saber que ele no estaria l, eu ainda esperava que ele
estivesse. Quando eu  entrei na cafeteria com Jssica e Mike, eu no
consegu deixar de olhar para a mesa dele, onde Rosalie, Alice e, Jasper
estavam conversando, com as cabeas prximas  umas das outras. Eu no
consegu evitar a escurido que me envolveu quando eu me dei conta de
que no sabia quando voltaria a v-lo. Na minha mesa de sempre, todos
estavam cheios de planos para o dia seguinte. Mike estava animado de
novo, depositando muita confiana no homem do tempo que havia prometido
sol amanh. Eu acho  que j ouv isso antes. Hoje estava mais morno-
quase 15 graus. Talvez a excurso no fosse um desastre total. Eu
interceptei algumas olhadas pouco amigveis de  Lauren no almoo, e eu
no entend at que todos ns fomos andando juntos para a sala. Eu
estava bem atrs dela, a um passo do seu cabelo liso, louro cinzento, e
ela estava claramente inconsciente disso. "...No sei porque Bella"- ela
zombou com o meu nome- "no se senta com os Cullen de agora em diante".
Eu ouv ela cochichando  com Mike. Eu nunca havia percebido que voz
chata, nasal, ela tinha, e eu estava surpresa com a malcia que havia
nela. Eu nem seguer conhecia ela direito, certamente  no bem o
suficiente pra ela no gostar de mim- pelo menos eu achava. "Ela  minha
amiga; ela se senta conosco", Mike disse lealmente, mas tambm
demarcando um pouco  de territrio. Eu parei pra deixar Jess e Angela me
passarem. Eu no queria ouvir mais nada. Naquela noite no jantar,
Charlie pareceu entusiasmado com a minha viagem   La Push na manh
seguinte. Eu acho que ele se sentia culpado por me deixar sozinha nos
fins de semana, mas ele passou anos demais construindo os seus hbitos
pra  quebr-los agora.  claro que ele j sabia o nome de todas as
pessoas que iam, e os dos pais deles, e os dos avs deles tambm,
provavelmente. Ele parecia aprovar.  Eu me perguntei se ele

aprovaria o meu plano de ir  Seattle com Edward Cullen. No que eu
fosse dizer isso pra ele. "Pai, voc conhece algum lugar chamado Pedra
da Cabra ou alguma coisa  assim? Eu acho que  a sul da montanha
Rainier", eu perguntei casualmente. "Sim- porque?" Eu levantei os
ombros. "Alguns garotos esto falando de ir acampar l".  "No  um
lugar muito bom pra acampar". Ele pareceu surpreso. "Ursos demais.
Algumas pessoas vo l na temporada de caa." "Oh", eu murmurei. "Talvez
eu tenha ouvido  o nome errado". Eu tentei dormir, mas uma estranha
claridade amarela me acordou. Eu abr os meus olhos pra ver uma clara
luz amarela entrando pela minha janela.  Eu no podia acreditar. Eu
corr para a janela pra me certificar, e l estava ele, o sol. Ele
estava mal posicionado no cu, baixo demais, e no demonstrava estar
to prximo quanto deveria, mas definitivamente era o sol. As nuvens
inundavam o horizonte, mas uma grande mancha azul estava visvel bem no
meio. Eu fiquei grudada  na janela o mximo de tempo que pude, com medo
de que se eu fosse embora o azul desaparecesse. A Loja de Equipamentos
Atlticos dos Newton era  Norte da cidade.  Eu j havia vistoa loja,
mas nunca havia parado l antes - eu nunca precisei dos suplementos
requeridos pra ficar muito tempo fora de casa. No estacionamento, eu
reconhec o Suburban de Mike e o Sentra de Tyler. Enquanto eu
estacionava prximo ao carro deles, eu v o grupo em p na frente do
Suburban. Eric estava l, junto  de outros garotos que tinham aula
comigo; eu tinha quase certeza que eles se chamavam Ben e Conner. Jess
estava l, acompanhada de Angela e Lauren. Trs outras garotas  estavam
com elas, incluindo uma garota que eu derrubei na aula de Educao
fsica. Essa garota me deu uma olhada feia e cochichou alguma coisa para
Lauren. Lauren  balanou seu cabelo louro e me deu uma olhada de nojo.
Ia ser um dia daqueles. Pelo menos Mike estava feliz em me ver. "Voc
veio!", ele disse, encantado. "E eu  disse que ia fazer sol, no disse?"
"Eu disse que viria", eu lembrei a ele. "S estamos esperando Lee e
Samantha...a no ser que voc tenha convidado mais algum",ele  disse.
"No", eu disse levemente, rezando pra no ser pega na mentira. Mas ao
mesmo tempo, esperando que um milagre acontecesse, e Edward aparecesse.
Mike pareceu  satisfeito. "Voc vai no meu carro?  isso ou a minivan da
me do Lee". "Claro". Ele sorriu cheio de alegria. Deixar Mike feliz 
to fcil. "Voc pode ir na janela",ele  prometeu. Eu escond a minha
tristeza. No era to fcil deixar Mike e Jssica felizes ao mesmo
tempo. Eu podia ver Jssica nos observando agora. Apesar disso, os
nmeros estavam ao meu favor. Lee trouxe mais duas pessoa, e de repente,
todos os lugares foram ocupados. Eu consegui enfiar Jssica entre Mike e
eu no banco da  frente do Suburban. Mike podia ter sido mais educado me
relao a isso, mas pelo menos Jssica pareceu satisfeita. Eram s vinte
e cinco quilmetros de Forks  La  Push, com suas lindas, florestas
verdes e densas na beira da maioria das estradas no caminho ao grande
Rio Quillayute. Eu estava feliz por ter ficado com o ascento  da janela.
Tinhamos baixado as janelas - o Suburban ficou um pouco claustrofbico
com nove pessoas dentro dele- e eu tentei absorver todos os raios de sol
que pude.

Eu j tinha ido nas praias de La Push durante os meus veres em Forks
com Charlie, ento os primeiros quilmetros de praia eram familiares pra
mim. Ainda era de  tirar o flego. A gua era de um cinza-escuro, mesmo
no sol, e haviam encostas de pedra, de um cinza pesado. As ilhas
apareciam nas guas do porto rodeadas por recifes  de corais, alcanando
pices desiguais, e coroadas com coqueiros que flutuavam com a brisa. A
praia prpriamente dita, s tinha uma fina faixa de areia perto da
gua, atrs das guas apareciam milhares de pedras grandes e com
aparencia suave que pareciam uniformemente cinza de longe, mas olhando
de perto elas eram de todas  as cores que uma pedra poderia ser:
terracota, verde-mar, lavanda, azul cinzento, dourado-areia. A pequena
encosta estava lotada com grandes rvores, descoloridas  numa cor branca
de osso, por causa das ondas do mar, algumas muito prximas umas das
outras contra os limites da floresta, outras sozinhas, fora do alcance
das ondas.  Havia um vento fresco vindo das ondas, fresco e revigorante.
Pelicanos flutuavam sobre as ondas enquanto gaivotas e uma guia
solitria voavam acima deles. As nuvens  ainda circulavam o cu,
ameaando invadir a qualquer momento, mas por enquanto, o sol brilhava
bravamente no cu azul. Ns descemos para a praia, Mike nos guiando
para um crculo feito com troncos de rvores que obviamente j havia
sido usado para festas como a nossa antes. J havia uma fogueira
preparada, cheia de cinzas  pretas. Eric e o garoto que eu achava que se
chamava Ben comearam a recolher galhos dos salgueiros mais secos perto
da floresta, e logo eles haviam construdo uma  cabaninha com galhos no
topo da velha fogueira. "Voc j viu uma fogueira construda com galhos
de salgueiro?" Mike me perguntou. Eu estava sentada num dos troncos
descoloridos; as outras garotas reunidas, fofocando excitadamente, nos
meus dois lados. Mike ficou de joelhos perto da fogueira, acendendo um
dos galhos com um isqueiro.  "No", eu respond enquanto ele colocava o
galho de volta na fogueira. "Ento voc vai gostar disso aqui- observe
as cores". Ele acendeu oputro galho e colocou junto  com o primeiro. As
chamas comearam a avanar rapidamente nos galhos secos. " azul", eu
disse surpresa. " por causa do sal.  bonito, no ?" Ele acendeu mais
um pedao e colocou onde as chamas ainda no haviam alcanado, e veio
sentar ao meu lado. Felizmente, Jess estava no outro lado dele. Ela
virou e comeou a reclamar  sua ateno. Eu observei as estranhas chamas
azuis e verdes crescerem em direo ao cu. Depois de meia hora de
bate-papo, alguns garotos quiseram ir caminhar perto  das piscinas
naturais. Era um dilema. Por um lado, eu amava as piscinas naturais.
Elas haviam me fascinado quando eu era criana; elas eram uma das poucas
coisas  que me faziam querer voltar  Forks. Por outro lado, eu tinha
cado muito nelas. Nada demais quando se tem sete anos e se est com o
seu pai. Isso me lembrou do  pedido de Edward - no caia no mar. Foi
Lauren que decidiu por mim. Ela no quis ir, e ela definitivamente
estava usando os sapatos errados pra esse tipo de coisa.  A maioria das
garotas alm de Jssica e Angela tambm quiseram ficar. Eu esperei at
Tyler dizer que ficaria com elas antes de me juntar silenciosamente ao
grupo  pr-caminhada. Mike me deu um sorriso gigantesco quando viu que
eu estava vindo. A caminhada no foi muito longa, apesar de eu ter
odiado no poder ver o cu de  dentro do bosque. O verde claro da
floresta ficava estranho com as risadas dos adolescentes, muito altas e
alegres para se harmonizarem com os painis verdes ao  meu redor. Eu
tinha que

observar cuidadosamente cada passo que eu dava, evitando as pedras
abaixo e os troncos acima, e logo eu acabei ficando pra trs.
Eventualmente eu sa dos confins  verdes da floresta e encontrei a
encontra de pedras de novo. A mar estava baixa, e um pequeno riozinho
passava por ns indo a caminho do mar. Perto dos pedregulhos,  haviam
pequenas piscinas que nunca estavam completamente secas por causa da
gua despejada do oceano. Eu fui muito cuidadosa pra no me inclinar
demais nos tanques  de gua do mar. Os outros no tinham medo, se
inclinando nas rochas, brincando nas beiradas. Eu encontrei uma pedra
que parecia muito estvel perto de uma das piscinas  maiores e me sentei
l cuidadosamente, encantada com o aqurio natural abaixo de mim. Os
buqus de anmonas brilhantes balanavam sem parar na corrente
invisvel,  conchas tortas apareciam nas beiras, escondendo os
caranguejos dentro delas, estrelas do mar ficavam imveis sobre as
pedras e umas sobre as outras, enquanto uma  pequena enguia preta com
listras brancas nadava contra as ervas daninhas para voltar para o mar.
Eu estava completamente absorvida,exceto por uma pequena parte do  meu
crebro que imaginava onde Edward estaria agora, e o que ele estaria me
dizendo se estivesse aqui comigo. Finalmente os rapazes ficaram com
fome, e eu fiquei  de p para acompanh-los de volta. Eu tentei
acompanh-los melhor dessa vez por dentro da floresta, ento
naturalmente eu ca algumas vezes. Eu arranjei uns arranhes
artificiais nas minhas mos, e os joelhos dos meus jeans estavam
manchados de verde, mas podia ser pior. Quando ns voltamos para a
praia, o grupo que deixamos havia  se multiplicado. Enquanto nos
aproximvamos, podamos ver os cabelos brilhantes, muito pretos e a pele
cor de cobre dos nossos visitantes, adolescentes das reservas  prximas
que vieram se socializar. A comida j estava sendo passada, e os garotos
correram para pegar as suas partes enquanto Eric nos apresentava a cada
um no crculo  de troncos. Angela e eu fomos as ltimas a chegar, e,
enquanto Eric falava nossos nomes, eu reparei num garoto mais jovem
sentado numa das pedras perto da fogueira  olhando pra mim cheio de
interesse. Eu sentei perto de Angela, e Mike nos trouxe sanduches e uma
rodada de refrigerante para aqueles que pediram, enquanto o garoto  que
parecia ser o mais velho do grupo foi dizendo os nomes dos outros sete
que estavam com ele. Eu s lembrei o de uma das garotas que tambm se
chamava Jssica,  e o garoto que reparou em mim que se chamava Jacob.
Era relaxante estar com Angela; ela era o tipo de pessoa que fazia voc
se sentir bemela no precisava preencher  o silncio com conversinhas.
Ela me deixou livre pra pensar enquanto ns comiamos. E eu estava
pensando em como o tempo passava desconjuntadamente em Forks, passando
num sopro as vezes, com algumas imagens claramente se destacando de
outras. E ento, outras vezes, cada segundo era significante, gravando
na minha memria. Eu sabia  exatamente o que causava a diferena, e isso
me perturbava. Durante o almoo as nuvens comearam a avanar, se
esquivando no cu azul, ficando momentaneamente na  frente do sol,
formando longas sombras na praia, e escurecendo as ondas. Enquanto
terminavam de comer, as pessoas comearam a formar grupos de duas e de
trs pessoas.  Algumas caminharam at as ondas, tentando subir nas
pedras de superfcie cortante. Outros estavam formando uma segunda
excurso s piscinas. Mike - com Jssica na  cola dele- foi at uma loja
na vila. Alguns dos garotos da localidade foram com eles; outros se
juntaram  caminhada. Quando todos eles sumiram, eu estava sentada
sozinha no meu tronco, Luren e Tyler estavam se ocupando com um som que

algum havia pensado em trazer, e trs garotos das reservas se juntaram
ao crculo, incluindo aquele garoto chamado Jacob e o garoto mais velho
que havia servido  de apresentador. Alguns minutos depois que Angela foi
embora com os excursionistas, Jacob se aproximou para tomar o lugar dela
 meu lado. Ele parecia ter catorze,  talvez quinze, e tinha um cabelo
longo, brilhante amarrado atrs da cabea com um elstico de borracha
perto da nuca. A pele dele era linda, sedosa e com uma cor  saudvel;
seus olhos eram escuros, bem posicionados no alto das mas bem feitas
do seu rosto. Ele tinha s um pouco de infantilidade que havia
permanecido no seu  queixo. No geral, um rosto bonito. No entanto, minha
boa impresso em relao a aparncia dele foi apagada pelas primeiras
palavras que sairam da boca dele. "Voc   Isabella Swan, no ?" Era
que nem o primeiro dia de aula. "Bella", eu suspirei. "Eu sou Jacob
Black", ele me deu a mo num gesto amigvel. "Voc comprou a caminhonete
do meu pai" "Oh", eu disse, aliviada, balanando sua mo macia e
brilhante. "Voc  o filho de Billy; eu devia me lembrar de voc." "No,
eu sou o mais novo da famlia-  voc deve lembrar das minhas irms mais
velhas" "Rachel e Rebecca", eu lembrei de repente. Charlie e Billy
haviam nos jogado juntas durante muitas das minhas visitas,  pra nos
mantermos ocupadas enquanto eles pescavam. Eramos todas muito tmidas
pra fazer algum progresso como amigas.  claro que eu j tinha tido
excessos de raiva  suficientes pra acabar com as pescarias quando eu
tinha onze anos. "Elas esto aqui?", eu examinei as garotas na beira do
mar, imaginando se conseguia reconhecer  alguma delas agora. "No",
Jacob balanou a cabea. "Rachel recebeu uma bolsa de estudos no estado
de Washington, e Rebecca casou com um surfista de Samoa- agora  ela vive
no Hava". "Casada. Uau". Eu estava aturdida. As gmeas eram mais velhas
que eu pouco mais de um ano. "Ento voc gosta da caminhonete?",ele
perguntou.  "Eu adoro. Trabalha muito bem." ", mas  muito lenta", ele
sorriu. "Eu fiquei muito aliviado quando Charlie comprou ela. Meu pai
no me deixaria trabalhar em construir  outro carro quando tnhamos
outro carro perfeitamente bom l." "No  to lenta", eu argumentei.
"Voc j tentou passar de 80?" "No", eu admit. "Bom. No tente."  ele
riu. Eu no pude deixar de rir tambm. "Ela se sai muito bem em
colises", eu sa em defesa do meu carro. "Eu acho que um tanque no
poderia destruir aquele  monstro velho", ele concordou com outra risada.
"Ento voc constri carros?", eu perguntei impressionada. "Quando eu
tenho tempo livre, e partes. Voc no saberia  como eu posso pr as mos
num cilndro mestre para um Volkswagen Rabbit 1986, saberia?", ele disse
brincando. Ele tinha uma vz rouca, prazerosa. "Desculpa", eu  sorr.
"Eu no tenho visto nenhum ultimamente, mas eu vou manter meus olhos
abertos pra voc", como se eu soubesse o que  isso. Era muito fcil
conversar com ele.

Ele me mostrou um sorriso brilhante, olhando pra mim de um jeito
apreciativo que eu estava comeando a reconhecer. Eu no fui a nica a
reparar. "Voc j conhece  Bella, Jacob?", Lauren perguntou- num tom que
me pareceu insolente - do outro lado da fogueira. "Ns meio que nos
conhecemos desde que eu nasc", ele sorriu olhando  pra mim de novo.
"Que legal", ela no pareceu achar nem um pouco legal, e seus olhos
plidos, puxados, reviraram. "Bella", ela me chamou novamente,
observando meu  rosto cuidadosamente. "Eu acabei de falar com Tyler que
era uma pena que nenhum dos Cullen possa ter vindo hoje. Ningum pensou
em convid-los?" A expresso de preocupao  dela no era convincente.
"Voc quer dizer a famlia do doutor Carlisle Cullen?" o garoto
alto,mais velho respondeu antes que eu tivesse a chance, para irritao
de Lauren. Ele estava mais pra homem que pra garoto e sua voz era muito
grossa. "Sim, voc conhece eles?", ela perguntou sem querer, se virando
um pouco na direo  dele. "Os Cullen no vem aqui", ele perguntou num
tom que fechou o assunto, ignorando a pergunta dela. Tyler, tentando
ganhar a ateno dela de volta, perguntou  a Lauren a sua opinio sobre
um CD que ele segurava. Ela estava distrada. Eu olhei para o garoto com
a voz grossa, com um p atrs, mas ele j estava olhando para  a
floresta atrs de ns. Ele tinha dito que os Cullen no viriam aqui; mas
o tom dele implicava algo mais- que eles no eram permitidos de vir; que
eles eram proibidos.  Seus modos deixaram uma m impresso em mim, e eu
tentei ignorar isso sem sucesso. Jacob atrapalhou minha meditao.
"Ento, Forks j est te levando  loucura?"  "Oh, eu diria que isso 
uma confidncia", eu sorr. Ele sorriu compreendendo. Eu ainda estava
pensando no breve comentrio sobre os Cullen, e eu tive uma inspirao
repentina. Era um plano estpido, mas eu no tive nenhuma idia melhor.
Eu rezei pra que o jovem Jacob no tivesse muita experincia com as
garotas, assim ele no  veria alm da minha falsa mscara de interesse.
"Voc quer caminhar pela praia comigo?" eu perguntei, tentando imitar
aquela olhada que Edward dava por debaixo dos  clios. Eu no poderia
ter o mesmo efeito nem de perto, eu tinha certeza, mas Jacob me pareceu
interessado o suficiente. Enquanto andvamos para o norte pelas pedras
multicoloridas na direo dos salgueiros, as nuvens finalmente fecharam
o cu, fazendo o mar ficar escuro e a temperatura baixar. Eu enfiei as
minhas mos bem no  findo dos bolsos da minha jaqueta. "Ento, voc tem
quantos? Dezesseis?", eu perguntei, tentando no parecer uma idiota
enquanto flutuava os meus clios do jeito  que eu via as garotas fazendo
na TV. "Eu acabei de fazer quinze", ele admitiu, lisonjeado. "Mesmo?",
meu rosto estava cheio de falsa surpresa. "Eu pensei que voc  fosse
mais velho" "Eu sou alto pra minha idade", ele explicou. "Voc vem muito
 Forks?", eu perguntei arfando, como se eu esperasse que a resposta
fosse sim. Eu  soei idiota at pra mim mesma. Eu temia que ele se
virasse contra mim com nojo, me acusando de fraude, mas ele ainda
parecia estar lisonjeado. "No muito", ele admitiu  com uma careta. "Mas
quando meu carro estiver pronto eu posso vir quantas vezes eu quiser-
quando eu tiver minha carteira de motorista", ele emendou.

"Quem era o outro garoto falando com Lauren? Ele pareceu um pouco velho
pra estar andando com a gente", eu propositadamente me coloquei no grupo
dos jovens pra demostrar  que eu preferia Jacob. "Aquele  Sam- ele tem
dezenove", ele me informou. "O que era que ele estava falando sobre a
famlia do doutor?", eu perguntei inocentemente.  "Os Cullen? Oh, eles
no podem entrar na reserva." Ele olhou pra longe, na direo da Ilha
James, enquanto ele confirmava o que eu pensava ter ouvido na voz de
Sam.  "Por que no?" Ele olhou de volta pra mim, mordendo o lbio.
"Oops. Eu no devia estar falando nada sobre isso." "Oh, eu no vou
contar pra ningum, eu s estou  curiosa". Eu tentei deixar meu sorriso
atraente, imaginando se eu estava indo longe demais. Ele sorriu de
volta, entretanto, parecendo atraido. Ento ele levantou  uma das
sombrancelhas e sua voz ficou ainda mais rouca que antes. "Voc gosta de
histrias assustadoras?", ele perguntou obscuramente. "Eu adoro". Eu fiz
um esforo  pra parecer interessada. Jacob caminhou para essa rvore
prxima que tinha uns galhos que pareciam com patas de aranhas enormes.
Ele se inclinou num dos galhos tortos  enquanto eu sentava embaixo dele,
no tronco da rvore. Ele olhou para as rochas, um sorriso comeando a
aparecer nos cantos dos seus lbios grossos. Eu podia ver  que ele
tentava deixar a histria interessante. Eu tentei no deixar o interesse
vital que eu sentia aparecer nos meus olhos. "Voc conhece alguma das
nossas antigas  histrias, sobre de onde viemos- os Quileutes, eu
digo?", ele comeou. "Na verdade no", eu admit "Bom, existem muitas
lendas, algumas delas datam da poca do Dilvio-  supostamente, alguns
dos nossos ancestrais Quileutes amarraram suas canoas nos topos das
rvores mais altas da montanha pra se salvarem, como No fez com a
Arca",  ele sorriu pra mostrar o pouco crdito que ele dava a essas
histrias. "Outra lenda diz que ns somos descendentes dos lobos- e que
os lobos ainda so nossos irmos.   contra a lei tribal matar eles
"Ento tem as lendas sobre Os Frios". A voz dele ficou um pouco mais
baixa "Os Frios?", agora eu no estava fingindo minha intriga.  "Sim.
Existem lendas sobre os frios como existem sobre os lobos, e algumas
delas so muito mais recentes. De acordo com a lenda, o meu prprio
tatarav conhecia  alguns deles. Foi ele quem criou o tratado que os
mantm fora das nossas terras." Ele revirou os olhos. "Seu tatarav?",
eu encoragei. "Ele era um lder tribal,  como meu pai. Sabe, os frios
so os inimgos naturais dos lobos- bem, no do lobo, mas os lobos que
se transformam em homens, como os nossos ancestrais. Voc os  chamaria
de lobisomens". "Lobisomens tm inimigos?" "S um". Eu olhei pra ele
ansiosamente, tentando fazer a minha impacincia se transformar em
admirao. "Entenda",  Jacob continuou. " Os frios so tradicionalmente
nossos inimigos. Mas esse grupo que veio para o nosso territrio na
poca do meu tatarav era diferente. Eles no  caavam do jeito que os
outros caavam- eles no representavam perigo para a nossa

tribo. Ento meu tatarav fez um trato com eles. Se eles prometessem
ficar longe das nossas terras, ns no iriamos expor eles para os
cara-plida". Ele piscou pra  mim. "Se eles no eram perigosos, ento
porque...?", eu tentei entender, lutando pra no deix-lo perceber o
quanto eu estava levando essa histria a srio. " sempre  um risco para
os humanos ficar perto dosfrios, mesmo se eles forem civilizados como
esse cl era. Nunca se sabe quando eles podem estar com fome demais pra
resistir".  Ele deliberadamente colocou um tom de ameaa na voz dele. "O
que voc quer dizer com 'civilizados'?" "Eles diziam que no caavam
humanos. Ao invs disso, eles supostamente  eram capazes de se alimentar
de animais". Eu tentei manter minha voz casual. "Ento o que eles tinham
a ver com os Cullen? Eles so parecidos com os frios que seu  av
conheceu?". "No", ele parou dramaticamente. "Eles so os mesmos". Ele
deve ter pensado que a expresso no meu rosto era medo inspirado pela
histria. Ele sorriu,  satisfeito, e continuou. "Tem mais deles agora,
uma nova fmea e um novo macho, mas os outros so os mesmos. Na poca do
meu tatarav eles j conheciam o lder,  Carlisle. Ele esteve aqui e foi
embora antes que o seu povo chegasse", ele estava lutando pra no
sorrir. "E o que eles so?", eu finalmente perguntei. " O que so  os
frios?" Ele sorriu obscuramente. "Bebedores de sangue", ele respondeu
com uma voz arrepiante. "Vocs chamam eles de Vampiros." Eu olhei para
as ondas depois que  ele disse isso, sem ter certeza do que o meu rosto
estava demonstrando. "Voc ficou arrepiada", ele disse deliciado. "Voc
 um bom contador de histrias", eu cumprimentei  ele, ainda olhando
para as ondas. "Uma histria bem louca, no ? No  de se admirar que o
meu pai no quer que a gente fale disso pra ningum" Eu ainda no
conseguia  controlar a minha expresso o suficiente pra olhar pra ele.
"No se preocupe, eu no vou espalhar". "Eu acho que acabei de violar o
acordo", ele sorriu. "Eu vou  levar isso pro meu tmulo", eu promet, e
ento estremec. "Srio, mesmo, no diga nada pro Charlie. Ele j ficou
bem bravo com o meu pai depois que descobriu que  ningum estava indo ao
hospital desde que o Dr. Cullen comeou a trabalhar l". "Eu no vou
contar, claro que no." "Ento voc acha que somos um bando de nativos
supersticiosos ou o que?", ele perguntou em tom de brincadeira,mas com
uma ponta de preocupao. Eu ainda no tinha tirado os olhos do oceano.
Eu me virei pra ele  e sorr to naturalmente quanto pude. "No. Apesar
disso, eu acho que voc  um bom contador de histrias. Eu ainda estou
arrepiada, viu?", eu levantei meu brao.  "Legal", ele sorriu. Ento o
barulho das pedras batendo umas contra as outras nos alertou de que
algum estava vindo. Nossas cabeas levantaram ao mesmo tempo pra  ver
Mike e Jssica  cinquenta metros de ns e vindo na nossa direo. "A
estava voc, Bella", Mike disse aliviado, balanando seu brao sobre a
cabea.

"Esse  o seu namorado?" Jacob perguntou, alertado pelo tom de cimes na
voz de Mike. Eu estava surpresa que fosse to bvio. "No,
definitivamente no." Eu cochichei.  Eu estava tremendamente agradecida
a Jacob, e ansiosa pra deix-lo to feliz quanto fosse possvel. Eu
pisquei pra ele, me virando de costas pra Mike quando fiz  isso. Ele
sorriu, estimulado pelo meu flerte. "Ento quando eu conseguir a minha
carteira de motorista...", ele comeou. "Vocdevia vir me visitar em
Forks. Ns  podemos sair uma hora dessas". Eu me sent culpada quando
disse isso, sabendo que eu estava usando ele. Mas eu realmente gostei de
Jacob. Ele era algum que podia  facilmente ser meu amigo. Mike nos
alcanou agora, com Jssica alguns passos atrs. Eu podia ver seus olhos
avaliando Jacob, e parecendo satisfeito pela sua bvia  juventude. "Onde
voc esteve?", ele perguntou, apesar da resposta estar bem na frente
dele. "Jacob estava apenas me contando umas histrias locais", eu
respond.  "Foi muito interessante". Eu sorri calidamente pra Jacob e
ele sorriu abertamente de volta. "Bem", Mike parou, cuidadosamente
avaliando a situao enquanto observava  a nossa camaradagem. "J
estamos indo embora- parece que vai chover logo". Todos ns olhamos para
o cu. Certamente parecia que ia chover". "Ok" ,e eu levantei num  pulo.
"Eu estou indo." "Foi bom te ver de novo", Jacob disse, e eu podia ver
que Mike pareceu um pouco insultado. "Foi mesmo. Da prxima vez que
Charlie for visitar  Billy, eu vou junto", eu promet. O sorriso cresceu
no seu rosto. "Isso seria legal". "E obrigada", eu disse sinceramente.
Eu levantei o meu capuz enquanto andvamos  pelas rochas em direo ao
estacionamento. Algumas gotas j comeavam a cair, fazendo pequenas
manchas nas rochas onde elas caiam. Quando chegamos ao Suburban os
outros j estavam lotando todos os espaos atrs. Eu me enfiei no banco
de trs com Angela e Tyler, anunciando que eu tinha tido a minha chance
de ir na janela.  Angela s olhou pela janela para a tempestade que se
formava, e Lauren se entortou no banco pra ganhar toda a ateno de
Tyler, ento eu pude simplesmente encostar  minha cabea na banco e
fechar os meus olhos e fazer o mximo pra no pensar.

7. Pesadelo Eu disse a Charlie que tinha um monte de dever de casa pra
fazer, e que no queria nada pra comer. Haviam um jogo de Basquete sobre
o qual ele tava todo exitado,  apesar de que eu no conseguia imaginar o
que havia de to especial sobre isso, ento ele no estava prestando
ateno em nada diferente no meu rosto ou no meu tom.  Quando eu cheguei
no meu quarto, eu tranquei a porta. Eu cavei na minha mesa at encontrar
meus velhos fones, e pluguei eles no meu CD player. Eu peguei um CD que
Phil havia me dado de Natal. Era de uma das minhas bandas favoritas, mas
eles usaram baixo e agudo demais pro meu gosto. Eu o coloquei no lugar e
deitei na cama.  Eu coloquei os fones, apertei Play, e aumentei o volume
at que machucou os meus ouvidos. Eu fechei meus olhos,mas aluz ainda
incomodava, ento eu coloquei um travesseiro  em cima do meu rosto. Eu
me concentrei bem calmamente na msica, tentando entender a letra, para
desvendar os complicados padres da bateria. Na terceira vez que  eu
ouv o CD, eu conhecia pelo menos as letras dos refres. Eu estava
surpresa de ver que no fim eu realmente gostei da banda, assim que eu
consegu ultrapassar  o barulho. Eu teria que agradecer ao Phil mais um
vez. E funcionou. O barulho perturbador tornou impossvel pensar- que
era o propsito da tentativa. Eu ouv o Cd  de novo e de novo, at que
eu estava acompanhando todas as msicas, at que, finalmente, eu peguei
no sono. Ei abr meus olhos num lugar familiar. Consciente em  algum
lugar da minha mente de que eu estava sonhando, eu reconhec a luz verde
da floresta. Eu podia ouvir as ondas batendo nas rochas em algum lugar
prximo. E  eu sabia que se eu encontrasse o oceano, eu encontraria o
sol, mas ento, Jacob Black estava l, apertando a minha mo, me levando
de volta para a parte escura da  floresta. "Jacob? Qual  o problema?",
eu perguntei. Seu rosto estava assustado enquanto ele lutava com todas
as suas foras contra a minha resistncia; eu no queria  voltar para o
escuro. "Corra, Bella, voc precisa correr", ele cochichou,
aterrorizado. "Por aqui, Bella" eu ouvia a voz de Mike me chamando por
dentro das rvores  escuras,mas eu no conseguia v-lo. "Porque?", eu
perguntei, ainda lutando contra Jacob, agora desesperada para achar o
sol. Mas Jacob largou a minha mo e ganiu,  tremendo de repente, caindo
no cho escuro da floresta. Ele se contorcia enquanto eu observava cheia
de horror. "Jacob!", eu gritei. Mas ele tinha sumido. Em seu  lugar
havia um grande lobo com um plo marrom-avermelhado com olhos pretos. O
lobo foi pra longe de mim, em direo  costa, os plos nos seus ombros
estavam eriados,  leves urros saindo entre os seus caninos expostos.
"Bella, corra", Mike chamou de novo atrs de mim. Mas eu no me virei.
Eu estava vendo uma luz se aproximar de  mim vindo da praia. Ento
Edward saiu de dentro das rvores, sua pele brilhando fracamente, seus
olhos negros e perigosos. Ele levantou uma mo e me convidou a ir  com
ele. O lobo ganiu  meus ps. Eu dei um passo, indo na direo de
Edward. "Confie em mim", ele pediu. Eu dei outro passo. O lobo se lanou
no espao entre eu  e o vampiro, os caninos virados na direo da
jugular.

"No!", eu acordei pulando na minha cama. Meu movimento sbito fez com
que os fones puxassem o CD player da mesa e ele fez um rudo enorme no
cho de madeira. Minha  luz ainda estava acesa, e eu estava
completamente vestida na cama, de sapatos. Eu olhei, desorientada, para
o relgio na minha penteadeira. Eram cinco e meia da  manh. Eu gem,
ca pra trs, e rolei sobre o meu rosto, chutando as minhas botas. Mesmo
assim, eu estava desconfortvel demais pra chegar em qualquer lugar
prximo  do sono. Eu rolei de volta e desabotoei o meu jeans, tirando
eles de uma forma estranha enquanto eu tentava ficar na horizontal. Eu
podia sentir a trana no meu  cabelo, um volume desconfortvel contra o
meu crnio. Eu me virei de lado e tirei o elstico, rapidamente
desfazendo a trana com os meus dedos. Eu coloquei o travesseiro  sobre
os meus olhos. Foi intil,  claro. Meu subconsciente havia drenado
todas as imagens que eu estava tentando evitar to desesperadamente. Eu
a ter que enfrent-las  agora. Eu sentei, minha cabea rodou um pouco
enquanto o sangue descia. Primeiras coisas primeiro, eu pensei comigo
mesma, feliz por adiar aquelas coisas pelo mximo  de tempo possvel. Eu
levei minha bolsa para o banheiro. O banho, porm, no demorou tanto
quanto eu esperava. Mesmo demorando para secar meu cabelo, eu logo
estava  sem coisas pra fazer no banheiro. Eu me enrolei numa toalha e
fui para o meu quarto. Eu no sabia se Charlie ainda estava dormindo ou
se j havia sado. Eu fui olhar  pela janela, a viatura no estava mais
l. Pescaria de novo. Eu me vest lentamente com o meu sweater mais
confortvel e ento arrumei minha cama- algo que eu nunca  fiz. Eu no
podia mais adiar. Eu fui para a minha mesa e liguei meu velho
computador. Eu odiava usar a Internet aqui. Meu modem era tristemente
ultrapassado, meu  servio grtis era inferior; s a conexo demorou
tanto que eu decid ir buscar um tigela de cereal para mim enquanto eu
esperava. Eu com vagarosamente, mastigando  cada pedao cuidadosamente.
Quando eu terminei eu lavei a tigela e a colher, sequei os dois e
guardei. Meus ps se arrastavam enquanto eu subia pela escada. Eu fui
at o meu CD player primeiro, pegando ele do cho e colocando-o
precisamente no centro da mesa. Eu tirei os fones, e ento os guardei na
gaveta da mesa. Ento eu  liguei o Cd, colocando nas msicas mais
barulhentas. Com outro suspiro, eu me virei para o computador.
Naturalmente a tela estava lotada de pop-ups. Eu sentei na  minha
cadeira e comecei a fechar todas as janelinhas. Eventualmente eu
consegu entar no meu site de buscas favorito. Eu fechei mais algund
pop-ups e digitei uma  s palavra. Vampiro. Levou um tempo
enlouquecedor,  claro. Quando os resultados apareceram, havia muito o
que peneirar -tudo de filmes e programas de Tv  jogos  de Vdeo-game,
bandas de metal, e companias de cosmticos gticas. Ento eu achei um
site que parecia promissor - Vampiros de A  Z. Eu esperei pacientemente
at  que ele baixasse, clicando rapidamente em todas as janelinhas que
apareciam na tela. Finalmente a tela estava completa - um fundo branco
simples com letras pretas,  com escrita acadmica. Duas frases me
saudaram na pgina inicial: Pelo vasto mundo obscuro dos fantasmas e
demnios no existe figura to terrvel, nenhuma figura  to
horripilante e detestvel, mesmo assim causadora de tal fascinao,

como o vampiro, que  nem fantasma nem demnio,mas ainda assim, divide a
natureza obscura e possue as terrveis e misteriosas qualidades de
ambos.Reverendo Montague  Sommers. Se existe no mundo uma coisa to
bem-atestada, essa coisa so os vampiros. Provas no faltam -
entrevistas oficiais, testemunhos de pessoas conhecidas,  de cirurgies,
de padres, de magistrados; as provas judiciais so mais completas. E com
tudo isso, quem  que no acredita em vampiros?Rousseau O resto do site
era  uma lista em ordem alfabtica dos diferentes mitos envolvendo
vampiros ao redor do mundo. O primeiro no qual eu cliquei, o Danag, era
um vampiro das Filipinas supostamente  responsvel por trazer o tar
para as ilhas h muito tempo atrs. O mito ainda contava que Danag
trabalhou com os humanos durante muitos anos,mas a parceria acabou
quando uma mulher cortou o seu dedo e o Danag sugou toda a sua
vitalidade, gostando tanto do sabor do seu sangue que acabou drenando
totalmente o sangue do seu corpo.  Eu l cuidadosamente todas as
descries, procurando por alguma coisa que me parecesse familiar, pra
no dizer plausvel. Parecia que a maioria das histrias de  vampiros
possuiam lindas mulheres como demnios e crianas como vtimas; eles
pareciam querer criar histrias para explicar os altos ndices de
mortalidade entre  as crianas,e criar para os homens uma boa desculpa
para serem infiis. Muitas das histrias envolviam espritos
desencarnados e avisos sobre enterros imprprios.  Nada se parecia muito
com o que eu via nos filmes, s alguns poucos, como o Hebreu Estrie e o
polons Upier, que ocasionalmente estavam ocupados bebendo sangue.  S
trs links me chamaram a ateno: O romnio Varacolaci, um morto-vivo
poderoso, que podia aparecer como um humano lindo, com a pele plida; o
Eslovaco Nelapsi,  uam criatura to forte e veloz que pode um vilarejo
inteiro em apenas uma hora depois da meia-noite; e um outro,o Stregoni
benefici. Sobre esse havia penas uma breve  frase. Stregoni benefici: Um
vampiro italiano, destinado a ser do lado do bem, e inimigo mortal dos
vampiros maus. Era um alivio, aquele link, o nico mito que aclamava  a
existncia de vampiros do bem. No geral,porm, havia pouco que
coincidisse com as histrias de Jacob ou com as minhas prprias
observaes. Eu fiz um pequeno catlogo  na minha mente enquanto eu la
e cuidadosamente comparava cada mito. Velocidade, fora, beleza, pele
plida, olhos que mudam de cor. E ento o critrio de Jacob:  bebedores
de sangue, inimigos dos lobisomens, peles frias e imortais. Haviam muito
poucos mitos que se encaixavam em cada fator. E ento, outro problema,
que eu  lembrei de um pequeno nmero de filmes que eu havia assitido e
que foi trazido tona pela leitura de hoje - vampiros no devaim poder
sair de dia, o sol poderia  transaform-los em cinzas. Eles dormem em
caixes o dia inteiro e s saem  noite. Importunada, eu desliguei o
computador no boto pricipal, sem esperar pra que  ele desligasse
apropriadamente. Apesar da minha irritao, eu estava extremamente
envergonhada. Era tudo to estpido. Eu estava sentada no meu quarto,
pesquisando  sobre vampiros. O que  que havia de errado comigo? Eu
decid que grande parte da culpa estava na entrada de Forks - uma
pennsula inteira, pra falar a verdade.

Eu queria sair de casa, mas no havia nenhum lugar que eu quisesse ir
que ficasse a menos de trs dias de viagem de carro. Eu calcei as minhas
botas mesmo assim,  sem ter certeza de pra onde eu iria, e desc as
escadas. Eu vest o meu casaco de chuva sem olhar o clima e sa porta 
fora. Estava nublado, mas ainda no estava  chuvendo. Eu ignorei minha
caminhonete e comecei a avanar  norte a p, virando no quintal de
Charlie e andando em direo  floresta. No demorou muito at que  eu
j estivesse longe o suficiente da casa pra no ver mais a estrada, pra
que o nico som audvel fosse o som dos meus passos na terra e as gotas
de orvalho que  caiam das copas. Haviam um leve rastro da trilhas que
guiava o caminho pra dentro da floresta, de outra forma eu jamais me
arriscaria a ir l sozinha daquele jeito.  Meu senso de direo era
desastroso; eu podia me perder em lugares muito mais seguros. A trilha
continuava mais e mais funda dentro da floresta, mais longe do que  eu
podia dizer. Ela passava pelas rvores ordenadas e pelas cicutas, pelas
madeiras de teixos e pelos arbustos. Eu s conhecia vagamente as rvores
ao meu redor,  e o que eu sabia era s de ver Charlie apontando elas pra
mim da viatura h anos atrs. Muitas delas eu no conhecia, outras delas
eu no tinha como ver porque elas  estava completamente cobertas de
parasitas verdes. Eu segu na trilha to longe quanto a minha raiva me
levou. Quando ela comeou a abrandar, eu diminu o ritmo.  Algumas gotas
cairam em mim da rvore sobre minha cabea, mas eu no sabia dizer se
era de uma chuva que estava comeando ou do orvalho de ontem, que estava
nas  folhas, que agora estavam lentamente voltando para a terra. Uma
rvore recentemente derrubada - eu sabia que era recente porque ela
ainda no estava completamente  coberta de musgos - descansava sobre o
tronco de outra das suas irms, criando um banquinho a apenas uns poucos
passos da trilha. Eu passei pelos galhos e cuidadosamente,  me
certificando de que a minha jaqueta estava entre o ascento sujo e as
minhas roupas onde quer que elas tocassem, e inclinei minha cabea
protegida com o capuz  contra a rvore ainda em p. Esse foi o lugar
errado pra vir. Eu devia ter advinhado, mas onde mais eu poderia ter
ido? A floresta era de um verde escuro e se parecia  demais com a cena
do sonho de ontem pra permitir  minha mente um pouco de paz. Agora que
j no haviam mais os sons de passos, o silncio era penetrante. Os
pssaros  estavam quietos, tambm, e as gotas caiam com uma certa
frequncia, ento devia ser a chuva. As samambaias ficavam mais altas
que eu, agora que eu estava sentada,  e eu sabia que algum podia andar
entre os troncos a trs passos de distncia e no me enxergar. Aqui
entre as rvores era muito mais fcil acreditar nos absurdos  que haviam
me deixado envergonhada em casa. Nada mudou nesse floresta por milhares
de anos, e todos os mitos e lendas de centenas de locais diferentes me
pareciam  muito mais possveis aqui do que no meu quarto. Eu me forcei a
focar nas duas perguntas mais vitais que eu tinha que responder, mas eu
fiz isso sem vontade. Primeiro,  eu tinha que decidir se a histria que
Jacob me contou sobre os Cullen podia ser verdade. Imediatamente minha
mente respondeu com um ressonante no. Era ridculo  e mrbido pensar em
tais coisas. Mas o que, ento? Eu perguntei a mim mesma. No havia
nenhuma explicao razovel que explicasse como eu estava viva nesse
momento.  Eu escutei mais uma vez na minha cabea as coisas que eu
observei sozinha: a incrvel velocidade, a fora, os olhos mudando de
preto pra dourado e preto de novo,  a beleza inumana, a pele plida,
gelada. E mais - pequenas coisas que se registraram

lentamente - como eles nunca comiam, a graa perturbadora com a qual se
movimentevam. E o jeito como eles falavam b, com um sotaque pouco
familiar e frases que se  encaixariam melhor num romance da virada do
sculo do que numa sala de aula do sculo vinte e um. Ele faltou a aula
no dia em que fariamos o teste sangunio. Ele  no disse que no iria
para a praia at que eu disse pra onde amos. Ele parecia saber o que
todos ao redor dele estavam pensando... exceto eu. Ele haviam me dito
que o vilo, perigoso... Poderiam os Cullen ser Vampiros? Bem, eles eram
alguma coisa. Alguma coisa fora das possibilidades de justificaes
rationais estava acontecendo  diante dos meus olhos incrdulos. Fossem
os frios de Jacob ou as minhas teorias sobre super-heris, Edward Cullen
no era...humano. Ele era algo mais. Ento- talvez.  Essa seria a minha
nica resposta sobre o assunto no momento. E ento a pergunta mais
importante de todas. O que  que eu ia fazer se fosse verdade? Se Edward
fosse  vampiro - eu mal podia me forar a pensar nas palavras - ento o
que eu deveria fazer? Envolver outra pessoa estava absolutamente fora de
questo. Nem eu mesma conseguia  acreditar; ningum a quem eu contasse
ia me dar bola. S duas opes pareciam prticas. A primeira era seguir
o conselho dele: ser inteligente, evit-lo tanto quanto  fosse possvel.
Cancelar os nossos planos, e voltar a ignor-lo o mximo que eu pudesse.
Fingir que havia uma parede de vidro impenetrvel nos separando na aula
quando ramos forados a ficar juntos. DIzer pra ele me deixar em paz- e
falar srio dessa vez. Eu estava presa num repentino sentimento de
agonia quando pensei  nessa alternativa. Minha mente rejeitou a dor,
rapidamente me levando  prxima opo. Eu no podia fazer nada de
diferente. Afinal, se ele era algo...sinistro,  at agora ele no fez
nada pra me machucar. Na verdade, Tyler teria muito do que se arrepender
se ele no tivesse agido to rpido. To rpido, eu discut comigo
mesma, que pode ter sido simplesmente uma questo de reflexos. Mas se
eram reflexos que salvavam vidas, no podia ser to ruim. Eu considerei.
Minha cabea girava  sobre eixos invisveis. De uma coisa eu tinha
certeza, se  que eu tinha certeza de alguma coisa. O Edward obscuro
nomeu sonho da noite passada foi s um reflexo  meu medo das palavras de
Jacob, e no de Edward. Mesmo assim, quando eu gritei aterrorizada por
causa do ataque do lobisomem, no foi o medo do lobo que fez o "no"
brotar dos meus lbios. Foi o medo que ele pudesse se machucar- mesmo
quando ele me chamou com os caninos expostos, eu tem por ele. E eu
sabia que a estava a minha  resposta. Eu no sabia nem se havia outra
escolha, na verdade. Eu j estava envolvida demais. Agora que eu sabia-
se eu sabia - eu no podia fazer nada sobre os  meus segredos
assustadores. Porque quando eu pensava nele, na voz dele, nos seus olhos
hipnticos, a fora magntica de sua personalidade, eu no queria nada
alm  de estar com ele agora mesmo. Mesmo se... Mas eu no conseguia
pensar nisso agora. No aqui, na floresta escura, no quando a chuva
fazia tudo escurecer como o crepsculo  sobre as copas das rvores e
pareciam com passos no cho de terra. Eu trem e me levantei rapidamente
do meu local de ocultao, preocupada que de alguam forma a  trilha
tivesse desaparcido com a chuva. Mas estava l, a salvo e clara,
seguindo o seu caminho pelo labirinto respingante. Eu a segu
apressadamente, meu capuz prximo  do meu rosto, me surpreendendo,
quando quase me batia nas rvores, com o quanto havia ido longe. Eu
comecei a imaginar se eu realmente estava sando de la,ou me
embrenhando ainda mais nos

confins da floresta. Antes que eu tivesse um ataque de pnico, porm, eu
comecei a reparar em alguns espaos entre as teias de galhos. E ento eu
ouv um carro passando  na rua, e eu estava livre, a grama de Charlie se
estendia na minha frente, a casa de recebendo, prometendo calor e meias
secas. Era s meio dia quando eu entrei.  Eu sub e me vest para o
resto do dia, jeans e uma camiseta, j que eu ia ficar me casa. Eu no
tive que me esforar muito pra me concentrar na tarefa do dia- um
trabalho sobre Macbeth que era pra ser entregue na quarta-feira. Eu me
concentrei no perfil do duro projeto contentemente, mais serena do que
eu me sentia desde...bem,  desde a ltima quinta-feira, pra ser honesta
Esse sempre foi meu jeito, de qualquer forma. Tomar decises era a parte
difcil pra mim, isso eu tinha que reconhecer.  Mas uma vez que a
deciso estivesse tomada, eu simplesmente fazia o que tinha que ser
feito- geralmente aliviada por ter tomado uma deciso. s vezes o alivio
era  corrompido pelo desespero, como a minha deciso de vir pra Forks.
Mas isso era melhor do que degladiar com as alternativas. Essa era uma
deciso ridiculamente fcil  de aceitar. Perigosamente fcil. Ento o
dia estava quieto, produtivo - eu terminei o meu trabalho antes das
oito. Charlie chegou com uma bela captura, e eu fiz  um lembrete mental
para comprar um livro de receitas pra peixes quando eu fosse pra Seattle
na semana que vem. Os calafrios que percorriam a minha espinha toda vez
que eu pensava nesa viagem no eram diferentes dos que eu tinha antes da
histria de Jacob Black. Eles deveriam ser diferentes, eu pensei. Eu
devia ter medo - eu  sabia que devia, mas eu no conseguia sentir o tipo
certo de medo. Eu no sonhei naquela noite, exausta por ter comeado o
meu dia to cedo, e ter dormido to mal  durante a noite. Eu acordei,
pela segunda vez desde que eu cheguei em Forks, com o brilho amarelo de
um dia de sol. Eu fui olhar pela janela, aturdida por ver que  mal havia
uma nuvem no cu, e aquelas que haviam eram s pedacinhos macios de
algodo que no poderiam estar carregando chuva alguma. Eu abr a
janela, surpresa  por ela ter aberto to facilmente, sem emperrar, mesmo
sem ter sido aberta em todos esses anos - e suguei o ar relativamente
seco. Estava quase quente e quase no  ventava. Meu sangue pulsava
eltrico nas veias. Charlie estava terminando o caf da manh quando eu
desc, e ele percebeu o meu humor imediatamente. "Belo dia l  fora".
Ele comentou. "Sim", eu concordei com um sorriso. Ele sorriu de volta,
seus olhos castanhos se enverrugando nos cantos. Quando Charlie sorra
era mais fcil  perceber porque minha me havia aceitado se casar to
rpido. Grande parte daquele jovem romntico havia desaparecido antes
que eu tivesse nascido, como o cabelo  castanho e cacheado- mesma cor,
se no textura dos meus- tinham sumido, lentamente revelando mais e mais
a pele brilhante da testa dele. Mas quando ele sorria, eu  podia ver um
pouco do homem que fugiu com Rene quando ela no era nem dois anos mais
velha do que eu sou agora. Eu tomei meu caf da manh alegremente,
observando  as partculas de poeira que apareciam por causa da luz do
sol que entrava pela janela de trs. Charlie deu adeus, e eu ouv a
viatura se afastar de casa. Eu hesitei  na porta de casa, a mo na minha
jaqueta. Deix-la em casa era tentador. Com um suspiro, eu a embrulhei
no brao e sa para a luz brilhante que eu j no via h  meses.  custo
de cotovlos melados de graxa, eu consegu abrir as duas janelas da
minha caminhonete quase completamente. Eu fui uma das primeiras a chegar
na escola;  eu nem tinha olhado para o relgio na minha pressa de sair.
Eu estacionei e me dirig para os bancos de piquenique raramente
utilizados, no lado sul da cafeteria.  Os bancos ainda

estavam um pouco sujos, ento eu sentei na minha jaqueta, feliz por dar
um uso a ela. Meu dever de casa j estava terminado- resultado de uma
vida social desgraada  - mas haviam alguns problemas de Trigonometria
que eu no sabia se estavam certos. Eu peguei meu livro cheia de vontade
de trabalhar, mas na metade do primeiro problema  eu j estava sonhando
acordada, olhando a luz do sol brincar com as rvores e suas casacas
vermelhas. Eu olhava desatentamente para as margens do meu dever de
casa.  Depois de alguns minutos, eu me dei conta de que havia desenhado
cinco pares de olhos pretos me olhando pela pgina. Eu os apaguei com
uma borracha. "Bella!", eu  ouv algum chamar, e parecia ser Mike. Eu
olhei em volta para me dar conta de que a escola j estava cheia
enquanto eu estava sentada aqui, ausente. Todo mundo  estava usando
camisetas, alguns at de shorts, apesar de a temperatura no estar acima
dos 18 graus. Mike estava vindo na minha direo vestindo besmudas Khaki
e  uma camisa de Rgby listrada, acenando. "Ei,Mike", eu cumprimentei,
acenando de volta, incapaz de ser pouco receptiva numa manh como essa.
Ele veio se sentar ao  meu lado, os seus cabelos arrepiados tinham uma
brilhante cor dourada no sol, um sorriso rasgando o seu rosto. Ele
estava to contente em me ver que eu n~]ao pude  deixar de me sentir
gratificada. "Eu no tinha reparado antes- o seu cabelo  um pouco
rivo", ele comentou, pegando entre os dedos uma mecha que estava
flutuando  com a brisa suave. "S no sol". Eu fiquei um pouco
desconfortvel quando ele colocou a mecha atrs da minha orelha. "Belo
dia, no ?" "Meu tipo de dia", eu concordei.  "O que voc fez ontem?",
o tom dele era provavelmente muito autoritrio. "Eu trabalhei no meu
projeto." Eu no mencionei que j havia acabado- no havia necessidade
de parecer presumida. Ele bateu na testa com a mo. "Oh,  - pra
quinta-feira, no ?" "Umm, quarta, eu acho" "Quarta?" ele fez uma
careta. "Isso no  bom... O  que voc est escrevendo no seu?" "Se o
tratamento de Shakespeare para com as mulheres era misgino". Ele me
encarou como se eu tivesse falado em Latin. "Eu acho  que terei que
trabalhar nisso hoje  noite", ele disse, vazio. "Eu ia te perguntar se
voc queria sair". "Oh", eu fui pega fora de guarda. Porque eu no podia
mais  conversar com Mike sem a situao ficar estranha? "Bom, ns
podamos sair pra jantar ou alguma coisa assim...e eu podia trabalhar
nisso depois", ele sorriu pra mim  esperanosamente. "Mike", eu odiava
ser colocada contra a parede. "Eu acho que no  a melhor idia". O
rosto dele desmoronou. "Porque no?",ele perguntou, seus  olhos
cuidadosos. Meus pensamentos foram parar em Edward, imaginando se era
nisso que ele estava pensando tambm. "Eu acho... e se voc repetir isso
em outro lugar  eu vou te espancar at a morte", eu ameacei. "Mas eu
acho que machucaria os sentimentos de Jssica." Ele estava desnorteado,
obviamente ele no havia pensado nisso.  "Jssica?" "Srio, Mike, voc 
cego?" "Oh", ele exalou - claramente confuso. Eu me aproveitei disso pra
fazer a minha fuga.

" hora da aula, eu no posso me atrasar de novo", eu agarrei os meus
livros e os enfiei na minha mochila. Ns caminhamos em silncio at a
sala de aula, e a expresso  dele estava distrada. Eu esperava que
fossem quais fossem esses sentimentos nos quais ele estava inundado, que
eles o levassem para a direo correta. Quando eu  v Jssica em
trigonometria, ela estava estourando de entusiasmo. Ela, Angela, e
Lauren estavam indo  Port Angeles esta noite pra comprar vestidos para
o baile,  e ela queria que eu fosse tambm, apesar de eu no precisar de
um vestido. No havia o que decidir. Podia at ser legal sair da cidade
com algumas amigas, mas Lauren  estaria l. E quem abe o que eu poderia
estar fazendo nessa noite... mas definitivamente no erame envolver
nesse tipo de situao.  claro que eu estava feliz com  o sol. Mas esse
no era o nico responsvel pelo meu humor eufrico, nem de perto. Ento
eu dei a ela um talvez, dizendo a ela que eu teria que falar com Charlie
antes. Ela no falou de nada alkm do baile no caminh para a aula de
Espanhol, continuando depois da aula como se nem tivesse sido
interrompida, cinco minutos depois  estvamos indo almoar. Eu estava
preocupada demais com os meus prprios pensamentos pra pensar no que ela
estava dizendo. Eu estava dolorosamente ansiosa pra ver  no s ele, mas
todos os Cullen- pra compar-los s novas suspeitas que estavam na minha
mente. Enquanto eu cruzava a entrada da cafeteria, eu sent o primeiro
formigamento  de medo descer a minha espinha e se alojar no meu
estmago. Ser que eles tinham como adivinhar o que eu estava pensando?
E ento eu tive um outro formigamento-  ser que Edward estaria
esperando pra sentar comigo? Como de costume, eu olhei para a mesa dos
Cullen. Um arrepio de pnico fez meu estmago tremer quando eu perceb
que ela estava vazia. Com um resto de esperana eu vasculhei o resto da
cafeteria, esperando encontr-lo sozinho, esperando por mim. O lugar
estava praticamente  lotado- ns nos atrasamos em Espanhol- mas no
havia sinal de Edward ou de ningum da sua famlia. A desolao me
atingiu com uma fora devastadora. Eu cambaleei  ao lado de Jssica, sem
me importar mais em fingir que estava prestando ateno. Ns estavamos
atrasadas o suficiente pra encontrar todo mundo na nossa mesa. Eu
evitei uma cadeira vazia ao lado de Mike e prefer me sentar ao lado de
Angela. Eu vagamente reparei que Mike segurou a cadeira educadamente pra
Jssica se sentar,  e o rosto dela se iluminou em resposta. Angela
perguntou algumas sobre o trabalho sobre Macbeth, que eu respond to
naturalmente quanto pude enquanto mergulhava  em sofrimento. Ela,
tambm, me convidou para sair essa noite com elas, e agora eu concordei,
me agarrando em qualquer coisa que me distrasse. Eu me dei conta de
que estava agarrando a ltima ponta de esperana quando entrei na aula
de Biologia, v o lugar vazio, e me deixei levar por outra onda de
desapontamento. O resto  do dia passou devagar, sem graa. Na Educao
Fsica, ns tivemos uma palestra sobre os princpios do Badminton, a
prxima tortura  qual eles iam me expor. A melhor  parte foi que o
treinador no chegou a terminar, ento amanh eu teria outro dia livre.
No importa que depois desse dia eles iam me armar com uma raquete antes
de me soltar no resto dos estudantes. Eu estava feliz em deixar a
escola, ento eu podia fazer beicinho e me lastimar livremente antes de
sair com Jssica e companhia.  Mas logo que eu entrei na casa de
Charlie, Jssica ligou pra cancelar os nossos planos. Eu tentei parecer
feliz por Mike ter convidado ela para jantar - eu realmente  estava
feliz

que ele finalmente parecia estar entendendo - mas o meu entusiasmo
pareceu falso at para os meus prprios ouvidos. Ela remarcou as compras
para amanh. O que me  deixou com poucas escolhas no que se trata de
distraes. Eu tinha peixe marinando para o jantar, com salada e po que
sobrou da noite passada, ento no havia nada  pra fazer nesse aspecto.
Eu passei meia hora concentrada no dever de casa, mas depois eu j
estava de saco cheio disso tambm. Eu chequei meu E-mail, lendo milhares
de cartas antigas da minha me, ficando mais animada enquanto elas
progrediam para o presente. Eu suspirei e digitei uma resposta rpida.
ME, DESCULPE. EU ESTIVE  FORA. EU FUI  PRAIA COM ALGUNS AMIGOS. E TIVE
QUE FAZER UM TRABALHO. Minhas desculpas era honestamente patticas,
ento eu desist. HOJE EST FAZENDO SOL L FORA  - EU SEI, EU TAMBM
ESTOU CHOCADA - ENTO EU VOU L FORA PARA SUGAR TODA A VITAMINA D QUE EU
PUDER. EU AMO VOC. BELLA. Eu decid matar um hora com leitura
no-relacionada  com a escola. Eu tinha uma pequena coleo de livros
que eu trouxe comigo pra Forks,o maior volume se tratava de um apanhado
das obras de Jane Austen. Eu selecionei  um e me dirig para o quintal,
levando uma colcha antiga que havia no armrio. No quintal pequeno,
quadrado de Charlie, eu dobrei a colcha no meio e deitei na sombra  das
rvores na grama aparada que sempre seria um pouco mida, no importava
quanto o sol brilhasse. Eu deitei sobre o estmago, cruzando os
tornozelos no ar, passando  os livros tentando decidir qual deles eu
escolheria. Os meus favoritos eram Orgulho e Preconceito e Razo e
Sensibilidade. Eu tinha lido o primeiro mais recentemente,  ento eu
comecei com Razo e Sensibilidade, s par me lembrar que o heri da
histria se chamava Edward, com raiva, eu abri Mansfield Park, mas o
heri desse livro  se chamava Edmund, que era perto o suficiente. No
haviam outros nomes disponveis no sculo dezoito? Eu fechei o livro,
aborrecida, e me virei de costas. Eu no  pensaria em mais nada alm do
calor na minha pele, eu disse a mim mesma severamente. A briza ainda
estava leve, mas fez as mechas do meu cabelo soprarem no meu rosto,  e
isso fez um pouco de ccegas. Eu joguei o meu cabelo pra cima da minha
cabea, deixando ele descansar na colcha embaixo de mim, e me concentrei
de novo no calor  que tocava os meus clios, as mas do meu rosto, meu
nariz, meus lbios, meus braos, meu pescoo, que passava pelo pano da
minha camiseta leve... A prxima coisa  da qual eu tive conscincia foi
do som da viatura de Charlie, virando nos tijolos da entrada. Eu sentei
supresa, me dando contade que a luz havia ido embora, por  trs da
rvores, e que eu tinha pego no sono. Eu olhei ao redor, confusa, com o
sentimento de que eu no estava mais sozinha. "Charlie?", eu perguntei,
mas eu podia  ouvir a porta da frente batendo. Eu levantei rpido,
tolamente atordoada, juntando a colcha suja e os meus livros. Eu corr
pra dentro pra colocar leo pra ferver  na frigideira, percebendo que o
jantar ia atrasar. Charlie estava pendurando o seu cinturo e tirando as
botas quando eu entrei.

"Desculpa, pai, o jantar ainda no est pronto- eu peguei no sono l
fora", eu reprem um bocejo. "No se preocupe", ele disse. "Eu queria
saber o placar do jogo,  mesmo." Eu assist TV com Charlie depois do
jantar pra ter alguma coisa pra fazer. No havia nada interessante pra
assistir, mas ele sabia que eu no gostava de  beiseball, ento ele
colocou num canal bobo que nem um de ns gostava. Apesar disso, ele
pareceu feliz, por estarmos fazendo alguma coisa juntos. E foi bom, a
despeito  da minha depresso, deix-lo feliz. "Pai", eu disse durante os
comerciais, "Jssica e Angela vo procurar vestidos para o baile amanh
em Port Angeles, e elas querem  que eu as ajude a escolher...voc se
importa se eu for com elas?" "Jssica Stanley?",ele perguntou. "E Angela
Weber". Eu suspirei quando tive que lhe passar os detalhes.  Ele estava
confuso. "Mas voc no vai para o baile, no ?" "No, pai, eu vou
ajudar elas a encontar os vestidos- voc sabe, vou dar crticas
construtivas". Eu no  teria que explicar isso para um mulher. "Bem,
Ok". Ele pareceu perceber que era uma coisa do departamento feminino.
"Mas  dia de semana". "Ns vamos sair logo depois  da aula, assim
poderemos voltar cedo. Voc d um jeito no jantar, no ?" "Bella, eu
consegume alimentar por dezessete anos antes de voc vir pra c", ele
me lembrou.  "Eu no sei como voc conseguiu sobreviver", eu murmurei, e
ento adicionei mais claramente, "Eu vou deixar algumas coisas pra voc
preparar um sanduche na geladeira,  t bom? Bem em cima". Estava
ensolarado de novo no outro dia. Eu acordei com renovada esperana que
eu inutilmente tentei reprimir. Eu tentei me vestir para o clima  mais
ameno com uma blusa com um decote em formato de V - algo que eu usava no
inverno em Phoenix. Eu planejei tanto a minha entrada na escola que mal
tive tempo  de chegar  sala de aula. Com o corao vazando, eu circulei
o estacionamento procurando por uma vaga, enquanto procurava pelo Volvo
prateado que claramente no  estava l. Eu estacionei no ltimo
corredor, correndo para a aula de Ingls, chegando sem flego, mas
vitoriosa, antes do sinal tocar. Estava igual a ontem- eu no  conseguia
evitar os brotos de esperanas que se semeavam na minha mente, s pra
que depois eles fossem dolorosamente esmagados enquanto eu procurava por
ele no almoo  ou quando sentava na minha mesa vazia na aula de
Biologia. O esquema de Port Angeles estava de p de novo, e deixou tudo
mais atraente pelo fato de que Lauren tinha  outros planos. Eu estava
muito ansiosa pra sair da cidade, ento eu no conseguia parar de olhar
por cima do ombro, esperando que ele aparecesse do nada como ele
costumava fazer. Eu promet pra mim mesma que estaria de bom humor essa
noite pra no estragar a diverso de Angela ou de Jssica na sua caa ao
vestido. Talvez  eu pudesse at fazer umas compras tambm. Eu me
recusava a pensar que teria que fazer compras sozinha em Seattle esse
fim de semana, sem o mnimo de interesse no  trato antigo.  claro que
ele no podia cancelar sem pelo menos me ligar. Depois da escola,
Jssica me acompanhou at em casa com o seu Mercury branco pra que eu
pudesse deixar os meus livros e a minha camionhonete. Eu penteei o meu
cabelo rapidamente enquanto estava l dentro, sentindo um pouco de
excitao por estar deixando  Forks. Eu deixei um bilhete para Charlie
em cima da mesa, explicando de novo onde encontrar o jantar, troquei a
minha carteira da minha mochila para uma bolsa

que eu raramente usava, e corr pra me juntar  Jssica. Depois ns
passamos na casa da Angela, e ela estava esperando por ns. Minha
excitao cresceu espontneamente  enquanto ns nos dirigamos aos
limites da cidade. Jess dirigiu mais rpido que Charlie, para que
chegssemos me Port Angeles antes das quatro. J fazia algum tempo
desde a minha ltima noite das garotas e os meus estrognios corriam
soltos. Ns ouvmos msicas melosas de Rock enquanto Jssica tagarelava
sobre os garotos com  os quais ns nos relacionvamos. O jantar de Mike
e Jssica foi muito bem, e lea esperava que no Sbado eles j tivesse
progredido para a fase do primeiro beijo.  Eu sorr comigo mesma,
satisfeita. Angela estava passivamente feliz por estar indo ao baile,
mas no necessariamente interessada em Eric. Jess tentou faz-la
confessar  qual era o seu tipo de garoto, mas depois de um tempo eu
interromp com uma pergunta sobre vestidos, para poup-la. Angela olhou
pra mim agradecida. Port Angeles  era uma linda armadilha para turistas,
muito mais educada e pitoresca do que Forks. Mas Angela e Jssica a
conheciam bem, ento ns no perdemos tempo olhando o  piotoresco mapa
da cidade na baa. Jess dirigiu direto para uma grande loja de
departamentos na cidade, que era a apenas algumas ruas da amigvel baa
para visitantes.  O baile era semiformal, e ns no tinhamos certeza do
que isso significava. Tanto Angela quanto Jssica pareceram surpresas e
um pouco descrentes quando eu falei  pra elas que nunca tinha ido a um
baile em Phoenix. "Voc nunca foi com um namorado ou alguma coisa
assim?" Jess perguntou duvidosamente enquanto andvamos pelas  portas da
loja. "De verdade", eu tentei convencer ela sem ter que revelar os meus
problemas com dana. "Eu nunca tive um namorado nem nada parecido. Eu
no saa  muito" "Porque no?", Jssica perguntou. "Ningum nunca me
convidou", eu disse honestamente. Ela pareceu ctica. "As pessoas te
convidam aqui", ela me lembrou "E   voc quem diz no". Ns estvamos
na seo de adolescentes agora, procurando nos cabides por roupas mais
chiques. "Bem, exceto Tyler", Angela respondeu quietamente.  "Como ?",
eu engasguei. "O que foi que voc disse?" "Tyler est dizendo pra todo
mundo que vai te levar para o baile de fim de ano", Jssica disse com
olhos suspeitos.  "Ele disse o qu?" parecia que eu estava sufocando.
"Eu te disse que no era verdade", Angela murmurou pra Jssica. Eu
estava em silncio, ainda num estado de choque  que estava rapidamente
se transformando em irritao. Mas ns tnhamos que encontrar as drogas
dos vestidos, e tnhamos muito trabalho  fazer. " por isso que Lauren
no gosta de voc", Jssica deu uma risadinha enquanto procurvamos as
roupas. Eu apertei meus dentes. "Voc acha que se eu atropelasse ele com
o meu carro ele pararia  de se sentir culpado por causa do acidente?
Ser que ele vai parar de tentar me recompensar e achar que estamos
quites?" "Talvez", Jssica de uma fungadinha. "Se   por isso que ele
est te chamando." A seo de vestidos no era muito grande, mas elas
duas encontraram alguns vestidos para experimentar. Eu sentei em uma
cadeira  baixa dentro de um dos provadores, perto de um espelho de trs
faces, tentando controlar a minha fria.

Jss estava dividida entre dois- um longo, tomara-que caia, preto bsico
e outro na altura do joelho de um azul eltrico com alcinhas finas. Eu
encoragei ela a ficar  com o azul. Porque no realar os olhos? Angela
escolheu um vestido rosa claro que destacava bem o seu corpo alto e que
destacava a cor de mel dos seus cabelos castanho-claros.  Eu
cumprimentei as duas generosamente e ajudei a colocar os vestidos
rejeitados de volta nos cabides. O processo foi muito mais curto e fcil
do que as compras que  eu fazia com Rene quando estava em casa. Eu acho
que existe algo a ser dito sobre escolhas limitadas. Ns fomos para a
seo de sapatos e acessrios. Enquanto elas  tentavam as coisas, eu
simplesmente olhava e criticava, sem a menor vontade de comprar alguma
coisa, apesar de estar precisando de sapatos novos. A irritao com
Tyler estava acabando com a minha noite das garotas, me deixando com
vontade de voltar pra casa. "Angela?", eu comecei, hesitante enquanto
ela experimentava um sapato  de tiras e de salto alto cor de rosa- ela
estava mais que contente por um par alto o suficiente que a permitisse
usar salto. Jssica estava no balco das jias e  ns estvamos
sozinhas. "Sim?", ela levantou a perna balanando o tornozelo pra ter
uma viso melhor do sapato. Eu me intromet. "Eu gostei desse" "Eu acho
que vou  ficar com esse- apesar de no ter nada que combine com eles
alm desse vestido". Ela meditou. "Oh, v em frente- eles esto em
liquidao".Eu encoragei. Ela sorriu,  colcando a tampa em outra caixa
com sapato branco. Eu tentei de novo. "Umm, Angela..." ela olhou pra
cima curiosa. " normal para... os Cullen" - eu mantive meus  olhos nos
sapatos "Ficar muito tempo fora de escola?" Eu falhei miseravelmente na
minha tentativa de parecer desinteressada. "Sim, quando o clima est bom
eles vo  acampar sempre- at o doutor. Eles gostam muito de atividades
ao ar livre.", ela me disse quietamente, examinando os sapatos tambm.
Ela no fez nem sequer uma pergunta,  quanto mais as milhares de
perguntas que Jssica teria feito. Eu realmente estava comeando a
gostar de Angela. "Oh", eu mudei de assunto quando Jssica voltou da
joalheria com uma coisa que ela encontrou pra combinar com os seus
sapatos prateados. Ns planejvamos jantar num pequeno restaurande
Italiano na rua principal,  mas as compras no demoraram tanto quanto
esperavamos. Jess e Angela foram colocar as suas compras de volta no
carro e depois iam descer  baia. Eu disse que me  encontraria com elas
no restaurante dentro de uma hora- eu queria encontrar uma livraria.
Elas duas estavam querendo vir comigo, mas eu encoragei as duas a irem
se divertir- elas no sabiam o quanto eu podia ficar ocupada quanto
estava cercada de livros; era algo que eu preferia fazer sozinha. Elas
voltaram para o carro  conversando alegremente, e eu fui na direo que
Jess me apontou. Eu no tive problemas para achar a livraria, mas no
era bem aquilo que eu estava procurando. As  janelas estavam cheias de
cristais, apanhadores-de-sonhos, e livros sobre cura espiritual. Eu nem
entrei. Pela janela eu podia ver uma mulher de cinquenta anos com  um
longo cabelo cinza que ela usava solto, usando um vestido que parecia
ser dos anos sessenta, sorrindo saudosamente por detrs do balco. Eu
decid que essa era  um conversa que eu podia adiar. Tinha que ter uma
livraria normal na cidade. Eu vaguei pelas ruas, que estavam lotadas com
o trnsito do fim de um dia de trabalho,  e rezei pra estar indo para o
centro da cidade.

Eu no estava prestando tanta ateno em pra onde eu estava indo quanto
devia; eu estava lutando contra o desespero. Eu estava tentando tanto
no pensar nele, e  no que Angela disse... e mais do que tudo, tentando
acabar com as minhas esperanas em ralao  Sbado, temendo que a
decepo fosse mais dolorosa que o resto,  quando eu olhei pra cima eu
v o Volvo de algum estacionado na rua e aquilo me arranhou por dentro.
Vampiro estpido, que no merece confiana, eu pensei comigo  mesma. Eu
me dirig ao sul, em direo a algumas lojas com vitrines de vidro que
pareciam promissoras. Mas quando eu cheguei l, elas eram s lojas de
reparo e espaos  vazios. Eu ainda tinha muito tempo antes de precisar
ir encontra Angela e Jssica, e eu definitivamente estava precisando
controlar o meu humor antes de me encontrar  com elas. Eu passei a mo
pelos meus cabelos e e respirei fundo algumas vezes antes de virar a
esquina. Eu comecei a perceber, enquanto cruzava outra rua, que eu
estava indo na direo errada. O pouco trnsito que eu estava vendo,
estava se dirigindo a norte, e parecia que aqui, a maioria dos prdios
eram depsitos. Eu decid  virar  leste e depois de algumas ruas eu
virei e tentei a sorte de encontrar algum mapa da cidade. Um grupo de
quatro homens virou na esquina que eu ia entrar,  vestidos casualmente
demais pra estarem vindo do trabalho,mas eles tambm no tinham cara de
ser turistas. Enquanto eles de aproximavam de mim, eu perceb que eles
no eram muito mais velhos do que eu. Eles estavam fazendo piadas uns
com os outros em voz alta, rindo estridentemente e esmurrando os braos
uns dos outros. Eu  me mantive to longe quanto a calada me permitiu
para das espao a eles, caminhando devagar, olhando sempre na direo da
esquina "Ei, voc!", um deles chamou quando  eles passaram, e eles
tinham que estar falando comigo j que no havia mais ningum por perto.
Eu olhei pra cima automaticamente. Dois deles haviam parado, os outros
dois tinham desacelerado. O mais prximo, um homem pesado, com cabelos
escuros, na casa dos vinte, parecia ter sido o homem que falou. Ele
estava usando uma camisa  de flanela em cima de uma camiseta suja, jeans
curtos, e sandlias. Ele deu meio passo na minha direo. "Ol", eu
murmurei, meus joelhos comearam a tremer em resposta.  Ento eu olhei
na outra direo e comecei a andar para a esquina o mais rpido que eu
conseguia. Eu podia ouv-los rindo muito alto atrs de mim "Ei,espere!",
um  deles me chamou, mas eu baixei minha cabea e dei a volta na esquina
com um suspiro de alvio. Eu ainda podia ouvir eles me seguindo. Eu me
vi numa calada que levava  para os fundos de vrios armazns, cada um
deles com portas enormes para os caminhes que viessem descarregar,
todos fechados porque estava anoitecendo. O lado sul  da rua no tinha
calada, s alguns elos com ferros protegendo a passagem de algum
depsito de partes de motor. Eu estava na parte de Port Angeles que eu,
como visitante,  no queria ver. Eu me dei conta de que estava ficando
escuro, as nuvens finalmente voltando, enchendo o horizonte, criando uma
espcie de por do sol adiantado. O  horizonte ainda esta claro, mas
ficando cinzento, e com listras laranjas e cor de rosa. Eu deixei minha
jaqueta no carro, e um arrepio repentino me fez cruzar os  braos com
fora na frente do meu peito. Uma nica van passou por mim, e ento a
rua estava deserta. O cu estava repentinamente escuro, e, quando eu
olhei pra trs  pra ver as nuvens que se formavam, eu perceb com um
choque, que eu estava sendo seguida por dois homens,  menos de vinte
passos de distncia de mim. Eles eram  do mesmo grupo que tinha passado
por mim na esquina, mas nenhum deles era o de cabelo escuro que tinha
falado comigo. Eu virei minha cabea rapidamente, apressando  meus
passos. Um arrepio que no tinha nada a ver com o frio passou pelo

meu corpo. Minha bolsa estava sobre um ombro, entrelaada no meu corpo,
do jeito que se deve usar quando de quer evitar um assalto. Eu sabia
exatamente onde o meu  spray de pimenta estava- numa mala que eu nunca
desfiz, embaixo da minha cama. Eu no tinha muito dinheiro comigo, uns
vinte dlares, ou um pouco mais, eu pensei  em derrub-la
"acidentalmente" e continuar andando. Mas uma vozinha assustada na minha
cabea estava me avisando que aqueles homens pareciam ser algo pior que
s  assaltantes. Eu escutei atentamente os seus passos, que eram muito
mais quietos comparados ao tumulto que eles estavam fazendo essa tarde,
e no parecia que eles  estavam andando mais rpido, ou se aproximando
de mim. Respire, eu lembrei para mim mesma. Voc no sabe se eles esto
te seguindo. Eu continuei a andar o mais rpido  que podia sem correr,
me concentrando na entrada  direita que estava a apenas alguns metros
de distncia de mim. Eu podia ouv-los, to longe quanto antes. Um carro
virou na esquina passando rapidamente por mim. Eu pensei em me jogar na
frente dele, mas eu hesitei, inibida, sem saber se eles estavam
realmente me seguindo, ento  era tarde demais. Eu alcancei a esquina,
mas me bastou uma olhada rpida para que eu percebesse que era apenas
mais uma entrada de carros nos fundos de um dos armazns.  Eu dei uma
meia volta antecipadamente; eu tive que me apressar e correr pela rua,
de volta para a calada. A rua acabava na prxima esquina, onde havia
uma placa  de "pare". Eu me concentrei nos passos fracos atrs de mim,
decidindo se eu devia correr ou no. Eles, porm, no pareciam estar
muito atrs, e eles poderiam me  alcanar muito facilmente de qualquer
jeito. Eu tinha certeza que ia cair e me espatifar se eu tentasse andar
mais rpido. Os passos definitivamente pareciam estar  mais pra trs. Eu
me arriscar a dar uma rpida olhadinha por cima do ombro, e eles estavam
seguramente a uns quarenta passos atrs de mim agora, eu perceb
aliviada.  Mas eles dois estavam me encarando. Pareceu que se passaram
horas antes que eu alcanasse a esquina. Eu mantive o passo firme, os
homens atrs de mim ficando mais  pra trs a cada passo. Talvez eles
tenham se dado conta de que estavam me assustando e se arrependeram. Eu
vi dois carros indo na direo norte na rua pra onde eu  estava indo, eu
respirei aliviada. Haveriam mais pessoas por perto assim que eu saisse
daquela rua deserta. Eu virei na esquina com um suspiro agradecido. E
quase  escorreguei quando tive que parar. A rua estava alinhada dos dois
lados com paredes vazias, sem potas ou janelas. Eu podia ver
distantemente, duas ruas baixo, ruas  iluminadas, carros e mais
pedestres, mas eles estavam muito longe. Porque saindo de um prdio no
lado oeste, no meio da rua, estavam os outros dois homens do grupo,  os
dois me observando com sorrisos excitados enaquanto eu ficava paralisada
na calada. Eu perceb que no estava sendo seguida. Eu estava sendo
guiada. Eu pausei  por um segundo, mas pareceu um longo tempo. Eu me
virei e tentei voltar pelo outro lado da rua. Eu tinha o leve
pressentimento de que era uma tentativa intil. Os  passos atrs de mim
estavam mais altos agora. "A est voc!", a voz estrondosa do homem
grande, de cabelo escuro quebrou o silncio intenso, me fazendo pular.
Na  escurido, parecia que ele estava olhando por cima de mim. "", uma
voz respondeu alto atrs de mim, me fazendo pular de novo enquanto eu
tentava correr pela rua.  "Ns pegamos um pequeno desvio".

Meus passos tiveram que desacelerar. Eu estava fazendo a distncia entre
mim e eles diminuir ainda mais rapidamente. Eu tinha um bom grito, alto,
e eu suguei o ar,me  preparando para us-lo,mas minha garganta estava
to seca que eu no tinha muita certeza em relao ao volume que ele
sairia. Com um movimento rpido, eu tirei a  bolsa pela cabea,
sugurando-a com uma mo, me preparando para entreg-la ou us-la como
arma se fosse necessrio. O homem mais magro se desencostou da parede e
comeou a avanar vagarosamente pela rua. "Fique longe de mim", eu
avisei numa voz que deveria ter sido forte e destemida. Mas eu estava
certa em relao a minha  garganta- nada de volume. "No seja assim,
docinho",ele falou e as risadas recomearam atrs de mim. Eu me
recompus, a apenas alguns passos de distncia, tentando  me lembrar
apesar do pnico das poucas tcnicas de defesa pessoal que eu sabia.
Peito da mo no nariz, que deve com alguma sorte quebrar o nariz dele ou
enfi-lo  pra dentro do crebro. Dedo na cavidade do olho-tente enfiar o
dedo por dentro do olho e arranc-lo da rbita. E o joelho de praxe na
virilha,  claro. Aquela vozinha  pessimista na minha cabea de novo, me
dizia que eu no chance nem sequer contra um deles, eles eram quatro.
Cala a boca! Eu ordenei  voz antes que o terror me  deixasse
incapacitada. Eu no ia me machuacar sem machucar algum tambm. Eu
tentei engolir pra dar um grito decente. Faris apareceram de repente na
esquina, o  carro quase antingindo o homem forte, forando-o a pular na
direo da calada. Eu corr para o meio da rua -esse carro ia parar, ou
teria que me atingir. Mas o  carro prateado inexperadamente deu um
cavalo de pau, parando em cima da calada com a porta do passageiro
aberta a apenas alguns passos de distncia de mim. "Entre",  uma voz
furiosa ordenou. Foi impressionante como instantaneamente o medo havia
desaparecido, incrvel como de repente a sensao de segurana me
inundou - mesmo  antes de eu estar fora da rua assim que eu ouv a voz
dele. Eu pulei pra dentro do carro fechando a porta atrs de mim. Estava
escuro dentro do carro, nunhuma luz  se acendeu quando a porta abriu, e
eu mal podia ver o seu rosto pelo brilho fraco do painl. Os pneus
cantaram quando ele virou para o norte, acelerando muito rpido,
desviando dos homens abismados na rua. Eu tive uma breve viso deles se
atirando na calada enquanto acelervamos na direo no porto. "Ponha o
seu cinto de segurana",  ele comandou, e eu perceb que estava me
agarrando no banco com as duas mos. Eu obedec rapidamente; o clique do
cinto se conectando era alto na escurido. Ele  fez uma curva estreita
na esquerda, correndo em frente, avanando muitos sinais vermelhos sem
parar. Mas eu me sentia extremamente segura e, no momento, completamente
despreocupada com o lugar pra onde estavamos indo. Eu olhei para o rosto
dele profundamente aliviada,um alvio que ia alm das palavras. Eu
estudei o seu rosto perfeito  na luz limitada, esperando minha
respirao voltar ao normal, at que eu perceb que a sua expresso
estava assustadoramente zangada. "Voc est bem?", eu estava  surpresa
de ver como a minha voz estava spera. "No", ele disse curtamente, seu
tom estava lvido. Eu sentei em silncio, observando o seu rosto
enquanto os seus  olhos reluziam sempre olhando para a frente, at que o
carro parou bruscamente. Eo olhei ao redor, mas estava

escuro demais para vez alguma coisa alm da linha de rvores escuras que
se estendiam pelo acostamento. Ns no estvamos mais na cidade.
"Bella?", ele me chamou,  a voz apertada, controlada. "Sim?", minha voz
ainda estava spera. Eu tentei limpar a minha garganta silenciosamente.
"Voc est bem?" Ele ainda no estava me olhando,  mas a fria estava
claramente visvel no rosto dele. "Sim", eu respond suavemente. "Por
favor, me distraia", ele ordenou. "Perdo, o que voc disse?" Ele
respirou  agudamente. "Fale sobre alguma coisa sem importncia at que
eu me acalme" ele esclareceu, fechando os olhos e apertando o nariz com
os dedos polegar e indicador.  "Umm", eu vistoriei meu crebro  procura
de algo trivial. "Eu vou atropelar Tyler Crowley amanh depois da aula".
Ele ainda estava apertando os olhos, mas os seus  lbios se curvaram.
"Porque?" "Ele est dizendo a todo mundo que vai me levar no baile de
fim de ano- ou ele  louco, ou ainda est tentando se desculpar por
quase  ter me...bom, voc lembra, ele acha que obaile vai melhorar as
coisas. Ento eu achei que se colocasse a vida dele em risco, ele
acharia que estamos quites e no  teria que ficar tentando se redimir.
Eu no preciso de inimigos, e Lauren vai parar de me perseguir se ele me
deixar em paz. Eu posso acabar destruindo o carro dele.  Se ele estiver
sem carro no vai poder levar ningum ao baile..." eu tagarelei. Eu ouv
alguma coisa sobre isso", ele falou um pouco mais recomposto. "Voc
ouviu?"  eu perguntei sem acreditar, j sentindo uma ponta de irritao.
"Se ele estiver paralizado do pescoo pra baixo, ele tambm no vai
poder ir para o baile.", eu cochichei  redefinindo o meu plano. Edward
suspirou e finalmente abriu os olhos. "Melhor?" "Na verdade no". Eu
esperei, mas ele no falou mais nada. Ele se inclinou no banco,  olhando
para o teto do carro. Seu rosto estava rgido. "Qual  o problema?"
minha voz saiu num suspiro. "As vezes eu tenho problemas com o meu
temperamento, Bella."  Ele tambm estava falando baixinho, e, quando ele
olhou pela janela, seus olhos se transformaram em duas linhas. "Mas no
seria de grande ajuda se eu voltasse at  l e caasse aqueles..." Ele
no terminou a frase, olhando pra longe,lutando por um momento pra
controlar sau raiva. "Pelo menos", ele continuou. " disso que eu  estou
tentando me convencer" "Oh", a palavra pareceu inadequada, mas eu no
consegu pensar em uma resposta melhor. Ns sentamos em silncio de
novo. Eu olhei para  o relgio no painl. J eram mais de seis e meia.
"Jssica e Angela vo ficar preocupadas", eu murmurei. "Eu tinha que me
encontrar com elas". Ele ligou o motor  sem dizer outra palavra, dando a
volta suavemente e correndo em direo  cidade. Ns estavamos de volta
s luzes da cidade sem demora nenhuma, ainda indo rpido  demais,
desviando sem dificuldade dos outros carros passando na rua. Ele parou
ao lado de uma vaga que eu achei pequena demais para o Volvo, mas ele

conseguiu estacionar sem dificuldade na primeira tentativa. Eu olhei pra
fora pra ver as luzes do La Bella Itlia, e Jess e Angela que estavam
acabando de sair,  caminhando ansiosamente na direo contrria  ns.
"Como voc sabia onde...", eu comecei, mas ento balancei a cabea. Eu
ouv a porta se abrindo e me virei pra  ver ele saindo. "Pra onde voc
t indo?" eu perguntei "Te levando pra jantar", ele sorriu levemente,
mas seus olhos estavam duros. Ele saiu do carro e bateu a porta.  Eu
apalpei o banco e depois me apressei pra sair do carro tambm. Ele
estava esperando por mim na calada. Ele falou antes que eu tivesse a
chance. "V parar Jssica  e Angela antes que eu tenha que caar elas
duas tambm. Eu no acho que vou conseguir me controlar se esbarrar em
um dos seus amigos de novo". Eu trem com o tom  de ameaa na voz dele.
"Jess!Angela!", eu chamei por elas, acenando quando elas se viraram.
Elas voltaram correndo, o alvio aparecendo nos rostos e nas vozes das
duas se transformou em supresa quando elas viram quem estava ao meu
lado. Elas pararam a poucos metros de distncia de ns. "Onde voc
esteve?", a voz de Jssica  estava cheia de suspeita. "Eu me perd", eu
admit envergonhada. "E a eu esbarrei em Edward", eu fiz um gesto em
direo a ele. "Estaria tudo bem se eu me juntasse  a vocs?", ele
perguntou numa voz sedosa, irresistvel. Eu podia ver as duas
cambaleando e perceb que ele nunca havia usado os seus talentos com
elas antes. "Er...claro",  Jssica respirou. "Na verdade, Bella, ns j
comemos enquanto espervamos voc-desculpa" Angela confessou. "Tudo bem-
eu no estou com fome", eu levantei os ombros.  "Eu acho que voc devia
comer alguma coisa", a voz de Edward estav baixa,mas cheia de
autoridade. Ele olhou para Jssica e falou um pouco mais alto. "Vocs se
imcomodam  se eu levar Bella esta noite? Assim vocs no vo precisar
esperar enquanto ela come." "Hum, sem problema, eu acho...", ela mordeu
o lbio, tentando descobrir pela  minha expresso se eu queria ou no.
Eu pisquei pra ela. No havia nada que eu quisesse mais do que ficar
sozinha com o meu eterno salvador. Haviam tantas perguntas,  mas eu no
podia bombarde-lo at que estivessemos sozinhos. "OK",Angela foi mais
rpida que Jssica. "Te vejo amanh, Bella...Edward" Ela agarrou a mo
de Jssica  e puxou ela em direo ao carro, que estava parado a apenas
alguns metros dal, na Avenida principal. Enquanto elas entravam no
carro, Jess se virou, acenou, a expresso  dela cheia de curiosidade. Eu
acenei de volta, esperando que elas fossem embora antes de me virar para
encar-lo. "Honestamente, eu no estou com fome", eu insist,  olhando
pra cima para examinar seu rosto. Sua expresso era ilegvel. "Faz-me
rir" Ele entrou pela porta do restaurante e sugurou a porta aberta pra
mim com um expresso  obstinada. Eu passei por ele entrando no
restaurante com um suspiro de resignao. O restaurante no estava
lotado- no era alta estao em Port Angeles. A maitre  era mulher, e eu
entend a expresso no seu olhar enquanto ela acessorava Edward. Ela o
recebeu um pouco mais educadamente do que era necessrio. Eu fiquei
surpreendida  de

ver o quanto isso me incomodou. Ela era vrios centmetros mais alta que
eu, e o louro do cabelo dela no era nem um pouco natural. "Mesa pra
dois" A voz dele era  fascinante, fosse intencional ou no. Eu v ela
olhar pra mim e afastar o olhar, obviamente feliz por eu ser to comum,
e pela cautelosa distncia que Edward mantinha  entre ns. Ela nos guiou
para uma mesa grande o suficiente para quatro pessoas no centro da rea
mais cheia do restaurante. Eu estava quase me sentando, quando Edward
balanou a cabea pra mim. "Talvez algo mais particular?" ele insistiu
para a maitre. Eu no tinha certeza, mas podia jurar que v ele dar um
gorjeta na mo dela.  Eu nunca tinha visto uma pessoa recusar uma mesa
antes, exceto nos filmes antigos. "Claro", ela parecia to surpresa
quanto eu estava. Ela se virou e nos guiou at  umas cabines- todas
vazias. "Que tal isto?" "Perfeito.", ele deu um dos seus sorrisos
encantadores, deixando ela momentaneamente deslumbrada. "UMM"- ela
balanou  a cabea- "seu garon vir em um instante". Ela foi embora
descompassada. "Voc no devia fazer isso com as pessoas", eu critiquei,
"No  muito justo". "Fazer o  que?" "Deslumbrar as pessoas desse jeito-
ela deve estar hiperventilando na cozinha nesse exato momento" Ele
pareceu confuso. "Ah, qual ", eu falei duvidosamente.  "Voc tem que
saber o efeito que causa nas pessoas" Ele inclinou a cabea para um
lado, os olhos curiosos. "Eu deslubro as pessoas?" "Voc nunca percebeu?
Voc acha  que todo mundo consegue o que quer assim to fcil?" Ele
ignorou as minhas perguntas. "Eu deixo voc deslumbrada?"
"Frequentemente", eu admit. E ento a nossa garonete  apareceu, o
rosto cheio de expectativa. A meitre definitivamente havia falado sobre
ele, e essa garota nova no parecia decepcionada. Ela colocou uma mecha
curta  de cabelo preto atrs da orelha e sorriu pra ele com um calidez
desnecessria. "Ol, meu nome  Amber, e eu vou serv-los essa noite. O
que vocs desejam beber?"  Eu no deixei de notar que ela estava falando
s com ele Ele olhou pra mim. "Eu vou beber uma coca", pareceu que eu
estava perguntando. "Duas cocas", ele disse.  "Eu volto logo pra
trazer", ela assegurou pra ele com outro sorriso desnecessrio. Mas ele
no viu. Ele estava olhando pra mim. "O que foi?", eu perguntei quando
ela foi embora. Seus olhos estavam fixados no meu rosto. "como esta voc
est se sentindo?" "Eu estou bem",eu respond, surpresa com a
intensidade da pergunta. "Voc  no est sentindo nusea, tontura,
frio...?" "Eu devia?" Ele sorriu do meu tom confuso. "Bem, na verdade eu
ainda estou esperando voc entrar em choque". O rosto  dele se contorceu
num sorriso perfeito "Eu no acho que isso vai acontecer", eu disse
depois que eu consegu respirar de novo. "Eu sempre fui boa em reprimir
sentimentos  desagradveis".

"D na mesma, voc vai se sentir melhor quando tiver um pouco de aucar
e comida no seu sangue". Bem na hora, a garonete apareceu com as nossas
bebidas e uma cestinha  de pes de alho. Ela ficou de costas pra mim
enquanto colocava as coisas em cima da mesa. "Vocs esto prontos para
fazer o pedido?", ele perguntou a Edward. "Bella?",  ela virou sem muita
vontade na minha direo. Eu escolhi a primeira coisa que apareceu no
cardpio. "Umm...eu vou querer o ravioli de cogumelos" "E voc?", ela se
virou pra ele sorrindo. "Nada pra mim",ele disse.  claro "Me avise se
voc mudar de idia", o sorriso educado ainda estava l,mas os olhos
dele no estavam mais  prestando ateno, e ela foi embora insatisfeita.
"Beba", ele ordenou. Eu deium gole no refrigerante obedientemente, e
depois deu outro gole mais fundo, surpresa  de ver o quanto eu estava
com sede. Eu s perceb que eu j havia acabado com o copo inteiro
quando ele passou o copo dele pra mim. "Obrigada", eu cochichei, ainda
com sede. O frio do refrigerante passou pelo meu peito, e eu trem.
"Voc est com frio?" " s o refrigerante", eu expliquei, tremendo de
novo. "Voc no tem um  casaco?", a voz dele era desaprovadora. "Sim" eu
olhei para a cadeira vazia. "Oh- eu deixei no carro de Jssica", eu
perceb. Edward j estava tirando o casaco dele.  De repente eu me dei
conta de que eu nunca prestei ateno no que ele estava vestindo - no
s essa noite, mas nunca. Eu simplesmente no parecia ser capaz de
desviar  os olhos do rosto dele. Eu me obriguei a olhar agora, me
concentrando. Ele estava tirando um casaco de couro beige claro; por
baixo ele usava um sweter marfim. Ele  ficava perfeito nele, enfatizando
como o seu peito era musculoso. Ele me passou o casaco, atrapalhando as
minhas observaes. "Obrigada", eu disse de novo colocando  o casaco
dele. Estava frio - como o meu casaco estava quando eu o vest pela
manh. Eu trem de novo. O cheio era delicioso. Eu inalei, tentando
identificar a deliciosa  escncia. No parecia ser perfume. As mangas
eram grandes demais;eu tive que coloc-las pra trs para libertar minhas
mos. "Essa cor combina lindamente com o tom  da sua pele", ele disse,me
observando. Eu estava surpresa. Olhei pra baixo, corando,  claro. Ele
empurrou o cesto de pes na minha direo. "Srio, eu no vou entrar  em
choque." eu protestei. "Voc deveria- uma pessoa normalentraria. Voc
nem parece estar nervosa." Ele parecia agitado. Ele me olhou nos olhos.
Eu perceb como  os olhos dele estavam claros, mais claros do que eu
jamais tinha visto, como um whisky dourado. "Eu me sinto segura com
voc", eu confessei, hipnotizada. Isso pareceu  desagrad-lo; o centro
entre as suas sobrancelhas ficou enrrugado. Ele balanou a cabea
fazendo cara de bravo. "Isso  mais complicado do que eu planejava", ele
murmurou pra s mesmo. Eu peguei um po e comecei a dor um mordidinha na
ponta, medindo a expresso dele. Eu imaginei se essa seria a hora pra
comear a fazer perguntas  pra ele. "Geralmente voc est com um humor
melhor quando seus olhos esto to claros", eu comentei, tentando
distra-lo do que quer que fosse que estivesse deixando  ele to
pensativo e sombrio.

Ele me encarou, aturdido. "O qu?" "Sei humor sempre est pior quando
seus olhos esto pretos- eu j reparei." eu continuei. "Eu tenho uma
teoria sobre isso." Ele  revirou os olhos. "Mais teorias?" "Mm-hm", eu
mastiguei um pequeno pedao de po, tentando parecer indiferente. "Eu
espero que voc tenha sido criativa dessa vez...ou  voc continua
roubando-as de histrias em quadrinhos?" O sorriso dele era de zombaria,
mas seus olhos estavam apertados. "Bom, no, eu no peguei de uma
histria  em quadrinhos, mas tambm no fui eu que enventei", eu
confessei. "E?" ele apontou. Mas nessa hora a garonete apareceu
trazendo minha comida. Eu perceb que ns  dois estvamos
inconscientemente inclinados sobre a mesa um na direo do outro, porque
ns dois sentamos retos quando ela se aproximou. Ela colocou o prato na
minha  frenteparecia estar bom - e se virou rapidamente para Edward.
"Voc mudou de idia?", ela perguntou. "No tem nada que eu possa te
oferecer?" Eu posso ter imaginado  o duplo sentido das palavras dela.
"No, obrigado, mas mais refrigerante seria bom", ele fez um gesto com a
longa mo branca para o dois copos vazios na minha frente.  "Claro", ela
removeu os dois copos vazios e foi embora. "O que voc estava dizendo?",
ele perguntou. "Eu te conto no carro. Se...", eu pausei. "Tem
condies?",  ele ergueu uma sobrancelha,a voz maliciosa. "Eu tenho
algumas perguntas,  claro" " claro". A garonete voltou com outras
dois copos de refrigerante. Dessa vez  ela os colocou na mesa sem uma
palavra sequer e foi embora. Eu tomei um gole. "Bem, v em frente", ele
instigou, sua voz ainda estava dura. Eu comecei com a pergunta  menos
exigente. "O que voc est fazendo em Port Angeles?" Ele olhou pra
baixo, cruzando suas longas mos lentamente em cima da mesa. Os seus
olhos brilharam por  baixo dos clios, a leve sombra de um sorriso
brincando em seus lbios. "Prxima" "Mas essa  a mais fcil", eu
reclamei. "Prxima", ele repetiu. Eu olhei pra baixo,  frustrada. Eu
desenrolei os talheres, peguei meu garfo, e cuidadosamente espetei um
ravili. Eu coloquei na boaca lentamente, ainda olhando pra baixo,
mastigando  enquanto pensava. Os cogumelos estavam bons. Eu engol e
beb outro gole da coca antes de olhar pra cima. "Tudo bem, ento", eu
olhei pra ele, e continuei vagarosamente.  "Digamos, hipotticamente 
claro, que...algum...pudesse saber o que as pessoas pensam, ler mentes,
sabe- com algumas excees." "S uma exceo", ele corrigiu."
Hipoteticamente" "Tudo bem,uma exceo, ento". Eu estava contentssima
que ele estava brincando comigo, mas tentei parecer casual. "Como isso
funciona? Quais so  as limitaes? Como poderia...essa pessoa...achar
outra pessoa na hora exata? Como ele poderia saber que ela estava com
problemas?" Eu imaginei se as perguntas consecultivas  estavam fazendo
algum sentido.

"Hipoteticamente?", ele perguntou. "Claro". "Bem, se...essa pessoa..."
"Vamos cham-lo de Joe", eu suger. Ele sorriu. "Joe, ento. Se Joe
estivesse prestando ateno,  a hora no precisaria ser to exata." Ele
balanou a cabea, revirando os olhos. "S voc poderia se meter em
encrencas numa cidade to pequena. Voc teria mudado  as estatsticas
criminalsticas por dcadas, sabia?" "Estvamos falando de um caso
hipottico". Ele sorriu pra mim. "Sim, estvamos", ele concordou.
"Podemos chamar  voc de Jane?" "Como  que voc sabia?" eu perguntei de
vez sem conseguir controlar a minha intensidade. Eu me dei conta de que
estava me inclinando pra ele de novo.  Ele pareceu vacilar, dividido com
algum dilema interno. Seus olhos se prenderam aos meus, e eu perceb que
ele estava decidindo naquele momento se era melhor me  contar a verdade
de vez ou no. "Voc pode confiar em mim, sabe". Eu murmurei. Eu
avancei, sem pensar, para tocar suas mos entrelaadas, mas ele as
afastou na hora,  ento eu me afastei. "Eu no sei mais se tenho outra
escolha". A voz dele era mais um murmrio. "Eu estava enganado- voc 
muito mais observadora do que eu pensava."  "Eu pensei que voc
estivesse sempre certo". "Eu costumava estar". Ele balanou a cabea de
novo. "Eu estava errado em relao  outra coisa, tambm. Voc no   um
im para acidentes- essa no  uma classificao abrangente o
suficiente. Se existir alguma coisa perigosa num raio de dez quilmetros
de distncia, ela vai invariavelmente  encontrar voc". "E voc se
inclui nessa categoria?", eu adivinhei. Seu rosto ficou frio, sem
expresso. "Inquestionavelmente". Eu estiquei minha mo sobre a mesa  de
novo - dessa vez eu no me inib quando ele puxou a mo levemente- para
tocar as costas das suas mos timidamente com as pontas dos meus dedos.
Sua mo era fria  e dura, como uma pedra. "Obrigada", minha voz estava
fervendo de gratido. "J so foram duas vezes." O rosto dele se
suavizou. "No vamos tentar uma terceira, est  bem?" Eu fiz uma careta,
mas afirmei com a cabea. Ele tirou suas mo de baixo das minhas,
colocando-as embaixo da mesa. Mas ele se inclinou na minha direo. "Eu
te segui at Port Angeles",ele admitiu, falando depressa. "Eu nunca
tentei manter uma pessoa especfica viva, e  muito mais trabalhoso do
que eu imaginava. Mas  isso provavelmente  porque a pessoa  voc.
Pessoas normais parecem conseguir viver um dia sem tantas catastrofes".
Ele pausou. Eu imaginei se eu deveria estar  com raiva por ele estar me
seguindo; mas ao invs disso eu sentia uma enorme sensao de prazer.
Ele me incarou, talvez imaginando porque meus lbios estavam se
curvando num sorriso involuntrio. "Voc j parou pra pensar que talvez
eu estivesse marcada pra morrer naquele dia, como a van, e que voc est
interferindo no  meu destino?", eu especulei, tentando me destrair.
"Aquela no foi a primeira vez",ele disse. Sua voz era difcil de ouvir.
Eu olhei pra ele assombrada, mas ele  estava olhando pra baixo. "Voc
estava marcada para morrer na primeira vez que nos vimos." Eu sent um
espasmo de medo com essas duas ltimas palavras, e lembrei  do seu
violento olhar negro naquele primeiro dia...mas a incrvel sensao de
segurana que eu sentia ao lado dele fez o medo ir embora. Quando ele
olhou para os  meus olhos, no havia nenhum trao de medo neles.

"Voc se lembra?", seu rosto angelical estava agravado. "Sim". Eu estava
calma. "E mesmo assim voc se senta aqui", havia um trao de descrena
na voz dele; ele  ergueu uma sobrancelha. "Sim, eu sento aqui...por sua
causa." eu parei. "Porque, de alguma forma voc sabia como me encontrar
hoje.", eu lembrei. Ele apertou os  lbios, os olhos pensativos,
decidindo de novo. Ele olhou para o prato cheio na minha frente, e de
volta pra mim. "Voc como, eu falo", ele barganhou. Eu rapidamente
espetei outro ravili e coloquei na boca. " mais difcil do que devia
ser- manter um olho em voc. Normalmente eu consigo achar um pessoa
muito facilmente, se eu  j tiver ouvido a mente deles antes." Ele me
olhou ansiosamente, e eu perceb que estava petrificada. Eu me forcei a
engolir, ento espetei outro ravioli e coloquei  na boca. "Eu estava
projetanto a minha ateno em Jssica, sem muito cuidado- como eu disse,
s poderia arrumar problemas em Port Angeles- no incio eu no tinha
percebido que voc tinha ido por outro caminho. Ento, eu me dei conta
qu voc no estava mais com ela, eu fui te procurar na livraria que
havia na mente dela. "Eu  podia ver que voc no tinha entrado e que
tinha ido para o sul... e eu sabia que voc logo teria que dar a volta.
Ento eu fiquei esperando por voc, procurando  pelos pensamentos das
pessoas que passavam na rua- pra ver se algum tinha reparado em voc e
assim eu pudesse te procurar. Eu no tinha motivos para estar
preocupado,  mas eu estava estranhamente ansioso...", ele estava perdido
em pensamentos, olhando pra mim, mas vendo coisas que eu nem podia
imaginar. "Eu comecei a dirigir em  crculos, ainda...escutando. O sol
estava finalmente se pondo, e eu estava me preparando pra te procurar 
p. E ento-", ele parou, arranhando os dentes, com uma  fria
repentina. Ele fez um esforo para se acalmar. "Ento o que?", eu
murmurei. Ele continuou a olahr por cima da minha cabea. "Eu ouv o que
eles estavam pensando",  ele grunhiu, seu lbio superior se curvando
lentamente sobre os seus dentes. "Eu v o seu rosto na mente dele". Ele
se inclinou para a frente de repente, um cotovelo  aparecendo por cima
da mesa, a mo cobrindo os olhos. O movimento foi to rpido que me
surpreendeu. "Foi muito...difcil- voc no tem idia do quanto foi
difcil  pra mim- simplesmente te tirar de l, e deix-los...vivos." A
voz dele estava abafada pelo seu brao. "Eu podia ter te deixado ir com
Jssica e Angela, mas eu estava  com medo de que se voc me deixasse
sozinho, eu fosse procurar por eles". Ele admitiu num murmrio. Eu
sentei quieta, ofuscada, meus pensamentos incoerentes. Minhas  mos
estavam cruzadas no meu colo, e eu estava apoiada fracamente no encosto
da cadeira.. Ele ainda estava com o rosto na mo, e ele estava to
imvel que parecia  uma escultura de pedra. Finalmente ele olhou pra
cima, seus olhos procurando os meus, cheio com as suas prprias
perguntas. "Voc est pronta pra ir pra casa?",  ele perguntou. "Eu
estou pronta pra ir", eu qualifiquei, agradecida que ainda tnhamos uma
longa hora na volta pra casa. Eu ainda no estava pronta pra dizer adeus
pra ele. A garonete apareceu como se tivesse sido chamada. Ou como se
estivesse espionando. "Como estamos?", ela perguntou para Edward. "Ns
queremos a conta, obrigado",  a voz dele estava baixa, mais forte, ainda
refletindo a conversa que tnhamos acabado de ter. Ela pareceu
assustada. Ele olhou pra cima esperando.

"C-claro", ela gaguejou. "Aqui est". Ela puxou um caderninho de couro
do bolso do avental dela e entregou para ele. J havia uma nota na mo
dele. Ele a colocou  dentro do caderninho e entregou de volta pra ela.
"Sem troco",ele sorriu e ficou de p, enquanto eu tentava me equilibrar
nos meus ps. Ela sorriu calorosamente  pra ele de novo. "Tenha uma boa
noite". Ele no olhou pra ela quando agradeceu. Eu tentei no sorrir.
Ele andou ao meu lado, perto de mim at a porta, mas ainda  tomando
cuidado pra no me tocar. Eu lembrei do que Jssica havia dito sobre o
seu relacionamento com Mike, como eles estavam quase no estgio do
primeiro beijo.  Eu suspirei. Edward pareceu me ouvir, e e olhou pra
baixo curioso. Eu olhei para a calada, agradecida por ele supostamente
no ser capaz de saber o que eu estava  pensando. Ele abriu a porta do
passageiro, segurando ela pra mim enquanto eu entrava no carro,
estarrecida,mais um vez, com o quanto ele era gracioso. Eu provavelmente
j devia estar acostumada- mas no estava. Eu tinha o pressentimento de
que Edward era uma pessoa com a qual eu nunca me acostumaria. Dentro do
carro, ele ligou  o motor e colocou o aquecedor no mximo. Tinha
esfriadomuito, e eu achava que o bom clima estava chegando ao fim. Mesmo
assim, eu estava aquecida no casaco dele,  aspirando o cheiro dela
quando eu achava que ele no estava olhando. Edward se enfiou no
trnsito, aprentemente sem olhar, e vez uma volta pra ir para a
auto-estrada.  "Agora", ele disse significantemente, " a sua vez".

9.Teoria "Posso fazer s mais uma?", eu implorei enquanto Edward
acelerava ainda mais pela rua vazia. Ele no parecia estar prestando
nenhuma ateno  pista. Ele suspirou.  "Uma", ele concordou. Seus
lbios se pressionaram formando uma linha. "Bem...voc disse que sabia
que eu no tinha entrado na livraria, e que eu tinha ido para o  sul. Eu
s estava me perguntando como voc sabia disso." Ele desviou o olhar,
deliberadamente. "Eu pensei que no estvamos mais sendo evasivos.",eu
disparei. Ele  quase sorriu. "Tudo bem, ento. Eu segu o seu cheiro."
Ele olhou para a estrada, dando um tempo pra eu recompor minha
expresso. Eu no conseguia pensar numa resposta  aceitvel pra isso,
mas eu guardei a informao cuidadosamente pra estud-la no futuro. Eu
tentei me concentrar. Eu no estava pronta pra deixar ele terminar,
justo  agora que ele estava finalmente explicando as coisas. "E voc
tambm no respondeu uma das minhas perguntas", eu lembrei. Ele me olhou
com desaprovao. "Qual delas?"  "Como funciona- essa coisa de ler
mentes? Voc pode ler a mente de todo mundo, em qualquer lugar? Como
voc faz isso? O resto da sua famlia pode...?" Eu me sent  uma boba,
pedindo explicaes pra uma coisa assim. "Isso  mais que uma", ele
apontou. Eu simplesmente entrelacei meus dedos e olhei pra ele,
esperando. "No, sou  s eu. E eu no consigo ouvir qualquer um, em
qualquer lugar. Eu tenho que estar pelo menos um pouco perto. Quanto
mais familiar  a... voz de algum, de mais longe  eu posso ouv-la. Mas
ainda assim, no mais longe que alguns quilmetros." Ele parou pensando.
" como estar num corredor enorme e cheio de gente, todos falando  ao
mesmo tempo.  s um ruido- um zumbido de vozes no fundo. At que eu me
concentro em uma das vozes, e a o que ela est pensando se torna claro.
"Na maioria das  vezes eu desligo todas- se no eu posso me destrair
demais. E ento fica mais fcil parecer normal"-ele fez uma careta
quando disse a palavra"Isso quando eu no  estou respondendo
acidentalmente ao pensamento das pessoas e no  suas vozes". "Porque
ser que voc no pode me ouvir?", eu perguntei curiosamente. Ele olhou
pra  mim, seus olhos estavam enigmticos. "Eu no sei", ele murmurou. "A
nica suposio  que talvez a sua mente no trabalhe da forma como a
deles trabalha. Como se  os seus pensamentos estivessem na frequncia AM
quando eu s posso ouvir Fm". Ele sorriu pra mim, divertido de repente.
"Minha mente no trabalha direito? Eu sou  uma aberrao?" - as palavras
me incomodaram mais do que deviam- provavelmente porque a ficha caiu. Eu
sempre suspeitei que era uma aberrao, e fiquei com vergonha  de ver as
suspeitas confirmadas. "Eu ouo vozes na minha cabea e voc preocupada
que voc a aberrao". Ele sorriu "No se preocupe,  apenas uma
teoria..." seu  rosto se contraiu. "O que nos leva de volta a voc" Eu
suspirei. Como comear? "Ns no deixamos de ser evasivos?", ele me
lembrou suavemente. Eu desviei o olhar  do seu rosto pela primeira vez,
tentando encontrar as palavras. A eu olhei para o velocmetro.

"Minha nossa!" eu gritei. "Diminua". "Qual  o problema?", ele perguntou
alarmado. Mas no diminuiu a velocidade. "Voc est indo  quase
duzentos por hora!", eu  ainda estava gritando. Eu olhei cheia de pnico
pela janela, mas estava escuro demais pra enxergar. A estrada s era
visvel at onde os faris alcanavam. A floresta  dos dois lados da
estrada pareciam paredes negras - e seriam duram como paredes de ao se
ns batssemos nelas a essa velocidade. "Relaxe, Bella". Ele revirou os
olhos, ainda sem reduzir. "Voc est tentando nos matar?", eu perguntei.
"Ns no vamos bater". Eu tentei moderar meu tom de voz. "Porque voc
est com tanta pressa?"  "Eu sempre dirijo assim", ele me olhou dando um
sorriso torto. "Mantenha os olhos na estrada!" "Eu nunca sofr um
acidente, Bella- eu nunca sequer levei uma multa."  Ele sorriu e deu um
tapinha na testa. "Detector de radar embutido". "Muito engraado", eu
soltei. "Charlei  um policial, lembra? Eu fui criada para obedecer
todas  as leis de trnsito. Alm do mais, se voc bater o Volvo e
transform-lo numa sanfona, provavelmente voc vai se levantar e sair
dele". "Provavelmente",ele disse  com uma risa curta, dura. "Mas voc
no". Ele suspirou e eu observei aliviada enquanto observava o ponteiro
baixando gradualmente. "Feliz?" "Quase". "Eu odeio dirigir  devagar",
ele murmurou. "Isso  devagar?" "Chega de comentrios sobre como eu
dirijo", ele cortou. "Eu ainda estou esperando pela sua ltima teoria".
Eu mord meu  lbio. Ele olhou pra mim, seus olhos estavam
inexperadamente gentis. "Eu no vou rir", ele prometeu. "Eu estou com
mais medo que voc fique com raiva de mim". "  assim to ruim?" "Em
grande parte, sim." Ele esperou. Eu estava olhando para as minhas mos,
ento no pude ver sua expresso. "V em frente", sua voz era calma.
"Eu no sei como comear", eu admit. "Comece pelo comeo... voc disse
que no foi voc quem criou essa teoria". "No" "Onde voc a encontrou-
num livro? Um filme?",  ele testou. "No - foi Sbado, na praia". Eu
arriquei dar uma olhada para o rosto dele. Ele pareceu confuso. "Eu dei
de cara com um amigo antigo da famlia- Jacob  Black", eu continuei. "O
pai dele e Charlie so amigos desde que eu era beb." Ele ainda parecia
confuso. "O pai dele  um dos ansies Quileute". Eu observei ele
cuidadosamente. A sua expresso confusa estava congelada no lugar. "Ns
fomos dar uma volta" - eu no contei que havia planejado tudo. "- Ele
estava me contando  umas histrias antigas- tentando me assustar, eu
acho. Ele me contou uma..." eu hesitei. "V em frente", ele disse.
"Sobre vampiros". Eu me dei contar de que estava  cochichando. Eu no
conseguia olhar para o seu rosto agora. Mas eu v seus dedos apertando o
volante convulsivamente. "E voc imediatamente pensou em mim?". Ainda
calmo.

"No. Ele...mencionou sua famlia". Ele estava em silncio, olhando para
a estrada. Eu fiquei preocupada de repente, preocupada em proteger
Jacob. "Ele s achava  que era uma superstio boba", eu disse
rapidamente. "Ele no esperava que eu pensasse nada dela". No parecia
que estava sendo o suficiente, eu tenho que confessar.  "Foiminha culpa,
eu forcei ele a me dizer" "Porque?" "Lauren disse uma coisa sobre voc-
ela estava tentando me provocar. Um garoto mais velho da tribo disse que
vocs no iam at l, s que pra mim pareceu que ele quis dizer outra
coisa. Ento eu fiquei sozinha com Jacob e tirei a verdade dele", eu
admit, deixando a cabea  cair. Ele me surpreendeu quando comeou a
sorrir. Eu olhei pra ele. Ele estava sorrindo, mas seus olhos estavam
concentrados, olhando para a estrada. "Como foi que  voc forou ele a
contar?", ele perguntou. "Eu tentei flertar com ele - e funcionou melhor
do que eu imaginava". Eu comecei a ficar corada enquanto lembrava. "Eu
queria ter visto isso", ele sorriu obscuramente. "E voc me acusando de
deslumbrar as pessoas- pobre Jacob Black" Eu corei e olhei para a noite
pela janela. "E o  que voc fez depois?" ele perguntou depois de um
minuto. "Eu fiz algumas pesquisas na Internet". "E isso te convenceu?" A
voz dele parecia pouco interessada. Mas  as mos dele estavam apertando
o volante. "No. Nada fazia sentido. A maioria das coisas era meio boba.
E ento...". Eu parei. "O que?" "Eu decid que no importava",  eu
murmurei. "Que no importava?" O tom dele me fez olhar pra cima
-finalmente eu havia penetrado aquela mscara. O seu rosto estava
incrdulo, com s uma ponta  de raiva que eu temia. "No", eu disse
suavemente. "Pra mim no importa o que voc ". Um tom duro, de zombaria
inundou sua voz. "Voc no se importa se eu for um  mostro? Se eu no
for humano?" "No". Ele ficou em silncio, olhando diretamente pra
frente de novo. Seu rosto estava sem expresso e frio. "Voc est com
raiva",  eu suspirei. "Eu no devia ter dito nada". "No", mas o seu tom
estava to duro quanto o seu rosto. "Eu prefiro saber o que voc est
pensando- mesmo se o que voc  estiver pensando for uma loucura". "Ento
eu estou errada de novo?", eu desafiei. "No era a isso que eu me
referia. 'No importa'.", ele me citou, apertando os  dentes. "Eu estou
certa?", eu ofeguei. "Isso importa??" Eu respirei fundo. "Na verdade
no", eu parei. "Mas eu estou curiosa." Pelo menos minha voz estava
composta.  De repente ele estava resignado. "Voc est curiosa sobre o
que?" "Quantos anos voc tem?" "Dezessete", ele respondeu prontamente.
"H quanto tempo voc tem dezessete?"  Seus lbios se contorceram
enquanto ele ainda olhava para a estrada.

"A algum tempo", ele admitiu finalmente. "Ok", eu sorr, feliz por ele
finalmente estar comeando a ser honesto comigo. Ele olhou pra mim com
olhos preocupados,  como ele tinha olhado antes, quando estava
preocupado que eu entrasse em choque. Eu sorr para encoraj-lo e ele
fez uma careta. "No ria de mim - mas como  que  voc consegue sair
durante o dia?" Ele riu do mesmo jeito. "Mito". "Voc queima no sol?"
"Mito" "Dorme em caixes? "Mito". Ele hesitou por um momento e um tom
estranho  invadiu sua voz. "Eu no posso dormir". Eu levei um minuto
para absorver isso. "Nunca?" "Nunca", ele respondeu, sua voz quase
inaudvel. Ele voltou a olhar pra mim  com uma expresso tristonha. Os
olhos dourados prenderam os meus, e eu perd a linha de pensamento de
novo. Eu continuei olhando pra ele at que ele virou o olhar.  "Voc
ainda no perguntou a coisa mais importante". Sua voz estava dura de
novo. E quando ele olhou pra mim, seus olhos estavam frios. Eu pisquei,
ainda deslumbrada.  "E qual ?" "Voc no est preocupada com a minha
dieta?", ele perguntou sarcasticamente. "Oh", eu murmurei. "Isso." "Sim,
isso." Sua voz estava vazia. "Voc no  quer saber se eu bebo sangue?"
Eu vacilei. "Jacob me disse algo sobre isso." "O que Jacob disse?", ele
perguntou montono. "Ele disse que voc e sua famlia no...caam
pessoas. Ele disse que voc e sua famlia no so perigosos porque vocs
s caam animais". "Ele disse que no ramos perigosos?" Sua voz estava
profundamente ctica.  "No exatamente. Ele disse que vocs no deviam
ser perigosos. Mas os Quileute no quiseram vocs nas terras deles, s
por precauo". Ele olhou para a frente, mas  eu no sei dizer se ele
estava olhando para a estrada ou no. "Ento ele estava certo? Sobre no
caar pessoas?" Eu tentei manter minha voz o mais uniforme possvel.
"Os Quileute tm uma boa memria", ele murmurou. Eu considerei isso um
sim. "Porm, no deixe isso te enganar",ele avisou. "Eles estavam certos
em nos evitar. Ns  ainda somos perigosos." "Eu no entendo". "Ns
tentamos", ele explicou devagar. "Geralmente somos bons no que fazemos.
As vezes cometemos erros. Eu, por exemplo,  me permitindo ficar sozinho
com voc". "Isso  um erro?", eu ouv a tristeza na minha voz, mas no
sei se ele tambm ouviu. "Um erro bem perigoso", ele murmurou.  Ns dois
ficamos em silncio depois disso. Eu observei os faris virando com as
curvas na estrada. Eles se moviam rpido demais; no parecia ser real,
parecia ser  um video game. Eu estava consciente do tempo passando
rpido, como a estrada embaixo de ns, e eu estava com um medo horroroso
de nunca mais ter outra oportunidade  de ficar assim a ss com ele-
abertamente, as janelas que existiam entre ns haviam desaparecido. As
palavras dele haviam se acabado, e eu no gostei da idia. Eu  no
queria perder nem um minuto que tinha com ele. "Me conte mais", eu ped
desesperadamente, sem me importar com o que ele disesse, contanto que eu
pudesse ouvir  a sua voz de novo. Ele me olhou rapidamente, surpreso
pela mudana do tom da minha voz.

"O que mais voc quer saber?" "Me diga porque voc caa animais ao invs
de gente", eu suger, minha voz ainda estava cheia de desespero. Eu me
dei conta de que  os meus olhos estavam molhados, e lutei contra a
aflio que estava tomando conta de mim. "Eu no quero ser um monstro".
Sua voz estava muito baixa. "Mas animais  no so o suficiente?" Ele
parou. "Eu no posso ter certeza,  claro, mas eu acho que  como viver
a base de tofu e leite de soja; ns nos chamamos de vegetarianos,  nossa
piada particular. No sacia a fome -ou melhor dizendo, a sede. Mas nos
mantm fortes o suficiente para sobrevivermos. Na maioria das vezes".
Seu tom se tornou  obscuro. "Umas vezes so mais difceis que outras".
" muito difcil pra voc agora?", eu perguntei. Ele suspirou. "Sim".
"Mas voc no est com fome agora". eu  disse confidencialmente,
afirmando , no perguntando. "Porque voc acha isso?" "Seus olhos. Eu
disse que tinha uma teoria. Eu perceb que as pessoas- homens em
particular  - so mais chatos quando esto com fome". Ele deu uma
gargalhada. "Voc  muito observadora, no ?" Eu no respond, eu s
prestei ateno ao som da sua risada,  guardando ela na minha memria.
"Voc estava caando com Emmett esse fim de semana?", eu perguntei
quando estava silencioso de novo. "Sim", ele pausou por um instante,
como se estivesse se decidindo entre me contar alguma coisa ou no. "Eu
no queria ir embora, mas foi necessrio.  um pouco mais fcil ficar
perto de voc quando  eu no estou com sede". "Porque voc no queria
ir?" "Me deixa...nervoso...ficar longe de voc." Seus olhos eram gents,
nas intensos, e eles pareciam estar fazendo  os meus ossos amolecerem.
"Eu no estava brincando quando te disse pra ficar longe do oceano ou
sobre o acidente na quinta. Eu estava distrado durante o fim de  semana
inteiro, preocupado com voc. E depois do que aconteceu hoje  noite, eu
estou surpreso que voc tenha sobrevivido ao fim de semana sem nenhum
arranho".  Ele balanou a cabea, e de repente pareceu se lembrar de
alguma coisa. "Bem, no exatamente sem um arranho" "O que?" "Suas
mos", ele me lembrou. Eu olhei para  as minhas palmas, para os
arranhes quase sarados. Seus olhos no perdiam nada. "Eu ca", eu
suspirei. "Foi o que eu pensei." Seus lbios se contorceram nos cantos.
"Eu acho que, sendo voc, podia ter sido bem pior- e essa possibilidade
me atormentou o tempo inteiro enquanto eu estive fora. Foram trs dias
bem longos. Eu deixei  o Emmett louco". Ele sorriu pra mim como se
estivesse se sentindo culpado. "Trs dias? Vocs no voltaram hoje?"
"No, ns voltamos no Domingo". "Ento porque nenhum  de vocs foi para
a escola?", eu estava frustrada, quase com raiva por todas as decepes
que eu sofr durante a sua ausncia. "Bem, voc perguntou se o sol me
machuca,  e no machuca. Mas eu no posso sair na luz do sol- pelo
menos, no quando as pessoas esto olhando". "Porque no?" "Um dia
desses eu te mostro", ele prometeu.

Eu pensei nisso por um momento. "Voc podia ter me ligado", eu decidi.
Ele parecia confuso. "Mas eu sabia que voc estava em segurana". "Mas
eu no sabia onde voc  estava", eu hesitei e depois abaixei os olhos.
"O que?", sua voz aveludada estava compelida. "Eu no gostei. De no te
ver. Me deixou ansiosa tambm", eu corei dizendo  isso em voz alta. Ele
estava quieto. Eu olhei pra cima, apreensiva, sua expresso estava cheia
de dor. "Ah", ele gemeu baixinho. "Isso no  certo". Eu no consegu
entender a resposta dele. "O que foi que eu disse?" "Ser que voc no
v, Bella? Uma coisa  eu me fazer completamente infeliz. Outra
completamente diferente   voc estar to envolvida". Ele virou seus
olhos angustiados para a estrada, as palavras dele estavam saindo to
rpidas que eu quase no conseguia entender. "Eu  no quero ouvir que
voc se sente assim". Sua voz era baixa, mas urgente. As palavras dele
me cortaram. " errado. No  seguro. Eu sou perigoso- compreenda isso,
Bella". "No", eu fiz de tudo para no parecer uma criana mimada. "Eu
estou falando srio", ele grunhiu. "Eu tambm. Eu j falei que no me
importo com o que voc  .  tarde demais." A voz dele chicoteou, baixa
e forte. "Nunca diga isso". Eu mord meu lbio, e estava feliz que ele
no sabia o quanto doa. Eu olhei para fora.  J devamos estar perto
agora. Ele estava dirigindo rpido demais. "No que voc est pensando?",
ele perguntou, com a voz ainda dura. Eu s balancei a cabea, sem  ter
certeza se conseguia falar. Eu podia sent-lo olhando para o meu
rosto,mas continuei olhando para a frente. "Voc est chorando?", ele
parecia intimidado. Eu  no tinha reparado na umidade que os meus olhos
estavam comeando a acumular. Eu rapidamente passei a mo na minha
bochecha, e sem dvida, l estavam as lgrimas  traidoras, me delatando.
"No" eu disse,mas minha voz tremeu. Eu v ele levantar a mo direita na
minha direo cheio de hesitao, mas ento ele parou e colocou  a mo
de volta na direo. "Me desculpe". A voz dele estava queimando de
arrependimento. Eu sabia que ele no estava se desculpando pelas
palavras que haviam me  aborrecido. A escurido nos envolveu em
silncio. "Me diga uma coisa", ele perguntou depois de outro minuto, eu
podia ouv-lo se esforar para usar um tom mais leve.  "Sim" "No que
voc estava pensando hoje a noite, pouco antes de eu virara na esquina?
Eu no consegu entender a sua expresso- voc no parecia assustada,
voc  parecia estar bastante concentrada em alguma coisa." "Eu estava
pensando em como incapacitar uma pessoa- voc sabe, auto-defesa. Eu a
enfiar o nariz dele dentro  crebro". Eu pensei no homem de cabelo
escuro com uma onda de dio me invadindo. "Voc ia lutar com eles?" Isso
pareceu aborrec-lo. "Voc no pensou em correr?"  "Quando eu corro eu
caio demais", eu admit. "E quanto a gritar por ajuda?" "Eu estava
chegando nessa parte".

Ele balanou a cabea. "Voc estava certa- eu definitivamente estou
lutando contra o destino tentando manter voc viva." Eu suspirei. Ns
estavamos indo mais devagar,  passando pela fronteira de Forks. Levou
menos de vinte minutos. "Eu vou ver voc amanh?", eu perguntei. "Sim-
eu tambm tenho que entregar o meu trabalho". Ele  sorriu. "Eu vou
guardar um lugar pra voc no almoo". Eu fiquei idiota, depois de tudo
que passamos essa noite, aquela promessa me fez sentir borboletas no
estmago,  e me deixou incapacitada de falar. Ns estvamos na frente da
casa de Charlie. As luzes estavam ligadas, meu carro estava no lugar,
tudo estava extremamente normal.  Era como acordar de um sonho. Ele
parou o carro, mas eu no me mov. "Voc promete que vai estar l
amanh?" "Eu prometo". Eu pensei por um momento, depois balancei  a
cabea. Eu tirei o seu casaco, dando mais um cheiradinha. "Voc pode
ficar com ele- voc no tem um para usar amanh", ele me lembrou. Eu
entreguei pra ele. "Eu  no quero ter que explicar ao Charlie". "Oh,
tudo bem". Ele sorriu. Eu hesitei, minha mo na maaneta do carro,
tentando prolongar o momento. "Bella?"- ele perguntou  num tom
diferente. Srio, mas hesitante. "Sim?", eu me virei pra ele ansiosa
demais. "Me promete uma coisa?" "Sim", eu disse e depois me arrepend da
minha incondicionalidade.  E se ele me pedisse pra ficar longe dele?
Isso eu no podia prometer. "No v na floresta sozinha". Eu encarei ele
confusa. "Porque?" Ele fez uma carranca, e seus  olhos estavam apertados
quando ele olhou pela janela. "Nem sempre eu sou a coisa mais perigosa
l fora. Vamos ficar aqui". Eu trem um pouco pela inexpresso da  voz
dele, mas eu estava aliviada. Essa, pelo menos, era uma promessa fcil
de cumprir. "Como voc quiser". "At amanh", ele suspirou e a eu
perceb que ele queria  que eu fosse embora agora. "At amanh, ento".
Eu abr a porta sem vontade. "Bella?" Eu me virei e ele estava inclinado
na minha direo, seu rosto plido, glorioso,   apenas alguns
centmetros de mim. Meu corao parou de bater. "Durma bem", ele disse.
Sua respirao soprou em meu rosto, me deixando fascinada. Era a mesma
essncia  que exalava do casaco dele, mas numa forma mais concentrada.
Eu pisquei, totalmente ofuscada. Ele se afastou. Eu no consegu me
mover de novo at que o meu crebro  ficou regulado novamente. Ento eu
sa estranhamente do carro, precisando usar alguma coisa como suporte.
Eu pensei ouv-lo sorrindo, mas o som foi baixo demais  pra eu ter
certeza. Ele esperou at que eu estivesse na frente da porta, s ento
ele ligou o motor e eu ouvi ele dar r silenciosamente. Eu me virei e v
o carro  desaparecendo na esquina. Eu me dei conta de que estava muito
frio. Eu peguei a chave mecanicamente, abri a porta, e ento entrei.
Charlie me chamou da sala de estar.  "Bella?" "Sim, pai, sou eu". Eu
entrei pra v-lo. Ele estava assistindo um jogo de baseball. "Voc
chegou cedo." "Cheguei". Eu estava surpresa.

"Ainda no so nem oito horas", ele me disse. "Vocs se divertiram?"
"Sim- foi muito divertido". Minha cabea estava dando voltas enquanto eu
tentava me lembrar  da noite s de garotas que eu havia planejado. "Elas
duas encontraram vestidos." "Voc est bem?" "Eu s estou cansada. Eu
caminhei demais." "Bem, talvez fosse melhor  voc ir se deitar". Ele
pareceu preocupado. Eu imaginei como o meu rosto estaria. "Eu s vou
ligar pra Jssica primeiro" "Voc no estava com ela?", ele perguntou,
surpreso. "Sim- mas eu deixei meu casaco no carro dela. Eu quero ter
certeza de que ela vai levar para a escola amanh". "Bom, pelo menos
deixe ela chegar em casa  primeiro". "Certo", eu concordei. Eu fui
direto para a cozinha e ca, exausta, numa cadeira. Eu realmente estava
me sentindo um pouco tonta agora. Eu imaginei se  era o choque chegando
no fim das contas. V se se controla, eu disse pra mim mesma. O telefone
tocou de repente, me assustado. Eu tirei do gancho. "Al?", eu perguntei
sem flego. "Bella?" "Ei, Jess, eu ia ligar pra voc." "Voc chegou em
casa?" A voz dela estava aliviada...e surpresa. "Sim. Eu deixei meu
casaco no seu carro- voc  pode lev-lo amanh?" "Claro. Mas me conte o
que aconteceu!",ela ordenou. "Um, amanh- na aula de Trigonometria, est
bem?" Ela entendeu rapidamente. "Oh, seu pai  est a?" "Sim,  isso
mesmo". "Ok, eu falo com voc amanh, ento. Tchau!". Eu podia ouvir a
imacincia na voz dela. "Tchau, Jess". Eu sub as escadas lentamente,
um torpor dominando a minha mente. Eu me preparei para ir para a cama
sem prestar a mnima ateno com o que estava fazendo. No foi at que
eu estivesse embaixo  do chuveiro - a gua muito quente, queimando minha
peleque eu me dei conta de que estava morrendo de frio. Eu trem
violentamente por alguns minutos at que os jatos  de gua finalmente
relaxaram meus musculos rgidos. Ento eu fiquei embaixo do chuveiro,
cansada demais pra me mexer, at que a gua quente comeou a acabar. Eu
sa, me envolvi cuidadosamente numa toalha, tentando manter o calor da
gua para que os tremores no voltassem. Eu me vest rapidamente pra ir
para a cama e me enfiei  embaixo do edredon, me curvando at ficar no
formato de uma bola, me abraando para manter o calor. Uns pequenos
tremores passaram por mim. Minha mente ainda estava  rodando, cheia de
imagens que eu no conseguia entender, e algumas que eu lutei pra
reprimir. Nada perecia estar claro no incio, mas quanto mais perto eu
chegava  da inconscincia, mais algumas coisas se tornavam evidentes.
Sobre trs coisas eu tinha certeza absoluta. Primeira - Edward era um
vampiro. Segunda- havia uma parte  dele- e eu no sabia o quo poderosa
ela poderia ser- que tinha sede do meu sangue. E terceira, eu estava
incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por ele.

10. Interrogatrios Foi muito difcil, de manh, discutir com a parte de
mim que tinha certeza que a noite de ontem havia sido um sonho. A lgica
no estava ao meu lado, nem o senso  comum. Eu me agarrei s coisas que
eu no podia ter imaginado- como o cheiro dele. Eu estava certe de que
no poderia ter inventado isso tudo sozinha. Estava nebuloso  e escuro
l fora, absolutamente perfeito. Ele no tinha motivos pra no ir 
escola hoje. Eu me vest com roupas pesadas, me lembrando que no estava
com meu casaco.  Mais uma prova de que eu no estava imaginando coisas.
Quando eu desc, Charlie j tinha ido embora- eu estava mais atrasada do
que havia imaginado. Eu engol uma  barra de granola em trs mordidas,
beb leite na boca da garrafa, e corr para a porta. Com alguma sorte a
chuva no comearia antes que eu encontrasse Jssica.  Estava mais
nebuloso do que o normal; parecia que havia fumaa no ar. A nvoa estava
muito gelada quando entrou em contato com as partes expostas do meu
rosto e  do meu pescoo. Eu mal podia esperar pra ligar o aquecedor na
minha caminhonete. A nvoa estava to forte que eu j estava a alguns
passos da entrada dos carros  quando eu perceb que havia outro carro
l: um carro prateado. Meu corao estrondou, tremeu, e depois voltou a
bater duas vezes mais rpido. Eu no v de onde ele  tinha vindo, mas de
repente ele estava l, abrindo a porta pra mim. "Voc quer dar uma volta
comigo hoje?", ele perguntou, se divertindo com a minha expresso de
surpresa de novo. Havia uma incerteza na voz dele. Ele realmente estava
me dando a escolha- eu estava livre para recusar, e parte dele esperava
que eu fizesse isso.  Ele esperou em vo. "Sim, obrigada", eu disse,
tentando manter minha voz calma. Quando eu entrei no carro quentinho, eu
perceb que o seu casaco estava pendurado  no banco do passageiro. Ele
fechou a porta atrs de mim, e to rpido quanto era possvel, ele j
estava sentado a meu lado, ligando o carro. "Eu trouxe o casaco  pra
voc. Eu no queria que voc ficasse doente nem nada parecido". Sua voz
estava cautelosa. Eu perceb que ele no estava usando casaco nenhum, s
uma blusa de  tric cinza-clara com uma gola em formato de V e mangas
compridas. De novo, o tecido se ajustava no seu peito perfeitamente
musculoso. Era uma homenagem colossal  ao seu rosto e eu no conseguia
tirar os olhos do seu corpo. "Eu no sou to delicada", eu disse, mas
coloquei o casaco no meu colo, enfiando os braos nas mangas  compridas
demais, curiosa pra ver se o cheiro era mesmo to bom quanto eu me
lembrava. Era melhor. "No ?", ele contradisse com uma voz to baixa
que eu no tenho  certeza se ele queria que eu ouvisse. Ns dirigimos
pela rua encoberta de neblina, indo sempre rpido demais, nos sentindo
estranhos. Pelo menos, eu estava. Na noite  passada, as paredes tinham
desaparecido...quase todas. Eu no sabia se continuaramos sendo to
transparentes hoje. Eu sent minha lngua presa. Eu esperei que ele
falasse. Ele se virou sorrindo pra mim. "O que foi? No tem mais umas
vinte perguntas pra mim hoje?" "As minhas perguntas te incomodam?", eu
perguntei aliviada por  ele ter falado. "No tanto quanto as suas
reaes s minhas respostas". Ele parecia estar brincando, mas eu no
tinha certeza.

Eu fiz uma careta. "Eu reajo mal?" "No, e esse  o problema. Voc
aceita tudo to naturalmente- no  normal. Me faz imaginar o que voc
est pensando de verdade".  "Eu sempre te digo o que eu penso" "Voc
corta algumas partes", ele acusou. "No muitas". " o suficiente pra me
deixar louco". "Voc no quer ouvir", eu murmurei,  quase sussurei.
Assim que as palavras sairam, eu me arrepend de ter falado. A dor na
minha voz era quase uma dor fsica; eu s esperava que ele no tivesse
reparado.  Ele no respondeu, e eu imaginei se tinha estragado o seu bom
humor. Seu rosto era impossvel de ler enquanto entrvamos no
estacionamento da escola. Um pensamento  retardado passou pela minha
cabea. "Onde est o resto da sua famlia?", eu perguntei- mais feliz
por estar sozinha com ele, mas lembrando que o carro costumava  estar
sempre cheio. "Eles vieram no carro de Rosalie". Ele levantou os ombros
enquanto estacionava ao lado de um carro vermelho chamativo conversvel
e com a capota  levantada. "Ostentoso, no ?" "Umm, uau", eu suspirei.
"Se ela tem isso, ento porque ela vem de carona com voc?" "Como eu
disse,  ostentoso. Ns tentamos passar  despercebidos". "Vocs no tm
muito sucesso". Eu sorr e balancei minha cabea enquanto saamos do
carro. Eu no estava mais atrasada; esse motorista luntico me  levou
para a escola em tempo suficiente. "Ento porque Rosalie veio dirigindo
hoje se seria mais notvel?" "Voc ainda no percebeu? Eu estou
quebrando todas as  regras agora". Ele me encontrou na frente do carro e
caminhou muito prximo de mim enquanto entrvamos na escola. Eu queria
diminuir ainda mais a distncia, erguer  a mo e toc-lo, mas eu tinha
medo que ele no gostasse. "Porque vocs tm carros assim?" Eu imaginei
em voz alta. "Se vocs procuram privacidade?" "Uma indulgncia",  ele
deu um sorriso sem graa. "Todos ns gostamos de dirigir rpido". "D
pra notar", eu murmurei por baixo do flego. Embaixo do telhado de
proteo da cafeteria,  Jssica estava me esperando, seus olhos estavam
prestes a sair das rbitas. Sobre o brao dela, seja louvada, estava o
meu casaco. "Oi, Jssica", eu disse quando  estvamos a apenas alguns
passos de distncia. "Obrigada por lembrar". Ela me passou o casaco sem
falar nada. "Bom dia, Jssica", Edward disse educadamente. Realmente
ele no tinha culpa que a sua voz era to irresistvel. Eu do que os
seus olhos eram capazes de fazer. "Er... Oi." Ela passou os seus olhos
arregalados pra mim,  tentando recompor seus pensamentos bagunados. "Eu
acho que a gente se v na aula de Trigonometria". Ela me deu uma olhada
cheia de significncia. Eu prend um suspiro.  O que era que eu a dizer
pra ela? ", eu te vejo l". Ela foi embora, parando duas vezes pra
olhar pra ns por cima do ombro. "O que voc vai dizer pra ela?", Edward
sussurou. "Ei! Eu achava que voc no podia ler minha mente!", eu falei
por entre os dentes. "Eu no posso", ele disse assustado. Ento o
entendimento brilhou nos  seus olhos. "Contudo, eu posso ler a dela- e
ela est esperando pra te pegar na sala de aula".

Eu gem enquanto tirava o casaco dele e devolvia pra ele, vestindo o meu
prrpio. Ele o dobrou nos braos. "Ento, o que voc vai dizer pra ela?"
"Uma ajudinha?",  eu implorei. "O que ela quer saber?" Ele balanou a
cabea, sorrindo estranhamente. "Isso no  justo". "No, no
compartilhar o que voc sabe- isso no  justo".  Ele pensou por um
momento enquanto caminhvamos. Ns paramos na porta da sla onde eu ia
ter minha primeira aula. "Ela quer saber se ns estamos namorando em
segredo.  E ela quer saber o que voc sente em relao a mim", ele disse
finalmente. "Maravilha. O que eu devo dizer?" Eu tentei manter minha
expresso bem inocente. As pessoas  estavam passando por ns a caminho
de suas salas, provavelmente olhando pra ns, mas eu no estava
prestando ateno neles. "Hmmmm..." ele pausou para colocar uma  mecha
do meu cabelo que estava se soltando atrs da minha orelha. Meu corao
comeou a bater rpido demais. "Eu acho que voc deve dizer que sim para
a primeira...se  voc no se incomodar-  mais fcil que dar outras
explicaes". "Eu no me incomodo", eu disse com a voz fraca. "E quanto
 outra pergunta...bem, eu vou estar escutando  pra ouvir a resposta
dessa". Um dos cantos do seus lbios se levantou colocando o meu sorriso
favorito no rosto dele. Eu no consegu recuperar o meu flego a tempo
de responder a isso. Ele se virou e foi embora". "A gente se v no
almoo", ele falou por cima do ombro. Trs pessoas que estavam passando
pela porta pararam pra  olhar pra mim. Eu corr pra dentro da sala,
envergonhada e irritada. Ele era um traidor. Agora eu estava ainda mais
preocupada com o que eu ia dizer para Jssica.  Eu sentei no meu lugar
de sempre, derrubando a minha mochila no cho com raiva". "Bom dia,
Bella", Mike disse na cadeira em frente a minha. Eu olhei pra cima pra
ver um rosto estranho, quase resignado. "Como foi em Port Angeles?"
"Foi..." no tinha jeito de encontrar uma palavra que descrevesse com
honestidade. "timo", eu  terminei insatisfeita. "Jssica encontrou um
vestido lindo". "Ela te falou alguma coisa sobre Segunda  noite?", ele
me perguntou, seus olhos estavam brilhando.  Eu sorr com o rumo que a
conversa tinha tomado. "Ela disse que se divertiu muito", eu garant pra
ele. "Ela disse?", ele perguntou ansiosamente. "Definitivamente".  O Sr.
Mason pediu ordem na sala, pedindo que ns entregssemos os nossos
trabalhos. Ingls e depois Histria se passaram num sopro, enquanto eu
estava preocupada  com o que falaria pra Jssica e agoniada pra saber se
ele realmente estaria ouvindo os pensamentos de Jess. O talento dele
podia ser bem inconveniente- quando no  estava salvando a minha vida. O
nevoeiro j tinha se dissolvido quase completamente no fim da segunda
aula, mas o dia ainda estava escuro, cheio de nuvens pesadas.  Eu sorr
para o cu. Edward estava certo,  claro. Quando eu entrei na aula de
Trigonometria, Jssica j estava sentada, quase se embolando na cadeira
de tanta agitao.  Eu estava relutante quando me sentei ao lado dela,
tentando me convencer de que seria melhor acabar logo com isso de uma
vez por todas. "Me conte tudo!", ela ordenou  antes que eu estivesse
sentada. "O que voc quer saber?" eu testei. "O que aconteceu na noite
passada".

"Ele me pagou um jantar e depois me levou pra casa". Ela me encarou, sua
expresso estava ctica. "Como  que voc chegou em casa to rpido?"
"Ele dirige como um  louco. Eu fiquei morrendo de medo". Eu esperava que
ele estivesse ouvindo isso. "Foi tipo um encontro - voc pediu pra ele
te encontrar l?" Eu no tinha pensado  nisso. "No- foi muito
surpreendente encontrar com ele l". Ela fez um biquinho por causa do
tom honesto da minha voz "Mas ele foi te buscar em casa hoje?", ela
perguntou. "Sim- isso tambm me surpreendeu. Ele percebeu que eu estava
sem casaco ontem", eu expliquei. "Ento vocs vo sair de novo?" "Ele se
ofereceu pra me  levar at Seattle no Sbado porque ele acha que o meu
carro no consegue chagar at l- isso conta?" "Conta", ela balanou a
cabea "Bom, ento, sim". "U-A-U". Ela  dividiu a palavra em trs
slabas. "Edward Cullen". "Eu sei", eu concordei. 'Uau' no conseguia
descrever tudo. "Pera", ela levantou as duas mos,com as palmas  na
minha direo como se ela estivesse parando o trnsito. "Ele j te
beijou?" "No", eu murmurei. "No  bem assim". Ela pareceu desapontada.
Com certeza, eu tambm  estava. "Voc acha que Sbado...?" Ela ergueu as
sobrancelhas. "Eu realmente duvido". O tom triste da minha voz no dava
pra ser disfarado. "Sobre o que foi que  vocs conversaram?", ela me
pressionou por mais informaes num cochicho. A aula j havia comeado
mas o Sr. Varner no estava prestando a mnima ateno em ns,  e ns
no ramos as nicas conversando. "Eu no sei, Jess,um monte de coisas",
eu cochichei de volta. "Ns falamos um pouco sobre o trabalho de
Ingls". Pouco, muito  pouco. Eu acho que ele mencionou isso de
passagem. "Por favor, Bella", ela implorou. "Me d alguns detalhes".
"Bom...tudo bem,eu te digo um. Voc precisava ter visto  a garonete
flertando com elefoi at um pouco demais. Mas ele no estava prestando
nem um pouco de ateno". Deixe ele pensar o que quiser disso. "Isso 
um bom  sinal", ela balanou a cabea. "Ela era bonita?" "Muito- e
provavelmente tinha dezenove ou vinte anos". "Melhor ainda. Ele deve
gostar de voc". "Eu acho que sim,  mas  difcil dizer. Ele  sempre
to enigmtico". Eu disse isso para o seu prprio bem, suspirando. "Eu
no sei como voc tem coragem suficiente pra ficar sozinha  com ele",
ela falou. "Porque?", eu estava chocada, mas ela no entendeu minha
reao. "Ele  to...intimidante. Eu no saberia o que dizer pra ele."
Ela fez uma  careta, provavelmente lembrando dessa manh ou da noite
passada, quando ele usou o poder devastador do seu olhar sobre ela. "Eu
tenho alguns proplemas com minha  coerncia quando estou perto dele", eu
admit. "Oh, bem. Ele  inacreditavelmente lindo". Jssica levantou os
ombros como se esse fato apagasse qualquer falha. E,  na cabea dela,
provavelmente apagasse. "Ele  mais que s isso". " mesmo? O que mais?"

Eu devia ter deixado pra l. Eu esperava que ele no estivesse falando
srio sobre ouvir a conversa. "Eu no sei explicar direito...mas ele 
ainda mais inacreditvel  por trs do rosto". Um vampiro que tentava ser
bom- que corria pra cim e pra baixo salvando as pessoas pra no se
tornar um monstro... Eu olhei para a frente da  sala. "E isso 
possivel?" Eu ignorei ele, fingindo que estava prestando ateno no que
o Sr. Varner estava dizendo. "Voc gosta dele, ento?", ela no ia
desistir.  "Sim", eu disse simplesmente. "Eu quero dizer, voc gosta
dele de verdade?", ele pressionou. "Sim", eu disse de novo, corando. Eu
esperava que esse detalhe no ficasse  gravado na mente dela. Ela estava
cansada de respostas monosilbicas. "Quanto voc gosta dele?" "Demais",
eu cochichei de volta. "Muito mais do que ele gosta de  mim. Mas eu no
sei como posso evitar isso". Eu suspirei, corando uma vez atrs da
outra. Ento, por sorte, o Sr. Varner chamou Jssica pra responder uma
pergunta.  Ela no teve outra oportunidade de tocar no assunto, e assim
que o sinal tocou, eu bolei uma ttica evasiva. "Na aula de Ingls, Mike
me perguntou o que voc tinha  achado do passeio de Segunda", eu disse
pra ele. "Voc t brincando! O que foi que voc disse?!", ela tentou
recuperar o flego, completamente alucinada. "Eu disse  que voc tinha
se divertido muito- ele pareceu satisfeito". "Me diga exatamente o que
ele disse, e o que voc respondeu exatamente!" Ns passamos o resto do
tempo  dissecando frases e Passamos boa parte da uala de Espanhol
falando sobre as expresses de Mike. Eu no teriam me demorando tanto
explicando elas, mas eu estava com  medo que o assunto voltasse pra mim.
E ento o sinal tocou para o almoo. Eu pulei da minha cadeira, enfiando
os meus livros rapidamente dentro da bolsa, minha expresso  deve ter
alertado Jssica. "Voc no vai almoar com a gente hoje, vai?", ela
advinhou. "Eu acho que no". Eu no tinha como saber se ele no ia
desaparecer convenientemente  de novo. Mas do lado de fora da sala de
Espanhol, encostado na parede- parecendo mais um Deus Grego do que uma
pessoa tinha o direito de parecer- Edward estava esperando  por mim.
Jssica deu uma olhada, revirou os olhos e desapareceu. "A gente se v
mais tarde, Bella". A voz dela estava cheia de significado. Eu achei que
seria melhor  desligar o telefone quando chegasse em casa. "Ol", a voz
dele estava divertida e irritada ao mesmo tempo. Ele estava ouvindo, era
bvio. "Oi". Eu no consegu pensar  em outra coisa pra dizer, e ele no
disse mais nada- passando o tempo, eu imaginei- ento ns ficamos
quietos at a cafeteria. Caminhar com Edward pela cafeteria  foi como no
meu primeiro dia de aula; todo mundo estava me olhando. Ele me guiou at
a fila, ainda sem falar, apesar de os seus olhos se virarem pro meu
rosto a  cada segundo, com uma expresso especulativa. Parecia que a
irritao estava se sobressaindo  diverso. Eu brinquei nervosamente
com o zper do meu casaco. Ele  entrou na fila e comeou a encher uma
bandeja com comida. "O que voc t fazendo? Isso tudo  pra mim?" Ele
balanou a cabea, dando um passo  frente para pagar  pela comida.

"Metade  pra mim,  claro". Eu ergu uma sobrancelha. Ele me guiou para
a mesma mesa onde havamos nos sentado da primeira vez. De outra mesa,
um grupo de alunos  do ltimo ano olhou pra ns estarrecdos enquanto
nos sentvamos na frente um do outro. Edward parecia obscuro. "Pegue o
que quiser" ele disse, empurrando a bandeja  na minha direo. "Eu estou
curiosa". Eu disse enquanto pegava uma ma, virando ela nas minhas
mos. "O que voc faria se uma pessoa te desafiasse a comer alguma
coisa?" "Voc est sempre curiosa". Ele brincou, balanando a cabea.
Ele olhou pra mim, prendendo o meu olhar enaquanto pegava um pedao de
pizza da bandeja, e  deliberadamente deu uma mordida grande, mastigou
rapidamente, e depois engoliu. Eu observei com os olhos arregalados. "Se
algum te desafiasse a comer areia, voc  poderia, no poderia?", ele
perguntou. Eu torc meu nariz. "Eu j fiz isso uma vez...num desafio.
No foi to ruim". Ele sorriu. "Eu acho que no estou muito surpreso".
Algo acima do meu ombro pareceu chamar a ateno dele. "Jssica est
analizando tudo que eu fao- ela vai falar com voc sobre isso depois."
Ele empurrou o resto  da pizza pra mim. A meno do nome de Jssica
pareceu deix-lo irritado de novo. Eu coloquei a ma na mesa e dei uma
mordida na pizza, olhando pra longe, sabendo  que ele ia comear a
falar. "Ento a garonete era bonita, no era?", ele perguntou
casualmente. "Voc realmente no reparou?" "No. Eu no estava prestando
ateno.  Eu tinha muitas coisas na cabea". "Pobre garota", eu podia me
dar ao luxo de ser generosa. "Algo que voc disse pra Jssica...bem, me
incomodou". Ele se recusava  a se distrair. Sua voz estava spera, e ele
olhou por baixo dos clios com um olhar perturbado. "Eu no estou
surpresa que voc tenha ouvido algo de que no tenha  gostado. Voc sabe
o que as pessoa dizem sobre espionar". Eu avisei. "Eu te disse que
estaria ouvindo" "E eu te avisei que voc no ia querer saber tudo o que
eu  pensava". "Voc avisou", ele concordou, mas sua voz ainda estava
dura. "Porm, voc no estava precisamente certa. Eu quero saber o que
voc pensa- tudo. Eu s queria  que voc no estivesse pensando em
..algumas coisas". Eu fiz uma cara feia. "Isso  uma distino". "Mas
no  isso que importa no momento". "Ento o que ?" Ns  dois estvamos
inclinados sobre a mesa na direo um do outro agora. Suas longas mos
estavam dobradas embaixo do queixo; eu me inclinei para a frente, minha
mo  direita estava ao redor do meu pescoo. Eu tinha que me lembrar que
estvamos numa sala lotada, provavelmente cheia de olhos curiosos. Era
fcil demais ficar presa  na privacidade da nossa pequena bolha de
tenso. "Voc realmente acredita que gosta de mim mais do que eu gosto
de voc?", ele murmurou, se inclinando pra mais perto  enquanto falava,
seus olhos dourados eram penetrantes. Eu tentei me lembrar de respirar.
Eu tive que olhar pra outro lugar at que ela voltasse. "Voc est
fazendo  isso de novo", eu murmurei. Os olhos dele ficaram grandes de
supresa. "O que?" "Me deixando deslumbrada", eu admit, tentando me
concentrar enquanto olhava pra ele.

"Oh",ele fez uma careta. "No  sua culpa", eu suspirei. "Voc no
consegue evitar". "Voc vai responder a pergunta?" Eu olhei pra baixo.
"Sim". "Sim, voc vai responder;  ou sim, voc realmente acha isso?" Ele
estava irritado de novo. "Sim, eu realmente acho isso". Eu mantive os
meus olhos na mesa, meus olhos traavam os contornos  da mesa de
madeira. O silncio se arrastou. Eu estava teimosamente decidida a no
ser a primeira a falar, lutando com a vontade de dar uma espiadinha na
expresso  dele. Finalmente ele falou, sua voz aveludada estava macia.
"Voc est errada". Eu olhei pra cima pra ver que seus olhos estavam
gents. "Voc no tem como saber  isso", eu discordei num murmrio. Eu
balancei a cabea em dvida, apesar das palavras dele terem balanado
meu corao e de eu querer tanto acreditar nelas. "O que  te faz pensar
isso?" Seus olhos da cor do topzio eram penetrantes- tentando
futilmente, eu pensei, tentar a verdade diretamente da minha mente. Eu
encarei de volta,  tentando pensar claramente a despeito do rosto dele,
para achar alguma explicao. Eu procurei as palavras, eu podia v-lo
ficando impaciente; ficando frustrado  com o meu silncio. Ele estava
comeando a ficar carrancudo. Eu levantei minha mo do pescoo, e
levantei um dedo. "Me deixe pensar", eu insist. A expresso dele  ficou
mais amena, agora que ele sabia que eu estava planejando uma resposta.
Eu coloquei minha mo na mesa e mov a mo esquerda para que as duas
palmas ficassem  juntas. Eu olhei para as minhas mos, cruzando e
descruzando os dedos, e finalmente falei. "Bem, tirando o bvio, as
vezes..." eu hesitei. "Eu no posso ter certeza  - eu no leio mentes-
mas as vezes parece que voc est querendo dizer adeus,mas diz outra
coisa". Foi o melhor que eu pude fazer para avaliar a angstia que suas
palavras me causavam as vezes. " uma questo de perceptiva", ele
cochichou. E ento l estava a angstia de novo, sua expresso confirmou
os meus medos. "Porm,   exatamente por isso que voc est errada.",
ele comeou a explicar, mas seus olhos reviraram. "O que voc quis dizer
com 'o bvio'?" "Bem, olhe pra mim", eu disse  desnecessariamente, ele
j estava olhando. "Eu sou absolutamente normal- bem, com excesso das
experincias de quase-morte e de ser to atrapalhada que eu quase  chego
a ser uma invlida. E olhe pra voc". Eu abanei minha mo na direo da
sua perfeio desconcertante. As sobrancelhas dele se uniram por um
instante, mas depois  se suavizaram quando ele fez uma cara de
sabe-tudo. "Voc no se v muito claramente, sabe. Eu tenho que admitir
que voc estava certa sobre as experincias de quase-morte"  ele sorriu
obscuramente, "mas voc no ouviu o que todos os seres humanos do sexo
masculino nessa escola pensaram de voc no seu primeiro dia". Eu
pisquei, desnorteada.  "Eu no acredito..." , eu murmurei pra mim mesma.
"Confie em mim - voc no tem nada de comum". Minha vergonha foi muito
maior do que o meu prazer quando eu v o  seu olhar enquanto ele dizia
essas palavras. Eu rapidamente me lembrei do assunto original da
discurso. "Mas no sou eu que quero me despedir", eu apontei

"Voc no v?  isso que prova que eu estou certo. Eu me importo mais,
se eu no posso fazer isso"- ele balanou a cabea, parecendo lutar
contra esse pensamento-  "Se ir embora  a coisa certa a se fazer, ento
eu vou me machucar pra no machucar voc, pra te manter a salvo". Meus
olhos faiscaram na direo dele. "E voc acha  que eu no faria a mesma
coisa?" "Voc nunca teria que tomar essa deciso". Abruptamente, seu
humor imprevisvel mudou de novo um sorriso travesso, devastador
transformou  o seu rosto. " claro que manter voc viva  um trabalho em
perodo integral que requer minha presena constante". "Ningum tentou
me matar hoje" Eu lembrei ele,feliz  com o assunto mais leve. Eu no
queria mais falar de despedidas. Se eu tivesse que fazer isso, eu
colocaria a minha vida em perigo constante s pra mant-lo perto...  eu
ban esse pensamento antes que seus olhos rpidos pudessem l-los no meu
rosto. Essa idia definitivamente ia me meter em encrenca. "Ainda", ele
adicionou. "Ainda",  eu concordei; eu podia ter discutido, mas agora eu
queria que ele estivesse preparado pra enfrentar desastres. "Eu ainda
tenho outra pergunta", seu rosto ainda estava  casual. "Manda". "Voc
realmente precisa ir  Seattle esse Sbado ou s est fazendo isso pra
ficar longe dos seus admiradores?" Eu fiz uma careta quando lembrei
disso. "Voc sabe, eu ainda no te perdoei pelo lance com Tyler", eu
avisei. " por sua culpa que ele fica tendo essas iluses sobre me levar
para o baile de fim  de ano". "Oh, ele teria encontrado uma chance de te
convidar sem a minha ajuda- eu s queria olhar a sua cara quando ele
fizesse isso", ele deu uma gargalhada. Eu  teria ficado com mais raiva
se o sorriso no fosse to fascinante. "Se eu tivesse te convidado, voc
teria me dispensado?", ele perguntou, ainda rindo pra s mesmo.
"Provavelmente no", eu admit. "Mas eu teria ligado depois pra
desmarcar- dizendo que estava doente ou que tinha torcido o tornozelo".
Ele estava confuso. "Porque  voc faria isso?" Ele pareceu confuso.
"Porque voc faria isso?" Eu balancei a cabea tristemente. "Voc nunca
me viu na aula de Educao fsica, eu acho, mas se  voc tivesse visto
voc entenderia". "Voc est se referindo ao fato de que no consegue
andar sobre uma superfcie plana e estvel sem encontrar algo em que
tropear?"  "Obviamente". "Isso no seria uma problema", ele disse
confiante. "Tudo depende de quem conduz". Ele viu que eu estava prestes
a protestar, ento me cortou. "Mas  voc no me dissevoc est resolvida
a ir  Seattle ou no se incomodaria se fizessemos algo diferente?"
Contanto que o "ns" estivesse envolvido, eu no me importava  muito com
o resto. "Eu estou aberta a alternativas", eu deixei. "Mas eu tenho que
te pedir um favor". Ele me olhou cauteloso, j que eu havia feito uma
pergunta  aberta. "O que ?" "Eu posso dirigir?" Ele fez uma careta.
"Porque?" "Bem, pra comear, quando eu disse que ia a Seattle, Charlie
me perguntou especificamente se  eu ia sozinha, e na poca, eu ia. Se
ele tivesse perguntado de novo, eu provavelmente no mentiria, mas eu
no acho que ele vai perguntar de novo, e deixar

o meu carro emcasa s vai levantar suspeitas desnecessrias. E tambm, o
seu jeito de dirigir me assusta." Ele revirou os olhos. "Com todas as
coisas que podiam  te assustar, voc se preocupa com o jeito que eu
dirijo". Ele balanou a cabea cheio de desgosto, mas ento seus olhos
ficaram srios de novo. "Porque voc no  contou ao seu pai que passaria
o dia comigo?" Havia outro significado nessa pergunta, que eu no
consegu entender. "Com Charlie, menos  sempre mais", eu estava
resolvida sobre isso. "Pra onde vamos afinal?" "O clima vai estar
ensolarado, ento eu vou me manter londe dos olhares do pblico...e voc
pode ficar comigo se quiser".  De novo, ele estava me deixando escolher.
"E voc vai me mostrar o que acontece com o sol?", eu perguntei,
excitada com a idia de ver mais um dos seus segredos  sendo revelados.
"Sim", ele sorriu e depois pausou. "Mas se voc no quiser... ficar
sozinha comigo, eu ainda preferiria que voc no fosse  Seattle
sozinha. Eu  tremo s de pensar nos problemas que voc pode encontrar
numa cidade daquele tamanho". Eu estava zangada. "Phoenix  trs vezes
maior- s em populao. No tamanho  fsico..." "Mas aparentemente", ele
me interrompeu, "Voc no estava marcada para morrer em Phoenix. Ento
eu preferiria que voc ficasse perto de mim". Seus olhos  estavam
flamejantes daquele jeito injusto de novo. Eu no podia discutir, nem
com os olhos nem com a motivao, e era uma discurso que eu ia perder
do mesmo jeito.  "E acontece, que eu no me incomodo de ficar sozinha
com voc". "Eu sei", ele suspirou, meditando. "Contudo, eu acho que voc
devia contar para o Charlie". "E porque  razo eu faria isso?" Seus
olhos ficaram ferozes de repente. "Pra me dar um pequeno incentivo pra
te trazer de volta". Eu engol seco. Mas depois de alguns segundos,minha
deciso estava tomada. "Eu acho que vou me arriscar". Ele exalou o ar
com raiva, e desviou o olhar. "Vamos falar de outra coisa", eu suger.
"Sobre o que voc quer  falar?", ele perguntou. Ele ainda estava
aborrecido. Eu dei uma olhada ao nosso redor, me certificando de que
ningum poderia nos ouvir. Enquanto passava os olhos  pelo lugar, meus
olhos encontraram os da irmo de Edward, Alice, que estava me
observando. Os outros estavam olhando para Edward. Eu desviei o olhar
depressa, olhando  pra Edward, e perguntei a primeira coisa que me
passou pela cabea. "Porque voc foi  Pedra da Cabra no ltimo fim de
semana...pra caar? Charlie disse que no   um bom lugar porque l tem
muitos ursos". Ele me encarou como se eu estivesse deixando passar algum
detalhe bvio. "Ursos?" Eu engasguei e ele sorriu. "Sabe, no  
temporada de ursos" e falei por fora pra esconder o meu choque. "Se voc
ler cuidadosamente, as leis impedem as pessoas de caar com armas de
fogo", ele me informou.  Ele observou o meu rosto com prazer enquanto a
minha ficha caa. "Ursos?", eu repet com dificuldade. "Grizzly  a
espcie favorita de Emmett." A sua voz ainda estava  normal, mas os seus
olhos estavam analizando a minha reao. Eu tentei me recompor.

"Hmmm", eu disse comendo outro pedao da pizza como um desculpa pra
olhar pra baixo. Eu mastiguei lentamente, e bebi um gole de refrigerante
sem olhar pra cima.  "Ento", eu disse depois de um momento, finalmente
encontrando seus olhos que agora estavam ansiosos. "Qual  o seu
favorito?" Ele ergueu uma sobrancelha e os cantos  da boca dele se
curvaram pra baixo, em desaprovao. "Leo da Montanha". "Ah", eu disse
num tom de desinteresse educado, olhando para a minha lata de
refrigerante.  " claro", ele disse, com um tom que imitava o meu, "Que
ns temos que tomar cuidado para no causar um grande impacto no
meio-ambiente com as nossas caadas. Ns  tentamos nos manter nas reas
onde os indices predatrios so menores- indo pra to longe quanto for
necessrio. Sempre tm muitos veados e alces por aqui, e eles  servem,
mas onde est a graa nisso?" Ele sorriu me provocando. "Realmente", eu
murmurei mordendo outro pedao de pizza. "O comeo da primavera  a
poca de ursos  favorita de Emmett- eles esto saindo da hibernao,
ento eles esto mais irritveis", ele sorriu se lembrando de alguma
piada. "Nada mais divertido que irritar  um urso pardo", eu concordei,
balanando a cabea. Ele sorriu silenciosamente, balanando a cabea.
"Me diga o que voc realmente est pensando,por favor". "Eu estou
tentando imaginar a cena- mas no consigo", eu admit. "Como voc caa
um urso sem armas de fogo?" "Oh, ns temos armas" ele mostrou seus
dentes num breve sorriso  ameaador. Eu lutei contra um arrepio antes
que ele me expusesse. "S que elas no so do tipo que se leva em
considerao quando fazem as leis de proibio. Se  voc j viu um
ataque de ursos na televiso, voc deve ser capaz de imaginar Emmett
caando". Eu no consegu eviter o calafrio que percorreu a minha
espinha. Eu  olhei pela cafeteria na direo de Emmett, filiz por ele
no estar olhando pra mim. Os grossos msculos que envolviam seus braos
e o seu torax eram de alguma forma  ainda mais ameaadores agora. Edward
seguiu omeu olhar e deu uma gargalhada. Eu olhei pra ele enervada. "Voc
 como umo um urso tambm?", eu perguntei em voz baixa.  "Mais como um
leo, ou pelo menos  o que eles me dizem", ele disse levemente. "Talvez
as nossas preferncias sejam indicativos". Eu tentei sorrir. "Talvez",
eu  repet. Mas minha cabea estava cheia de imagens contraditria que
eu no conseguia agrupar. "Isso  algo que eu posso vez um dia?"
"Absolutamente no!" Seu rosto  ficou ainda mais plido que o natural, e
seus olhos estavam furiosos. Eu me inclinei pra trs, assustada e-
apesar de eu nunca ser capaz de admitir pra elecom medo  da sua reao.
Ele tambm se inclinou pra trs, cruzando os braos no peito.
"Assustador demais pra mim?" eu perguntei quando consegu controlar
minha voz de novo.  "Se o problema fosse s esse, eu te levaria l hoje
 noite", ele disse com uma voz cortante. "Voc precisa de uma dose
saudvel de medo. Nada poderia ser mais beneficial  pra voc." "Ento
porque?", eu pressionei, tentando ignorar a sua expresso de raiva. Ele
olhou pra mim por um longo minuto. "Mais tarde", ele disse finalmente,
se levantando com um movimento gracioso. "Ns vamos nos atrasar".

Eu olhei ao redor, alarmada de ver que ele estava certo, e a cafeteria
j estava quase vazia. Quando eu estava com ele, o tempo e o espao eram
to escorregadios  que eu acabava perdendo a noo dos dois. Eu me pus
de p num pulo, pegando a minha mochila que estava atrs da cadeira.
"Mais tarde, ento", eu concordei. Eu no  ia me esquecer.

11. Complicaes Todo mundo olhou para gente enquanto estvamos andando
para nossa mesa no laboratrio. Eu notei que ele no mas havia sentado
to longe de mim quanto a mesa o permitia.  Ao contrario, ele sentou um
tanto perto de mim. Nossos braos quase se tocando. Mr. Barner voltou
para dentro da classe ento  que preciso de tempo o cara tinha  
empurrando um suporte alto de metal sobre rodas que sustentava uma
pesada, antiga TV e um VHS. Uma aula de filme  a animao da atmosfera
na classe era quase  tocvel. Mr. Barner empurrou a fita para dentro do
relutante VHS e andou at o outro lado da sala para desligar as luzes. E
ento, quando a sala ficou escura, eu  repentinamente fique alarmada que
Edward estava sentado a menos de uma polegada de mim. Eu estava
impressionada com a inesperada eletricidade que passou por mim,
fascinada de que eu podia ficar mais perto dele sem correr risco do que
eu ficava. Um louco impulso de estender as mos e toca-lo, de acariciar
sua perfeita face  s uma vez no escuro, instantaneamente me inundou. Eu
apertei meus braos com fora sobre meu peito, minha mo cerrada. Eu
estava perdendo minha cabea. Os crditos  de abertura comearam,
iluminando a sala com um pouco de luz. Meu olhos, com sua prprio
vontade, olharam para ele. Eu sorri timidamente assim que percebi que
sua  postura era idntica a minha, mos cerradas sobre seus braos, por
debaixo de seus olhos, espreitando de lado para mim. Ele sorriu de
volta, seus olhos parecendo  fogo, mesmo no escuro. Eu olhei para o lado
antes de poder comear a respirar rpido. Era absurdamente ridculo que
eu podia me sentir to estonteada assim. As horas  pareciam muito
longas. Eu no conseguia me concentrar no filme - eu no sabia nem ao
menos sobre qual assunto ele era. Eu tentei, sem sucesso, relaxar, mas a
corrente  eltrica que parecia vir de algum lugar do corpo dele nunca
diminuia. Ocasionalmente eu me permitia olhar rapidamente na direo
dele, mas ele tambm parecia nunca  relaxar. O desejo predominante de
toc-lo tambm parecia nunca murchar, e eu pressionei meus punhos
seguramente contra minhas costelas at que meus dedos estavissem  doendo
do esforo. Eu suspirei de alvio quando Mr. Banner acendeu novamente as
luzes no fim da aula, e eu estiquei meus braos em frente a mim,
flexionando meus  dedos rgidos. Edwad riu ao meu lado. "Bem, aquilo foi
interessante," ele murmurou. Sua voz estava sombria e seus olhos eu
cautelosos. "Hmmm," era tudo que eu conseguia  responder. "Devemos?" ele
perguntou, levantando sem estabilidade. Eu quase gemi. Hora do ginsio.
Eu continuei com cuidado, preocupada se meu equilbrio poderia  ter sido
afetado pela estranha nova fora entre ns. Ele me acompanhou para minha
prxima aula em silncio e parou na porta; eu virei pra dizer tchau. O
rosto dele  me encarou - sua expresso estava despedaada, quase
dolorida, e to cruelmente bonita que a vontade de toc-lo incendiou-se
mais forte do que antes. Meu adeus parou  na minha garganta. Ele
levantou sua mo, hesistante, uma luta enfurecendo-se em seus olhos, e
ento rapidamente roou um pedao da minha bochecha com a ponta de  seus
dedos. Sua pele estava gelada como sempre, mas o rastro que seus dedos
deixaram em minha pele era alarmantemente quente - como se eu tivesse
sido queimada,  mas eu ainda no sentia a dor disso.

Ele se virou sem uma palavra e caminhou rapidamente para longe de mim.
Eu andei para dentro do ginsio, tonta e hesitante. Eu fui at o armrio
do vestirio, vagamente  havia outras pessoas me rodeando. Na realidade
no estava muito cheio at agora, eu estava segurando uma raquete. Isso
no era pesado, mas sentir que era perigoso  na minha mo. Eu podia ver
algumas crianas da outra turma olhavam-me furtivamente. O treinador
Clapp ordenou que nos formssemos times. Piedosamente algum vestgio  de
cavalheirismo ainda sobrevivia em Mike; ele veio pra o meu lado. "Voc
quer entrar no time?" "Obrigada Mike. Sabe que no precisa fazer isso,
voc sabe disso".  Eu fiz uma careta de desculpa. "No se preocupe. Eu
vou ficar longe do seu caminho". Ele sorriu, s vezes  fcil ser como o
Mike. Eu no ia bajular de maneira nenhuma,  para acerta-me com a minha
raquete e v o ombro de Mike balanar igualmente. Eu passei o resto do
tempo no canto de trs do quadra, segurando a raquete a salvo atrs  das
minhas costas. Apesar de ter sido limitado por mim, Mike era muito bom,
ele ganhou trs jogos de quatro sozinho. Ele me deu um no merecido
gesto de parabns  quando o tcnico finalmente assobiou acabando a aula.
"Ento," ele disse enquanto ns andvamos para fora da quadra. "Ento o
que?" "Voc e Cullen, hm?" ele perguntou,  seu tom era rebelde. Meu
anterior sentimento de afeio desapareceu. "Isso no  da sua conta,
Mike," Eu avisei, internamente amaldioando Jessica diretamente para  as
ardentes chamas de Hades. "Eu no gosto disso," ele murmurou de qualquer
forma. "Voc no tem que gostar," eu rangi os dentes. "Ele olha pra voc
como... como  se voc fosse algo pra comer," ele continuou, me
ignorando. Eu abafei a histeria que ameaava explodir, mas um pequeno
riso amarelo conseguiu sair apesar de meus  esforos. Ele olhou com
raiva pra mim. Eu virei e escapei para a sala dos armrios. Eu me
troquei rapidamente, alguma coisa mais estranha do que borboletas se
atacando  afobadamente contra as paredes do meu estmago, minha
discusso com Mike j em uma memria distante. Eu estava pensando se
Edward estaria me esperando, ou se eu  deveria encontr-lo no carro
dele. E se a famlia dele estivesse l? Eu senti uma onda de terror
verdadeiro. Eles sabiam que eu sabia? Eu deveria saber que eles  sabiam
que eu sabia, ou no? Enquanto eu saia da quadra, eu tinha acabado de
decidir de andar para casa sem nem ao menos olhar para o estacionamento.
Mas meus temores  eram desnecessrios. Edward estava me esperando,
apoiado casualmente contra a parede do ginsio, seu rosto de tirar o
flego agora tranquilo. Enquanto eu andava  para o lado dele, eu senti
um peculiar sentimento de alvio. "Oi", eu respirei, dando um enorme
sorriso. "Ol", seu sorriso de resposta foi brilhante. "Como foi  a
aula?" Meu rosto caiu um pouquinho. "Bem", eu ment. "Mesmo?", ele no
estava convencido. Seus olhos viraram rapidamente me olhando por cima do
ombro e se estreitaram.  Eu olhei pra trs e v Mike de costas enquanto
ele ia embora.

"O que foi?", eu quis saber. Os olhos dele reencontraram os meus, ainda
estreitos. "Newton est comeando a me irritar". "Voc estava ouvindo de
novo?", o horror  me abateu. Todos os traos do meu bom humor
desapareceram. "Como est a sua cabea?", ele perguntou inocentemente.
"Voc  inacreditvel!", eu me virei, caminhando  a passos largos na
direo do estacionamento, apesar de ainda no estar conseguindo andar
direito nesse momento. Ele me acompanhou facilmente. "Foi voc quem
mencionou  que eu nunca havia te visto na aula de Educao fsica- eu
fiquei curioso". Ele no parecia estar arrependido, ento eu ignorei
ele. Ns caminhamos em silncio-  um silncio furioso, e envergonhado da
minha parte- para o carro dele. Mas eu tive que parar  alguns passos de
distncia- uma multido de pessoas, todos garotos,  estavam cercando
ele. Ento eu perceb que eles no estavam cercando o Volvo, na verdade
eles estavam cercando o conversvel vermelho de Rosalie, cheios de
luxria  nos olhos. Nenhum deles sequer olhou pra Edward quando ele
passou para abrir a porta dele, eu tambm entrei rapidamente no carro,
tambm passando despercebida. "Ostentao",  ele cochichou. "Que carro 
esse?", eu perguntei. "Um M3" "Eu no falo essa lngua". " uma BMW",
ele revirou os olhos, sem olhar pra mim, tentando dar a r sem
atropelar os entusiamados por carros. Eu balancei a cabea- esse nome eu
conhecia. Ele suspirou. "Voc vai me perdoar se eu pedir desculpa?"
"Talvez...se voc estiver  falando srio. E se voc prometer que no vai
fazer de novo", eu insist. Seus olhos de repente estavam astutos. "E se
eu estiver falando srio, e se eu deixar voc  dirigir Sbado?" Ele
analisou as minhas condies. Eu considerei, e decis que provavelmente
era o melhor que eu podia conseguir. "Fechado", eu concordei. "Ento  eu
sinto muito por ter te aborrecido". Seus olhos arderam de sinceridade
por um momento- brincando com o ritmo do meu corao - e depois ficaram
divertidos. "E eu  vou estar na porta da sua casa assim de o Sbado
comear a brilhar". "Umm, no ajuda muito na minha situao com Charlie
se um Volvo ficar inexplicavelmente largado  na entrada". Seu sorriso
estava condescendente. "Eu no pretendia levar o carro". "Como-" Ele me
cortou. "No se preocupe com isso. Eu vou estar l, sem carro."  Eu
deixei pra l. Eu tinha uma pergunta mais importante. "Isso j  mais
tarde?", eu perguntei significantemente Ele fez uma careta. "Eu acho que
isso  mais tarde".  Eu mantive minha expresso educada enquanto
esperava. Ele parou o carro. Eu olhei pra cima, surpresa-  claro que j
estvamos na casa de Charlie, parados atrs  da caminhonete. Quando eu
olhei de volta pra ele, ele estava me encarando, me medindo com os
olhos. "E voc ainda quer saber porque no pode me ver enquanto eu estou
caando?". Ele pareceu solene, mas eu pensei estar vendo um trao de
humor no fundo dos seus olhos.

"Bem", eu esclarec. "Eu estava pensando mais na sua reao". "Eu te
assustei?" Sim, definitivamente havia humor al. "No", eu ment, mas
ele no acreditou. "Eu  me desculpo por ter te assustado", ele persistiu
com um leve sorriso, mas ento todos os sinais de brincadeira
desapareceram. "Foi por causa do pensamento de voc  estar l...enquanto
ns caamos". Sua mandbula se apertou. "Isso seria ruim?" Ele falou por
entre os dentes. "Extremamente". "Porque...?" Ele respirou fundo e olhou
pelo para-brisa para as nuvens grossas que rolavam no cu, to baixas
que pareciam estar ao alcance do toque. "Quando estamos caando", ele
falou devagar, sem vontade.  "Ns nos entregamos aos nossos
sentidos...perdemos o controle sobre nossas mentes. Especialmente o
olfato. Se voc estivesse em qualquer lugar perto de mim quando  eu
estivesse descontrolado desse jeito..." Ele balanou a cabea, ainda
olhando sombriamente para as nuvens. Eu mantive minha expresso
firmemente controlada, esperando  a rpida olhada que ele logo me daria
pra analisar minha reao. Minha expresso no me traiu. Mas os nossos
olhsres ficaram presos, o silncio ficou mais profundo-  e mudou. As
fagulhas que eletricidade que eu havia sentido essa tarde comearam a
reaparecer enquanto ele olhava impiedosamente para os meus olhos. Eu s
perceb  que no estava respirando quando minha cabea comeou a ficar
pesada. Quando eu soltei o ar, quebrando o gelo, ele fechou os olhos.
"Bella, eu acho que voc devia  entrar". Sua voz estava spera, seus
olhos nas nuvens de novo. Eu abr a porta, a brisa gelada que entrou no
carro ajudou a clarear minha cabea. Com medo de cair  no meu estado de
deslumbramento, eu sa cuidadosamente do carro e fechei a porta sem
olhar pra trs. O rudo da janela automtica se abrindo fez eu me virar.
"Oh,  Bella?", ele me chamou, a voz mais uniforme. Ele se inclinou na
direo da janela aberta com um fraco sorriso nos lbios. "Sim?" "Amanh
 minha vez." "Sua vez de  que?" Seu sorriso aumentou, fazendo os dentes
brilharem. "Fazer as perguntas". E ento ele foi embora, o carro
correndo rua abaixo e virando na esquina antes que  eu pudesse realinhar
meus pensamentos. Eu sorr enquanto caminhava pra dentro de casa. Estava
claro que ele planejava me ver no dia seguinte, se no antes. Naquela
noite, Edward foi o ator principal dos meus sonhos, como sempre. No
entanto, o clima do meu inconsciente havia mudado. Eu estava cheia com a
mesma eletricidade que  havia sentido durante a tarde, e me virava e me
enrolava sem parar, acordando vrias vezes. Foi s nas primeiras horas
da manh que eu ca num sono exausto, sem  sonhos. Quando eu acordei
ainda estava cansada, mas afiada. Eu coloquei meu casaco marrom e minha
cala jeans, e suspirei sonhando com blusas de alcinhas e shorts.  O
caf da manh foi exatamente o evento quieto que eu esperava que fosse.
Charlie fritou ovos pra ele; eu com uma tigela de cereais. Eu imaginei
se ele tinha esquecido  sobre esse Sbado. Ele respondeu a pergunta que
eu no fiz enquanto levantava pra colocar o seu prato na pia. "Sobre
esse Sbado..." ele comeou, andando pela cozinha  e ligando a torneira.

Eu gelei. "Sim ,pai?" "Voc ainda est pretendendo ir  Seattle?", ele
perguntou. "Esse  o plano", eu fiz uma careta, desejando que ele no
tivesse tocado no assunto  pra eu no ter que inventar meias verdades.
Ele espremeu um pouco de detergente no prato dele e o esfregou com uma
escova. "Voc tem certeza que no voltar a tempo  para o baile?" "Eu no
vou ao baile ,pai", eu esclarec. " Ningum te convidou?", ele
perguntou, tentando esconder a sua preocupao com o prato. Eu comecei a
andar  no campo minado. " uma escolha das garotas". "Oh", ele meditou
enquanto secava o prato. Eu sent simpatia por ele. Deve ser difcil,
ser uma pai; convivendo com  o medo de que sua filha encontre um garoto
de quem ela goste, mas tambm se preocupando por ela no encontrar. Eu
imaginei o quanto seria horrvel se Charlie soubesse  de quem eu
gostava. Charlie foi embora nessa hora, com um aceno de adeus, e eu sub
pra escovar meus dentes e pegar meus livros. Quando eu ouv a viatura ir
embora,  eu s tive que esperar alguns segundos para ir espiar pela
janela. O carro prateado j estava l, esperando no espao de Charlie na
entrada. Eu desci correndo a  escada e sa, imaginando quanto tempo essa
rotina bizarra ainda duraria. Eu no queria que acabasse nunca. Ele
esperou dentro do carro, parecendo nem ter me visto  enquanto eu fechava
a porta atrs de mim sem me incomodar em trancar com a chave. Eu
caminhei para o carro parando timidamente antes de abrir a porta e
entrar. Ele  estava sorrindo, relaxado- e como sempre, o sorriso era
lindo e perfeito demais pra explicar. "Bom dia", sua voz estava
aveludada. "Como voc est hoje?" Seus olhos  examinaram meu rosto, como
se a pergunta fosse algo mais que um simples gesto de educao. "Bem
,obrigada". Eu estava sempre bem- muito mais que bem- quando estava
perto dele. Seus olhos se demoraram nos crculos embaixo dos meus olhos.
"Voc parece cansada". "Eu no consegu dormir", eu confessei,
automaticamente jogando um  pouco de cabelo por cima dos ombros para
cobrir um pouco do rosto. "Eu tambm no", ele brincou enquanto ligava o
motor. Eu estava me acostumando com o ronco suave.  Eu tinha certeza que
o ronco da minha camonhonete ia me assustar quando eu fosse dirig-la de
novo. Eu sorr. "Eu acho que est tudo bem. Eu s dorm um pouco mais
que voc". "Eu aposto que sim". "Ento,o que voc fez na noite
passada?", eu perguntei. Ele deu uma gargalhada. "Sem chance. Hoje  meu
dia de fazer as perguntas".  "As,  mesmo. O que voc quer saber?",
minha testa se enrugou. Eu no conseguia imaginar alguma coisa sobre mim
que pudesse ser interessante pra ele. "Qual  a sua  cor favorita?", ele
perguntou, o seu rosto estava srio. Eu revirei os olhos. "Muda todo
dia". "Qual  a sua cor favorita hoje?" Ele ainda estava solene.
"Provavelmente  marrom". Eu tinha a tendncia de me vestir de acordo com
o meu humor. Ele deu um sopro, a expresso sria desapareceu. "Marrom?",
ele perguntou ctico. "Claro, marrom   morno. Eu sinto falta do marrom.
Tudo que era pra ser marromtroncos de rvore, pedras, terra- est
coberto de verde aqui", eu reclamei.

Ele pareceu fascinado com o meu pequeno discurso. Ele pensou por um
momento, olhando nos meus olhos. "Voc est certa", ele decidiu, srio
de novo. "Marrom  morno".  Ele se aproximou rapidamente, mas de certa
forma ainda hesitante, pra colocar o meu cabelo de volta atrs do ombro.
A essa hora j estvamos na escola. Ele se virou  pra mim enquanto
colocava o carro na vaga do estacionamento. "Qual  a msica que est
tocando no seu CD palyer nesse momento?", ele me perguntou, seu rosto
estava  to sombrio como se ele estivesse me perguntando um segredo
mortal. Eu me dei conta de que no havia removido o CD que Phil havia me
dado. Quando eu disse o nome  da banda, ele deu um sorriso torto, uma
expresso peculiar nos olhos. Ele abriu um compartimento embaixo do CD
payer do carro dele, puxou um dos mais de trinta  CD's que haviam l
dentro, e me entregou. "De Debussy pra isso?", ele ergueu uma
sobrancelha. Era o mesmo CD. Eu examinei a capa familiar, mantendo meus
olhos virados  pra baixo. Ns continuamos assim o dia inteiro. Enquanto
ele me acompanhava para a aula de Ingls, quando ele foi me buscar na
aula de Espanhol, durante todo o almoo,  ele me questionava
incessantemente sobre cada detalhe insignificante da minha existncia.
Filmes que eu gostava e que detestava, os poucos lugares que eu conhecia
e os muitos que gostaria de conhecer, e livros- inmeros livros. Eu no
me lembrava da ltima vez que havia falado tanto. Mais de uma vez, eu me
sent envergonhada,certamente  eu estava aborrecendo ele. Mas a
expresso de extrema concentrao, e as perguntas inacabveis, me
foravam a continuar. A maioria das perguntas eram fceis de responder,
somente algumas me fizeram corar com muita facilidade. Como quando ele
me perguntou qual era a minha pedra preciosa favorita, e eu respond que
era o topzio sem  pensar. Ele fazia tantas perguntas to depressa que
eu me sentia como se estivesse fazendo um daqueles testes psiquitricos
onde voc tem que responder com a primeira  palavra que vier na sua
cabea. Eu tinha certeza que ele continuaria seguindo a mesma linha de
pensamento que ele estava seguinto antes, se eu no tivesse ruborisado.
Meu rosto ficou vermelho porque, at pouco tempo atrs, minha pedra
preciosa favorita era o nix. Era impossvel olhar pra os seus olhos da
cor do Topzio, e no  entender o motivo da troca. E, naturalmente, ele
no ia descansar enquanto eu no admitisse porque estava envergonhada.
"Me diga", ele finalmente ordenou depois  que a persuaso no deu certo-
no deu certo porque eu mantive meus olhos seguramente longe do rosto
dele. " a cor dos seus olhos hoje", eu suspirei, me rendendo,  olhando
para as minhas mos enquanto brincava com uma mecha do meu cabelo. "Eu
acho que se voc tivesse me feito essa pergunta a duas semanas atrs eu
teria dito  que era o nix". Eu estava dando mais informaes do que era
necessrio na minha honestidade sem vontade, e eu estava preocupada em
trazer a tona aquela raiva que  sempre aparecia quando eu demonstrava o
quanto estava obsecada por ele. Mas sua pausa foi muito curta. "Que tipo
de flor voc prefere?", ele atirou. Eu suspirei  aliviada, e ele
continuou com a psicanlise. Biologia foi uma colplicao de novo.
Edward continuou com o seu questionrio at o Sr. Banner entrar na sala,
trazendo  o equipamento audio visual com ele. Enquanto o professor se
aproximava do interruptor de luz, eu perceb Edward afastar a cadeira
dele

da minha. Isso no ajudou. Assim que a sala estava escura, houve a mesma
fagulha de eletricidade, a mesma vontade irresistvel de invadir o
pequeno espao entre  n e tocar a sua pele fria, como ontem. Eu me
inclinei para a frente na mesa, descansando o meu queixo nos braos
dobrados, meus dedos escondidos estavam agarrando  a borda da mesa,
enquanto eu tentava lutar com a vontade irracional que me tirava do
srio. Eu no olhei pra ele, com medo de que se ele estivesse olhando
pra mim,  eu tivesse ainda mais dificuldades de me controlar. Eu
sinceramente tentei me concentrar no filme, mas no fim eu no tinha a
menor ideia do que eu tinha acabado  de ver. Eu suspirei aliviada de
novo quando o Sr. Banner ligou as luzes, e finalmente olhei pra Edward;
Ele estava olhando pra mim com olhos ambivalentes. Ele se  levantou em
silncio e ficou em p, esperando por mim. Ns andamos para a minha aula
de Educao fsica em silncio, como ontem. E, tambm como ontem, ele
tocou  o meu rosto sem dizer nada- dessa vez com as costas da sua mo
fria, alisando o espao da minha tmpora at a minha mandbula- antes de
se virar e ir embora. A aula  de Educao fsica passou
rapidamente,enquantou eu observava Mike dar um show solo no Badminton.
Ele no falou comigo hoje, seja por causa da minha expresso vazia  ou
porque ele ainda estava com raiva por causa da nossa discurso de ontem.
Em algum lugar, no fundo da minha mente, eu estava me sentindo mal com
isso. Mas eu no  consegu me concentrar nele. Eu me apressei pra me
trocar depois, doente de ansiedade, sabendo que , quanto mais rpido eu
me movesse, mais rpido eu estaria com  Edward. A presso me deixou mais
desastrada do que o normal, mas eventualmente eu sa, sentindo o mesmo
alvio quando v ele l, um largo sorriso automaticamente  aparecendo no
meu rosto. Ele sorriu em resposta antes de continuar com as perguntas.
Suas perguntas eram diferentaes agora, porm, no to fceis de
responder. Ele  quis saber do que eu sentia falta em casa, insistindo
pra que eu descrevesse as coisas que no eram familiares pra ele. Ns
ficamos sentados na frente da casa de  Charlie por horas, enquanto o cu
escurecia e a chuva se transformava num dilvio de repente. Eu tentei
descrever coisas impossveis de descrever, como o cheiro  do
creosotoamargo, um pouco residuoso, mas agradvel mesmo assim- o som
alto, agudo das cigarras em Julho, a esterilidade emplumada das rvores,
a at o tamanho  do cu, com sua extenso azul e branca de horizonte 
horizonte, poucas vezes interrompido por montanhas baixas cheias de
rochas vulcnicas. O mais difcil de explicar  foi porque eu achava
bonito- justificar a beleza que no dependia de uma vegetao escassa,
espinhosa que as vezes parecia meio morta. Uma beleza que tinha mais  
ver com o formato da terra que ficava exposta,com as bacias superficais
entre os vales que ficavam entre as colinas escarpadas, e a forma que
elas emolduravam  o sol. Eu me v tendo que usar as mos enquanto
explicava isso pra ele. Suas perguntas quietas, tentadoras, me fizeram
falar livremente, esquecendo, na luz escassa,  de me sentir envergonhada
por estar monopolizando a conversa. Finalmente, quando eu havia
terminada de descrever o meu quarto bagunado em casa, ele parou ao
invs  de fazer outra pergunta. "Voc j acabou?", eu perguntei
aliviada. "Nem perto- mas o seu pai vai chegar logo em casa".
"Charlie!", eu finalmente lembrei de sua existncia,  e suspirei. Eu
olhei para o cu escurecido pela chuva, mas no demonstrei estar
sentindo nada. "Que horas so?", eu me perguntei me voz alta enquanto
olhava para  o relgio. Eu me surpreend com a hora- Charlie deveria
estar chagando em casa agora.

" o crepsculo", Edward murmurou, olhando para o horizonte obscurecido
pelas nuvens. Sua voz estava pensativa, como se sua mente estivesse em
um lugar distante.  Eu olhei pra ele enquanto ele olhava pelo para brisa
sem estar enxergando nada. Eu ainda estava olhando quando ele de repente
virou seu olhar para mim. " a hora  mais segura do dia pra ns", ele
disse, respondendo uma pergunta que eu no fiz, mas que estava nos meus
olhos. "A hora mais fcil. Mas, tambm mais difcil, de  certa forma...o
fim de outro dia, o retorno da noite. A escurido  to imprevisvel,
voc no acha?", ele perguntou, sorrindo tristemente. "Eu gosto da
noite. Sem  a escurido no poderiamos ver as estrelas.", eu fiz uma
careta. "No que elas apaream muito por aqui". Ele sorriu, o humor
abruptamente mais leve. "Charlie vai  chagar em alguns minutos. Ento, a
no ser que voc queira dizer pra ele que estar comigo no Sbado...",
ele ergueu uma sobrancelha. "Obrigada, mas no, obrigada",  eu peguei
meus livros, me dando conta de que o meu corpo estava rgido pela
posio que eu estive sentada por tanto tempo. "Amanh  minha vez,
ento?" "Cetamente  no!", seu rosto estava com uma expresso de ultraje
divertida. "Eu disse que ainda no tinha acabado, no disse?" "O que 
que ainda falta?" "Voc vai saber amanh".  Ele se inclinou na minha
frente para abrir a porta pra mim, e essa proximidade repentina fez meu
corao palpitar loucamente. Mas a mo dele congelou na maaneta.  "Isso
no  bom", ele murmurou. "O que foi?", eu estava surpresa de ver que
sua mandbula estava apertada, seus olhos perturbados. Ele olhou pra mim
por um breve  segundo. "Mais complicaes", ele disse aborrecido. Ele
abriu a porta com um movimento rpido, e ento se afastou, quase
ultrajado, rapidamente pra longe de mim.  O flash dos faris na chuva
chamaram minha ateno enquanto um carro virava na curva, a apenas
alguns metros de ns nos encarando. "Charlie est na esquina", ele
avisou, olhando pelo retrovisor para outro veculo. Eu sa rapidamente,
a despeito da minha confuso e curiosidade. A chuva estava mais forte
enquanto batia no meu  casaco. Eu tentei distiguir as duas sombras que
estavam no banco da frente do outro carro, mas estava muito escuro. Eu
podia ver Edward iluminado pelo brilho dos  faris do outro carro; ele
ainda estava olhando para a frente, seu olhar estava travado em algo ou
algum que eu no podia ver. Sua expresso era um estranho misto  de
frustrao e desafio. Ento ele ligou o motor, e os pneus resoaram no
asfalto molhado. Dentro de segundos o Volvo j estava fora de vista.
"Ei, Bella", chamou  uma voz rouca, familiar que vinha do banco do
motorista do pequeno carro preto. "Jacob?", eu perguntei andando pela
chuva. S ento, a viatura de Charlie virou na  esquina, os faris dele
iluminando os ocupantes do carro na minha frente. Jacob j estava saindo
do carro. Seu sorriso largo e brilhante era visvel mesmo na escurido.
No banco do passageiro havia um homem muito mais mais velho, um homem
pesado, com um rosto memorvel- um rosto que se transbordava, as
bochechas estavam pressionados  nos ombros com rugas na pele ruiva, como
um casaco velho de couro. E os olhos surpreendentemente familiares,
olhos pretos que pareciam ao mesmo tempo

jovens demais e velhos demais para aquele rosto largo. Era o pai de
Jacob, Billy Black. Eu o reconhec imediatamente, mesmo depois de cinco
anos e tendo esquecido  do nome dele no meu primeiro dia aqui. Ele
estava me encarando, estudando meu rosto, ento eu sorri tentadoramente
pra ele. Seus olhos estavam arregalados, como  se de susto ou de medo,as
narinas estavam infladas. Meu sorriso desapareceu. Outra complio,
Edward disse. Billy ainda estava me encarando com olhos intensos,
ansiosos.  Eu gem por dentro. Ser que Billy reconheceu Edward to
facilmente? Ser que ele realmente poderia acreditar nas lendas
impossveis que o filho dele havia me contado?  A resposta estava clara
nos olhos de Billy. Sim. Sim, ele podia.

12. Equilibrando "Billy!" Charlie chamou assim que saiu do carro. Eu
virei na direo da casa, convidando Jacob pra entrar enquanto passava
pelo portal da entrada. Eu ouv Charlie  saudando os dois em voz alta
atrs de mim. "Eu vou fingir que no v voc atrs do volante, Jake",
ele disse em tom de desaprovao. "Ns recebemos as carteiras  mais cedo
na reserva", Jacob disse enquanto eu destrancava a porta e ligava a luz
da varanda. "Claro que recebem". Charlie riu. "Eu preciso sair de alguma
forma",  eu reconhec facilmente a voz ressonante de Billy, apesar dos
anos. O som dela fez com que eu me sentisse mais nova de repente, uma
criana. Eu entrei, deixando  a porta aberta atrs de mim e acendendo as
luzes antes de tirar meu casaco. Ento eu fiquei perto da porta,
observando ansiosamente enquanto Jacob e Charlie ajudavam  Billy a sair
do carro e a sentar na sua cadeira de rodas. Eu sa do caminho enquanto
os trs corriam pra dentro, sacudindo a chuva. "Isso  uma surpresa",
Charlie  estava dizendo. "J faz muito tempo", Billy disse. "Eu espero
que esse no seja um momento ruim". Seus olhos escuros vieram parar em
mim de novo. Sua expresso estava  ilegvel. "No, est timo. Eu espero
que voc possa ficar para o jogo." Jacob sorriu. "Eu acho que esse  o
plano- nossa TV quebrou na semana passada". Billy fez  uma cara feia
para o filho. "E,  claro que Jacob estava ansioso pra ver Bella de
novo", ele acrescentou. Jacob fez uma careta e baixou a cabea enquanto
eu tentava  lutar contra uma onda de remorso que eu sent de repente.
Talvez eu tenha sido convincente demais na praia. "Vocs esto com
fome?" Eu perguntei, me virando na direo  da cozinha. Eu estava
ansiosa pra escapar do olhar especulativo de Billy. "No, ns acabamos
de comer antes de vir pra c". Jacob respondeu. "E voc, Charlie?",  eu
perguntei por cima do meu ombro enquanto virava no corredor. "Claro",
ele respondeu, sua voz vinha da entrada e estava se dirigindo  sala de
TV. Eu podia ouvir  a cadeira de Billy acompanhando. Os sanduches de
queijo grelhado estavam na frigideira e eu estava fatiando um tomate
quando sent algum atrs de mim. "Ento,  como vo as coisas?", Jacob
perguntou. "Muito bem", era difcil resistir ao entusiasmo dele. "E
voc? J terminou o seu carro?" "No", ele fez uma careta. "Eu ainda
preciso de partes. Ns pegamos aquele emprestado". Ele apontou com o
polegar na direo do quintal na frente de casa. "Desculpa. Eu no v
nenhum...como era mesmo  o nome da pea que voc estava procurando?"
"Cilindro mestre", ele sorriu. "Tem alguma coisa errada com a
caminhonete?" ele acrescentou. "Oh. Eu s estava me perguntando  porque
voc no estava dirigindo ela". Eu olhei pra baixo para a frigideira e
levantei a borda de um dos sanduches pra olhar o lado de baixo. "Eu
peguei uma carona  com um amigo". "Bela carona". Jacob estava admirado.
"Contudo, eu no reconhec o motorista. Eu achei que conhecia a maioria
das pessoas daqui". Eu afirmei com a  cabea, mantendo os olhos baixos
enquanto virava os sanduches. "Meu pai pareceu reconhec-lo de algum
lugar".

"Jacob, voc poderia pegar alguns pratos? Eles esto no armrio em cima
da pia." "Claro". Ele pegou os pratos em silncio. Eu esperava que ele
deixasse pra l. "Ento,  quem era?" ele perguntou, colocando dois
pratos no balco no meu lado. Eu suspirei, vencida. "Edward Cullen".
Para minha supresa, ele riu. Eu olhei pra cima. Ele  pareceu um pouco
envergonhado. "Eu acho que isso explica, ento" ele disse. "Eu estava
imaginando porque meu pai estava agindo to estranho". " mesmo". Eu
fing  uma expresso inocente. "Ele no gosta dos Cullen". "Velho
supersticioso", ele cochichou por baixo do flego. "Voc acha que ele
vai dizer alguma coisa pra Charlie?"  Eu no consegu deixar de
perguntar, as palavras sairam baixas e apressadas. Jacob me encarou por
um momento, e eu no consegu entender a expresso nos seus olhos
escuros. "Eu duvido", ele finalmente respondeu. "Eu acho que Charlie j
deu uma bela lio nele da ltima vez. Eles no se falaram muito desde
ento- hoje  uma  espcie de reunio, eu acho. Eu no acho que ele vai
falar nisso de novo" "Oh" eu disse, tentando parecer indiferente. Eu
fiquei na frente da sala depois de levar  a comida pra Charlie, fingindo
que estava assistindo o jogo enquanto Jacob conversava comigo. Eu estava
mesmo era ouvindo a conversa dos homens, procurando por algum  sinal de
que Billy ia me dedurar, pensando em alguma forma de par-lo caso ele
tentasse. Foi uma noite longa. Eu tinha dever de casa pra fazer, mas
estava com medo  de deixar Billy sozinho com Charlie. Finalmente, o jogo
acabou. "Voc e seus amigos vo voltar l na praia logo?", Jacob
perguntou enquanto carregava o seu pai pelo  limiar da porta. "Eu no
tenho certeza", eu me esquivei. "Foi divertido, Charlie", Billy disse.
"Volte para o prximo jogo", Charlie encorajou. "Claro, claro", Billy
disse. "Estaremos aqui. Tenha uma boa noite". Seus olhos encontraram os
meus. "Se cuide, Bella" ele acrescentou seriamente. "Obrigada", eu
murmurei, desviando o  olhar. Eu fui para a escada enquanto Charlie
acenava pra eles na porta. "Espere, Bella". Eu congelei. Ser que Billy
tinha falado alguma coisa antes que eu estivesse  na sala? Mas Charlie
estava relaxado, ainda sorrindo pela visita inesperada. "Eu ainda no
tive a chance de falar com voc esta noite. Como foi seus dia?" "Bom",
eu hesitei com um dos ps no degrau da escada, procurando por detalhes
que eu podia compartilhar sem medo. "Meu time de Badminton ganhou todas
as quatro partidas  hoje". "Uau, eu no sabia que voc jogava
Badminton". "Bem, na verdade eu no jogo,mas o meu parceiro  muito
bom", eu admiti. "Quem ?" ele perguntou interessado.  "Umm, Mike
Newton", eu disse relutante. "Ah,- voc j tinha dito que era amiga
dele". Ele lembrou. "Boa famlia", ele meditou por um momento. "Porque
voc no convidou  ele pro baile esse fim de semana?" "Pai!" eu gem.
"Ele est meio que namorando com a minha amiga Jssica. Alm do mais,
voc sabe que eue no sei danar".

"Ah " ele murmurou. Depois ele sorriu pedindo desculpas. "Ento eu acho
que  bom que voc vai estar em Seattle no Sbado... Eu fiz planos pra
ir pescar com os  rapazes l da delegacia. Tudo indica que o clima
estar quente. Mas se voc quiser adiar a viagem para esperar at algum
consiga ir com voc, eu posso ficar em  casa. Eu sei que te deixo
sozinha tempo demais". "Pai, voc est fazendo um timo trabalho" Eu
sorr, esperando que o meu alivio no ficasse muito visvel. "Eu nunca
me importei em ficar sozinha- eu sou muito parecida com voc", eu
pisquei pra ele e ele deu um sorriso que fez seus olhos enrrugarem. Eu
dorm melhor essa noite,  cansada demais pra sonhar de novo. Quando eu
acordei na manh de cor acinzentada, meu humor estava feliz. A noite
tensa com Billy e Jacob pareceu inofensiva o suficiente;  ento eu
decid esquec-la completamente. Eu me peguei assoviando enquanto estava
prendendo a parte da frente da frente do meu cabelo com um grampo, e
depois de  novo quando descia as escadas. Charlie reparou. "Voc est
animada esta manh" ele comentou enquanto tomvamos o caf da manh. Eu
levantei os ombros. "Hoje  sexta  feira". Eu me apressei para estar
pronta para ir para a escola no segundo que Charlie fosse embora. Eu j
estava com a minha mochila pronta, calada, dentes escovados,  mas mesmo
correndo para a porta assim que eu tive certeza que Charlie j estava
fora de vista, Edward foi mais rpido. Ele estava esperando no seu carro
brilhante,  com os vidros abaixados, o motor desligado. Eu no hesitei
dessa vez, entrando no lado do passgeiro rapidamente, tudo pra ver o
rosto dele mais rpido. Ele mostrou  seu sorriso torto pra mim, parando
minha respirao e meu corao. Eu no conseguia imaginar como um anjo
poderia ser mais glorioso. no havia nada nele que pudesse  ser
melhorado. "Como voc dormiu?", ele perguntou. Eu me perguntei se ele
tinha noo de como sua voz era atraente. "Bem. Como foi a sua noite?"
"Prazeirosa" Seu  sorriso estava divertido; eu me sent como se
estivesse perdendo alguma piada. "Ser que eu posso perguntar o que voc
fez?" "No". Ele sorriu. "Hoje ainda  meu  dia". Hoje ele queria saber
mais sobre as pessoas: mais sobre Rene, seus passatempos, o que ns
fazamos no nosso tempo livre. E depois a nica av que eu conhecia,
meus poucos amigos da escola- me deixando envergonhada quando me
perguntou sobre os garotos que eu havia namorado. Eu estava aliviada por
nunca ter namorado, assim  essa conversa em perticular no poderia durar
muito. Ele pareceu to surpreso quanto Jssica e Angela pela minha falta
de vida romntica. "Ento voc nunca encontrou  ningum que voc
quisesse?" ele me perguntou num tom srio que me fez imaginar o que ele
estaria pensando. Eu fui malevolamente honesta. "No em Phoenix". Os
seus  lbios ficaram espremidos numa linha. Nessa hora ns estvamos na
cafeteria. Estava virando rotina o dia passar num sopro. Eu me
aproveitei da sua breve pausa para  dar uma mordida no meu po. "Eu
devia ter deixado voc vir sozinha hoje" ele disse, sem motivo algum,
enquanto eu mastigava. "Porque?" eu quis saber. "Eu vou embora  com
Alice depois do almoo" "Oh" eu pisquei desconcertada e desapontada.
"Est tudo bem. No  uma caminhada muito longa daqui at em casa".

Ele fez uma careta impaciente pra mim. "Eu no vou fazer voc andar at
sua casa. Ns vamos pegar a sua caminhonete e deix-la aqui pra voce".
"Eu no trouxe as  minhas chaves", eu suspirei. "Eu realmente no me
importo de ir andando". Eu me importava era de no poder estar com ele.
Ele balanou a cabea. "Sua caminhonete  estar aqui, e a chave estar
na ignio- a no ser que voc tenha medo que algum v roub-la". Ele
sorriu com o pensamento. "Tudo bem", eu concordei, torcendo  os lbios.
Eu tinha certeza de que as minhas chaves estavam no bolso da cala que
eu usei na quarta, embaixo de uma pilha de roupas sujas na lavanderia.
Mesmo que  ele invadisse minha casa, ou o que quer que ele estivesse
planejando, ele jamais encontraria. Ele pareceu sentir o desafio do meu
consentimento. Ele sorriu, confiante  demais. "Ento pra onde vocs
vo?", eu perguntei to casualmente quanto pude. "Caar" ele respondeu
severamente. "Se eu vou estar sozinho com voc amanh, eu vou  tomar
todas as precaues que puder". Seu rosto ficou sombrio... e declarador.
"Voc ainda pode cancelar, sabe". Eu olhei pra baixo, com medo do poder
persuasivo  dos seus olhos. Eu me recusava a ser convenciada a sentir
medo dele, no importava quo grande o perigo pudesse ser. No importa,
eu repet na minha mente. "No"  eu sussurei. "Eu no posso". "Talvez
voc esteja certa" ele murmurou secamente. A cor dos seus olhos pareceu
ficar mais escura enquanto eu observava. Eu mudei de  assunto. "Que
horas eu te vejo amanh?" Eu perguntei, j deprimida por ter que
deix-lo ir agora. "Isso depende... Sbado, voc no quer dormir at
tarde?" ele  perguntou. "No" eu respond rpido demais. Ele prendeu o
riso. "A mesma hora de sempre, ento" ele decidiu. "Charlie vai estar em
casa?" "No, ele vai pescar amanh"  Eu estava radiante pelo rumo
conveniente que as coisas tomaram. O tom de sua voz ficou afiado. "E se
voc no voltar pra casa, o que  que ele vai pensar?" "Eu no  tenho
idia" eu respond calmamente. "Ele sabe que eu estava querendo lavar as
roupas. Talvez ele ache que eu ca dentro da mquina". Ele fez uma
carranca pra mim  e eu fiz uma carranca pra ele. A raiva dele era muito
mais impressionante que a minha. "O que voc vai caar hoje?" Eu
perguntei depois de perder o concurso de quem  encarava mais. "Qualquer
coisa que encontrarmos no parque. Ns no vamos muito longe" Ele pareceu
se divertir com a minha refercia casual ao seu segredo. "Porque  voc
est indo com Alice?" Eu me perguntei. "Alice  a mais...encorajadora".
Ele fez uma careta enquanto falava. "E os outros?" eu perguntei
timidamente. "O que  eles so?" Suas sobrancelhas se uniram por um breve
momento. "Incrdulos, em grande parte." Eu espiei rapidamente a sua
famlia atrs de mim. Eles estavam olhando  para direes diferentes,
exatamente como na primeira vez que eu os v. S que agora ele s eram
quatro; seu lindo irmo com o cabelo cor de bronze, estava sentado  na
minha frente, com os olhos confusos. "Eles no gostam de mim", eu
advinhei. "No  isso", ele discordou, mas seus olhos eram inocentes
demais. "Eles s no entendem  porque eu no consigo te deixar sozinha".

Eu fiz uma careta. "Eu tambm no, por falar nisso". Edward balanou a
cabea lentamente e revirou os olhos na direo do teto antes de olhar
para os meus olhos  de novo. "Eu j disse- voc no se v com muita
clareza. Voc no  como ningum que j tenha conhecido. Voc me
fascina". Eu olhei pra ele, certa de que agora ele  estava brincando.
Ele sorriu enquanto decifrava a minha expresso. "Tendo as vantagens que
eu tenho", ele murmurou,tocando discretamente na testa. "Eu tenho uma
compreenso melhor da mente humana. As pessos so previsveis. Mas
voc... voc nunca faz o que eu espero. Voc sempre me pega de
surpresa". Eu desviei o olhar,  meus olhos aterrisando na famlia dele
de novo, envergonhada e insatisfeita. As palavras dele me fizeram
parecer uma experincia cientfica. Eu queria rir de mim  mesma por
esperar outra coisa. "Essa parte  fcil de explicar", ele continuou. Eu
sent seus olhos no meu rosto, mas ainda no conseguia olhar pra ele,
com medo  que ele percebesse o desespero nos meus olhos. "Mas tem
mais... e isso no  fcil de explicar com palavras-" Eu ainda estava
olhando para os Cullen enquanto ele  falava. De repente, Rosalie, a sua
irm loira, de tirar o flego, se virou pra me olhar. Olhar no-
encarar, com olhos escuros e frios. Eu queria afastar o olhar,  mas o
olhar dela segurou o meu at que Edward parou no meio de uma frase e fez
um barulho raivoso e baixo. Era quase um assobio. Rosalie virou a cabea
e eu fiquei  aliviada por estar livre. Eu olhei de volta para Edward -
eu sabia que ele veria a confuso e o medo que esbugalharam meus olhos.
Seu rosto estava contrado enquanto  ele explicava. "Eu sinto muito
sobre isso. Ela s est preocupada. Entenda... no  perigoso apenas pra
mim se, depois de passar tanto tempo publicamente perto de  voc...",
ele olhou pra baixo. "Se?" "Se isso acabar... mal". Ele deixou a cabea
cair nas mos,como fez naquela noite em Port Angeles. Sua angstia era
visvel;  eu queria confort-lo, mas eu no tinha idia de como. Minha
mo foi na direo dele involuntariamente; rapidamente, porm, eu deixei
ela cair na mesa, temendo que  o meu toque s deixasse as coisas piores.
Eu perceb lentamente que as palavras dele deviam me assustar. Eu
esperei o medo vir,mas tudo que eu conseguia sentir era  a dor do seu
sofrimento. E frustrao- frustrao porque Rosalie interrompeu o que
ele estava dizendo. Eu no sabia como voltar ao assunto. Ele ainda
estava com  a cabea nas mos. Eu tentei falar com uma voz normal. "E
voc tem que ir agora?" "Sim", ele ergueu o resto; estava srio por um
momento, e ento o seu humor mudou  e ele sorriu. "Provavelmente  o
melhor a fazer. Ns ainda temos quinze minutos daquele filme inacabado
de Biologia- eu no acho que poderia aguentar mais". Eu encarei.  Alice-
seu cabelo preto formava uma aurola ao redor do seu rosto notvel,
lfico- estava repentinamente atrs dele. Sua leve figura era esbelta,
graciosa mesmo  estando absolutamente parada. Ele saudou ela sem desviar
os olhos de mim. "Alice". "Edward". Sua voz soprano era quase to
atrante quanto a dele. "Alice, Bella-  Bella, Alice", ele nos
apresentou, fazendo gestos com a mo casualmente, um sorriso torto nos
lbios. "Ol,Bella", seus olhos eram impossveis de ler, mas seu sorriso
era amigvel. " bom finalmente te conhecer". Edward deu uma olhada
sombria pra ela. "Oi, Alice", eu disse timidamente.

"Voc est pronto?" ela perguntou pra ele. A voz dele estava
indiferente. "Quase. Eu te encontro no carro". Ela foi embora sem outra
palavra. Seu caminhar era to  fluido, to suntuoso que eu sent uma
leve pontada de inveja. "Eu devo dizer 'divirta-se' eu seria o
sentimento errado?" eu perguntei, virando pra ele de novo. "No.
'divirta-se' funciona to bem quanto qualquer outra palavra", ele
sorriu. "Divirta-se, ento", eu fiz o mximo para parecer sincera. 
claro que eu no enganei ele.  "Eu vou tentar", ele ainda estava
sorrindo. "E voc tente se manter em segurana, por favor". "Ficar
segura em Forks- que desafio". "Pra voc isso  um desafio".  Sua
mandbula ficou apertada. "Prometa". "Eu prometo tentar ficar em
segurana", eu recitei. "Eu vou lavar roupa hoje  noiteisso no deve
oferecer nenhum perigo".  "No caia", ele zombou. "Eu farei meu melhor"
Ento, ele se levantou e eu me levantei tambm. "Te vejo amanh", eu
suspirei. "Parece tempo demais pra voc, no parece?",  ele meditou. Eu
afirmei pesadamente com a cabea. "Eu estarei l pela manh" ele
prometeu, dando seu sorriso torto. Ele se inclinou sobre a mesa para
tocar meu rosto,  alisando a ma do meu rosto de novo. Ento ele se
virou e foi embora. Eu fiquei olhando para ele at que ele foi embora.
Eu estava muito tentada a faltar as aulas  restantes, ou pelo menos
Educao fsica, mas um instinto de advertncia me impediu. Eu sabia que
se eu desaparecesse agora, Mike e os outros iriam presumir que  eu
estava com Edward. E Edward se preocupava com o tempo que passvamos
juntos publicamente...caso algo desse errado. Eu me recusava a pensar na
ltima possibilidade,  me concentrando em fazer as coisas mais seguras
pra ele. Eu intuitivamente sabia- e sentia que ele tambm- que amanh
seria providencial. Nosso relacionamento no  podia continuar se
equilibrando, como estava, na ponta de uma faca. Ns iamos cair de um
lado ou de outro, dependendo inteiramente da deciso dele, ou dos seus
instintos.  Minha deciso estava tomada, eu j havia a tomado mesmo
antes de poder escolher e eu estava disposta a ir adiante. Porque no
havia nada mais assustador pra mim,  nada mais doloroso, do que o
pensamento de me afastar dele. No havia possibilidade. Eu fui para a
aula, sentindo que era uma obrigao. Eu honestamente no poderia  dizer
o que aconteceu em Biologia; minha mente estava ocupada demais pensando
em amanh. Na aula de Educao fsica, Mike estava falando comigo de
novo; ele desejou  que eu me divertisse em Seattle. Eu expliquei
cuidadosamente que havia cancelado a viagem, preocupada com minha
caminhonete. "Voc vai pro baile com Cullen?", sua  voz ficou
mal-humorada de repente. "No, eu no vou ao baile". "O que voc vai
fazer, ento?",ele perguntou, interessado demais. Minha primeira vontade
foi de dizer  pra ele no se meter. Inves disso, eu ment
brilhantemente.

"Lavar roupa, depois eu tenho que estudar para o teste de Trigonometria
se no eu vou reprovar". "Cullen vai te ajudar a estudar?" Edward", eu
enfatizei "no vai  me ajudar a estudar. Ele vai viajar pra algum lugar
durante fim de semana" As mentiras sairam mais naturalmente, eu reparei
surpresa. "Oh", ele se empertigou. "Voc  poderia vir para o baile com o
nosso grupo- vai ser legal. Ns todos danaremos com voc", ele
prometeu. A imagem mental de da cara de Jssica deixou o meu tom mais
spero do que era necessrio. "Eu no vou para o baile, Mike, t bem?"
"T", ele murchou de novo. "Eu s estava oferecendo". Quando o dia de
aula finalmente terminou,  eu caminhei para o estacionamento sem
entusiasmo. Eu no estava especialmente a fim de ir caminhando pra casa,
mas eu no sabia como ele seria capaz de trazer minha  caminhonete. De
qualquer forma, eu estava comeando a acreditar que nada era impossvel
pra ele. Meus instintos provaram estar certos- minha caminhonete estava
na  mesma vaga em que ele tinha estacionado o Volvo esta manh. Eu
balancei a cabea, incrdula, enquanto abria a porta e via a chave na
ignio. Havia um pedao de  papel dobrado no banco. Eu o peguei e
fechei a porta antes de llo. Duas palavras estavam escritas com sua
letra elegante. FIQUE SEGURA . O som do motor ligandome  assustou. Eu r
comigo mesma. Quando eu cheguei em casa, a maaneta da porta estava
trancada, o ferrolho estava aberto, exatamente como eu havia deixado
essa manh.  J dentro, eu fui direto para a lavanderia. Tambm parecia
exatamente igual a como eu havia deixado de manh. Eu procurei minha
cala e, depois de encontr-la, procurei  nos bolsos. Vazios. Talvez eu
tenha levado minhas chaves l pra cima no fim das contas, eu pensei,
balanando a cabea. Seguindo o mesmo instinto que me levou a  mentir
pra Mike, eu liguei pra Jssica com o pretexto de desej-la sorte no
baile. Quando ela me ofereceu os mesmos desejos na minha tarde com
Edward, eu contei  que havamos cancelado. Ela estava mais desapontada
do que o necessrio para uma pessoa que ia ficar olhando a festa sem se
divertir. Eu me desped rapidamente depois  disso. Charlie estava com a
mente ausente durante o jantar, preocupado com alguma coisa do trabalho,
eu achava, ou com o jogo de Basquete, ou talvez ele simplesmente
tivesse gostado mesmo da lasanha- com Charlie era difcil advinha.
"Sabe, pai...", eu quebrei sua ausncia "O que foi, Bella?" "Eu acho que
voc est certo sobre  Seattle. Eu acho que vou esperar at que Jssica
ou outra pessoa possa vir comigo". "Oh", ele disse surpreso. "Oh, tudo
bem. Ento, voc quer que eu fique em casa?"  "No,pai, no mude seus
planos. Eu tenho um milho de coisas pra fazer... dever de casa, lavar a
roupa... Eu preciso ir  biblioteca e ao supermercado. Eu vou ficar
fora o dia todo... v e se divirta." "Voc tem certeza?"

"Absoluta, pai. Alm do mais, o estoque de peixe est ficando
perigosamente baixo- ns s temos um estoque para dois ou trs anos".
"Com certeza  fcil conviver  com voc, Bella". Ele sorriu. "Eu acho
que posso dizer o mesmo de voc", eu disse sorrindo. Minha risada estava
sem som, mas ele no pareceu reparar. Eu estava me  sentindo to culpada
por estar mentindo pra ele que eu quase segu o conselho de Edward e
contei onde estaria. Quase. Depois do jantar, eu dobrei as roupas e
levei  outra pilha para a secadora. Infelizmente, esse  o tipo de
trabalho que s ocupa as mos. Minha mente estava definitivamente tendo
tempo demais, e eu j estava  ficando fora de controle. Eu flutuei entre
uma espera to intensa que quase chegava a ser dolorosa, e o medo
inscidioso que envolvia a minha escolha. Eu tive que  continuar me
lembrendo que eu j havia feito minha escolha, e no ia voltar atrs. Eu
tirei seu bilhete do bolso tantas vezes quanto foram necessrias para
absorver  as duas palavras que ele havia escrevido. Ele me queria a
salvo, eu disse pra mim mesma de novo e de novo. Eu s tinha que me
segurar  f de que, no final, esse  desejo estaria acima dos outros. E
qual era a minha outra opo- tir-lo da minha vida? Intolervel. Alm
do mais, desde que eu cheguei  Forks, parecia que minha  vida era sobre
ele. Mas uma vozinha no fundo da minha mente estava preocupada se doeria
muito ...se acabasse mal. Eu fiquei aliviada quando chegou um horrio
aceitvel  pra eu ir dormir. Eu sabia que estava estressada demais pra
dormir, ento eu fiz algo que nunca fiz antes. Eu deliberadamente tomei
remdio pra gripe desnecessariamente-  o tipo que me tirava do ar por
oito horas. Eu normalmente no toleraria esse tipo de comportamento de
mim mesma, mas eu sabia que amanh j seria uma dia complicado  sem que
eu estivesse voadora por falta de sono. Enquanto eu esperava que os
remdios fizessem efeito, eu sequei meu cabelo at que ele estivesse
impecavelmente liso,  e procurei pelo que eu vestiria amanh. Com tudo
preparado para a manh, eu deitei na minha cama. Eu sentia hiperativa;
eu no parar de me contrair. Eu me levantei  e fucei na minha caixa de
sapatos at encontrar uma coleo de CD's com os noturnos de Chopin. Eu
o coloquei baixinho e me deitei de novo, concentrando em relaxar  as
partes do meu corpo individualmente. Em algum lugar no meio desses
exerccios, os remdios fizeram efeito, e eu alegremente fui ficando
inconsciente. Eu acordei  cedo, tendo dormido sonoramente e sem sonhos
graas ao meu uso desnecessrio de remdios. Apesar de estar bem
descansada, eu entrei no mesmo frenes apressado da  noite passada. Eu
me vest com pressa, ajeitando a gola da blusa no meu pescoo, passando
os dedos no sweater at que ele ficou bem acima da minha cala. Eu dei
uma rpida olhada pela janela pra ver que Charlie j tinha ido embora.
Uma fina camada de nuvens macias passeava pelo cu. No parecia que elas
iam durar por muito  tempo. Eu com o caf da manh sem sentir o gosto
da comida, me apressando pra limpar tudo quando eu acabei. Eu olhei pela
janela de novo, mas nada havia mudado.  Eu tinha acabado de escovar os
dentes e estava descendo as escadas quando uma batida baixinah na porta
fez meu corao bater com mais nas minhas costelas. Eu voei  para a
porta; eu tive uns probleminhas com o ferrolho, mas eu finalmente abr a
porta, e l estava ele. A agitao se dissolveu assim que eu olhei para
o rosto dele,  se transformando em calma. Eu dei um suspiro de alvio-
os medos de ontem pareciam muito bobos com ele aqui.

Primeiro ele no estava sorrindo- seu rosto estava sombrio. Mas ento
sua expresso se suavisou quando ele olhou pra mim, e ento ele riu.
"Bom dia", ele deu uma  gargalhada. "Qual  o problema?" Eu olhei pra
baixo pra ter certeza que no tinha esquecido nada importante como os
sapatos, ou as calas. "Estamos combinando",  ele riu de novo. Eu
perceb que ele estava usando um sweater da cor do meu, com uma camisa
de gola por baixo, e jeans azuis. Eu r com ele, escondendo uma pontinha
de arrependimento- porque ele tinha que parecer um modelo de passarela
quando eu no podia? Eu tranquei a porta atrs de mim enquanto ele
andava para a caminhonete.  Ele esperou ao lado da porta do passageiro,
com uma expresso martirisada que era fcil de compreender. "Ns temos
um acordo", eu lembrei presumidamente, sentando  no banco do motorista e
me inclinando no banco para abrir a porta pra ele. "Pra onde?" eu
perguntei. "Ponha o seu cinto de segurana- eu j estou nervoso". Eu dei
uma olhada feia enquanto repetia. "Pra onde?", eu repet com um suspiro.
"Pegue a estrada um-zero-um para o norte", ele comandou. Era
surpreendentemente difcil  me concentrar na estrada com os olhos dele
no meu rosto. Eu compensei dirigindo ainda mais cuidadosamente pela
cidade ainda adormecida. "Voc estava planejando voltar   Forks antes
do anoitecer?" "Esta velha caminhonete  velha o suficiente pra ser a
av do seu carro- tenha algum respeito". Eu rebat. Em pouco tempo
estvamos  fora dos limites da cidade- apesar da negatividade dele.
Grossos arbustos e rvores com os troncos cobertos de verde substituiam
os gramados e as casas. "Vire   direita na um-dez", ele instruiu bem
quando eu estava prestes a perguntar. Eu obedec silenciosamente. "Agora
ns vamos at onde o asfalto termina." Eu podia ouvir  um sorriso na voz
dele, mas eu estava com medo de sair da estrada e provar que ele estar
certo. "E onde  que d, quando o asfalto acaba?" Eu imaginei. "Numa
trilha".  "Ns vamos fazer uma caminhada?", graas  Deus que eu estava
usando tnis. "Isso  um problema?", parecia que ele esperava que fosse.
"No", eu tentei fazer a mentira  soar confiante. Mas se ele pensava que
minha caminhonete era lenta... "No se preocupe. So s uns cinco
quilometros, e ns no estamos com pressa". Cinco quilmetros.  Eu no
respond para que ele no ouvsse o pnico na minha voz. Cinco
quilometros de razes traioeiras e pedras soltas, tentando torcer meu
tornozelo ou me incapacitar  de alguma forma. Isso ia ser humilhante.
Ns dirigimos em silncio enquanto eu contemplava o horror que se
aproximava. "O que voc est pensando?", ele perguntou  impacientemente
depois de alguns minutos. Eu ment de novo. "S imaginando pra onde
estamos indo". " um lugar pra onde eu gosto de ir quando o clima est
bom".  Ns dois olhamos para as nuvens que estavam afinando depois que
ele falou. "Charlie disse que hoje estaria morno" "E voc contou ao
Charlie o que ia fazer?", ele  perguntou

"No". "Mas Jssica acha que vamos pra Seattle juntos?", ele pareceu
animado com a idia. "No, eu disse pra ela que havamos cancelado- o
que  verdade". "Ningum  sabe que voc est comigo?",agora com raiva.
"Isso depende... eu acredito que voc tenha contado pra Alice". "Isso
ajuda muito, Bella". Ele disparou. Eu fing no  ouvir isso. "Forks te
deixa to deprimida que agora voc virou suicda?" ele perguntou quando
eu ignorei ele. "Voc disse que podia te causar problemas...ns sendo
vistos juntos publicamente". Eu lembrei ele. "Ento voc est preocupada
com o que pode acontecercomigo- se voc no voltar pra casa?" Sua voz
ainda estava enraivecida,  mas um pouco sarcstica. Eu afirmei com a
cabea, mantendo meus olhos na estrada. Ele murmurou alguma coisa to
baixa e to rpido que eu no consegu entender.  Ficamos em silncio
pelo resto do caminho. Eu podia sentir as ondas furiosas de desaprovao
que vinham dele, e no conseguia pensar em nada pra dizer. E ento a
estrada acabou, sendo seguida por uma fina trilha , marcada por um
pedao de madeira. Eu parei no acostamento e desci do carro, preocupada
porque ele estava com  raiva de mim e eu no tinha mais a estrada como
desculpa pra no olhar pra ele. Estava mais quente agora, mais quente do
que j esteve em Forks desde o dia que eu  cheguei l, quase mormacento
embaixo das nuvens. Eu tirei meu sweater e amarrei na cintura, feliz por
ter usado uma camisa leve, sem mangas- especialmente j que  eu tinha
cinco quilometros de caminhada  minha frente. Eu ouv sua porta bater
tambm, e virei pra ver que ele tambm tinha tirado o sweater. Ele
estava olhando  pra longe de mim, para a floresta que estava ao lado da
minha caminhonete. "Por aqui", ele disse, olhando pra mim por cima do
ombro, os olhos perturbados. Ele comeou  a entrar na floresta escura.
"A trilha?", o pnico comeou a tomar conta da minha voz enquanto eu
dava a volta na minha caminhonete correndo para acompanh-lo. "Eu  disse
que havia uma trilha no fim do caminho, no que amos us-la". "Sem
trilha?" eu perguntei desesperadamente. "Voc no vai se perder". Nessa
hora ele se virou  pra mim, com um sorriso de zombaria e eu tentei
prender um suspiro. A camisa branca dele era sem mangas, e ele estava
usando desabotoada, ento a suave pele branca  do seu pescoo seguia
ininterruptamente at os contornos do seu peito, sua musculatura
perfeita no estava mais meramente escondida por roupas. Ele era
perfeito  demais, eu me dei conta com uma penetrante sensao de
desespero. No tinha jeito dessa criatura divina ter sido feita pra
ficar comigo. Ele olhou pra mim, desconcertado  com minha expresso de
tortura. "Voc que voltar pra casa?" ele perguntou baixinho, uma dor
diferente da minha saturando a voz dele. "No" eu caminhei at ficar  ao
lado dele, ansiosa pra no desperdiar nem um segundo do tempo que tinha
com ele. "Qual  o problema?" ele perguntou, sua voz gentil. "Eu no sou
muito boa em  caminhadas", eu disse estupidamente. "Voc vai ter que ser
paciente". "Eu posso ser paciente- se eu fizer um grande esforo". Ele
sorriu, prendendo o meu olhar,  tentando me tirar do meu abatimento
inexplicado, repentino.

Eu tentei sorrir de volta, mas o sorriso no foi convincente. Ele
analisou me rosto. "Eu vou te levar pra casa", ele prometeu. Eu no
sabia se a promessa era incondicional,  ou restrita a uma partida
imediata. Eu sabia que ele pensava que era o medo que estava me
aborrecendo, e eu estava agradecida de novo por ser a nica pessoa cuja
mente ele no podia ouvir. "Se voc quer que eu ande cinco quilmetros
dentro da floresta antes que o sol se ponha,  melhor voc comear a
mostrar o caminho", eu  disse acidamente. Ele fez uma careta pra mim,
lutando pra entender meu tom e minha expresso. Depois de um momento ele
desistiu e me guiou para a floresta. Era to  ruim quanto eu tema. O
caminho era quase todo plano e ele segurou as samambaias e trepadeiras
pra que eu passasse. Quando o caminho ficou fechado por causa de rvores
cadas e pedregulhos, ele me ajudou, me levantando pelo cotovelo, e
depois me colocando no cho instantaneamente quando o caminho estava
limpo. O toque da pele dele  no parava de fazer meu corao bater
alucinadamente. Duas vezes, quando isso aconteceu, eu olhei para o rosto
dele e me dei conta que ele estava ouvindo, de alguma  forma. Eu tentei
manter os meus olhos da sua perfeio o mximo que pude, mas eu falhava
com frequencia. Todas as vezes, a beleza dele me afundava na depresso.
Na maior parte do caminho, ns caminhamos em silncio. Ocasionalmente,
ele me perguntava algo do cotidiano que ele havia deixado passar durante
os dois dias de questionrio.  Ele me perguntou sobre os meus
aniversrios, minha notas, meus animais de estimao na infncia- e eu
admit que depois de ter matado trs peixinhos, eu tive que  desistir da
empreitada. Ele sorriu com isso, mais alto do que o normal- como o
dobrar de sinos dentro da floresta vazia. A caminhada me tomou boa parte
da manh,  mas ele no mostrou nenhum sinal de impacincia. A floresta
se arrastava ao nosso redor como um labirinto de rvores ansis, e eu
comecei a ficar com medo que ele  nunca mais encontrasse o caminho de
volta. Ele estava perfeitamente calmo, confortvel no labirinto verde,
parecendo nunca ter dvidas em relao  direo. Depois  de algumas
horas, a luz que passava pela copa das rvores se transformou, o tom
azeitona se tornou uma cor brilhante de Jade. O dia tinha se tornado
ensolarado,  exatamente como ele havia dito. Pela primeira vez desde que
entramos na floresta, eu comecei a sentir uma excitaoque logo se
transformou em impaciencia. "J chegamos?",  eu perguntei, fingindo
fazer uma carranca. "Quase", ele sorriu pelo mudana no meu humor. "Voc
v a claridade al na frente?" Eu tentei enxergar dentro da vasta
floresta. "Umm, eu devia?" Ele brincou. "Talvez seja cedo demais pra os
seus olhos". "Hora de visitar o oculista", eu murmurei. O sorriso dele
cresceu ainda mais.  Mas ento, alguns metros mais  frente, eu
definitivamente podia ver uma luminosidade atrs das rvores, um brilho
que era amarelo e no verde. Eu apertei o passo,  minha ansiosidade
crescendo a cada passo. Ele me deixou guiar agora, seguindo
silenciosamente. Eu alcancei a borda da piscina de luz e entrei pelas
ltimas samambaias  no lugar mais adorvel que j tinha visto. A
clareira era pequena, perfeitamente redonda, e cheia de flores
selvagens- violetas, amarelas e de um branco macio. Em  algum lugar
prximo, eu podia ouvir o som borbulhante de um rio. O sol estava bem
frente, enchendo o crculo com uma incandescente luz amarela. Eu
caminhei lentamente,  abobalhada, atravs da grama macia, das flores e
do ar morno, convidativo. Eu dei uma meia volta, esperando

compartilhar isso com ele, mas ele no estava atrs de mim onde eu
achava que ele estaria. Eu me virei, procurando por ele, alarmada de
repente. Finalmente eu encontrei  ele, ainda embaixo da densa sombra das
copas na borda da clareira, me observando com olhos cuidadosos. S ento
eu me lembrei do que tinha me levado al e que a  beleza do lugar havia
me feito esquecer- o enigma de Edward e o sol, que ele havia prometido
decifrar pra mim hoje. Eu dei um passo na direo dele, meus olhos
estavam  curiosos. Seus olhos estavam confusos, relutantes. Eu sorr
encorajando e o convidei com a mo, dando outro passo na sua direo.
Ele levantou uma mo como num aviso,  eu hesitei, dando um passo pra
trs nos tornozelos. Edward pareceu respirar fundo, e ento deu um passo
dentro da luz brilhante do sol da tarde.

13. Confisses Edward na luz do sol era chocante. eu no conseguia me
acostumar com isso, mesmo tendo passado a tarde inteira olhando pra ele.
A pele dele, a despeito de uma leve  ruborescncia pela caada de ontem,
estava literalmente brilhando, como se milhes de pequenos diamantes
estivessem cravados em sua superfcie. Ele ficou completemente  rgido
na grama, sua camisa aberta deixava seu peito esculpido, incandescente
aparecer, seus braos incandescentes estavam ns. Suas plpebras
brilhantes e plidas  da cor de lavanda estavam fechadas, apesar dele
no estar dormindo. A esttua perfeita, talhada em alguma pedra
desconhecida, suave como o mrmore, e brilhante como  o cristal. De vez
em quando, seus lbios se moviam to rpido que pareciam que estavam
tremendo. Mas quando eu perguntei, ele disse que estava cantando pra si
mesmo;  era baixo demais pra que eu ouvisse. Eu aproveitei o sol,
tambm, apesar do ar no estar seco op suficiente para o meu gosto. Eu
teria gostado de me deitar, como  ele, e deixar o sol esquentar meu
rosto. Mas eu fiquei enrolada, com o queixo nos meus joelhos, sem querer
tirar os olhos dele. O vento estava calmo; ele assoprou  meu rosto e
balanou a grama embaixo da sua forma imvel. A clareira, to
espetacular pra mim antes, agora era feia em comparao com ele.
Hesitantemente, sempre  com medo,mesmo agora, que ele desaparecesse como
uma miragem, bonito demais pra ser real... hesitantemente, eu levantei
um dedo e alisei as costas da sua mo brilhante,  at onde deu pra
alcanar. De novo, eu fiquei maravilhada com a textura perfeita, macia
como seda, fria como pedra. Quando eu olhei pra cima, seus olhos estavam
abertos, me observando. Seus olhos estava da cor de whisky hoje, mais
claros, mais amenos depois da caada de ontem. Seu rpido sorriso curvou
os cantos dos seus  lbios perfeitos. "Eu no te assusto?", ele
perguntou de brincadeira, mas eu ouvia a curiosidade por trs da sua voz
suave. "No mais que o normal". Seu sorriso  cresceu; seus dentes
brilharam ao sol. Eu cheguei mais perto, abrindo minha mo pra tocar os
contornos do seu brao com as pontas dos meus dedos. Eu v que meus
dedos tremeram, e eu sabia que ele no deixaria de notar. "Voc se
incomoda?", eu perguntei j que ele havia fechado os olhos de novo.
"No", ele disse sem abrir  os olhos. "Voc no pode imaginar o que isso
me faz sentir", ele suspirou. Eu passei minha mo suavemente no seu
brao, trilhando os contornos dos musculos perfeitos,  segui a leve
linha das veias em baixo do seu cotovelo. Com minha outra mo, eu virei
a mo dele. Se dar conta do que eu queria, ele levantou sua mo em um
daqueles  movimentos rpidos e desconcertantes dele. Isso me assustou,
meus dedos congelaram no brao dele por um breve segundo. "Me desculpe",
ele murmurou. Eu olhei pra  cima pra ver seus olhos claros se fechando
de novo. " fcil demais ser eu mesmo quando eu estou com voc". Eu
levantei a mo dele, virando ela pra cima e pra baixo  enquanto eu
observava o brilho do sol cintilar na sua palma. Eu segurei ela mais
prxima do meu rosto, tentando ver os detalhes escondidos da pele dele.
"Me diga  o que voc est pensando", ele sussurou. Eu olhei pra cima pra
ver seus olhos me observando, repentinamente atentos. "Ainda  estranho
pra mim, no saber". "Sabe,  o resto de ns se sente assim o tempo
inteiro".

" uma vida injusta". Ser que eu imaginei a pontada de arrependimento
na voz dele? "Mas voc ainda no me disse". "Eu estava desejando saber o
que voc estava pensando..."  eu hesitei. "E...?" "Eu estava desejando
poder acreditar que voc  real. E eu estava desejando no ter medo".
"Eu no quero que voc sinta medo", a voz dele era  um leve murmrio. Eu
ouv o que ele queria ter dito na verdade, que eu no precisava ter
medo, que no havia nada a temer. "Bem, no  exatamente desse medo que
eu estou falando, apesar de que isso realmente  algo em que eu devia
estar pensando". To rpido que eu perd o movimento, ele estava meio
sentado, apoiado no brao  direito, sua palma esquerda ainda na minha
mo. Seu rosto angelical estava a apenas alguns centmetros do meu. Eu
devo ter - posso ter me afastado algns centmetros,  assustada com a
sbita aproximao, mas eu no consegui me mexer. Seus olhos dourados me
hipnotizaram. "Do que voc est com medo, ento?", ele sussurou
atentamente.  Mas eu no consegui responder. Como eu j tinha feito
antes, eu senti a sua respirao gelada no meu rosto. Doce, delicioso, o
cheiro fez a minha boca encher de  gua. No havia nada parecido.
Instintivamente, sem pensar, eu me inclinei pra frente para inalar o
cheiro. E ele desapareceu, sua mo sumiu da minha. Quando os  meus olhos
fianlmente ficaram focados, eu percebi que ele estava a uns trs metros
de distncia, de p na beira da clareira, na sombra de uma enorme
rvore. Ele  me encarou, seus olhos escuros nas sombras, sua expresso
ilegvel. Eu podia sentir a dor e o choque no meu rosto. Minhas mos
vazias tremeram. "Me...desculpe...Edward",  eu sussurei. Eu sabia que
ele podia ouvir. "Me d um momento", ele respondeu, alto o suficiente
apenas para eu ouvir. Eu sentei muito rgida. Depois de dez segundos
incrivelmente longos, ele voltou, devagar demais pra ele. Ele parou
ainda a vrios passos de distncia e se sentou graciosamente no cho,
cruzando as pernas. Seus  olhos no se desgrudavam dos meus. Ele
respirou fundo duas vezes, e ento sorriu se desculpando. "Eu sinto
muito", ele hesitou. "Voc entenderia se eu dissesse que  sou apenas
humano?" Eu afirmei com a cabea uma vez, sem conseguir rir da piada
dele. A adrenalida pulsou nas minhas veias quando eu me dei conta do
verdadeiro perigo.  Ele conseguia sentir isso no importava onde ele se
sentasse. Seu sorriso se tornou zombeteiro. "Eu sou o melhor predador do
mundo, no sou? Tudo em mim  convidativo  pra vocminha voz, meu rosto
e at meu cheiro. Como se eu precisasse disso!" Inesperadamente, ele
estava de p, andando pra longe, instantemente fora de vista, s  pra
depois aparecer atrs daquela mesma rvore de antes; ele circulou a
clareira em meio segundo. "Como se voc pudesse fugir de mim". Ele
sorriu amargamente. Ele  levantou uma mo e, com um crack alto, ele
arrancou uma rvore de dois metros de altura com raiz e tudo, sem
esforo. Ele segurou ela com uma mo por um momento,  e ento jogou ela
pra longe com uma rapidez impressionante, fazendo com que ela se
chocasse contra outra rvore enorme, ela caiu no cho com um barulho
incrvel  fazendo o cho tremer. E ele estava na minha frente de novo, 
dois passos de distncia, ainda como uma pedra. "Como se voc pudesse me
vencer", ele disse gentilmente.

Eu me sentei imvel, com mais medo dele do que eu jamais sent. Eu nunca
tinha visto ele fora daquela fachada cuidadosamente cultivada. Ele nunca
esteve menos humano...  ou mais bonito. Com o rosto plido, olhos
arregalados, eu estava sentada como um pssaro preso pelos olhos da
cobra. Seus olhos adorveis pareciam brilhar com a  excitao. Ento,
quando os segundos passaram, eles foram escurecendo. Sua expresso
lentamente foi se transformando numa mscara de tristeza. "No tenha
medo",  ele murmurou, sua voz sedosa era muito atraente mesmo sem essa
inteno. "Eu prometo..." ele hesitou. "Eu juro que no vou te
machucar". Ele parecia estar mais preocupado  em se convencer disso do
que a mim. "No tenha medo", ele sussurou de novo, enquanto dava um
passo  frente, com uma lentido exagerada. Ele se sentou sinuosamente,
com movimentos deliberadamente lentos, at que os nossos rostos estavam
na mesma altura, a apenas uns centmetros de distncia. "Por favor me
perdoe", ele disse  formalmente. "Eu posso me controlar. Voc me pegou
de surpresa. Mas eu estou com o meu melhor comportamento agora". Ele
esperou, mas eu no conseguia falar. "Eu  no estou com sede hoje,
honestamente", ele piscou pra mim. Com essa eu tive que rir, apesar do
som estar tremendo e sem flego. "Voc est bem?", ele perguntou
delicadamente, levantando a mo lentamente, cuidadosamnete, pra
coloc-la de volta na minha. Eu olhei para a sua mo suave, fria, e
ento para seus olhos. Eles estavam  suaves, arrependidos. Eu olhei de
volta para as suas mos, e ento deliberadamente recomecei a tatear a
sua mo com as pontas dos meus dedos. Eu olhei pra cima e  sorr
timidamente. O sorriso dele era deslumbrante. "Ento onde  que ns
estavamos, antes de eu me comportar to rudemente?", ele perguntou com
as tendncias gents  do incio do sculo. "Eu honestamente no me
lembro" Ele sorriu mas o seu rosto estava envergonhado. "Ns estvamos
falando sobre porque voc estava com medo, sem  contar as razes
bvias". "Ah certo". "Ento?" Eu olhei para as mos dele e tateei  toa
na sua palme macia. Os segundos passaram. "Como eu fico frustrado
facilmente",  ele suspirou. Eu olhei para os olhos dele,me dando conta
abruptamente que isso era to novo pra ele quanto era pra ele. Assim
como muito anos de experincias insondveis  que ele teve, isso era
difcil pra ele tambm. Eu me encorajei com esse pensamento. "Eu estava
com medo...porque, bem, por razes bvias, eu no posso ficar com  voc.
E eu tenho medo de querer ficar com voc, mais at do que eu devia". Eu
olhei pra baixo para as mos dele enquanto falava. Era difcil pra mim
dizer isso em  voz alta. "Sim", ele concordou lentamente. "Isso  algo
pra se temer, realmente. Querer ficar comigo. Esse realmente no  o seu
melhor interesse". Eu fiz uma careta.  "Eu j devia ter ido embora a
muito tempo", ele suspirou. "Eu devia ir embora agora. Mas eu no sei se
consigo". "Eu no quero que voc v embora", eu murmurei pacientemente,
olhando pra baixo de novo.

"E  exatamente por isso que eu devia ir. Mas no se preocupe. Eu sou
uma pessoa essencialmente egosta. Eu necessito demais da sua companhia
para fazer o que eu  devia". "Eu fico alegre" "No fique!". Ele retirou
a sua mo, mais gentilmente dessa vez; sua voz estava mais grossa que de
costume, ainda mais bonita do que qualquer  voz humana. Era difcil
acompanhar- as mudanas subitas do seu humor sempre me deixavam pra
trs, confusa. "No  apenas da sua companhia que eu necessito! Nunca
se esquea disso. Nunca se esquea de que eu sou muito mais perigoso pra
voc do que pra qualquer outra pessoa". Ele parou e eu olhei pra ele pra
ver que ele estava  olhando a floresta sem ver nada. Eu pensei por um
momento. "Eu acho que no entendo o que voc quis dizer- sobre a ltima
parte", eu disse. Ele olhou pra mim e sorriu,  seu humor mudando de
novo. "Como eu vou explicar?", ele zombou. "E sem assustar
voc...Hummm". Sem parecer pensar em nada, ele colocou sua mo de volta
na minha;  eu apertei a mo dele com as minhas duas. Ele olhou para as
nossas mos. "Isso  incrivelmente prazeroso. O calor", ele suspirou. Um
momento se passou enquanto ele  assemelhava seus pensamentos. "Voc sabe
como as pessoas gostam de diferentes sabores?", ele comeou. "Como
alguns gostam de sorvete de chocolate, outros preferem  morango?" Eu
afirmei com a cabea. "Me desculpe pela analogia  comida- eu no
conseguia pensar em outra forma de explicar". Eu sorri. Ele sorriu de
volta sem graa.  "Entenda, cada pessoa cheira diferente, tem uma
essencia diferente. Se voc colocasse uma pessoa alclotra numa sala
cheia de cerveja, ela beberia feliz. Mas ela  poderia resistir, se ela
quisesse, se ela fosse uma alclica em reabilitao. Agora digamos que
voc~e coloca nessa sala uma garrafa de brandy de cem anos, o conhaque
mais raro, mais fino- que enche a sala com o seu aroma- como voc~e acha
que ela reagiria?" Ns sentamos em silncio, olhando para os olhos um do
outro - tentando  ler os pensamentos um do outro. Ele quebrou o silncio
primeiro. "Talvez essa no seja a comparao certa. Talvez fosse fcil
demais recusar o brandy. Talvez o nosso  alclico devesse ser um viciado
em herona". "Ento, o que voc est dizendo  que eu sou a sua injeo
de herona?", eu brinquei, tentando melhorar o clima. Ele  sorriu
brevemente, parecendo apreciar meu esforo. "Voc  exatamente minha
injeo de herona". "Isso acontece sempre?" eu perguntei. Ele olhou
para o topo das  rvores enquanto pensava na resposta. "Eu falei com os
meus irmos sobre isso". Ele ainda olhava pra longe. "Pra Jasper, todos
vocs so praticamente iguais. Ele  foi o que se juntou  famlia mais
recentemente. A abstinncia j  difcil pra ele por si s. Ele ainda
no teve tempo pra desenvolver o olfato, as diferenas do  cheiro, no
sabor". Ele olhou rapidamente pra mim, se desculpando. "Desculpe", ele
disse. "Eu no me importo. Por favor, no tenha medo de me ofender, ou
me assustar,  ou o que quer que seja.  aasim que voc pensa. Eu posso
entender, ou pelo menos tentar. Me explique como puder." Ele respirou
fundo e olhou para o cu de novo.

"Ento Jasper no tinha certeza se j tinha cruzado com algum to"ele
hesitou procurando pela palavra certa - "atraente como voc  pra mim".
O que me faz acreditar  que no. Emmett j est nessa a mais tempo, por
assim dizer, e ele entendeu o que eu quis dizer. Ele disse que j
aconteceu com ele duas vezes, para ele, uma vez  foi mais difcil que a
outra". "E com voc?" "Nunca". A palavra ficou pendurada durante um
momento na brisa morna. "O que Emmett fez?" eu perguntei pra quebrar o
silncio. Foi a coisa errada pra perguntar. Seu rosto obscureceu, a mo
dele se apertou no punho dentro da minha. Ele desviou o olhar. Eu
esperei, mas ele no ia  responder. "Eu acho que j sei", eu finalmente
disse. Ele levantou os olhos, sua expresso tristonha, implorativa. "At
o mais forte de ns comete erros, no ?"  "Voc est pedindo o que?
Minha permisso?", minha voz estava mais cortante do que eu pretendia.
Eu tentei deixar o meu tom mais suave - eu podia imaginar o que  a sua
honestidade estaria custando pra ele. "Eu quero dizer, no existem
esperanas, ento?" Como eu podia discutir a minha morte to calmamente!
"No, no", ele  estava instantaneamente arrependido. " claro que h
esperana! Digo,  claro que eu no vou..." Ele no terminou a frase.
Seus olhos queimavam nos meus. " diferente  conosco. Emmett... aqueles
eram estranhos que cruzaram o nosso caminho. Foi h muito tempo e ele
no tinha tanta... prtica e cuidado que tem hoje". Ele ficou em
silncio me observando atentamente enquanto eu pensava nisso. "Ento...
se tivssemos nos conhecido num beco escuro ou alguma coisa assim...",
minha voz falhou.  "Eu fiz tudo o que pudia pra no pular em voc no
meio de uma sala cheia de crianas e"- ele parou abruptamente, desviando
o olhar. "Quando voc passou por mim,  eu podia ter arruinado tudo o que
Carlisle construiu pra ns, l mesmo. Se eu no tivesse renegado a minha
sede pelos ltimos, bem , muitos anos, eu no teria sido  capaz de me
refrear". Ele parou, olhando para as rvores. Ele olhou pra mim
severamente, ns dois lembrando. "Voc deve ter pensado que eu estava
possudo". "Eu  no conseguia entender porque. Como voc poderiame odiar
to rapidamente..." "Pra mim, era como se voc fosse uma espcie de
demnio, reunindo foras do meu prprio  inferno pra me destrir. A
fragrncia que saia da sua pele... eu pensei que ia me deixar
desarranjado naquele primeiro dia. Naquela uma hora, eu pensei em
milhes  de formas de te tirar da sala comigo, pra que ficssemos
sozinhos. E eu lutei com esses pensamentos, pensando na minha famlia, o
que eu podia causar pra eles. Eu  tive que sair correndo, pra sair de
perto de voc antes de te dizes as palavras que faria voc me seguir..."
Ento ele olhou pra cima para a minha expresso vacilante  enquanto eu
tentava absorver memrias amargas. Seus olhos dourados me observavam por
baixo dos clios, hipnoticos e mortais. "Voc teria vindo", ele
garantiu. Eu  tentei falar calmamente. "Sem dvida". Ele olhou pra baixo
para as minhas mos, me libertando da fora do seu olhar. "E ento,
enquanto eu tentava refazer o meu  horrio numa tentativa intil de te
evitar, voc estava l- naquela sala pequena, quente, o seu cheiro era
enlouquecedor. E ento eu quase te ataquei l. S havia  uma outra
frgil humana l-fcil de lidar

Eu me arrepiei no sol quente, vendo minhas memrias atravs dos olhos
dele, s agora me dando conta do perigo. Pobre Sra. Cope; eu trem de
novo por saber que por  pouco eu no fui a causa da sua morte. "Mas eu
resisti. Eu no sei como. Eu me forcei a no te esperar, a no seguir
voc depois da escola. Foi mais fcil do lado  de fora, quando eu no
conseguia mais sentir o seu cheiro, eu consegui pensar claramente, tomar
a deciso correta. Eu deixei os outros perto de casa- eu estava
envergonhado  demais pra contar pra ele o quanto eu era fraco, eles s
sabiam que algo estava muito errado- eu fui direto at Carlisle, no
hospital, pra dizer pra ele que estava  indo embora". Eu o encarei
surpresa. "Eu troquei de carro com ele - o dele estava com o tanque
cheio e eu no queria parar. Eu no queria ir pra casa, para enfrentar
Esme. Ela no me deixaria ir sem fazer uma cena. Ela teria tentado me
convencer de que no era necessrio... "Na manh seguinte eu j estava
no Alaska". Ele parecia  envergonhado, como se estivesse admitindo uma
grande covardia. "Eu fiquei l dois dias, com alguns conhecidos...mas
fiquei com saudades de casa. Eu detestava saber  que estava machucando
Esme, e o resto deles, minha famlia adotiva. No ar puro das montanhas
era difcil de acreditar que voc fosse to irresistvel. Eu me convenc
de que era um fraco por ter fugido. Eu lidei com a tentao antes, no
nessas propores, nem perto disso, mas eu era forte. Quem era voc, uma
garotinha insignificante"  - ele sorriu de repente- "pra me afastar do
lugar onde eu queria estar? Ento eu voltei..." Ele parou . Eu no
conseguia falar. "Eu tomei precaues, caando, comendo  mais do que o
normal antes que ver voc de novo. Eu tinha certeza de que era forte o
suficiente pra ter tratar como qualquer outra humana. Eu estava sendo
arrogante.  "Era inquestionavelmente uma complicao no poder
simplesmente ler a sua mente pra saber o que voc pensava de mim. Eu no
estava acostumado a ser to indireto,  escutando as suas palavras pelos
pensamentos de Jssica... a mente dela no  muito origonal, e era
irritante ter que me manter preso quilo. E depois eu no sabia  se voc
realmente estava pensando as coisas que estava dizendo. Tudo era
extremamente irritante." Ele fez uma careta pela memria. "Eu queria que
voc esquecesse  o meu comportamento no primeiro dia, se possvel, ento
eu tentei falar com voc como eu falaria com qualquer pessoa. Eu estava
ansioso na verdade, esperando decifrar  os seus pensamentos. Mas voc
era interessante demais, eu me v vidrado nas suas expresses... e de
vez em quando voc esporeava o ar com o cabelo ou com as mos,  e o
cheiro me pegava de novo... " claro, depois voc quase foi espremida
at a morte diante dos meus olhos. Depois eu pensei na desculpa perfeita
pra ter feito  o que eu fiz naquele momento - porque se eu no tivesse
te salvado, seu sangue teria se esparramado bem na minha frente, eu no
acho que teria conseguido evitar  e teria exposto a ns todos. Mas eu s
pensei nessa desculpa depois. Naquela hora, tudo o que eu conseguia
pensar era 'ela no'". Ele fechou os olhos, perdido em  sua confisso
agonizante. Eu escutei, mais ansiosa do que era racional. Meu senso
comum devia me dizer pra ficar assustada. Mas ao invs disso, eu estava
aliviada  por finalmente entender. Eu estava cheia de compaixo pelo seu
sofrimento, mesmo agora, enquanto ele confessava que queria tirar minha
vida. Eu finalmente consegui  falar, apesar da minha voz estar fraca.
"No hospital?" Seus olhos vieram parar nos meus. "Eu estava intimidado.
Eu no conseguia acreditar que tinha exposto a ns  todos daquela forma,
me colocado na sua mo- voc entre todas as pessoas. Como se eu
precisasse de outro motivo pra te matar". Ns dois enrijessemos quando a
palavra  escapuliu. "Mas teve o efeito oposto", ele continuou
rapidamente.

"Eu briguei com Rosalie, Emmett, e com Jasper quando eles sugeriram que
essa era a hora... foi a pior briga que j tivemos. Carlisle ficou do
meu lado, e Alice".  Ele fez uma cara estranha quando disse o nome dela.
Eu no podia imaginar o porqu. "Esme me disse pra fazer o que eu
tivesse que fazer pra ficar". Ele balanou  a cabea indulgentemente.
"No dia seguinte eu espionei as mentes de todas as pessoas que falavam
com voc, chocado por voc ter mantido sua palavra. Eu no entendia  nem
um pouco. Mas eu sabia que no podia me envolver nem mais um pouco com
voc. Eu fiz o que pude pra ficar to longe de voc quanto era possvel.
E todos os dias  o perfume da sua pele, sua respirao, seu cabelo...
tudo era to apelativo quanto no primeiro dia". Ele encontrou meus olhos
de novo, e ele estava surpreendentemente  carinhoso. "E por tudo isso",
ele continuou. "Eu teria feito muito melhor se eu tivesse expostos a
todos ns naquele primeiro momento, do que aqui- sem testemunhas  e
ningum pra me parar- eu ia te machucar." Eu era humana o suficiente pra
ter que perguntar. "Porque?" "Isabella", ele pronunciou meu nome inteiro
cuidadosamente,  e ento comeou a brincar com o meu cabelo com a mo
que estava livre. Como sempre, um choque correu no meu corpo quando ele
me tocou. "Bella, eu no conseguiria  viver comigo mesmo se eu te
machucasse. Voc no sabe como isso me torturou". Ele olhou pra baixo,
envergonhado de novo. "O pensamento de voc, rgida, branca, fria...
nunca mais ver voc ficar corada de novo, nunca mais ver esse flash de
intuio que passa nos seus olhos quando voc desvenda uma das minhas
pretenses... isso seria  insuportvel". Ele levantou seus olhos
gloriosos, agonizantes para os meus. "Voc  a coisa mais importante pra
mim agora. A coisa mais importante que eu j tive".  Minha cabea estava
rodando pela rapidez que a nossa conversa mudou de rumo. Do alegre
tpico do meu falecimento impedido, ns de repente estavamos nos
declarando.  Ele esperou, e mesmo estando com a cabea baixa, olhando
para as nossas mos, que estavam entre ns, eu sabia que seus olhos
dourados estavam em mim. "Voc j sabe  como eu me sinto,  claro", eu
disse finalmente. "Eu estou aqui... que, traduzindo, significa que eu
preferiria morrer do que ficar longe de voc". Eu fiz uma careta.  "Eu
sou uma idiota". "Voc  uma idiota", ele concordou sorrindo. Nossos
olhos se encontraram e eu sorri tambm. Ns sorrimos juntos pela
idiotice e impossvel felicidade  do momento. "E ento o leo se
apaixona pelo cordeiro..." ele murmurou. Eu escond meus olhos pra no
mostrar o quanto eles haviam ficado felizes com a palavra.  "Que
cordeiro idiota", eu suspirei. "Que leo doente e masoquista", Ele olhou
para a floresta cheia de sombras e eu fiquei imaginando onde seus
pensamentos haviam  o levado. "Porque...?", eu comecei, e ento parei
por no saber como continuar. Ele olhou pra mim sorrindo; o sol
cintilava no seu rosto, nos seus dentes. "Sim?"  "Me diga porque voc
corria de mim antes". Seu sorriso desapareceu. "Voc sabe porque". "No,
eu digo, o que exatamente eu fiz de errado? Eu terei que ficar de
guarda,  sabe, pra aprender melhor o que eu devo fazer. Isso, por
exemplo" - eu alisei as costas da mo dele - "parece ser normal". Ele
sorriu de novo. "Voc no fez nada  de errado, Bella. Foi minha culpa."
"Mas eu quero ajudar, se puder, pra no fazer isso ser ainda pior pra
voc". "Bem", ele pensou por um momento. " s que voc  estava muito
perto. A maioria dos humanos  instintivamente timida perto de ns, so
repelidos pela nossa alienao... Eu

no estava esperando que voc chegasse to perto. E o cheiro da sua
garganta." Ele parou de repente, olhando pra ver se tinha me aborrecido.
"Tudo bem, ento", eu  disse alegremente, tentando aliviar a atmosfera
tensa que surgiu. Eu abaixei o queixo. "Nada de expor a garganta".
Funcionou; ele riu. "No, de verdade, foi mais  a surpresa do que
qualquer outra coisa". Ele ergueu a mo livre e a encostou no meu
pescoo. Eu sentei muito rgida, os arrepios pelo seu toque eram um
aviso natural-  um aviso natural me dizendo pra sentir medo. Mas no
havia nenhum pouco de medo em mim. Haviam, no entanto, outros
sentimentos... "Veja", ele disse. "Perfeitamente  normal". Meu sangue
estava correndo, eu desejei poder par-lo, sentindo que isso iria tornar
as coisas to mais difceis - o pulsar das minhas veias. Com certeza
ele podia ouvir. "As suas bochechas coradas so adorveis", ele
murmurou. Ele gentilmente livrou a sua outra mo. Minhas mos cairam
moles no meu colo. Ele alisou  suavemente as minhas bochechas, e ento
segurou o meu rosto entre suas mos de mrmore. "Fique bem parada", ele
murmurou, como se eu j no estivesse congelada.  Lentamente, sem tirar
os olhos dos meus, ele se inclinou na minha direo. Ento abruptamente,
mas muito gentilmente, ele descansou a sua bochecha gelada na base  da
minha garganta. Eu estava quieta, impossibilitada de me mexer, mesmo
quando eu queria. Eu escutei o som da sua respirao uniforme, olhando o
sol e o vento bricarem  com o seu cabelo cor de bronze, mais humano do
que qualquer outra parte dele. Com deliberada lentido, suas mos
escorregaram pelos lados do meu pescoo. Eu tremi,  e ouvir ele prender
a respirao. Mas suas mos no pararam e continuaram descendo at os
meus ombros, e ento pararam. Seu rosto virou para o lado, seu nariz
explorando  a minha clavcula. Ele descansou o seu rosto carinhosamente
no meu peito. Escutando o meu corao. "Ah". Ele suspirou. Eu no sei
quanto tempo ns ficamos sem nos  mexer. Podem ter sido horas.
Eventualmente, o pulsar das minhas veias se aquietou, mas ele no se
mexeu ou falou de novo enquanto me abraava. Eu sabia que  qualquer
momento aquilo podia ser demais, e minha vida acabaria- to rapidamente
que eu nem ia reparar. E eu no conseguia me fazer ficar com medo. Eu
no conseguia pensar  em nada, exceto que ele estava me tocando. E
ento, cedo demais, ele me soltou. Seus olhos estavam em paz. "No vai
mais ser to difcil", ele disse com satisfao.  "Foi muito difcil pra
voc?" "Nem de perto foi to difcil quanto eu imaginava que seria. E
voc?" "No, no foi ruim pra mim". Ele sorriu com a minha flexo. "Voc
abe o que eu quero dizer". Eu sorr. "Aqui", ele pegou minha mo e
colocou no peito dele. "Voc sente como est quente?" E a sua pele
geralmente gelada, estava quase  quente. Mas eu mal reparei, porque
estava alisando o seu rosto,algo que eu sonhava em fazer constantemente
desde o primeiro dia que eu o v. "No se mova", eu sussurei.  Ningum
conseguia ficar to rgido quanto Edward. Ele fechou os olhos e ficou
imvel como uma pedra, uma rocha embaixo da minha mo.

Eu me mov anda mais lentamente que ele, tomando cuidado pra no fazer
movimento brusco. Eu acariciei sua bochecha, delicadamente alisei suas
plpebras, os crculos  roxos embaixo dos olhos dele. Eu tracei o
formato perfeito do seu nariz, e ento, muito cuidadosamente, os seus
lbios perfeitos. Seus lbios se abriram embaixo  do meu toque, e eu
podia seu hlito frio na minha mo. Eu queria me inclinar, para sentir o
cheiro. Ento, eu me inclinei pra longe, sem querer for-lo demais.
Ele abriu seus olhos, e eles estavam famintos. No de uma maneira que me
fazia ter medo, mas sim da maneira que fez os musculos do meu estmago
se contrairem e o  meu pulso ficar acelerado de novo. "Eu queria", ele
sussurou. "Eu queria que voc sentisse a...complexidade... a confuso...
que eu sinto. Queria que voc pudesse  entender". Ele ergueu uma mo
para o meu cabelo, e ento cuidadosamente espalhou ele ao redor do meu
rosto. "Me diga", eu suspirei. "Eu no acho que posso. Eu j  te disse,
de um lado a fome -a sede- que essa criatura deplorvel que eu sou sente
por voc. E eu acho que voc consegue compreender isso, de uma certa
forma. Apesar  de que"- ele deu um meio sorriso - "Como voc no 
viciada em nenhuma substancia ilegal, voc provavelemente no pode
enfatizar completamente". "Mas...", seus dedos  tocaram levemente os
meus lbios, me fazendo tremer de novo. "Existem outras fomes. Fomes que
eu nem sequer entendo, que so estranhas pra mim". "Eu acho que entendo
isso melhor do que voc imagina". "Eu no estou acostumado a me sentir
to humano.  sempre assim?" "Pra mim?" eu pausei. "No, nunca. Nunca
antes disso". Ele segurou  minhas mos entre as suas. Elas pareciam to
fracas sob o seu aperto de ao. "Eu no sei como ficar perto de voc",
ele admitiu. "Eu no sei se consigo". Eu me inclinei  bem lentamente,
avisando ele com o meu olhar. Eu coloquei minha bochecha no seu peito de
pedra. Eu podia ouvir sua respirao, e nada mais. "Isso  suficiente",
eu suspirei, fechando os olhos. Num gesto muito humano, ele passou um
brao por mim e descanou seu rosto no meu cabelo. "Voc  melhor nisso
do que pensava", eu  notei. "Eu tenho instintos humanos- eles podem
estar enterrados bem no fundo, mas esto l". Ns sentamos nessa posio
por outro momento sem fim; eu imaginei se  ele estava to sem vontade de
se mexer quanto eu. Mas eu podia ver que a luz estava desaparecendo, as
sombras da floresta estavam comeando a se aproximar de ns,  e eu
suspirei. "Voc tem que ir". "Eu pensei que voc no podia ler minha
mente" "Ela j est comeando a ficar mais clara", eu podia ouvir o
sorriso na voz dele.  Ele segurou meus ombros e eu olhei pra o rosto
dele. "Eu posso te mostrar uma coisa?", ele pediu, uma excitao
repentina brilhando nos olhos dele. "Me mostrar o  que?" "Como eu ando
pela floresta". Ele viu minha expresso. "No se preocupe, voc estar
segura, e chegaremos na sua caminhonete muito mais rpido". Sua boca se
contorceu naquele sorriso torto to lindo e meu corao quase parou.
"Voc vai se transformar num morcego?", eu perguntei brincando. Ele riu
mais alto do que eu  jamais tinha ouvido ele sorrir. "Como se eu nunca
tivesse ouvido essa antes".

"Claro, eu tenho certeza que voc ouve isso o tempo todo" "Vamos l,
pequena covarde, suba nas minhas costas". Eu esperei pra ver se ele
estava brincando,mas, aparentemente,  ele estava falando srio. Ele
sorriu quando viu minha hesitao, e veio meu pegar. Meu corao reagiu;
apesar dele no poder ouvir ouvir meus pensamentos, minhas  pulsaes
sempre me denunciavam. Ele ento me colocou nas costas dele, com muito
pouca resistncia da minha parte, alm do mais, quando eu estava no meu
lugar, eu  agarrei ele com tanta fora com meus braos e pernas que eu
teria sufocado uma pessoa normal. Eu senti que estava agarrando uma
pedra. "Eu sou uma pouco mais pesada  do que a sua bagagem normal", eu
avisei. "Hah", ele zombou. Eu quase podia ver seus olhos revirando. Eu
nunca v ele com to bons espritos quanto hoje. Ele me surpreendeu,
segunrando a minha palma contra o rosto dele e cheirando profundamente.
"Cada vez fica mais fcil", ele murmurei. E ento ele comeou a correr.
Se alguma vez eu  j tive medo da morte antes na presena dele, isso no
era nada comparado ao que eu sentia agora. Ele corria na escurido,
entre os arbustos da foresta como uma  bala, um fantasma. No havia
nenhum som,nenhuma evidncia de que seus ps estavam realmente tocando o
cho. A respirao dele no mudou, ela no denunciava nenhum  esforo.
Mas as rvores passavam mortalmente rpidas por ns, sempre nos perdendo
por pouco. Eu estava assutada demais pra fechar os olhos, apesar do
vento da floresta  estar passando rapidamente pelo meu rosto e queimando
eles. Eu sent que estava estupidamente colocando a minha cabea pra
fora de um avio em pleno vo. E, pela  primeira vez na minha vida, eu
sent nauseas por causa do movimento. Ento estava acabado. Ns tnhamos
caminhado durante horas pela manh para chegar at a clareira  de
Edward, e agora, em questo de minutos, estvamos de volta 
caminhonete. "Divertido, no ?" A voz dele estava alta, excitada. Ele
permaneceu em p sem se mexer,  esperando que eu descesse. Eu tentei,mas
meus musculos no respondiam. Meus braos e pernas continuaram trancados
ao redor dele enquanto minha cabea girava desconfortavelmente.
"Bella?", ele perguntou, ansioso agora. "Eu acho que preciso me deitar
agora", eu gaguejei. "Oh, desculpe". Ele esperou por mim, mas eu ainda
no conseguia me mexer.  "Eu acho que preciso de uma ajudinha", eu
admit. Ele sorriu baixinho e gentilmente soltou o meus braos de seu
pescoo. No havia como resitir ao poder da sua fora  de ao. Ento ele
me puxou pra encar-lo, me segurando nos braos como uma criana
pequena. Ele me segurou por um momento e ento me colocou na grama
primaverl.  "Como voc se sente?", ele perguntou. Eu no tinha muita
certeza das coisas quando minha cabea estava girando. "Tonta, eu acho".
"Ponha a cabea entre os seus joelhos".  Eu tentei isso, e ajudou um
pouco. Eu respirei devagar, ainda mantendo minha cabea bem parada. Eu
sent ele se sentando do meu lado. Os segundos passaram, e finalmente,
eu descobri que podia levantar a cabea. Haviam um sino tocando nos meus
ouvidos. "Eu acho que essa no foi a melhor idia", ele zombou.

"Eu tentei ser positiva,mas minha voz estava fraca. "No, foi
interessante". "Hah! Voc est branca feito um fantasma- voc est
branca que nem eu". "Eu devia ter  fechado os olhos" "Lembre-se disso na
prxima vez" "Prxima vez!", eu gem. Ele riu, seu humor ainda estava
radiante. "Exibido", eu sussurei. "Abra seus olhos, Bella",  ele disse
baixinho. E ele estav l, seu rosto bem perto do meu. Sua beleza
fascinou minha mente- era demais, um excesso ao qual eu no conseguia me
acostumar. "Eu  estava pensando, enquanto eu estava correndo..." Ele
parou. "Em no bater nas rvores, eu espero". "Bella boba", ele
gargalhou. "Correr  minha segunda natureza,  no h nada o que pensar".
"Exibido", eu sussurei de novo. Ele sorriu. "No", ele continuou. "Eu
estava pensando que h algo que eu quero tentar". E ento ele pegou  meu
rosto nas mos de novo. Eu no conseguia respirar. Ele hesitou- no do
jeito normal, do jeito humano. No do jeito que o homen hesita quando
vai beijar uma mulher,  pra ver a reao dela, pra ver se ele seria
recebido. Talvez ele hesitasse pra prolongar o momento, o momento ideal
da antecipao, que as vezes era melhor do que  o beijo em si. Edward
hesitou pra se testar, pra ver se isso era seguro, pra ter certeza que
ele ainda poderia se controlar se precisasse. E ento seus lbios
gelados,  de mrmore se pressionaram nos meus. Nenhum de ns estava
preparado para a minha resposta. O sangue queimou embaixo da minha pele,
queimou nos meus lbios. Minha  respirao saiu num suspiro selvagem.
Meus dedos se fecharam nos cabelos dele, apertando ele contra mim. Meus
lbios se abriram enquanto eu respirava o su cheiro  forte.
Imediatamente eu senti ele se tornar uma pedra sem resposta sob meus
lbios. Suas mos gents, mas com uma fora iresistvel, afastaram meu
rosto. Eu abri  meus olhos e vi a sua expresso cuidadosa. "Ooops", eu
respirei. "Isso  uma declarao" Seus olhos estavam selvagens, sua
mandbula estava fechada com uma fora  aguda, mas nem isso modificou
suas feies perfeitas. Ele segurou meu rosto a apenas alguns
centmetros do seu. Ele me fascinou com seus olhos. "Ser que eu
posso...?",  eu tentei me soltar, pra dar um pouco de espao pra ele. As
mos dele no permitiram que eu me movesse nem um centmetro. "No. Isso
 intolervel. Espere um momento,por  favor". Sua voz estava educada,
controlada. Eu mantive meus olhos nos seus, observei enquanto a
excitao neles se esvaia e eles ficavam gents. Ento ele deu um
sorriso surpreendentemente travesso. "Pronto", ele disse, obviamente
satisfeito consigo mesmo. "Tolervel?", eu perguntei. Ele riu alto. "Eu
sou mais forte do que  pensava.  bom saber". "Eu queria poder dizer o
mesmo. Me desculpe".

"Voc  apenas humana, no final das contas". "Muito obrigada", eu disse.
Com um dos seus movimentos leves, quase invisveis, ele ficou de p. Ele
segurou sua mo  pra mim, um gesto inesperado. Eu estava muito
acostumada ao tratamento cuidadoso do no-toque. Eu segurei sua mo
gelada, precisando mais de apoio do que eu esperava.  Meu equilbrio
ainda no havia voltado. "Voc ainda est tonta pela corrida? Ou foi
minha habilidade com beijos?" Como ele pareceu frvolo, humano quando
riu agora.  Seua rosto angelical estava sem preocupaes. Era um Edward
diferente do que eu conhecia. E eu me sentia muito mais atrada a ele.
Me separar dele agora teria me  causado dor fsica. "Eu no tenho
certeza, eu ainda estou lerda", eu consegu responder. "Porm, eu acho
que  um pouco dos dois". "Talvez voc devesse me deixar  dirigir".
"Voc est louco?, eu protestei. "Eu dirijo melhor do que voc nos seus
melhores dias", ele zombou. "Voc tem reflexos muito mais lentos". "Eu
tenho certeza  de que  verdade, mas eu no acho que os meus nervos, ou
a minha caminhonete, aguentariam" "Um pouco de confiana, Bella, por
favor". Minha mo estava no meu bolso,  apertando a minha chave com toda
fora. Eu curvei meus lbios, meditei e falei com um sorriso apertado.
"No. Sem chance" Ele ergueu as sobrancelhas sem acreditar.  Eu comecei
a passar por ele, indo para o banco do motorista. Ele poderia ter me
deixado passar se eu no tivesse tropeado de leve. Mas tambm, ele
poderiano ter  deixado. Seus braos criaram uma priso inscapvel ao
redor da minha cintura. "Bella, eu j gastei um bocado de esforo at
esse ponto, pra manter voc viva. Eu  no vou deixar voc ficar atrs de
um volante quando voc no consegue nem caminhar direito. Alm do mais,
amigos no deixam amigos dirigir quando esto bebados".  Ele citou com
uma gargalhada. Eu podia sentir a doura do perfume que exalava do peito
dele. "Bbada?", eu perguntei. "Voc est intoxicada com a minha
presena".  Ele estava dando aquele sorriso zombeteiro de novo. "Eu no
posso discutir com isso", eu suspirei. No havia volta; eu no conseguia
resistir a ele de forma nenhuma.  Eu segurei a chave e soltei, vendo sua
mo se mover como um trovo e peg-la no ar silenciosamente. "Pegue
leve- minha caminhonete  uma cidad idosa". "Muito sensvel",  ele
aprovou. "E voc no est nem um pouco afetado", eu perguntei,
aborrecida. "Pela minha presena?" De novo as suas feies se
transformaram, sua expresso ficou  suave, aconchegante. Ela no
respondeu de primeira; ele simplesmente aproximou seu rosto do meu e
passou os lbios lentamente pela minha mandbula, da minha orelha  at o
queixo, pra frente e pra trs. Eu trem. "Sem dvida", ele finalmente
disse. "Eu tenho reflexos melhores".

14. Acontea o que acontecer. Ele at que dirigia bem, quando a
velocidade estava razovel, eu tinha que admitir isso. Como tantas
outras coisas, isso no parecia requerer nenhum esforo da parte  dele.
Ele mal olhava para a estrada, mas mesmo assim, os pneus no sem
desviaram nem um centmetro da linha no centro da estrada. Ele dirigiu
com uma mo s, segurando  a minha mo no banco do carro. As vezes ele
olhava para o sol se pondo, as vezes ele olhava pra mim- meu rosto, meu
cabelo voando ao vento da janela aberta, nossas  mos juntas. Ele ligou
o rdio numa estao de msicas antigas e cantou uma cano que eu nunca
tinha nem ouvido. Ele conhecia cada frase. "Voc gosta das msicas  dos
anos cinquenta?", eu perguntei. "As msicas nos anos cinquenta eram
boas. Muito melhor do que as dos anos sessenta e setenta, ugh!", ele
tremeu. "As dos anos  oitenta eram suportveis". "Voc vai me contar
quantos anos voc tem?", eu perguntei, fazendo uma tentativa, sem querer
estragar o seu humor animado. "Isso importa  muito?", ele sorriu, pra
meu alvio, ainda animado. "No, mas eu ainda imagino...", eu fiz uma
careta. "No h nada como um mistrio no resolvido pra te manter
acordada de noite". "Eu me pergunto se isso vai te aborrecer", ele
refletiu consigo mesmo. Ele olhou para o sol; os minutos passaram. "Me
teste", eu disse finalmente.  Ele suspirou, e olhou pra os meus olhos,
parecendo se esquecer completamente da estrado por um tempo. O que quer
que ele tenha visto l deve ter encorajado ele.  Ele olhou para o sol -
a luz do por do seu fez ele brilhar como um rubi - e ele falou. "Eu
nasci em Chicago, em 1901". Ele parou e olhou para mim pelo canto dos
olhos. Meu rosto estava cuidadosamente insurpreendido, pacientemente
esperando pelo resto. Ele deu um pequeno sorriso e continuou. "Carlisle
me encontrou em um hospitam  em 1918, eu tinha dezessete anos e estava
morrendo com a gripe Espanhola". Ele ouviu quando eu prend o flego,
apesar do som ter sido baixo at para os meus prprios  ouvidos. Ele
olhou para os meus olhos de novo. "Eu no me lembro muito bem- j foi h
muito tempo e as memrias humanas desaparecem". Ele ficou perdido em
pensamentos  por um breve perodo de tempo e ento continuou. "Eu me
lembro de como eu me sent, quando Carlisle me salvou. No  uma coisa
fcil, algo que voc esquece". "Seus  pais?" "Eles j tinham morrido com
a doena. Eu estava sozinho. Foi por isso que ele me escolheu. Como todo
aquele caos da epidemia, ningum se deu conta de que  eu tinha
desaparecido". "Como foi que ele... te salvou?" Alguns segundos se
passaram antes que ele respondesse. Ele parecia estar escolhendo as
palavras cuidadosamente.  "Foi difcil. Nem todos de ns tem controle
suficiente pra completar a transio. Mas Crlisle sempre foi o mais
humano, sempre o que teve mais compaixo entre ns...Eu  no acho que
voc encontraria outra pessoa igual a ele em toda a histria". Ele
parou. "Pra mim foi meramente muito, muito doloroso". Eu podia ver pelos
seus lbios  que ele no falaria mais nada sobre esse assunto. Eu
suprimi minha curiosidade, apesar dela no estar nem um pouco saciada.
Haviam ainda muitas coisas sobre esse  assunto nas quais eu precisava
pensar, coisas que estavam

apenas comeando a aparecer na minha cabea. Sem dvida, sua mente
rpida j havia compreendido cada aspecto que ainda me confundia. Sua
voz suave interrompeu meus  pensamentos. "Ele agiu por causa da solido.
Geralmente essa  a razo por trs da escolha. Eu fui o primeiro da
famlia de Carlisle, apesar dele ter achado Esme  logo depois. Ela caiu
de um abismo. Eles levaram ela direto para o necrotrio do hospital
apesar de, de alguma forma, o corao dela ainda estar batendo". "Voc
precisa estar morrendo, ento, pra se tornar um...", eu nunca havia
pronunciado a palavra, e no consegu fal-la agora. "No, isso  s com
Carlisle. Ele nunca  faria isso com algum que tem outra escolha". O
respeito na voz dele era sempre muito profundo quando ele falava na sua
figura de pai. "Contudo, ele diz que  mais  fcil", ele continuou. "Se
o sangue estiver mais fraco", ele olhou para a estrada agora escura, e
eu pude sentir que ele estava fechando o assunto de novo. "E Emmett  e
Rosalie?" "Carlisle trouxe Rosalie para a nossa famlia logo depois. S
muito tempo depois eu perceb que ele esperava que ela fosse pra mim o
que Esme era pra  ele- ele era cuidadoso com os seus pensamentos quando
estava perto de mim". Ele revirou os olhos. "Mas ela nunca foi nada alm
de uma irm. Foi apenas dois anos  depois que ela encontrou Emmett. Ela
estava caando- estvamos em Appalachia nessa poca- e encontrou um urso
a ponto de acabar com ele. Ela carregou ele at Carlisle,  andando por
mais de cem quilometros, como medo de no conseguir fazer sozinha. S
agora eu comeo a imaginar como aquela jornada foi difcil pra ela". Ele
deu uma  olhada pra mim e levantou nossas mos, ainda juntas, e
acariciou a minha bochacha com as costas da mo dele. "Mas ela
conseguiu", eu encorajei, desviando o olhar  da beleza insuportvel dos
seus olhos. "Sim", ele murmurou. "Ela viu alguma coisa no rosto dele que
fez ela ser forte o suficiente. E eles esto juntos desde ento.  Mas
quanto mais jovens fingimos ser, por mais tempo podemos ficar em um s
lugar. Forks parecia ser perfeito, ento todos ns entramos na escola".
Ele riu. "Eu acho  que teremos que ir ao casamento deles daqui  alguns
anos, de novo". "Alice e Jasper?" "Alice e Jasper so duas criaturas
muito raras. Eles dois adquiriram a consciencia,  por assim dizer, sem
nenhum tipo de ajuda. Jasper perteceu  outra... famlia, um tipo de
famlia muito diferente. Ele ficou muito deprimido, e ento resolveu
vagar  sozinho. Alice encontrou ele. Assim como eu, ela tem certos dons
fora do comum para a nossa espcie". "Mesmo?", eu interromp, fascinada.
"Mas voc disse que era  o nico que podia ler mentes". "Isso  verdade.
Ela sabe outras coisas. Ela v coisas- coisas que podem acontecer,
coisas que esto por vir. Mas  muito subjetivo.  O futuro no est
cravado em uma pedra. As coisas podem mudar". Ele comprimiu a mandbula
quando disse isso, e seus olhos olharam para os meus e se viraram to
rpido  que eu no tenho certeza se foi s imaginao. "Que tipo de
coisas ela v". "Ela olhou pra Jasper e soube que ele estava procurando
por ela antes que ele mesmo soubesse.  Ela viu Carlisle e nossa famlia
e os dois vieram juntos nos encontrar. Ela  sempre mais sensvel com os
no-humanos. Ela sempre v, por exemplo, quando outro

grupo da nossa espcie est se aproximando. E que tipo de problemas eles
podem representar". "Existem muitos... da sua espcie?". Eu estava
surpresa. Quantos deles  estariam andando entre ns sem serem
detectados? "No, no muitos. Mas a maioria no se firma em um s lugar.
S aqueles como ns, que desistiram de caar pessoas"-  uma olhadela na
minha direo- "podem viver perto de humanos por qualquer perodo de
tempo. Ns s encontramos uma outra famlia como a nossa, num pequeno
vilarejo  no Alaska. Ns vivemos juntos por algum tempo, mas ramos
tantos que comeou a dar nas vistas. Aqueles que so...diferentes de ns
costumam formar bandos". "E os  outros?" "Nmades, em grande parte. Ns
todos j vivemos assim as vezes. Acaba ficando tedioso, como todo o
resto. Mas de vez em quando ns esbarramos uns nos outros,  porque a
maioria de ns prefere o Norte". "Porque isso?" Estvamos parados na
frente de casa agora, e ele desligou a caminhonete. Estava tudo muito
quieto e escuro;  no havia lua. A luz da varanda estava desligada,
ento eu sabia que meu pai ainda no estava em casa. "Seus olhos estavam
abertos essa tarde?", ele zombou. "Voc  acha que eu poderia andar numa
rua  luz do sol sem causar alguns acidentes de trnsito? H uma razo
pela qual escolhemos a Pennsulo do Olmpico, um dos lugares  com menos
sol no mundo inteiro. Voc no acreditaria no quanto pode se cansar da
noite, depois de oitenta anos". "Ento  da que vm as lendas?"
"Provavelmente."  "E Alice vem de outra famlia, como Jasper?" "No,
isso  um mistrio. Alice no se lembra de absolutamente nada da sua
vida humana. E ela no sabe quem a transformou.  Ela acordou sozinha.
Quem quer que seja que transformou ela, fugiu, nenhum de ns entende
como, ou porque ele fez isso. Se ela no tivesse essa outra
sensibilidade,  se no tivesse encontrado Jasper e Carlisle e visto que
poderia se tornar uma de ns, ela podia ter se transformado numa
selvagem". Havia tanto em que pensar, tantas  coisas que eu ainda queria
perguntar. Mas, para a minha grande vergonha, meu estmago roncou. Eu
estava to intrigada, que nem reparei que estava com fome. Agora  eu via
que era uma fome voraz. "Me desculpe, eu estou atrapalhando o seu
jantar". "Eu estou bem, de verdade". "Eu naunca passei tanto tempo perto
de uma pessoa que  come comida. Eu esquec". "Eu quero ficar com voc".
Era mais fcil dizer na escurido, sabendo que a minha voz ia me trair,
trair a minha completa obsesso por  ele. "Eu posso entrar?", ele
perguntou. "Voc quer?", eu no conseguia imaginar a cena, essa criatura
divina sentada nas cadeira rotas da cozinha do meu pai. "Sim,  se
estiver tudo bem". Eu ouv a porta se fechar baixinho, e quase ao mesmo
tempo ele estava ao meu lado, abrindo a porta pra mim. "Muito humano",
eu cumprimentei  ele. "Eu estou definitivamente resurgindo". Ele
caminhou ao meu lado na noite, to quieto que eu tinha que observar
constantemente pra ver se ele ainda estava l.  Na escurido ele parecia
muito mais normal. Ainda plido, ainda com sua beleza saida de um sonho,
mas no mais aquela criatura brilhando no sol da tarde. Ele alcanou  a
porta antes e abriu ela pra mim. Eu parei a meio caminho da entrada.

"A porta estava aberta?" "No, eu usei a chave que tem embaixo do
tapete". Eu entrei, acend a luz da varanda, e me virei pra olh-lo com
as sobrancelhas erguidas.  Eu tinha certeza que nunca havia usado aquela
chave na frente dele. "Eu estava curioso sobre voc". "Voce me
espionou?", mas eu no consegui colocar um tom apropriado  de ultraje na
minha voz. Eu estava lisonjeada. Ele no parecia arrependido. "O que
mais h pra fazer de noite?" Eu deixei essa passar no momento e fui
caminhando  no corredor at a cozinha. Ele j estava l antes de mim,
sem precisar de guia. Ele sentou exatamente na cadeira onde eu estava
tentando imagin-lo. Levou um momento  at que eu pudesse desviar o
olhar. Eu me concentrei no meu jantar, tirando a lasanha da noite
passada da geladeira, colocando um pedao num prato e colocando pra
esquentar no microondas. Ela girou, enchendo a cozinha com o cheiro do
tomate e do organo. Eu no tirei os olhos do meu prato de comida
enquanto falava. "Com que  frequncia?", eu perguntei casualmente.
"Hmmm?" Ele soou como se eu tivesse tirado ele de outra linha de
pensamento. Eu ainda no me virei. "Com que frequncia voc  vem aqui?"
"Eu venho aqui quase todas as noites". Eu me virei, aturdida. "Porque?"
"Voc  muito interessante quando dorme", ele falou como se estivesse
atestando  um fato. "Voc fala". "No!",eu fiquei ofegante. O calor
comeou a flir no meu rosto at chegar ao meu cabelo. Eu me agarrei no
balco da cozinha pra ter suporte.  Eu sabia que falava durante o sono,
 claro; minha costumava zombar de mim por causa disso. No entanto, eu
no pensava que era algo com que eu precisaria me preocupar  aqui. Sua
expresso se transformou instantaneamente em uma de pesar. "Voc est
com raiva de mim?" "Isso depende!", eu soei como se tivesse levado um
soco no estmago.  Ele esperou. "Do que?", ele implorou. "Do que voc
ouviu!", eu gem. Instantaneamente, silenciosamente, ele estava ao meu
lado, segurando minhas mos cuidadosamente  com as suas. "No fique
brava!", ele implorou. Ele baixou seu rosto at o nvel dos meus olhos,
segurando meu olhar. Eu estava com vergonha. Eu tentei desviar o  olhar.
"Voc sente falta da sua me", ele sussurou. "Voc se preocupa com ela.
E ento tem a chuva, o barulho no te deixa dormir. Voc costumava falar
muito de  casa, mas agora no  to frequente. Uma vez voc disse '
muito verde'". Ele sorriu levemente, esperando, como eu pude ver, que
ele no tivesse me ofendido demais.  "Algo mais?", eu perguntei. Eu
sabia o que estava por vir. "Voc disse meu nome", ele admitiu. Eu
suspirei me sentindo derrotada. "Muito?" "O que exatamente voc  quer
dizer com 'muito'?" "Oh, no!", minha cabea caiu. Ele me puxou para
seus braos, suavemente, naturalmente. "No fique constrangida", ele
sussurou no meu ouvido.  "Se eu pudesse sonhar, eu sonharia com voc. E
eu no me envergonho disso". Ento ns dois ouvimos os barulhos dos
pneus na calada de tijolos, vimos os faris brilharem  pela janela da
frente, no corredor perto de ns. Eu enrijeci nos braos dele.

"Seu pai deve saber que eu estou aqui?", ele perguntou. "Eu no tenho
certeza...", eu tentei pensar com clareza. "Outra vez ento". E eu
estava sozinha. "Edward!",  eu chamei. Eu ouv uma gargalhada
fantasmagrica, e nada mais. Meu pai virou a chave na porta. "Bella?",
ele chamou. Isso havia me aborrecido antes; quem mais poderia  ser?
Agora isso no parecia mais to anormal. "Eu t aqui". Eu esperava que
ele no ouvsse o tom histrico da minha voz. Eu tirei o meu jantar do
microondas e coloquei  em cima da mesa enquanto ele entrava. Os passos
dele pareceram muito barulhentos depois do meu dia com Edward. "Voc
pode pegar um pouco disso pra mim? Eu estou  faminto". Ele ficou na
pontas das botas pra tir-las, usando o encosto da cadeira de Edward
como suporte. Eu levei minha comida comigo, assoprando enquanto pegava
a comida dele. Eu queimei minha boca. Eu peguei dois copos de leite
enquanto a comida dele esquentava, e dei um gole no meu pra apagar o
fogo. Enquanto eu colocava  o leite na mesa, eu perceb que minha mo
estava tremendo. Charlie sentou na cadeira, o contraste entre ele e o
ocupante anterior era cmico. "Obrigado", ele disse  quando eu coloquei
o seu jantar sobre a mesa. "Como foi seu dia", eu perguntei. As palavras
saram rpidas; eu estava morrendo de vontade de fugir de l. "Bom, os
peixes estavam mordendo a isca... e o seu? Voc fez tudo que queria
fazer?" "No- estava bonito demais l fora pra ficar em casa". Eu dei
outra grande mordida. "Foi  um dia bom", ele concordou. Que declarao,
eu pensei comigo mesma. Terminada a lasanha, eu levantei meu copo de
leite e bebi o resto no copo. Charlie me surpreendeu  com sua
observao. "Com pressa?" ", eu t cansada. Vou dormir mais cedo".
"Voc parece bem disposta". Oh, porque, porque de todas as noites ele
tinha que estar  prestando ateno hoje? "Pareo?", foi tudo que eu
consegui responder. Eu rapidamente lavei os meus pratos na pia, e
coloquei eles de cabea pra baixo num pano de  prato seco pra secarem.
" Sbado", ele zombou. Eu no respondi. "No tem planos pra essa
noite?", ele perguntou de repente. "No, pai, eu s quero dormir um
pouco".  "Nenhum dos garotos da cidade faz o seu tipo, n?", ele estava
parecendo suspeitar de alguma coisa,mas fingia levar numa boa. "No,
nenhum dos garotos chamou minha  ateno ainda". Eu tomei cuidado para
no enfatizar a palavra garotos na minha urgncia de ser honesta com
Charlie. "Eu pensei talvez que Mike Newton...voc disse  que ele era
amigvel" "Ele  s um amigo, pai!" "Bem, de qualquer forma, voc  boa
demais pra eles. Espere pra entrar na faculdade antes de procurar". O
sonho de  todos os pais, que suas filhas estivessem fora de casa antes
dos hormonios comearem a se manifestar. "Parece uma boa idia pra mim",
eu concordei enquanto subia  as escadas. "Boa noite, querida", ele falou
atrs de mim. no tenho dvidas de que ele passou a noite inteira
espionando pra ver se ia fugir no meio da noite. "Te  vejo de manh,
pai". Te vejo mais tarde quando voc estiver se enfiando no meu quarto
pra me espiar.

Eu tentei fazer um som lento e cansado enquanto subia as escadas. Eu
fechei a porta alto o suficiente pra ele ouvir, e ento fui na ponta dos
ps at a janela. Eu  abri ela e coloquei a cabea pra fora dentro da
noite. Meu olhos procuraram na escurido, nas sombras impenetrveis das
rvores. "Edward?", eu sussurei me sintindo  uma perfeita idiota. A
resposta baixa e risonha veio de trs de mim. "Sim?" Eu me virei, uma
mo voou pra a minha garganta por causa da surpresa. Ele estava deitado
na minha cama, com um enorme sorriso no rosto, as mos atrs da cabea,
seus ps estavam passando do fim da cama, a perfeita imagem da
tranquilidade. "Oh", eu respirei,  caido na cho sem equilbrio. "Me
desculpe". Ele apertou os lbios, tentando esconder que estava se
divertindo. "S me d um segundo pra acalmar meu corao". Ele  se
sentou devagar, como se fosse pra no me assustar. Ento ele se ergueu e
levantou seu longo brao pra me levantar, me puxando pelos braos como
se eu fosse um  fantoche. Ele me sentou na cama ao lado dele. "Porque
voc no senta comigo?", ele sugeriu, colocando a mo fria na minha.
"Como est o corao?" "Me diga voc-  com certeza voc consegue ouvir
melhor do que eu". Eu sent a sua risada quieta balanar a cama. Ns
ficamos sentados por um momento em silncio, os dois escutando  as
patidas do meu corao desacelerarem. Eu pensei em Edward no meu quarto,
com meu pai em casa. "Posso ter um minuto pra ser humana?", eu ped.
"Certamente", ele  fez um gesto com a mo, me dizendo pra seguir em
frente. "Fique", eu disse, tentando paracer severa. "Sim, madame". E ele
fez uma mgica de transformar em esttua  na beira da minha cama. Eu me
levantei, pegando meu pijama do cho, minha bolsa de utilitrios em cima
da mesa. Eu deixei a luz desligada e sa, fechando a porta.  Eu podia
ouvir o som da televiso mesmo de l de cima. Eu bat a porta do
banheiro com fora, assim Charlie no viria me incomodar. Eu tentei me
apressar. Tentando  ser eficiente e rpida pra tirar a lasanha dos
dentes. Mas a gua quente do chuveiro no podia ser apressada. Eu
destravei os msculos das minhas costas, tentei  acalmar o pulso. O
cheiro familiar do meu shampoo me disse que eu devia tentar ser a mesma
pessoa que eu era de manh. Eu tentei no pensar em Edward, sentado no
meu quarto, esperando, porque se eu fizesse isso eu teria que recomear
o processo de me acalmar. Finalmente, eu no pude mais espera. Eu
desliguei o chuveiro, me  enchugando vorazmente, com pressa de novo. Eu
coloquei a blusa e as calas do meu pijama. Tarde demais pra me
arrepender por no ter trazido o pijama da Victoria's  Secret que minha
me havia me dado h dois anos atrs, eles ainda estavam com a etiqueta
em alguma gaveta na minha casa. Eu esfreguei a toalha no cabelo de novo
e passei a escova por ele depressa. Eu joguei a toalha no cesto,
coloquei a minha escova e a minha pasta de dentes dentro da minha bolsa.
Ento eu desci as escadas  correndo pra que charlie visse que eu estava
de pijamas, com o cabelo molhado. "Boa noite, pai". "Boa noite, Bella".
Ele ficou surpresa pela minha aparncia. Talvez  isso impedisse que ele
viesse me espiar no meio da noite. Eu subi as escadas dois degraus de
cada vez, tentando no fazer barulho, e voei pra o meu quarto, fechando
a porta atrs de mim.

Edward no tinha se movido uma frao de centmetro de onde eu o havia
deixado, uma esttua de Adonis deitada no meu edredom. Eu sorri e os
seus lbios tremeram,  a esttua veio  vida. Seus olhos me examinaram,
parando no cabelo molhado, na blusa do meu pijama. Ele ergueu uma
sobrancelha. "Legal". Eu fiz uma careta. "No,  fica bem em voc".
"Obrigada", eu sussurei. Eu voltei para o lado dele, sentando de pernas
cruzadas ao leu lado. Eu olhei para as linhas do cho de madeira. "Pra
qu foi tudo isso?" "Charlie acha que eu vou fugir no meio da noite"
"Oh", ele analisou isso. "Porque?". Como se ele no pudesse entender a
mente de Charlie muito  mais claramente do que eu. "Aparentemente, eu
estou excitada demais". Ele levantou meu queixo, olhando para meu rosto.
"Na verdade, voc parece muito clida". Ele  baixou o seu rosto para o
meu e encostou sua bochecha fria na minha pele. Eu me mantive
perfeitamente rgida. "Mmmmmm...", ele respirou. Era muito difcil,
enquanto  ele estava me tocando, formular uma pergunta coerente. Me
levou um minuto at que eu pudesse reunir a concentrao necessria.
"Parece ser... muito mais fcil pra  voc, agora, ficar perto de mim".
" isso que parece pra voc?",ele perguntou, seu nariz passando pela
minha mandbula. Eu sent sua mo, to leve quanto a asa de  uma
mariposa, colocando o meu cabelo molhado pra trs, para que seus lbios
pudessem tocar a parte de baixo da minha orelha. "Muito, muito mais
fcil", eu disse,  tentando respirar. "Hmm". "Ento eu estava
imaginando..." eu comecei de novo, mas seus dedos estavam traando a
minha clavcula, ento eu perd a linha de pensamento  de novo. "Sim?",
ele sussurou. "Porque?", minha voz tremeu me deixando envergonhada. "
assim?" Eu sent o tremor da sua respirao quando ele sorriu. "No se
importe".  Eu me inclinei pra trs; enquanto eu movia, ele congelou- e
eu no podia ouvir mais o som da sua respirao. Ns olhamos
cuidadosamente um para o outro por um momento,  e ento sua mandbula
contrada foi se relaxando aos poucos, sua expresso ficou confusa. "Eu
fiz alguma coisa errada?" "No- pelo contrrio. Voc est me deixando
louca", eu expliquei. Ele considerou isso brevemente, e quando falou,
parecia satisfeito. "Mesmo?" Um sorriso triumfante vagarosamente
iluminou o seu rosto. "Voc  gostaria de uma salva de palmas?", eu
perguntei sarcasticamente. Ele deu uma gargalhada. "Eu s estou
agradavelmente surpreso", ele esclareceu. "Nos ltimos cem  anos mais ou
menos", ele zombou. "Eu nunca imaginei uma coisa assim. Eu nunca
imaginei que encontraria uma pessoa que quisesse ficar comigo...sem
contar meus irmos  e irms. Ento eu descobri , apesar de ser novo
nisso, que eu sou bom...em estar com voc..." "Voc  bom em tudo", eu
apontei. Ele levantou os ombros, se acostumando  com isso, e ns dois
rimos baixinho. "Mas como  que pode ser to fcil agora?", eu
pressionei. "Essa tarde..."

"No  to fcil", ele suspirou. "Mas essa tarde eu ainda no
estava...decidido. Me desculpe por aquilo, foi imperdovel eu ter me
comportado daquela forma". "Imperdovel  no", eu discordei. "Obrigado",
ele sorriu. "Entenda", ele continuou olhando pra baixo. "Eu no tinha
certeza de que era forte o suficiente..." Ele pegou uma das  minhas mos
e pressionou levemente contra o seu rosto. "E enquanto houvessem
possibilidades de eu ser...superado"- ele aspirou o cheiro do meu pulso-
"Eu estava...  suscetvel. At que eu me convencesse de que era forte o
suficiente, no haviam possibilidades de que eu pudesse... que eu
fizesse..." Eu nunca vi ele lutar tanto  para encontrar as palavras
certas. Era to... humano. "Ento existe uma possibilidade agora?"
"Veremos o que acontece", ele disse, sorrindo, seus dentes brilhavam
mesmo na escurido. "Uau, isso  fcil", eu disse. Ele jogou a cabea
pra trs e riu, to baixo como um suspiro, mas ainda exuberantemente.
"Fcil pra voc", ele  emendou, tocando o meu nariz com a ponta do dedo.
Ento seu rosto ficou abruptamente srio de novo. "Eu estou tentando",
ele sussurou, sua voz cheia de dor. "Se  for... demais, eu tenho quase
certeza que sou capaz de ir embora." Eu fiz uma careta. Eu no queria
ouvir ele falando de ir embora. "Vai se mais difcil amanh",  ele
continuou. "Eu fiquei com o seu cheiro na minha cabea o dia inteiro, e
acabei perdendo a sensibilidade. Se eu me afastar de voc por qualquer
perodo de tempo,  eu vou ter que comear tudo de novo. No exatamente
do incio, eu acho". "Ento, no v embora", eu respodi sem conseguir
esconder a vontade na minha voz. "Isso  seria bom pra mim", ele
respondeu, seu rosto se transformou num sorriso gentil. "Traga as suas
algemas- eu sou seu prisioneiro" Mas as longas mos dele fecharam  os
meus pulsos enquanto ele falava. Ele sorriu com o seu sorriso baixo,
musical. Ele sorriu mais hoje do que em todo o tempo desde que nos
conhecemos. "Voc parece  mais... otimista do que o normal", eu
observei. "Eu nunca te vi assim antes". "No  assim que deve ser?", ele
sorriu. "A glria do primeiro amor, e isso tudo. No   incrvel, a
diferena entre ler sobre uma coisa, ver em fotos, e experiment-la?"
"Muito diferente", eu concordei. "Mais substancial do que eu pensava".
"Por exemplo"-  suas palavras fluiam rapidamente agora, e eu tive que me
concentrar pra entender todas- "o sentimento de inveja. Eu j li sobre
isso milhares de vezes, j vi atores  interpretando em milhares peas e
filmes diferentes. Eu achei que compreendia esse sentimento muito bem.
Mas ele me chocou...", ele fez uma careta. "Voc se lembra  daquele dia
que Mike te convidou para o baile?" Eu afirmei com a cabea, apesar de
lembrar daquele dia por um motivo diferente. "O dia que voc comeou a
falar comigo  de novo". "Eu me surpreendo com a pontada de
ressentimento, quase de fria, que eu sentnaquele momento eu no
reconheci. Eu estava mais nervoso que o normal e eu  no conseguia saber
o que voc estava pensando, porque voc havia recusado o convite. Era
simplesmente pra preservar a amizade? Era alguma outra coisa? Eu sabia
que de qualquer jeito eu no tinha o direito de me importar. Eu tentei
no me importar. "E ento a fila comeou a se formar", ele gargalhou. Eu
olhei zangada para  a escurido.

"Eu esperei, rasoavelmente ansioso pra ver o que voc diria pra eles,
pra ver as suas expresses. Eu no conseguia negar o alivio que estava
sentindo, vendo a fria  no seu rosto. Mas eu no podia ter certeza.
"Aquela foi a primeira noite que vim aqui. Eu lutei a noite inteira,
enquanto via voc dormindo, com a brecha entre o  que eu sabia que
eracerto, moral, tico, e o que eu queria." "Eu sabia que se eu te
ignorasse como devia, ou se fosse embora por alguns anos, at que voc
fosse  embora, voc algum dia diria sim  Mike, ou algum como ele. Isso
me deixou com raiva. "E ento", ele sussurou. "Voc falou meu nome
enquanto dormia. Voc falou  to claramente, que no incio eu pensei que
voc tivesse acordado. Mas voc virou para o lado e murmurou meu nome
mais uma vez, e suspirou. O sentimento que passou  no meu corpo nessa
hora me deixou enervado, vacilante. E eu sabia que no podia mais te
ignorar". Ele ficou em silncio, provavelmente ouvindo as batidas
descompassadas  do meu corao. "Mas cime...  um sentimento estranho.
Muito mais poderoso do que eu tinha imaginado. E irracional! Agora
mesmo, quando Charlie te perguntou sobre  Mike Newton...", ele balanou
a cabea com raiva. "Eu devia saber que voc estaria escutando", eu
gem. " claro". "No entanto, aquilo te deixou com cimes?" "Eu  sou
novo nisso tudo; eu estou ressucitando o humano que existe em mim, e
tudo  mais forte porque  to novo". "Mas honestamente", eu zombei.
"Voc ficou com cimes  disso, depois que eu tive que ouvir que Rosalie
-Rosalie a encarnao pura da beleza - foi feita pra ficar com voc. Com
Emmett ou sem Emmett, como  que posso competir  com aquilo?" "No h
competio". Seus dentes brilharam. Ele colocou as minhas mos ainda
presas atrs das costas dele e me apertou contra seu peito. Eu fiquei
to  rgida quanto pude, controlando at a respirao. "Eu sei que no
h competiao". Eu murmurei no peito gelado dele. "Esse  o problema".
" claro que Rosalie  linda  do jeito dela, mas mesmo se ela no fosse
minha irm, mesmo se ela no estivesse com Emmett, eu no sentiria por
ela nem um dcimo, nem um centsimo da atrao que  eu sinto por voc".
Ele estava srio agora, pensativo. "Por quase noventa anos eu estive
andando entre a minha espcie, e a sua... todo o tempo pensando que
estava  bem sozinho, sem saber o que eu estava procurando." "E sem
encontrar nada, porque voc ainda no estava viva". "No parece muito
justo", eu sussurei, meu rosto no  peito dele, ouvindo sua respirao
entrando e saindo. "Eu no tive que esperar. Porque eu posso me safar
to facilmente?" "Voc est certa", ele disse divertido.  "Eu
definitivamente devia tornar as coisas mais difceis pra voc. Ele
liberou a sua mo soltando meu pulso, s pra prend-lo com a outra mo.
Ele alisou meu cabelo  molhado suavemente, do topo da minha cabea at a
minha cintura. "Voc s tem que arriscar a sua vida a cada segundo que
passa comigo, isso com certeza no  muito.  Voc s tem que virar as
costas para a sua natureza, a sua humanidade... quanto isso vale?"
"Muito pouco- eu no me sinto privada de nada" "Ainda no". E sua voz
estava abruptamente cheia de aflio. Eu tentei me afastar, para olhar
para o rosto dele, mas suas mos seguravam meus pulsos com uma fora
inquebrvel.

"O que-", eu comecei a perguntar quando seu corpo comeou a ficar
alerta. Eu fiquei congelada, mas ele de repente soltou minhas mos e
desapareceu. Eu fiz um esforo  pra no cair de cara. "Deite-se", ele
assobiou. Eu no podia dizer de que lugar da escurido ele estava
falando. Eu rolei pra baixo do meu edredom, me virando de  lado, do
jeito que eu costumo dormir. Eu ouvi a porta se abrir, enquanto colocou
a cabea pra dentro pra ver se eu estava l como deveria estar. Eu
respirei uniformemente,  exagerando o movimento. Um longo minuto se
passou. Eu escutei, sem ter certeza de que a porta havia se fechado.
Ento o brao gelado de Edward estava em cima de  mim,por baixo da
coberta, seus lbios no meu ouvido. "Voc  uma pessima atriz- eu diria
que essa carreira est fora de cogitao pra voc". "Droga", eu
murmurei.  Meu corao batia com fora no peito. Esse sussurou uma
melodia que eu no conhecia; parecia uma cano de ninar. Ele parou.
"Ser que eu devo cantar pra voc dormir?"  "Certo", eu sorri. "Como se
eu conseguisse dormir com voc aqui!". "Voc faz isso o tempo inteiro",
ele me lembrou. Mas eu no sabia que voc estava aqui", eu repliquei
friamente. "Ento, se voc no quer dormir...", ele sugeriu, ignorando
meu tom. Minha respirao parou. "Se eu no quero dormir...?" Ele
gargalhou. "O que voc quer  fazer ento?" Primeiro eu no consegu
responder. "Eu no tenho certeza", eu disse finalmente. "Me avise quando
voc se decidir". Eu sentia a respirao gelada dele  no meu pescoo,
podia senti o nariz dele percorrendo minha mandbula, inalando meu
cheiro. "Eu pensei que voc estivesse sem sensibilidade". "S porque eu
estou  resistindo ao vinho, no significa que eu no posso apreciar sua
fragrncia", ele suspirou. "Voc tem um cheiro muito floral, como
lavanda... ou freesia", ele notou.  " de dar gua na boca". ", 
praticamente um feriado quando no tem algum me dizendo o quanto eu sou
apetitosa". Ele gargalhou e ento suspirou. "Eu decid o  que quero
fazer". Eu disse pra ele. "Eu quero ouvir mais sobre voc". "Me pergunte
qualquer coisa". Eu escolhi entre as perguntas de maior importncia.
"Porque voc  faz isso?" Eu disse. "Eu ainda no entendo como voc pode
resistir tanto a quem voc.... Por favor, no entenda mal,  claro que
me alegra que voc faa isso. Eu  s no entendo porque voc se
incomoda". Ele hesitou antes de responder. "Essa  uma boa pergunta, e
voc no  primeira a fazla. Os outros - a maioria da nossa  espcie
est contente do jeito que as coisas so pra eles -eles tambm se
perguntam como ns vivemos. Mas, veja,s porque ns estamos...mortos de
certa forma...  isso no significa que ns no possamos escolher ser
melhores- tentar cruzar as barreiras do destino que ns no escolhemos.
Podemos tentar reter o pouco de humanidade  que ainda existe dentro de
ns". Eu me mantive parada, presa no silncio pasmo. "Voc dormiu?", ele
sussurou depois de alguns minutos. "No" "Voc s estava curiosa  pra
saber isso?"

Eu rolei os olhos. "No exatamente". "O que mais voc quer saber?"
"Porque voc consegue ler mentes- e s voc? E Alice ver futuro? Como
isso acontece?" Eu sent  ele levantar os ombros na escurido. "Ns
realmente no sabemos. Carlisle tem uma teoria... ele acredita que todos
n temos alguma coisa em nossa vida humana que  era muito forte, e que
quando trazemos essa coisa para a nossa outra vida, ela  intensificada-
como nossas mentes e os nossos sentidos. Ele acha que eu j devia  ser
sensvel aos pensamentos das pessoas ao meu redor. E Alice tinha
previses, onde quer que ela estivesse". "O que ele trouxe para a
prxima vida? E os outros?"  "Carlisle trouxe sua compaixo. Esme trouxe
a sua capacidade de amar apaixonadamente. Emmett trouxe sua fora,
Rosalie a sua...tenacidade. Ou ser que eu devo chamar  de cabea dura?"
Ele gargalhou. "Jasper  muito interessante. Ele era muito carismtico
em sua primeira vida, capaz de influencias as pessoas ao seu redor a ver
as coisas da sua maneira. Agora ele  capaz de influenciar as emoes
das pessoas que esto ao seu redor- acalmar uma sala cheia de pessoas
raivosas, por exemplo,  ou excitar uma multido letrgica.  um dom
muito sbito." Eu considerei as possibilidades que ele estava me dando,
tentando aceitar tudo aquilo. Ele esperou pacientemente  enquanto eu
pensava. "Ento como isso tudo comeou? Quer dizer, Carlisle mudou voc,
e ento ele deve ter sido mudado por algum, e assim por diante..."
"Bem, de  onde voc veio? Evoluo? Criao? Ser que ns no podemos
ter nos desenvolvido da mesma forma que as outras espcies, predador e
presa? Ou, se voc no acredita  que esse mundo inteiro surgiu do nada,
como eu mesmo acho difcil de acreditar, ser que no d pra voc
acreditar que a mesma fora maior que criou o peixe anjo  e o tubaro,
eu o golfinho e a baleia assassina, tenha tambm criado tambm nossas
duas espcies?" "Me deixe entender isso direito- eu sou o golfinho, no
?" "".  Ele sorriu, e alguma coisa tocou meus cabelos- seus lbios? Eu
queria me virar pra ele, pra ver se eram realmente seus lbios que
estavam tocando meus cabelos. Mas  eu tinha que ser boazinha; eu no
queria fazer isso mais difcil pra ele do que j era. "Voc esta pronta
pra dormir?", ele perguntou interrompendo o breve silncio.  "Ou voc
tem mais perguntas?" "Um milho ou dois" "Ns temos amanh, e o dia
depois, e o dia depois...", ele me lembrou. Eu sorr, eufrica com o
pensamento. "Voc  tem certeza que no vai desaparecer de manh?", eu
queria ter certeza. "Afinal de contas, voc  uma criatura mstica". "Eu
no vou te deixar", havia um tom de promessa  na sua voz. "S mais uma,
ento, por hoje...". Eu corei. A escurido no ia ajudar, eu sabia que
ele poida sentir o sbito calor na minha pele. "O que ?" "No,
esquea. Eu mudei de idia". "Bella, voc pode me perguntar qualquer
coisa". Eu no respond e ele gemeu. "Eu fico pensando que vai ser menos
frustrante, no ouvir  os seus pensamentos. Mas ento fica pior e pior".

"Eu me alegro que voc no possa ouvir meus pensamentos. J  ruim o
suficiente que voc ouve o que eu falo no sono". "Por favor?", a voz
dele era muito persuasiva,  quase impossvel de resistir". Eu balancei
minha cabea. "Se voc no me contar, eu vou simplesmente pensar que 
muito pior do que realmente ", ele ameaou obscuramente.  "Por favor?",
de novo aquela voz implorativa. "Bem...", eu comecei, feliz que ele no
podia ver meu rosto. "Sim?" "Voc disse que Rosalie e Emmett vo se
casar logo...  esse... casamento...  como  para os humanos?" Ele riu
silenciosamente agora, compreendendo. " l que estamos chegando?" Eu me
mexi, sem consegui responder. "Sim,  eu acredito que  a mesma coisa",
ele disse. "Eu te disse, a maioria desses desejos humanos esto l, s
que esto escondidos por desejos muito mais fortes". "Oh",  foi tudo que
eu consegui dizer. "Qual  o propsito por trs da sua curiosidade?"
"Bem , eu me pergunto... sobre voc e eu... algum dia..." Ele estava
instantaneamente  srio, eu podia dizer pela sbita rigidez do corpo
dele. Eu gelei tambm, reagindo automaticamente. "Eu no acho que...
que... seria possvel pra ns". "Porque seria  demais pra voc, se
estivssemos to...perto?" "Isso certamente seria um problema. Mas no
era nisso que eu estava pensando.  s que voc  to delicada, to
frgil.  Eu tenho que comandar todas as minhas aes quando estou perto
de voc pra no te machucar. Eu poderia te matar to facilmente, Bella,
simplesmente por um acidente".  Sua voz havia se transformado num leve
murmrio. Ele mexeu sua palma geleda para coloc-la na minha bochecha.
"Se eu estivesse muito ansioso... se por um segundo  eu no estivesse
prestando ateno o suficiente, eu poderia avanar, querendo tocar seu
rosto, e amassar o seu crnio por engano. Voc no se d conta do quanto
 quebrvel. Eu no posso me dar ao luxo de perder o controle quando
estou perto de voc". Ele esperou que eu respondesse, e ficou ansioso
quando eu no respondi.  "Voc est com medo?", ele perguntou. Eu
esperei um momento antes de responder, pra que as palavras fossem
verdadeiras. "No, eu estou bem". Ele pareceu pensar por  um momento.
"Contudo, eu estou curioso", ele disse, sua voz leve de novo. "Voc
j...?", ele parou deliberadamente. " claro que no", eu corei. "Eu te
disse que  nunca sent isso por ningum antes, nem perto". "Eu sei.  s
que eu sei os pensamentos das outras pessoas. E amos e luxria nem
sempre andam acompanhados". "Pra  mim andam. Agora, de qualquer forma,
que isso existe pra mim", eu suspirei. "Isso  bom. Pelo menos, temos
uma coisa em comum". Ele pareceu satisfeito. "Seus instintos
humanos...", eu comecei. Ele esperou. "Bem, voc se sente atrado por
mim, nesse sentido, de alguma forma?" Ele sorriu e fez o meu cabelo
quase seco voar levemente.  "Eu posso no ser humano, mas eu sou homem",
ele me assegurou. Eu bocejei involuntriamente. "Eu respond todas as
suas perguntas, agora voc devia ir dormir", ele  insistiu. "Eu no
tenho certeza se consigo". "Voc quer que eu v embora?"

"No!", eu disse alto demais. Ele sorriu e ento recomeou a sussurar
aquela mesma canao de ninar desconhecida; a voz de um arcanjo, macia no
meu ouvido. Mais cansada  do que eu imaginava, exausta pelo estresse
mental e emocional como eu nunca havia estado antes, eu ca no sono nos
seus braos gelados.

15. Os Cullen A luz de outro dia nebuloso eventualmente me acordou. Eu
deitei com o brao na frente dos olhos, grogue e ofuscada. Alguma coisa,
um sonho tentando ser lembrado,  estava lutando pra alcanar minha
conscincia. Eu bocejei e rolei pra o lado, esperando que mais sono
viesse. E ento o dia anterior flutuou na minha conscincia.  "Oh!", eu
levantei to rpido que minha cabea ficou rodando. "O seu cabelo parece
um monte de palha... mas eu gosto". Sua voz tranqila veio da cadeira de
balano  no canto do quarto. "Edward! Voc ficou", eu vibrei, e sem
pensar atravessei o quarto me jogando no colo dele. No instante que
minha mente se deu conta das minhas  aes, eu congelei, chocada com o
meu entusiasmo descontrolado. Eu olhei pra ele, com medo de ter
ultrapassado os limites. Mas ele riu. " claro", ele respondeu,
assustado, mas feliz com a minha reao. Suas mos esfregaram minhas
costas. Eu coloquei minha cabea cuidadosamente no ombro dele, sentindo
o cheiro da sua pele.  "Eu tinha certeza de que tinha sido um sonho".
"Voc no  to criativa", ele zombou. "Charlie!", eu dei um pulo sem
pensar, correndo para a porta. "Ele foi embora  h uma hora - depois de
reconectar os cabos da sua bateria, eu devo dizer. Eu tenho que admitir
que fiquei decepcionado. Ser que s isso seria necessrio pra te
parar, se voc quisesse sair?" Eu fiquei onde estava, querendo responder
de forma mal-educada, mas eu estava com medo de ter mal hlito matinal.
"Voc geralmente  no fica to confusa de manh", ele reparou. Ele abriu
seus braos pra me receber de novo. Um convite quase irresistvel. "Eu
preciso de outro minuto humano", eu  admiti. "Eu vou esperar" Eu fui
para o banheiro, minhas emoes eram irreconhecveis. Eu no me
reconhecia, por dentro ou por fora. O rosto no espelho era praticamente
irreconhecvel - olhos brilhantes demais, pontinhos vermelhos nas mas
do meu rosto. Depois de escovar meus dentes, eu tentei dar um jeito no
caos emaranhado que  estava o meu cabelo. Eu joguei gua gelada no meu
rosto e tentei respirar normalmente, mas sem muito sucesso. Eu dei uma
corridinha de volta para o meu quarto. Parecia  um milagre que ele
estava l, com os braos abertos ainda esperando por mim. Ele veio me
pegar, meu corao batendo erraticamente. "Bem vinda de volta", ele
cochichou,  me pegando nos braos. Ele me embalou por algum tempo, at
que eu reparei que as suas roupas estavam trocadas, seu cabelo estava
macio. "Voc foi embora?", eu acusei,  tocando o colarinho da sua camisa
nova. "Eu no podia sair daqui com as mesmas roupas que cheguei- o que
os vizinhos iam pensar?" Eu fiz biquinho. "Voc estava profundamente
adormecida; eu no perdi nenhum detalhe", seus olhos me vislumbraram.
"Voc s comeou a falar hoje cedo". Eu gemi. "O que voc ouviu?" Seus
olhos dourados ficaram  suaves. "Voc disse que me amava".

"Voc j sabia disso", eu abaixei a cabea. "Foi bom ouvir, do mesmo
jeito". Eu escondi minha cabea no ombro dele. "Eu amo voc", eu
sussurrei. "Voc  minha vida  agora", ele respondeu simplesmente. No
havia mais nada a dizer no momento. Ele nos balanou pra frente e pra
trs enquanto o quarto ficava mais claro. "Hora do  caf da manh", ele
disse finalmente, casualmente- pra provar, eu tenho certeza, que ele
lembrava das minhas fraquezas humanas. Ento eu tapei o meu pescoo com
as duas mos e olhei pra ele com os olhos arregalados. O rosto dele
ficou chocado. "Brincadeirinha", eu ri silenciosamente. "E voc disse
que eu no sabia atuar".  Ele fez uma careta de desgosto. "Isso no 
engraado". "Foi muito engraado, e voc sabe disso". Mas eu examinei
cuidadosamente os seus olhos dourados pra ter certeza  de que estava
perdoada. Aparentemente eu estava. "Ser que eu devo refrasear?", ele
perguntou. "Est na hora do caf da manh para os humanos". "Oh, tudo
bem". Ele  me jogou sobre o seu ombro de pedra gentilmente, mas com uma
rapidez que me deixou sem flego. Eu protestei enquanto ele me carregava
facilmente pelas escadas, mas  ele me ignorou. Ele me colocou sentada
numa cadeira. A cozinha estava brilhante, feliz, parecendo que absorvia
o meu humor. "O que tem pra o caf da manh?", eu  perguntei
prazerosamente. Isso fez ele pensar um instante. "Er, eu no tenho
certeza. O que voc quer?". Sua sobrancelha de mrmore se ergueu. Eu
sorri, ficando  de p. "Est tudo bem, eu sei me cuidar sozinha. Me
observe caar". Eu encontrei uma tigela e uma caixa de cereais. Eu podia
sentir seus olhos em mim enquanto eu  pegava o leite e encontrava uma
colher. Eu coloquei a comida na mesa, e ento parei. "Eu posso pegar
alguma coisa pra voc?", eu perguntei, sem querer ser rude.  Ele s
rolou os olhos. "S coma, Bella". Eu sentei na mesa, observando ele
enquanto comia um pouco. Ele estava me encarando, estudando todos os
meus movimentos.  Eu fiquei envergonahda. Eu limpei minha garganta pra
falar, pra distra-lo. "O que est na agenda pra hoje?", eu perguntei.
"Hmmm", eu podia ver que ele estava tentando  moldar sua resposta
cuidadosamente. "O que voc diria de conhecer minha famlia?" Eu engoli
seco. "Voc est com medo agora?", ele parecia esperanoso. "Sim", eu
admiti; eu no podia esconder isso - ele podia ver nos meus olhos. "No
se preocupe", ele sorriu. "Eu vou te proteger". "Eu no estou com medo
deles", eu expliquei.  "Eu estou com medo que eles... no gostem de mim.
Eles no vo ficar, bem, surpresos por voc levar algum...como eu...
pra casa pra conhec-los? Eles sabem que  eu sei deles?" "Oh, eles j
sabem de tudo. Eles fizeram apostas ontem, sabia?" - ele sorriu, mas sua
voz estava spera- "Eles apostaram se eu ia te trazer do volta  ou no,
apesar de eu no ter idia do porque eles apostaram contra Alice. Sob
qualquer perspectiva, ns no

temos segredos na minha famlia. No  nem possvel, j que eu leio
mentes e Alice v o futuro e tudo mais". "E Jasper fazendo voc ficar
mais calmo quando voc  estava com vontade de botar tudo pra fora, no
se esquea disso". "Voc estava prestando ateno", ele sorriu com
aprovao. "Eu aprendi a fazer isso de vez em quando",  eu brinquei.
"Ento Alice me viu voltando?" Sua reao foi estranha. "Algo assim",
ele disse desconfortavelmente, se virando pra que eu no pudesse ver
seus olhos.  Eu encarei ele cheia de curiosidade "Isso ai  bom?", ele
perguntou, se virando abruptamente pra olhar pra o meu caf da manh com
uma cara de brincalho. "Honestamente,  no parece muito apetitoso".
"Bom, no  um urso pardo irritado...",ignorando ele quando ele fez uma
careta. Eu ainda estava me perguntando porque ele havia respondido
aquilo quando eu mencionei Alice. Eu olhei para o meu cereal, fazendo
especulaes. Ele ficou parado no meu da cozinha, uma esttua de Adonis
de novo, olhando pra  fora pelas janelas de trs. Ento seus olhos
voltaram pra mim, ele sorriu um sorriso de tirar o flego. "E eu acho
que voc devia me apresentar ao seu pai tambm,  eu acho". "Ele j te
conhece", eu lembrei ele. "Eu quero dizer, como seu namorado". Eu
encarei ele com um olhar suspeito. "Porque?" "No  esse o costume?",
ele  perguntou inocentemente. "Eu no sei", eu admiti. Minha vida
amorosa no havia me dado muitas referncias. No que as regras de um
namoro normal se aplicassem aqui.  "Isso no  necessrio, sabe. Eu no
espero que voc... finja por minha causa". Seu sorriso estava paciente.
"Eu no estou fingindo". Eu empurrei os restos do meu  cereal nas bordas
da tigela, mordendo meu lbio. "Voc vai dizer pra Charlie que eu sou
seu namorado ou no?", ele perguntou. " isso que voc ?" Eu suprimi a
alegria  que tomava conta de mim por pensar em Edward e Charlie e a
palavra namorado juntas no mesmo lugar. "Eu tenho que admitir que j no
sou mais um garoto". "Na verdade,  eu tinha a impresso de que voc era
algo mais", eu confessei, olhando para a mesa. "Bem,ns no temos que
massacr-lo com todos os detalhes agora". Ele se inclinou  na mesa para
levantar o meu queixo com um dedo frio, gentil. "Mas ele precisa de
alguma explicao pra o motivo que eu fico aqui tanto tempo. Eu no
quero que o  Chefe Swan me d uma ordem de priso". "Voc vai ficar?",
eu perguntei. "Voc vai ficar aqui mesmo?" "At quando voc me quiser",
ele me assegurou. "Eu sempre vou  querer voc", eu avisei. "Pra sempre".
Ele deu a volta na mesa vagarosamente, e parando a alguns passos de
distncia, ele se inclinou para tocar a minha bochecha  com a ponta dos
seus dedos. Sua expresso estava insondvel. "Isso te deixa triste?", eu
perguntei. Ele no respondeu. Ele me olhou nos olhos por um imensurvel
perodo de tempo. "Voc j acabou", ele finalmente perguntou. Eu me
levantei num pulo. "Sim". "V se vestir- eu vou esperar aqui". Foi
difcil decidir o que vestir.  Eu duvidava que houvesse algum livro de
etiqueta que te dissesse o que vestir quando seu namoradinho vampiro te
leva pra conhecer a famlia de

vampiros dele. Era um alvio pensar na palavra sozinha. Eu sabia que eu
afastava ela dos meus pensamentos intencionalmente por timidez. Eu
acabei colocando a minha  nica saia- longa, cor de khaki, mas casual.
Eu coloquei a minha blusa azul que ele tinha elogiado. Uma rpida olhada
no espelho me disse que meu cabelo estava impossvel,  ento eu fiz um
rabo de cavalo. "Tudo bem", eu desci as escadas. "Eu estou decente". Ele
estava me esperando no p da escada, mais prximo do que eu imaginava, e
eu acabei me chocando com ele. Ele me equilibrou,me segurando por um
instante longe cuidadosamente longe do seu corpo por alguns segundos
antes de me trazer pra  mais perto rapidamente. "Errada de novo", ele
murmurou no meu ouvido. "Voc est muito indecente- ningum devia ser
tentadora assim, no  justo". "Tentadora como?",  eu perguntei. "Eu
posso me trocar..." Ele suspirou, balanando a cabea. "Voc  muito
absurda". Ele pressionou seus lbios frios delicadamente na minha testa
e  a sala rodou. O cheiro do seu hlito tornou impossvel pensar. "Ser
que eu devo explicar como voc  tentadora pra mim?", ele disse.
Claramente era uma pergunta  retrica. Ele passou seus dedos
vagarosamente pela minha coluna, sua respirao estava vindo mais rpido
na minha pele. Minhas mos estavam espalmadas no seu peito,  e eu senti
a minha cabea leve de novo. Ele abaixou sua cabea devagar e encostou
levemente seus lbios frios nos meus por um segundo, muito
cuidadosamente, fazendo  eles se abrirem. Ento eu desmoronei. "Bella?",
sua voz estava alarmada enquanto me pegava e me mantinha de p.
"Voc...me...deixou...tonta", eu acusei atordoada.  " O que  que eu
fao com voc?", ele gemeu exasperado. "Eu te beijei ontem e voc me
atacou! Hoje voc desmaia nos meus braos!" Eu sorri fracamente,
deixando os  braos dele me segurarem enquanto minha cabea rodava. "
isso que eu ganho por ser bom em tudo", ele suspirou. "Esse  o
problema", eu ainda estava atordoada. "Voc   bom demais. Muito, muito
bom". "Voc est passando mal?", ele perguntou; ele j havia me visto
assim antes. "No- no  o mesmo tipo de tontura. Eu no sei o que
aconteceu". Eu balancei a cabea pedindo desculpas. "Eu acho que esqueci
de respirar". "Eu no posso te levar a lugar nenhum desse jeito". "Eu
estou bem", eu insisti.  "Sua famlia vai pensar que eu sou louca do
mesmo jeito, qual  a diferena?" Ele mediu minha expresso por um
instante. "Eu gosto muito do tom da sua pele", ele  disse
inesperadamente. Eu corei de prazer, e desviei o olhar. "Olha, eu t
dando muito duro pra no pensar no que eu estou fazendo, ento ser que
j podemos ir?",  eu perguntei. "E voc est com medo no porque vai pra
uma casa cheia de vampiros, mas porque voc tem medo que esse vampiros
no aprovem voc, correto?" " isso  mesmo", eu disse imediatamente,
surpresa com o tom casual que ele usou ao dizer essas palavras. Ele
balanou a cabea. "Voc  incrvel". Eu me dei conta, enquanto  ele
dirigia minha caminhonete at a parte central da cidade, que eu no
fazia idia de onde ele morava. Ns passamos sobre a ponta do rio
Calawah, pegando a estrada  que ia para o norte, as casas passando por
ns, estavam ficando

maiores. Ento passamos por outras casa coladas umas nas outras,
dirigindo na direo da vasta floresta. Eu estava pensando se seria
melhor perguntar ou ser paciente  quando ele virou numa estrada sem
pavimento. No havia sinalizao, ela era praticamente invisvel entre
as rvores. A floresta se estendia pelos dois lados, deixando  a estrada
 frente visvel discernvel apenas por causa de umas curvas em formato
de serpente, ao redor das rvores antigas. E ento, alguns quilmetros
mais  frente,  havia algo brilhando por entre as rvores, e ento de
repente apareceu uma pequena clareira, ou ser que era um quintal? O
brilho da floresta, no entanto, no desapareceu,  pois haviam seis
rvores enormes que circundavam o lugar em todas as suas arestas. As
sombras mantinham suas sombras seguras sobre as paredes da casa que se
erguia  por entre elas, tornando obsoletas as minhas primeiras
explicaes. Eu no sabia o que esperar,mas definitivamente no era
isso. A casa era antiga, graciosa, e tinha  provavelmente uns cem anos.
Era pintada de um branco suave, fraquinho, tinha trs andares, era
retangular e bem proporcionada. As janelas e portas faziam parte da
estrutura original ou de uma restaurao muito bem feita. Minha
caminhonete era o nico carro  vista. Eu podia ouvir um rio por perto,
escondido pela obscuridade  da floresta. "Uau". "Voc gostou?", ele
sorriu. "Tem...um certo charme". Ele deu um puxozinho na ponta do meu
rabo de cavalo e deu uma gargalhada. "Pronta?", ele  perguntou, abrindo
a porta. "Nem um pouquinho- vamos l". Eu tentei sorrir,mas parece que
minha garganta estava presa. Eu passei a mo no cabelo nervosamente.
"Voc  est adorvel", ele pegou minha mo calmamente, sem pensar. Ns
caminhamos pelo longo portal de entrada. Eu sabia que ele podia sentir
minha tenso; seu polegar  fazia crculos nas costas da minha mo. Ele
abriu a porta pra mim. Por dentro era ainda mais surpreendente, menos
previsvel, do que do lado de fora. Era muito clara,  muito aberta, e
muito grande. Isso originalmente devem ter sido vrios quartos, mas as
paredes foram removidas em muitas partes pra criar um espao maior. O
fundo,  virado para o sul foi inteiramente substitudo por vidros, e ,
alm da sombra das rvores, o quintal terminava num rio enorme . uma
escada gigantesca dominava o  lado oeste da sala. As paredes, o teto
baixo, o cho de madeira, e os finos tapetes, eram todos de tons
variantes de branco. Esperando por ns, em p no lado esquerdo  da
porta, num lado da sala que continha um piano enorme e espetacular,
estavam os pais de Edward. Eu vi o Dr. Cullen primeiro,  claro, eu
ainda no podia eixar  de me chocar com a sua juventude e perfeio
ultrajante. Ao lado dele estava Esme, eu presumi, a nica da famlia que
eu ainda no conhecia. Ela tinha o mesmo rosto  plido, lindo que os
outros tinham. Alguma coisa no formato de corao do seu rosto, seus
cachos macios, de uma cor caramelada, me fez lembrar de filmes picos.
Ela era pequena, mais esbelta, mas mais angular, mais cheinha que os
outros. Eles dois estavam vestidos casualmente, com roupas claras que
combinavam com o interior  da casa. Eles deram um sorriso de boas
vindas, mas no fizeram nenhum movimento para se aproximar. Eu imaginei
que eles estavam tentando no me assustar. "Carlisle,  Esme", a voz de
Edward quebrou o curto silncio. "Esta  Bella".

"Seja bem vinda, Bella", os passos de Carlisle eram medidos, cuidadosos
enquanto ele se aproximava. Ele ergueu sua mo tentadoramente. Eu dei um
passo  frente para  balanar a mo dele. " bom v-lo de novo, Dr.
Cullen" "Por favor, me chame de Carlisle". "Carlisle", eu sorri pra ele,
minha sbita confiana me surpreendeu. Eu  podia sentir o alvio de
Edward  meu lado. Esme sorriu e tambm deu um passo  frente, vindo na
direo da minha mo. O seu aperto frio e forte foi exatamente como  eu
esperava. " muito bom conhecer voc", ela disse sinceramente.
"Obrigada.  bom conhecer voc tambm". E era mesmo. Era como conhecer
uma fada de contos- ou Branca  de Neve, pela cor. "Onde esto Alice e
Jasper?", Edward perguntou, mas ningum respondeu, j que eles
apareceram no topo da escada. "Ei, Edward", Alice chamou entusiasmada.
Ela correu escada abaixo, uma mistura de cabelos pretos e pele branca,
parando graciosamente na minha frente. Carlisle e Esme olharam para ela
com olhos cheios de  avisos, mas eu gostei. Era natural- pra ela, pelo
menos. "Oi, Bella", ela disse e se inclinou para me dar um beijo na
bochecha. Se Carlisle e Esme parecia assustados  antes, agora eles
estavam alarmados. Havia choque nos meus olhos tambm, mas eu estava
feliz por ela parecer me aceitar to inteiramente. Eu estava surpresa
por  sentir Edward to rgido ao meu lado. Eu olhei para o rosto dele,
mas a sua expresso no me disse nada. "Voc realmente cheira bem, eu
no tinha reparado antes".  Ela comentou, me deixando totalmente
envergonhada. Ningum mais parecia saber exatamente o que dizer, e ento
Jasper estava l- alto e leonino. Um sentimento de  paz passou pelo meu
corpo, e de repente eu estava totalmente a vontade a despeito de onde eu
estava. Edward olhou pra Jasper, levantando um sobrancelha, e ento  eu
lembrei do que Jasper podia fazer. "Ol, Bella", Jasper disse. Ele
manteve a distncia, sem me oferecer um aperto de mo. Mas era
impossvel se sentir mal perto  dele. "Ol, Jasper", eu respond
timidamente pra ele, e depois para os outros- e vocs tm uma casa
linda", eu comentei convenientemente. "Obrigada", Esme disse.  "Estamos
muito felizes por voc ter vindo". Ela falou cheia de sentimento, e
ento eu percebi que ela estava me achando corajosa. Eu me dei conta de
que Rosalie  e Emmett no estavam em lugar algum, ento me lembrei da
resposta muito inocente de Edward quando eu perguntei se eles no
gostavam de mim. A expresso de Carlisle  me tirou dessa linha de
pensamento, ele estava olhando para Edward com um expresso intensa.
Pelo canto dos meus olhos, eu vi Edward afirmar com a cabea uma vez.
Eu virei o olhar, tentando ser educada. Meus olhos foram parar de novo
no lindo instrumento que havia na sala. De repente eu me lembrei da
minha fantasia de infncia  que, se um dia eu ganhasse na loteria, eu
compraria um piano bem grande pra minha me. Ela no era muito boa- ela
s tocava pra si mesma no nosso teclado de segunda  mo- mas eu adorava
v-la tocar. Ela ficava feliz, absorvida- nessas horas, ela parecia ser
um ser novo, misterioso pra mim, algum que no era a me que eu
conhecia.  Ela tentou me dar aulas,  claro, mas como toda criana, eu
reclamei at que ela me deixou em paz. Esme notou minha preocupao.

"Voc toca?", ela me perguntou, inclinando a cabea na direo do piano.
Eu balancei minha cabea. "Nem um pouco. Mas  lindo.  seu?" "No". Ela
riu. "Edward no  te contou que  um msico?" "No". Eu olhei para a
expresso inocente dele com os olhos revirados. "Mas eu j devia saber,
eu acho". Esme ergueu suas sobrancelhas  delicadas, confusa. "Edward
consegue fazer tudo, no ?", eu expliquei. Jasper riu silenciosamente e
Esme deu a Edward uma olhada de reprovao. "Eu espero que voc  no
tenha ficado se mostrando-  rude". Ela repreendeu. "S um pouquinho",
ele sorriu livremente. O rosto dela se suavizou com o som, e eles
trocaram um olhar que  eu no entendi, apesar de Esme ter parecido quase
presumida. "Na verdade, ele foi modesto demais", eu corrig. "Bem, toque
pra ela", Esme encorajou. "Voc acabou  de dizer que ficar me mostrando
era rude", ele disse. "Pra toda regra h uma exceo", ela replicou. "Eu
gostaria de te ouvir tocar", eu me ofereci. "Est resolvido,  ento",
Esme empurrou ele na direo do piano. Ele me puxou com ele, fazendo com
que eu me sentasse ao seu lado no banco. Ele me deu um olhar longo,
exasperado antes  de virar as chaves. E ento seus dedos flutuaram
rapidamente nas teclas, e a sala foi ocupada por uma composio to
complexa, to luxuriosa, que era difcil acreditar  que era tocada
apenas por um par de mos. Eu senti meu queixo cair, minha boca ficou
aberta de pasmo, e eu ouvi gargalhadas atrs de mim por causa da minha
reao.  Edward olhou pra mim casualmente, a melodia ainda soava ao
nosso redor sem intervalos, eu pisquei. "Voc gosta?" "Voc comps
isso?", eu gaguejei, entendendo tudo.  Ele afirmou com a cabea. " a
favorita de Esme". Eu fechei meus olhos, balanando a cabea. "Qual  o
problema?" "Eu estou me sentindo extremamente insignificante".  A msica
ficou mais devagar, se transformando em outra mais leve, e para a minha
surpresa eu reconheci a melodia da sua cano saindo da profuso das
notas. "Essa   inspirada em voc",ele disse suavemente. A msica ficou
insuportavelmente doce. Eu no conseguia falar. "Eles gostam de voc,
sabe", ele disse convencionalmente.  "Especialmente Esme". Eu olhei pra
trs, a sala enorme estava vazia agora. "Onde eles foram?" "Esto
tentando nos dar privacidade, eu acho". Eu suspirei. "Eles gostam  de
mim. Mas Rosalie e Emmett..." , eu parei, sem ter certeza de como
expressar minhas dvidas. Ele fez uma careta. "No se preocupe com
Rosalie", ele disse, seus  olhos estavam grandes e persuasivos. "Ela vai
aparecer". Meus lbios se contorceram ceticamente. "Emmett?" "Bem, ele
acha que eu sou um luntico, e  verdade, mas  ele no tem nenhum
problema com voc. Ele s est tentando apoiar Rosalie". "Porque  que
isso aborrece tanto ela?" eu no tinha certeza de que queria saber a
resposta.  Ele deu um suspiro longo. "Rosalie tem mais problemas com...
com o que voc . Pra ela  difcil ter algum de fora sabendo da
verdade. Ela est comum pouco de inveja".

"Rosalie tem inveja de mim?", eu perguntei incrdula. Eu imaginei um
universo onde a Rosalie de tirar o flego, teria motivos pra ter inveja
de mim. "Voc  humana",  ele ergueu os ombros. "Ela tambm queria ser".
"Oh", eu murmurei, ainda aturdida. "Porm, at Jasper". "Na verdade
aquilo foi culpa minha", ele disse. "Eu te disse  que ele foi o ltimo
de ns a tentar se adaptar ao nosso meio de vida. Eu pedi que ele
mantivesse distncia." Eu pensei na razo pela qual ele faria isso, e
tremi.  "Carlisle e Esme?", eu continuei rapidamente pra no deixar ele
reparar. "Eles esto felizes por me ver feliz. Na verdade, Esme no se
importaria se voc tivesse  trs olhos e ps gigantes. Durante todo esse
tempo, ela temeu por mim, achando que eu estava perdendo algo essencial
por conta da transformao, que eu era jovem  demais quando Carlisle me
transformou... ela est radiante. Toda vez que eu te toco ela fica
prestes a explodir de alegria". "Alice parece muito... entusiasmada".
"Alice tem a sua prpria forma de enxergar as coisas", ele disse com os
lbios apertados. "Voc no vai me explicar isso, vai?" Um momento de
comunicao sem palavras  passou por ns. Ele se deu conta de que eu
sabia que ele estava me escondendo alguma coisa. Eu me dei conta de que
ele no ia me contar nada. Ainda no. "Ento o  que Carlisle estava te
dizendo mais cedo?" Suas sobrancelhas se juntaram. "Voc percebeu, no
foi". Eu levantei os ombros. " claro". Ele me olhou pensativo por
alguns segundos antes de responder. "Ele queria me contar uma novidade-
ele no sabia se era algo que ele devia compartilhar com voc". "Voc
vai?" "Eu tenho, porque  eu vou ficar um pouco... insuportavelmente
super protetor nos prximos dias - ou semanas - e eu no quero que voc
pense que eu sou naturalmente insuportvel". "O  que h de errado?"
"Nada errado, necessariamente. Alice viu alguns visitantes se
aproximando. Eles sabem que estamos aqui, e esto curiosos".
"Visitantes?" "Sim,  bem...eles no so como ns,  claro- nos seus
hbitos alimentares, eu quero dizer. Eles provavelmente nem vo aparecer
na cidade, mas eu certamente no vou tirar  os olhos de voc de jeito
nenhum, at que eles tenham ido embora". Eu me arrepiei. "Finalmente uma
resposta racional!", ele murmurou. "Eu j estava comeando a acreditar
que voc no tinha o menor senso de auto-preservao". Eu deixei essa
passar, olhando ao redor, meus olhos admirando de novo a sala espaosa.
Ele seguiu meu olhar.  "No  o que voc esperava, no ?", ele
perguntou com uma voz presumida. "No", eu admiti. "Sem caixes, sem
caveiras empilhadas nos cantos; eu nem acho que temos  teias de
aranha... que decepo isso deve ser pra voc". Ele continuou zombando.
Eu ignorei suas brincadeiras. " to clara... to aberta". Ele estava
mais srio  quando respondeu. " o nico lugar onde no precisamos nos
esconder". A msica que ele ainda estava tocando, a minha msica, foi
chagando ao fim, as notas finais  mudando para um tom mais meldico. A
ltima nota ecoou no silncio.

"Obrigada", eu murmurei. Eu me dei conte de que estava com lgrimas nos
olhos. Eu enxuguei elas, envergonhada. Ele tocou o canto dos meus olhos,
enxugando uma que  eu havia deixado escapar. Ele levantou o dedo,
analisando significantemente a umidade da gota. Ento, to rapidamente
que eu mal pude reparar, ele colocou o dedo  na boca para
experiment-la. Eu olhei pra ele questionadoramente, e ele olhou pra mim
por um momento at que ele finalmente sorriu. "Voc quer ver o resto da
casa?"  "No tem caixes?", eu verifiquei, o sarcasmo na minha voz
estava escondendo a verdadeira ansiedade que eu sentia. Ele sorriu,
pegando minha mo, me levando pra  longe do piano. "Sem caixes", ele
prometeu. Ns subimos a enorme escadaria, minha mo passando pela
superfcie delicada do corrimo. O longo corredor que se seguia  s
escadas era revestido com uma madeira cor de mel, a mesma das madeiras
do cho. "O quarto de Rosalie e Emmett... o escritrio de Carlisle... o
quarto de Alice",  ele fazia gestos enquanto passvamos pelas portas.
Ns teramos continuado, mas eu parei no fim do corredor, olhando
incrdula para o ornamento pendurado na parede  acima da minha cabea.
Edward deu uma gargalhada por causa da minha expresso. "Voc pode
sorrir", ele disse. " mesmo um pouco irnico". Eu no ri, minha mo
levantou  automaticamente com um dedo erguido para tocar a grande cruz
de madeira. A sua madeira escura contrastava com o tom claro das
paredes. Eu no toquei, apesar de estar  muito curiosa pra saber se ela
era to suave ao toque quanto parecia ser aos olhos. "Deve ser muito
antiga", eu advinhei. Ele ergueu os ombros. "Do incio da dcada  de
1630, mais ou menos". Eu desviei o olhar da cruz pra olhar pra ele.
"Porque vocs mantm isso aqui?", eu perguntei. "Nostalgia. Pertenceu ao
pai de Carlisle".  "Ele colecionava antiguidades?", eu perguntei em
dvida. "No. Ele mesmo a fez. Costumava ficar na parede sobre o altar
da sacristia onde ele pregava". Eu no tinha  certeza se o meu rosto
demonstrava o meu choque, mas s na duvida, eu me virei para olhar para
a velha cruz novamente. Eu fiz as contas rapidamente na cabea; a  cruz
j tinha mais de trezentos e setenta anos de idade. O silncio perdurou
enquanto eu lutava pra entender o conceito de todos esses anos. "Voc
est bem?", ele  parecia preocupado. "Quantos anos Carlisle tem?", eu
perguntei baixinho, ignorando sua pergunta, ainda olhando pra cima. "Ele
acabou de celebrar seu aniversrio  de trezentos e sessenta e dois
anos", Edward disse. Eu olhei pra ele, um milho de perguntas estavam
nos meus olhos. Ele me olhava cuidadosamente enquanto falava.  "Carlisle
nasceu na Inglaterra, na dcada de 1640, ele acha. Naquela poca o tempo
no era to contado quanto hoje, pelos menos no para as pessoas comuns.
No entanto,  foi logo antes da lei de Cromwell". Eu mantive meu rosto
composto, consciente de que ele estava me estudando enquanto eu ouvia.
Era mais fcil se eu tentasse no  acreditar no que ouvia. "Ele era
filho de um pastor Anglicano. A me dele morreu no parto. Seu pai era um
homem intolerante. Quando os protestantes chegaram ao poder,ele  foi a
favor da

perseguio dos catlicos romanos e de outras religies. Ele tambm
acreditava muito fortemente no poder do mal. Ele comandou caadas por
bruxas, lobisomens... e  vampiros.",. eu fiquei muito rgida quando ouvi
a palavra. Eu tenho certeza de que ele reparou, mas ele continuou sem
parar. "Eles queimaram muitas pessoas inocentes-   claro que as
criaturas que eles estavam procurando no eram to fceis de pegar.
"Quando o pastor ficou velho, ele ordenou que seu filho obediente
ficasse em seu  lugar. No comeo, Carlisle foi uma decepo; ele no via
ningum pra acusar to rapidamente, no via demnios que no existiam.
Mas ele era insistente e mais inteligente  que o seu pai. Ele realmente
descobriu um covil de vampiros de verdade que viviam se escondendo nos
esgotos da cidade, s saindo durante a noite, pra caar. Naqueles
tempos, quando essas criaturas no eram s lendas e mitos, era assim que
eles viviam. "As pessoas pegaram suas tochas e lanas,  claro"- seu
breve sorriso estava  sombrio agora- "e esperaram onde Carlisle havia
visto um deles saindo para a rua. Finalmente, um deles saiu". Sua voz
estava muito baixa; eu tive que dar duro pra  ouvir. "Ele devia ser
muito velho, e fraco com fome. Carlisle ouviu ele chamando os outros em
Latin quando sentiu o cheiro das pessoas. Ele correu pelas ruas, e
Carlisle -que tinha vinte e dois anos e era muito rpido - estava
liderando a perseguio. A criatura poderia facilmente despist-los, mas
Carlisle acha que ele  estava com muita fome, ento ele se virou e
atacou. Ele pulou em Carlisle primeiro,mas os outros estavam logo atrs,
e ele virou pra se defender. Ele matou outros  dois homens, se alimetou
de um terceiro e deixou Carlisle sangrando na rua" . Ele parou. Eu podia
ver que ele estava tentando esconder alguma parte da histria,
escondendo alguma coisa de mim. "Carlisle sabia o que seu pai ia fazer.
Os corpos seriam queimados- tudo que haviam sido infectado pelo monstro
tinha que ser destrudo.  Carlisle agiu instintivamente pra salvar sua
vida. ele saiu da rua rastejando enquanto o resto do bando corria atrs
do demnio. Ele se escondeu numa plantao,  se escondendo numa colheita
de batatas por trs dias. Foi um milagre que ele tenha conseguido se
manter em silncio, permanecer em segredo sem ser descoberto. "Ento
tudo acabou e ele descobriu no que havia se transformado". Eu no tenho
certeza do que a minha expresso estava dizendo, mas de repente ele
parou. "Como voc est  se sentindo?", ele perguntou. "Eu estou bem", eu
assegurei. E de repente eu mord meu lbio com hesitao, ele deve ter
visto a curiosidade queimando nos meus olhos.  Ele sorriu. "Eu espero
que voc tenha mais perguntas pra mim". " Algumas". Seu sorriso cresceu
mostrando seus dentes brilhantes. Ele comeou a andar pelo corredor,  me
puxando pela mo. "Venha, ento", ele me encorajou. "Eu vou te mostrar".

16. CARLISLE Ele me conduziu para um quarto, que ele disse ser o
escritrio de Carlisle. Ele parou no exterior da porta por um instante.
"Entrem". A voz de Carlisle  convidou. Edward abriu a porta para um
grande quarto, alto na parte ocidental das janelas. As paredes, as
portas... Eram de uma madeira escura, onde nelas eram visveis.  Na
parte de cima das paredes tinha muitos livros, mais livros do que j
tinha visto fora de uma biblioteca. Carlisle sentou-se atrs de uma
enorme mesa de mogno,  numa cadeira de couro. Ele estava colocando um
marcador de livro, numa pagina de um grosso volume que ele segurava. O
quarto era como eu sempre imaginei para um  pequeno colgio. Carlisle
tinha aparncia muito jovem para se adaptar a regio. "O que eu posso
fazer por vocs?" Ele nos perguntou agradavelmente, sobre o seu acento.
"Eu queria mostrar a Bella a nossa histria" Edward disse. "Bem, sua
historia na realidade". "Nos no pensamos que isso iria perturbar voc".
Eu me desculpei. "Nenhum  problema com isso. Quando voc quer comear?"
"Do carro" Edward respondeu, colocando sua mo levemente sobre o meu
ombro, o que me fez olhar na direo da porta,  quando nos estvamos
entrando. Cada vez que ele me tocava, parecia sempre muito casual, meu
corao estava tendo uma audvel reao.Eu estava muito envergonhada
por Carlisle esta l. A parede que vimos agora, era diferente das
outras, no lugar de livros, ela estava cheia de pinturas, de todos os
tamanhos, algumas com cores  vibrantes outras escuras. Eu procurei
alguma lgica, algum motivo para o que essas colees tinham em comum,
mas eu no encontrei nada no meu rpido exame. Edward  me puxou para a
direo oposta, eu estava de p, de frente pra um pequeno quadro pintado
oleio, com a borda feita de uma madeira plana, ele no estava fora do
grande  centro e brilhava; estava pintado em vrios tons, ele descrevia
a miniatura de uma cheia cidade, com um abismo oculto no telhado de uma
casa, com espirais no topo,  com algumas torres com espelhos, com um
longo rio enchendo o fundo com uma ponte o atravessando e pequenas
catedrais. "Londres nos anos cinqenta" Edward disse.  "A Londres da
minha juventude" Carlisle acrescentou, alguns ps atrs de nos. Eu
recuei, no tinha escutado ele chegar. Edward apertou minha mo. "Voc
quer contar  a histria?" Edward perguntou. Eu me retorci ao ver a
reao de Carlisle. Ele sorriu "Eu gostaria" ele replicou "Mas eu estou
atrasado. O Hospital informou esta  manh que o Dr.Snow esta doente
hoje, Alm disso, voc sabe essas historias melhor do que eu" Ele
adicionou sorrindo para Edward agora. Era uma combinao estranha  de
absorver. V o doutor de manh cedo nas discusses da Londres dos anos
setenta. Estava desconcertado sei disso, ele falou em voz alta para o
meu beneficio. Depois  disso ele me deu um sorriso caloroso, depois nos
deixou na sala. Eu fixei os olhos numa pequena pintura de Carlisle em
casa, por um logo momento. "O que aconteceu  com eles?" Eu finalmente
perguntei, mirando Edward, quem estava me assistindo. "Quem o converteu?
O que tinha acontecido com ele?" Ele se voltou para as pinturas  e eu
olhei para ele tentando v o que prendia a sua ateno agora

Tinha uma grande paisagem, com uma floresta sombreada, com um espantoso
pico distante. "Quando ele soube em que tinha se transformado" Edward
disse quietamente.  "Ele se revoltou contra isso. Tentou se destruir,
mas no  fcil fazer isso". "Como?" Eu no sabia o que disser em voz
alta, mas as palavras quebraram-se com o  meu choque. "Ele pulou de
grandes alturas" Edward contou-me, sua voz estava indiferente. "Ele
tentou afogar-se no oceano..., mas era muito jovem na sua nova vida  e
era muito forte, ele tentou resistir... a alimentao... Na poca que
estava novo, o extinto era maior e o pegou novamente, mas ele estava se
repelindo, tinha  fora e resistncia para se matar de fome". "Isso 
possvel?" Minha voz falhou. "No, h outros caminhos para nos matar".
Minha boca abriu com a pergunta, mas ele  falou antes que pudesse.
"Ento ele ficou com fome e eventualmente fraco. Ele ficou longe da
populao humana, descobriu que estava enfraquecendo, tambm. Por alguns
meses ele andou pela noite, buscando lugares vazios, entediando-se. A
sua sede selvagem aumentou, ele torturava-se s em pensar. Sua fora
voltou e ele realizou  e l estava uma alternativa para a sua existncia
de um desprezvel monstro, ele aterrorizou-se. Ele no podia comer carne
na sua nova vida, novamente no outro ms  ele criou uma nova filosofia,
estava renascendo. Ele podia viver sem a existncia de um demnio. Ele
encontrou-se de novo". "Ele comeou a fazer melhor uso do seu  tempo.
Estava virando um gnio, estava ansioso por estudar mais. Agora ele
tinha tempo ilimitado, estudava durante a noite e fazendo planos durante
o dia, ele nadou  na Frana". "Ele nadou na Frana?" "Pessoas nadam em
canais todo o tempo, Bella" Ele disse-me meio doentio. "Isso  verdade"
Eu me redimir, o que saiu com um som  meio engraado. "Nadar  fcil
para nos" "Tudo  fcil para voc" Eu disse. Sua expresso ficou
divertida. "Eu prometo que no vou interromper de novo" Ele sorriu
obscuramente e terminou sua frase. "Por causa do tcnico ele no
precisou de flego" "Voc..." "No, no voc prometeu" Ele gargalhou,
colocando o seu dedo gelado  sobre os meus lbios. "Voc vai escutar a
historia ou no?" "Voc no espera que eu no diga nada" Eu murmurei
contra o seu dedo. Ele levantou a mo e colocou na  minha nuca, o meu
corao bateu mais rpido por causa disso, mas eu continuei. "Voc no
precisa respirar?" Eu reclamei. "No, isso no  necessrio, s um
habito".  Ele disse. "Quanto tempo voc pode ficar sem respirar?" "Por
tempo indefinido, eu suponho, eu no sei me sinto um pouco
desconfortvel sem respirar". "Se sente desconfortvel"  Eu repetir. Eu
no reparei na sua expresso, mas algo a fez ficar sombria. Ele colocou
suas mos do seu lado, ele ficou estvel, seus olhos se intensificaram
sobre  o meu rosto, o silncio se prolongou, seu rosto estava imvel
como uma pedra. "O que  isso?" Eu murmurei tocando no seu rosto gelado.

Seu rosto suavizou de baixo da minha mo e ele suspirou. "Eu esperei
para isso acontecer" "Por o que acontecer?" "Eu sabia que em algum
ponto, algo mim o diz ou  algo que voc v est indo ser demasiado, E
ento voc ficara afastado de mim, como voc vai". Ele estava com um
meio sorriso, mas os seus olhos estavam srios.  "Eu no vou impedir
voc, quero que voc esteja a salvo e quero estar com voc, dois desejos
impossveis de se conciliar". Ele olhou para o meu rosto, eu esperei.
"Eu no correrei de lugar nenhum". Eu permitir. "Ns vamos ver". Ele
disse sorrindo de novo. Eu franzir minhas sobrancelhas para ele "Ento,
vamos continuar. Carlisle  estava nadando na Frana" Ele pausou,
voltando para a sua histria. Ele refletiu, olhando para outra pintura
muito colori, com uma moldura muito embeleza e larga,  ele tinha duas
vezes o tamanho da porta que estava pendurado ao lado, A lona
transbordou com figuras brilhantes nas vestes rodando, escritas em torno
das longas  colunas e fora da galeria de mrmore. Eu no sabia se
representava  mitologia grega ou se os caracteres que flutuam nas
nuvens acima tivessem um significado bblico.  "Carlisle nadou na Frana
e depois continuou por toda a Europa, em algumas universidades de l, 
noite ele estudava musica, cincias e medicina, e encontrou sua
permanncia l, salvando vidas humanas". Sua expresso voltou a ser
receosa quase reverente. "Eu no poderia descrever adequadamente o
sofrimento de Carlisle durante  esses dois sculos, o seu perfeito
autocontrole. Agora ele  imune ao cheiro do sangue humano e agora ele
pode trabalhar com amor sem agonia, ele encontrou uma grande
tranqilidade l no hospital" Edward olhou fixamente para fora por um
momento longo. Repentinamente ele pareceu se lembra da sua finalidade.
Ele deu uma pancada  com o dedo sobre a pintura na nossa frente. "Ele
estava estudando na Itlia, quando descobriu outros l. Eles eram mais
educados e civilizados do que os dos bueiros  de Londres" Ele Tocou em
um quarteto comparativamente calmo das figuras pintadas no balco o mais
elevado, olhando para baixo calmamente para baixo deles. Eu examinei  o
grupo cuidadosamente, eu me espantei quando reconheci o sorriso do homem
de cabelo dourado. "Esse homem foi uma grande inspirao para Carlisle,
ele era seu amigo"  Edward riu por entre os dentes. "Aro, Marcus, Caius"
Ele disse indicando trs outros homens de cabelo preto. "Noite do
patrono a arte". "O que aconteceu com eles?"  Eu milagrosamente falei em
voz alta, meu dedo estava alguns centmetros da pintura. "Eles ficaram
todos l" Ele encolheu os ombros "Porque foram para quem sabe quantas
oficinas, Carlisle ficou com eles por um pouco tempo, s algumas
dcadas. Ele tinha grande admirao para os seus modos civilizados,
refinados, mas eles persistiram  em cura sua averso por sua "Comida
natural" Eles disseram que tentaram persuadir ele, e ele tentou
persuadi-los, mas no valeu a pena. A partir da Carlisle decidiu
tentar um novo mundo. Ele sonhava em encontrar outros como ele, ele era
muito sozinho, voc entende. Ele no encontrou ningum por um logo
tempo, mas como monstros  se tornam fadas dos dentes. Ele encontrou,
podia usar os humanos como intermdio, se fosse apenas um, Ele comeou a
exercer a medicina, mas alguns evitavam sua companhia,  ele no podia
por em risco a sua familiaridade.

"Quando a epidemia se alastrou, ele estava trabalhando a noite num
hospital em Chicago, ele tinha uma idia girando em sua mente por
diversos anos, e tinha se decidido  quase agir, desde que no poderia
encontrar um companheiro, criaria um. Ele no estava absolutamente certo
de como a transformao ocorreria ento ele hesitou, ele  estava
sentindo-se receoso por tirar a vida de algum, pois a sua tinha sido
roubada, Ele tinha esse pensamento quando me encontrou. Ele me ajudou,
eu estava no  meu leito de morte, ele cuidou dos meus pais e sabia que
eu estava sozinho, ele decidiu tentar..." Sua voz estava um murmrio
agora, ele olhou fixamente atravs  das janelas ocidentais. Eu me
maravilhei com as pinturas, As memrias de Carlisle estavam em todo
lugar. Eu esperei quieta. Quando ele se virou para mim estava com  um
sorriso angelical em seu rosto. "Voc deve estar cansada de tantas
voltas" Ele concluiu. "Voc sempre esteve com Carlisle depois disso?" Eu
disse. "Quase sempre"  Ele colocou sua mo levemente sobre a minha
cintura e me puxou para ele. Ele me levou atravs da porta e estvamos
de volta  parede com a pintura. Eu me sentir  honrada em poder ouvir
outras historias. Edward no disse nada enquanto nos voltvamos para o
hall, ento eu perguntei. "Quase?" Ele suspirou, pareceu relutar em
responder "Bem, eu tive um pouco de rebelio adolescente, dez anos
depois que eu... nasci... criado, o que quer que voc queira o chamar.
Eu mostrei para ele o meu  apetite, Assim eu fui atrs da minha prpria
vida". "Srio?" Eu estava intrigada ao invs de assustada, talvez eu
devesse estar. Ele percebeu, eu fiquei onde nos  estvamos com a cabea
para cima, olhando para os degraus, mas eu no dei muita importncia as
circunstncias. "Voc no vai me repeli?" "No" "Por que no?" "Eu
cogitei isso razoavelmente" Ele gargalhou mais alto do que antes. Ns
estvamos no topo da escada agora, em outro caminho do hall. "Ds do
tempo do meu novo aniversario"  Ele murmurou "Eu tinha vantagem sabia o
que cada um ao redor de mim estava pensado, ambos humanos e no humanos,
isso  porque os meus exames desafiaram Carlisle  por dez anos. Eu podia
ler sua perfeita sinceridade, eu entendia por a vida tinha colocado ele
no meu caminho.Ele fez exames somente de alguns anos ao retorno a
Carlisle e comprometeu a sua viso.Eu pensei que talvez fosse depresso,
porque eu sei os pensamentos das minhas presas, poderia me fazer de
inocente e persuadir  s o mal, Se eu seguir como um assassino que se
aproveita uma menina nova.Se eu salvasse ela no seria to terrvel". Eu
imaginei com clareza o que ele descreveu  - Num beco a noite uma garota
assustada, com um homem mal atrs dela. Edward, Edward caou esse
terrvel e glorioso homem como um bom garoto. Grata a ela era ou  estava
mais assustada do que antes? "Mas quando isso passou, eu voltei a ver o
monstro em meus olhos, eu no podia escapar do debito que tinha com a
vida humana,  apesar de no ser uma boa justificativa. Ento eu voltei
para Carlisle e Esme, eles me receberam de volta, como dizem, isso 
mais do que eu pude descrever". Ns  paramos na frete da ltima porta do
saguo. "Meu quarto" Ele informou, abrindo-o e me puxando para dentro.
Seu quarto tinha na parte sul, uma janela parede-feita  sob medida pra
um grande quarto. Ele tinha como toda a casa muitos vidros, a paisagem
era para baixo, evitando o sol que refletia no rio, atrs tinha a
intacta floresta  e a extenso da Olympic Mountain, as montanhas estavam
fechada h muito tempo. Na parede oeste tinha pster e mais pster de
CDs, o seu quarto era melhor que uma  loja de CD, em um canto tinha um
sofisticado

microsystem, do tipo que eu no tocaria porque claro que iria quebrar
algo. No havia cama somente um sof de couro preto. O cho era coberto
por um grande tapete  dourado, as paredes eram escuras. "Bom acstico?"
Eu supus. Ele riu e apontou, ele pegou o controle remoto e ligou o
estreo. Estava quieto, mais agora o som do  soft jazz estava conosco no
quarto. Eu fui olhar a sua coleo de musica. "Como voc organizou
isso?" Eu perguntei incapaz de encontrar reao para isso. Ele no
estava prestando ateno, "Hum por um ano,  pela preferncia pessoal".
Ele disse distraidamente. Eu virei ele estava me olhando com uma
expresso peculiar em seus  olhos. "O que?" "Eu fui preparado para
sentir... alivio. Sabendo sobre tudo, no necessitando manter segredos
de voc, mas eu no podia esperar sentir mais do que  isso. Eu gosto
disso faz eu me sentir... feliz" Ele sugeriu timidamente. "Eu estou
satisfeita" Eu disse sorrindo de volta, eu me preocupei de pde lamentar
em dizer  estas coisas, era bom saber que no era o acaso, mas ento,
porque seus olhos dissecaram a minha expresso, seu sorriso murchou e
sua testa enrugou. "Voc est esperando  para corre e gritar, no esta?"
Eu supus. "Um sorriso fraco apareceu em seus lbios e ele assentiu, Eu
odeio estourar sua bolha, mas voc no  realmente no cicatriza  como
voc pensa, eu no o encontro cicatriz em tudo" Eu mentir casualmente.
Ele parou levantando e sua sobrancelha provavelmente incrdulo, ento um
sorriso brilhoso,  largo e perverso apareceu. "Voc realmente no devia
ter "Voc realmente no devia ter dito isso" Ele sorriu. Um som baixo na
parte de trs da sua garganta; seus  lbios ondularam para trs sobre
seus dentes perfeitos. Seu corpo deslocou de repente, metade do seu
corpo abaixou-se, enrijecido como um leo prximo de uma presa.  Eu
suportei me afastado dele. "Voc no deseja." Eu no o vi saltar em mim,
ele foi muito rpido, eu me encontrei repentinamente se ar, ns nos
chocamos contra o  sof, batemos na parede e seus braos formaram uma
proteo ao redor de mim, eu estava me sentido claramente empurrada, mas
estava fazendo um esforo para me sentir  bem. O que ele tinha,
ondulando-me em uma esfera de encontro a sua caixa, prendendo-me mais
firmemente do que correntes do ferro. Eu estava satisfeita por ele est
alarmado, mas ele parecia bem controlado, seu maxilar relaxou, ele
sorriu, seus olhos brilharam com humor. "Voc estava dizendo?" Ele disse
travesso. "Que voc   muito, muito terrivelmente monstruoso". Eu disse
com sarcasmo perturbando a minha voz. "Muito melhor" Ele aprovou. "Hum"
Eu sugeri. "Voc pode sair de cima agora?"  Ele s gargalhou. "Ns
podemos ir?" Uma voz macia chamou do Hall. Lutei para me liberta, mas
Edward apenas me reajustou, ento eu estava convencionalmente sentada
no seu colo, eu pude ver Alice e Jasper atrs dela na porta. Minhas
bochechas queimaram, mas Edward sorriu sossegado. "Vo na frente".Edward
estava mais quieto.

Alice pareceu no achar nada de incomum no nosso abrao, ela caminhou 
quase danando, seus passos eram to graciosos  para o meio do quarto,
onde ela se curvou  sinuosamente para o cho. Jasper, porm, parou na
porta, sua expresso nada chocada. Ele encarou o rosto de Edward, e eu
desejei saber se ele estava provando a atmosfera  com sua sensibilidade
incomum. - Parecia que voc estava tendo Bella para o almoo, e viemos
ver se voc a dividiria.  Alice anunciou. Eu endureci por um momento,
at que percebi que Edward estava sorrindo  se por causa do comentrio
dela ou da minha resposta, eu no poderia dizer. - Desculpe, no
acredito que tenha o suficiente  para desperdiar.  ele replicou, seus
braos me segurando imprudentemente apertado. - De fato.  Jasper disse,
sorrindo para si mesmo enquanto caminhava para dentro  do quarto. 
Alice disse que esta noite ter uma verdadeira tempestade, e Emmett quer
jogar bola. Voc est no jogo? As palavras eram bem comuns, mas o
contexto  me confundiu. Eu presumi que Alice era um pouco mais confivel
que o meteorologista, entretanto. Os olhos de Edward brilharam, mas ele
hesitou. -  claro que voc  deveria trazer Bella.  Alice gorjeou. Eu
pensei ter visto Jasper lanar um olhar rpido a ela. - Voc quer ir? 
Edward me perguntou, excitado, sua expresso vvida.  - Claro.  Eu no
poderia desapontar tal rosto.  Hmm, onde estamos indo? - Temos que
esperar o raio para jogar a bola, voc ver por que.  ele prometeu. -
Vou  precisar de um guarda-chuva? Todos trs riram em voz alta. - Ela
vai?  Jasper perguntou a Alice. - No.  ela estava certa.  A
tempestade atingir acima da cidade.  Deve estar bem seco na clareira. -
timo, ento.  O entusiasmo na voz de Jasper estava pegando,
naturalmente. Eu me encontrava ansiosa, ao invs de assustada. "Vamos
ver se Carlisle quer ir". Alice se levantou e caminhou at a porta com
um estilo que quebraria o corao de qualquer bailarina. "Como se voc
no soubesse", Jasper  zombou, e os dois seguiram rapidamente o seu
caminho. Jasper conseguiu fechar a porta inconspicuosamente atrs dele.

"O que vamos jogar?", eu perguntei. " voc vai assistir", Edward
esclareceu. "Ns vamos jogar baseball". Eu revirei meus olhos. "Vampiros
gostam de baseball?" "  o passatempo Americano", ele disse zombando mas
solenemente.

17. O Jogo Estava apenas comeando a chuviscar quando Edward virou na
rua. At esse momento, eu no tinha dvidas de que Edward ficaria comigo
enquanto eu passava algumas horas  no mundo real. Foi a que eu vi o
carro preto, um Ford velho, parado na entrada de Charlie- e eu ouvi
Edward murmurar algo impossvel de ouvir numa voz baixa, spera.
Tentando ficar fora da chuva no pequeno portal de entrada, estava Jacob
Black, atrs da cadeira de rodas do seu pai. O rosto de Billy estava
impassvel enquanto  Edward estacionava a caminhonete no meio fio. Jacob
olhou pra baixo, seu rosto estava mortificado. A voz baixa de Edward
estava furiosa. "Isso j foi longe demais".  "Ser que ele veio dizer
alguma coisa pra Charlie?", eu adivinhei, mais horrorizada do que com
raiva. Edward s afirmou com a cabea, ele respondia ao olhar de Billy
com olhos estreitos. Eu me senti fraca de alvio por Charlie ainda no
estar em casa. "Me deixe cuidar disso", eu sugeri. O olhar negro de
Edward me deixou ansiosa.  Para minha surpresa, ele concordou. "Isso
provavelmente  o melhor. Contudo, tome cuidado. A criana no sabe de
nada". Eu me senti um pouco estranha pela palavra  criana. "Jacob no 
muito mais novo que eu", eu lembrei ele. Ele olhou pra mim, sua raiva
estava sumindo abruptamente. "Oh, eu sei". Ele me assegurou com um
sorriso.  Eu suspirei e coloquei minha mo na maaneta da porta. "Leve
eles pra dentro", ele instruiu. "Pra que eu possa ir embora. Eu estarei
de volta ao entardecer". "Voc  quer levar minha caminhonete?", eu
ofereci enquanto pensava numa desculpa pra Charlie pra explicar a
abstinncia dela. Ele revirou os olhos. "Eu poderia ir pra casa  andando
e chagar mais rpido do que com essa caminhonete". "Voc no tem que ir
embora", eu disse tristonha. Ele sorriu da minha expresso. "Na verdade,
tenho sim.Assim  que voc se livrar deles"ele me jogou um olhar obscuro
- "Voc ainda tem que preparar Charlie pra conhecer seu novo namorado".
Ele sorriu abertamente, mostrando  todos os dentes. Eu gemi. "Muito
obrigada" Ele deu aquele riso torto que eu adorava. "Eu vou voltar
logo", ele prometeu. Seus olhos deram uma olhadinha para o portal  de
entrada, e ento ele se inclinou suavemente e beijou a minha mandbula.
Meu corao comeou a bater freneticamente, e eu, tambm, olhei em
direo  porta. O  olhar de Billy no estava mais impassvel, e suas
mos estavam apertando os descansos de brao da sua cadeira. "Logo", eu
me estressei enquanto abria a porta e saia  do carro. Eu podia sentir os
olhos dele nas minhas costas enquanto eu dava uma corridinha nos fracos
raios de luz at a varanda. "Oi, Billy. Ei, Jacob". Eu saudei  eles da
forma mais alegre que consegui. "Charlie foi passar o dia fora- eu
espero que vocs no estejam esperando h muito tempo. "No muito",
Billy disse num tom  subjulgado. Seus olhos pretos eram penetrantes. "Eu
s queria trazer isso". Ele indicou um saco de papel marrom que estava
no colo dele.

"Obrigada", eu disse, apesar de no ter idia do que pudesse ser.
"Porque vocs no entram por um minuto pra se secarem?" Eu fingi no
perceber que ele estava me  estudando intensamente enquanto eu abria a
porta, e acenava pra que eles entrassem na minha frente. "Aqui, me deixe
pegar isso", eu me ofereci, fechando a porta.  Eu me permiti dar uma
ltima olhada para Edward. Ele estava esperando, perfeitamente rgido,
seus olhos estavam solenes. "Voc vai querer colocar isso na geladeira",
Billy disse enquanto me entregava o pacote. " um dos peixes fritos do
Criadouro do Harry-  o favorito de Charlie. A geladeira mantm ele mais
seco". Ele levantou  os ombros. "Obrigada", eu repeti,mas dessa vez
falando srio. "Eu j estava ficando sem variedades pra cozinhar peixe,
e  capaz dele trazer mais hoje". "Pescando  de novo?", um brilho sbito
apareceu nos olhos de Billy. "No lugar de sempre? Talvez eu v at l
pra ver ele". "No", eu menti rapidamente, meu rosto estava ficando
duro. "Ele foi  algum lugar novo... mas eu no tenho idia de onde ".
Ele notou a mudana na minha expresso, isso deixou ele pensativo.
"Jake", ele disse ainda  me analisando. "Porque voc no vai pegar a
foto nova de Rebecca no carro? Eu vou deixar aqui pra Charlie tambm."
"Onde est?", Jacob perguntou, sua voz sombria.  Eu olhei pra ele,mas
ele estava olhando para o cho, suas sobrancelhas estavam juntas. "Eu
acho que vi na mala", Billy disse. "Talvez voc tenha que procurar um
pouco" Jacob saiu na chuva. Billy e eu encaramos um ao outro em
silncio. Depois de alguns segundos, o silncio comeou a ficar
incmodo, ento eu me virei e fui  para a cozinha. Eu podia ouvir o
barulho que suas rodas faziam no cho enquanto ele me seguia. Eu
coloquei o pacote na prateleira lotada da geladeira, e me virei  pra
confront-lo. Seu rosto cheio de linhas profundas estava ilegvel.
"Charlie vai demorar muito pra voltar". Minha voz era quase rude. Ele
afirmou de novo com  a cabea, mas no disse nada. "Obrigada de novo
pelo peixe frito", eu repeti. Ele continuou balanando a cabea. eu dei
um suspiro e cruzei meus braos no peito.  Ele pareceu pressentir que eu
havia dado um fim  pequena conversa. "Bella", ele comeou, mas ento
hesitou. Eu esperei. "Bella", ele disse de novo. "Charlie  um  dos meus
melhores amigos" "Sim". Ele falou cada palavra cuidadosamente com sua
voz estrondosa. "Eu reparei que voc tem passado algum tempo com um dos
Cullen". "Sim",  eu repeti curtamente. Seus olhos se estreitaram.
"Talvez no seja da minha conta, mas eu no acho que essa seja uma idia
muito boa". "Voc tem razo", eu concordei.  "No  da sua conta". Ele
ergueu uma das sobrancelhas cinzentas com o meu tom. "Provavelmente voc
no sabe disso, mas os Cullen tm uma m reputao l na aldeia".  "Na
verdade, eu sabia disso", eu informei com uma voz dura. Isso surpreendeu
ele. "Mas a reputao no pode ser merecida, no ? Porque os Cullen
nunca puseram o  p na sua aldeia, puseram?" eu podia ver que a minha
sbita lembrana do acordo que eles fizeram pegou ele de surpresa.

"Isso  verdade", ele disse, seus olhos cuidadosos. "Voc parece... bem
informada sobre os Cullen. Mais informada do que eu esperava." Eu
encarei ele. "Talvez at  mais bem informada do que voc". Ele torceu
seus lbios finos enquanto considerava isso. "Pode ser", ele concordou,
mas seus olhos eram astutos. "Ser que Charlie  est assim to bem
informado?" Ele encontrou o elo fraco da minha corrente. "Charlie gosta
muito dos Cullen", eu fugi. Ele claramente entendeu minha evaso. Sua
expresso estava insatisfeita, mas no estava surpresa. "No  da minha
conta", ele disse. "Mas pode ser da de Charlie". "De novo, isso  da
minha conta, saber se   da conta de Charlie ou no, no ?" Eu fiquei
me perguntando se ele teria compreendido a minha pergunta confusa
enquanto eu lutava pra no dizer mais nada comprometedor.  Mas ele
pareceu compreender. Ele pensou nisso por um momento, enquanto a chuva
que batia no telhado era o nico barulho que quebrava o silncio. "Sim",
ele finalmente  disse. "Eu acho que isso  da sua conta, tambm". Eu
suspirei aliviada. "Obrigada, Billy". "S pense no que voc est fazendo
, Bella", ele implorou. "Tudo bem",  eu concordei rapidamente. Ele fez
uma carranca. "O que eu quis dizer foi, no faa o que voc est
fazendo". Eu olhei nos seus olhos, que estavam cheio de preocupao
comigo, e no havia nada que eu pudesse dizer. E ento a porta bateu com
fora, me fazendo pular com o som. "No tem foto nenhuma no carro". O
tom de reclamao  de Jacob nos alcanou antes dele. Os ombros da camisa
dele estava molhado, seu cabelo estava pingando quando ele entrou na
cozinha. "Hmm", Billy grunhiu, ficando  imparcial de repente, virando a
sua cadeira de rodas para olhar para o filho. "Eu acho que deixei em
casa". Jacob rolou os olhos dramaticamente. "timo". "Bem, Bella,  diga
a Charlie" - ele parou antes de continuar- "que n vinhemos, quer
dizer". "Eu digo", eu murmurei. Jacob pareceu surpreso. "Ns j vamos?"
"Charlie vai ficar  fora at tarde", ele explicou enquanto passava na
frente do filho. "Oh", Jacob pareceu desapontado. "Ento, eu acho que a
gente se v depois, Bella". "Claro", eu  concordei. "Se cuide", Billy me
avisou. Eu no respond. Jacob ajudou seu pai a passar pela porta. Eu
acenei brevemente, dando uma olhadinha para a minha caminhonete  agora
vazia, e ento fechei a porta antes deles irem embora. Eu fiquei no
corredor um tempinho, ouvindo o som do carro deles dar a r e ir embora.
Eu fiquei onde  estava, esperando que a irritao e a ansiedade
desaparecessem. Quando a tenso diminuiu um pouco, eu subi e fui trocar
de roupa. Eu experimentei duas blusas diferentes,  sem ter certeza do
que esperar para essa noite, o que acabou de acontecer havia se tornado
um fato insignificante. Agora que eu no estava mais sobre a influncia
de Edward e Jasper, eu comecei a sentir o nervosismo que no pude sentir
antes. Eu rapidamente desisti de procurar outra roupa - me vestindo com
uma cala jeans  e uma blusa de flanela - afinal, eu sabia que ia ficar
de casaco a noite inteira mesmo. O telefone tocou e eu corri l pra
baixo pra atender. Havia apenas uma voz  que eu queria ouvir; qualquer
outra coisa seria uma decepo. Mas eu sabia que se ele quisesse falar
comigo, ele simplesmente ia se materializar no meu quarto.

"Al?", eu atendi sem flego. "Bella? Sou eu", Jssica disse. "Oh, oi,
Jess", eu lutei por um momento pra voltar  realidade. Pareceu que meses
haviam se passado  desde a ltima vez que eu falei com Jess. "Como foi o
baile?" "Foi to divertido!", Jssica tagarelou. Sem precisar de mais
convite que isso, ela comeou a contar  cada detalhe sobre a noite
passada. Eu falei Mmmm's e Ahhhh's nas horas certas, mas era difcil me
concentrar. Jssica, Mike, o baile, a escola - eles pareciam
estranhamente  irrelevantes no momento. Meus olhos ficavam olhando para
a janela, tentando julgar o nvel de luz que ainda havia por trs das
nuvens. "Voc ouviu o que eu disse,  Bella?", Jssica perguntou,
irritada. "Me desculpe, o que?" "Eu disse que Mike me beijou, voc
acredita?" "Isso  maravilhoso, Jess", eu disse. "Ento o que voc  fez
ontem?". Jssica me desafiou, ainda parecendo irritada pela minha falta
de ateno. Ou talvez ela s estivesse decepcionada porque eu no
perguntei os detalhes.  "Nada, de verdade. Eu s sa um pouco para
aproveitar o sol". Eu ouvi o carro de Charlie na garagem. "Voc no teve
notcias de Edward Cullen?" A porta bateu e eu  pude ouvir Charlie perto
da escada, guardando seu equipamento. "Hmmm", eu no tinha mais certeza
de qual era a minha histria. "E a, garota!", Charlie me chamou  quando
entrou na cozinha. Jess ouviu a voz dele. "Oh, seu pai est a. Deixa
pra l- a gente se v amanh. Te vejo na aula de Trigonometria". "At
mais, Jess", eu  desliguei o telefone. "Oi, pai", eu disse. Ele estava
lavando as mos na pia. "Onde est o peixe?" "Eu coloquei no freezer".
"Eu vou pegar um pouco antes que congele-  Billy truoxe um pouco de
peixe frito pra voc essa tarde". Eu me esforcei pra parecer
entusiasmada. "Ele trouxe?", seus olhos se iluminaram. " o meu
favorito".  Charlie foi se limpar enquanto eu preparava o jantar. No
demorou muito at que estivssemos na mesa, jantando em silncio.
Charlie estava gostando da comida. Eu  estava desesperadamente pensando
numa forma de cumprir a minha tarefa, lutando pra encontrar uma maneira
de tocar no assunto. "O que voc fez do seu dia?", ele perguntou,  me
tirando das minhas meditaes. "Bom, essa tarde eu fiquei aqui em
casa...". Na verdade, s a parte mais recente da tarde. Eu tentei manter
minha voz animada,  mas o meu estmago estava embrulhado. "E essa manh
eu estava na casa dos Cullen". Charlie derrubou seu garfo. "Na casa do
Dr. Cullen?", ele perguntou espantado.  Eu fingi no reparar na reao
dele. "". "O que voc estava fazendo l? Ele no pegou mais o seu
garfo. "Bem, eu meio que tenho um encontro com Edward Cullen essa
noite, ento ele queria me apresentar aos seus pais... Pai?" Parecia que
Charlie estava tendo um aneurisma. "Voc est saindo com Edward
Cullen?", sua voz parecia  um trovo. Uh- oh. "Eu pensei que voc
gostasse dos Cullen". "Ele  velho demais pra voc", ele se alterou.
"Ns temos a mesma idade", eu corrig, apesar dele estar  mais certo do
que imaginava. "Espere...", ele pausou. "Qual deles  Edwin?"

"Edward  o mais novo, o que tem o cabelo castanho avermelhado". O
lindo, o que parece um deus... "Oh, bem, isso " - ele pelejou -
"melhor, eu acho. Eu no gosto  do jeito daquele grando. Eu tenho
certeza de que ele  um bom rapaz, e tudo mais, mas ele parece... maduro
demais pra voc. Esse Edwin  seu namorado?" " Edward,  pai". "Ele ?"
"Mais ou menos, eu acho". "Noite passada voc disse que no estava
interessada em nenhum dos garotos da cidade". Mas ele pegou o garfo,
ento eu sabia  que o pior havia passado. "Bem, Edward no mora na
cidade, pai". Ele me deu uma olhada assassina enquanto mastigava. "E, de
qualquer forma", eu continuei. " uma  espcie de fase inicial, sabe.
No me envergonhe com aquele papo de namorado, est bem?" "Quando ele
vai vir?" "Ele estar aqui em alguns minutos" "Pra onde ele  vai te
levar?" Eu gemi alto. "Eu espero que voc j esteja tirando a Inquisio
Espanhola da sua cabea agora. Ns vamos jogar baseball com a famlia
dele". O rosto  dele se contraiu, e ento ele finalmente deu uma
gargalhada. "Voc vai jogar baseball?" "Bom, provavelmente eu vou ficar
assistindo na maioria do tempo". Ele observou  cheio de suspeitas. Eu
revirei os meus olhos pra o bem dele. Eu ouvi o barulho de um motor
encostando na frente de casa. Eu pulei da cadeira e comecei a limpar
meus  pratos. "Deixe os pratos, eu lavo eles hoje. Voc me mima muito".
A campainha tocou, Charlie se levantou e foi atender. Eu estava meio
passo atrs dele. Eu no tinha  me dado conta do quanto estava chovendo
l fora. Edward ficou na luz da varanda, parecendo um modelo de anncios
de casaco de chuva. "Entre, Edward". Eu respirei  de alvio quando
Charlie acertou o nome dele. "Obrigado, Chefe Swan", ele disse com uma
voz respeitosa. "V em frente me chame de Charlie. Aqui, eu seguro seu
casaco".  "Obrigado, senhor". "Sente-se aqui, Edward". Eu fiz uma
careta. Edward se sentou fluidamente na nica cadeira, me forando a
sentar com o Chefe Swan no sof. Eu  fiz uma cara feia pra ele. Ele deu
uma piscada pra mim nas costas de Charlie. "Ento, eu ouvi dizer que
voc vai levar minha garotinha pra jogar baseball". S em  Washington o
fato de praticar esportes ao ar livre num dia chuvoso era algo normal.
"Sim, senhor, esse  o plano". Ele no parecia surpreso pelo fato de eu
ter dito  a verdade para o meu pai. No entanto, ele pode ter estado
escutando. "Bem, mais poder pra voc, eu acho". Charlie sorriu, e Edward
se juntou a ele. "Tudo bem", eu  disse ficando em p. "Chega de piadas
s minhas custas. Vamos l". Eu caminhei de volta para o corredor
colocando meu casaco. Eles me seguiram. "No volte tarde,  Bell" "No se
preocupe, Charlie, eu vou traz-la cedo", Edward prometeu.

"Tome conta da minha garota, est bem?" Eu gemi, mas ele me ignorou.
"Ela estar segura, senhor, eu prometo". Charlie no conseguiu duvidar
das palavras de Edward,  elas estavam em cada palavra. Eu sa. Os dois
riram, Edward me seguiu. Eu parei mortificada na varanda. L, atrs da
minha caminhonete, havia um Jeep monstro. Os  pneus dele eram mais altos
que a minha cintura. Haviam grades de metal sobre os faris e os faris
de milha, e quatro grandes holofotes sobre as barras de proteo.  O
cap era de um vermelho brilhante. Charlie assobiou baixinho. "Usem seus
cintos de segurana", ele se engasgou. Edward seguiu para o meu lado e
abriu a porta pra  mim. Eu tomei uma pequena distncia do banco e me
preparei pra pular nele. Ele suspirou e me levantou com uma mo. Eu
rezei pra que Charlie no tivesse reparado.  Enquanto ele ia para o lado
do motorista com um passo normal, humano, eu tentei colocar o meu cinto
de segurana, mas haviam muitos engates. "O que  tudo isso?",  eu
perguntei quando ele abriu a porta. " um passeio fora da estrada".
"Uh-oh". Eu tentei encontras os engates certos para o cinto, mas no
estava sendo muito rpida.  Ele suspirou de novo, se inclinou e veio me
ajudar. Eu estava contente porque a chuva estava forte o suficiente pra
que eu no pudesse ver Charlie da varanda. Isso  significava que ele no
pde ver como as mos de Edward passava pelo meu pescoo, acariciaram
meu colo. Eu desisti de tentar ajudar ele e me concentrei em no
hiperventilar.  Edward virou a chave na ignio e o motor ligou. Ele
comeou a se afastar de casa. "Esse  um... hum... Jipe bem grande". "
de Emmett. Eu no achei que voc ia  querer correr o caminho inteiro."
"Onde  que vocs guardam essa coisa?" "Ns remodelamos um dos prdios
exteriores e transformamos numa garagem". "Voc no vai  colocar o seu
cinto de segurana?" Ele olhou pra mim sem acreditar. Ento uma fichinha
caiu. "Correr o caminho inteiro? Como se ainda fssemos correr parte do
caminho?"  Minha voz caiu alguns oitavos. Ele sorriu. "Voc no vai
correr". "Eu vou ficar enjoada". "Mantenha seus olhos fechados que tudo
vai ficar bem". Eu mordi meu lbio  tentando lutar com o pnico. Ele se
inclinou para dar um beijo no topo da minha cabea, e ento gemeu. Eu
olhei pra ele, confusa. "Voc cheira to bem na chuva",  ele explicou.
"De um jeito bom, ou de um jeito ruim?", eu perguntei cuidadosamente.
"Dos dois, sempre dos dois". Eu no sei como foi que ele conseguiu
encontrar  o caminho com a nvoa e a chuva torrencial, mas de algumas
forma ele achou um lado da estrada que era menos uma estrada e mais um
trilha de montanha. Por um longo  tempo foi conversar impossvel, porque
eu estava balanando pra cima e pra baixo que nem uma britadeira. No
entanto, ele pareceu adorar o passeio, rindo o caminho  inteiro.

E ento, ns chegamos ao fim da estrada; as rvores formavam enormes
paredes verdes em trs lados do jipe. A chuva agora era um mero
chuvisco, diminuindo a cada  segundo, o cu estava cada vez meias claro
por trs das nuvens. "Desculpe, Bella, teremos que ir a p daqui". "Sabe
de uma coisa? Eu vou esperar voc aqui". "O que  aconteceu com a sua
coragem? Voc foi extraordinria essa manh". "Eu no esqueci da ltima
vez". Ser possvel que foi s ontem? Ele estava no meu lado do carro
num sopro. Ele comeou a tirar o meu cinto. "Eu tiro isso, voc vai na
frente", eu protestei. "Hmmm", ele zombou enquanto rapidamente
terminava. "Parece que eu vou  ter que mexer com a sua memria". Antes
que eu pudesse reagir, ele me tirou do jipe e colocou meus ps no cho.
Mal estava nublado agora; Alice ia estar certa. "Mexer  com a minha
memria?", eu perguntei nervosamente. "Algo assim". Ele estava me
olhando atentamente, cuidadosamente,mas havia humor no fundo dos seus
olhos. Eles colocou  suas mos no jipe dos dois lados da minha cabea e
se inclinou pra frente, me forando a encostar na porta. Ele se inclinou
ainda mais perto, seu rosto a apenas  alguns centmetros do meu. Eu no
tinha espao pra escapar. "Agora", ele sussurrou, e s o cheiro dele j
atrapalhou o meu pensamento. "O que exatamente est preocupando  voc?"
"Bem, umm, bater em uma rvore"- eu engoli seco- "e morrer. E de depois
ficar tonta". Ele tentou no sorrir. Ento ele baixou sua cabea e
encostou seus lbios  frios suavemente na base da minha garganta. "Voc
ainda est preocupada agora?", ele falou na minha pele. "Sim". Eu lutei
pra me concentrar. "De bater em rvores  e ficar tonta". Seu nariz
desenhou uma linha que ia desde a base da minha garganta at a ponta do
meu queixo. Sua respirao fria fez ccegas na minha pele. "E agora?",
ele falou na minha mandbula. "rvores", eu gaguejei. "Enjo com o
movimento". Ele levantou seu rosto pra beijar minhas plpebras. "Bella,
voc no acredita que  eu realmente bateria numa rvore, no ?" "No,
mas eu bateria", no havia confiana na minha voz. Ele sentiu o cheiro
da vitria. Ele beijou lentamente descendo  na minha bochecha, parando
no cantinho da minha boca. "Eu deixaria uma rvore atingir voc?". Ele
mal encostou o meu lbio inferior que estava tremendo. "No", eu
sussurrei. Eu sabia que ainda havia um segundo pra defender a minha
tese, mas eu no consegui continuar. "Entenda", ele disse, seus lbios
se movendo contra os meus.  "No h nada a temer, h?" "No", eu
suspirei, desistindo. Ento ele segurou meu rosto com as duas mos quase
rudemente, e me beijou com zelo, seus lbios inflexveis  se movendo
contra os meus. No h desculpa para o meu comportamento. Eu j devia
saber mais que isso agora. E ainda assim eu no pude evitar de reagir
exatamente  da mesma forma que reagi da primeira vez. Ao invs de ficar
seguramente parada, eu lancei meus braos ao redor do pescoo dele, e de
repente eu estava agarrada a  essa esttua de pedra. Eu suspirei e meus
lbios se separaram. Ele deu um passou pra trs, se separando de mim sem
esforo. "Droga, Bella!", ele se separou ofegante.  "Voc vai me matar,
eu juro".

Eu me abaixei, segurando minhas mos no joelho pra me apoiar. "Voc 
indestrutvel", eu murmurei, tentando recuperar o flego. "Eu acreditei
nisso antes de conhecer  voc. Agora vamos sair daqui antes que eu faa
alguma coisa muito estpida", ele grunhiu. Ele me jogou nas costas dele
como tinha feito antes, e eu podia ver o esforo  extra que ele estava
fazendo pra ser gentil. Eu apertei a cintura dele com as minhas pernas e
tranquei meus braos ao redor do pescoo dele. "No esquea de fechar
os olhos", ele avisou severamente. Eu rapidamente coloquei meu rosto na
curva do ombro dele, embaixo do meu prprio brao, e apertei meus olhos.
E eu mal podia dizer  que estvamos nos movendo. Eu podia sentir ele se
mexendo embaixo de mim, mas ele podia estar andando numa calada, o
movimento seria exatamente o mesmo. Eu estava  tentada a dar uma
espiadinha, pra ver se estvamos voando pela floresta como antes, mas eu
resisti. No valia a pena do enjo. Eu me contentei em ouvir a
respirao  dele entrando e saindo uniformemente. Eu no tinha certeza
de que tnhamos parado, at que ele ergueu a mo e tocou meu cabelo.
"Acabou, Bella". Eu ousei abrir meus  olhos, e, no havia dvidas,
estvamos parados. Eu me soltei dele e escorreguei para o cho, caindo
de costas. "Oh!", eu gemi quando bati no cho molhado. Ele olhou  pra
mim sem acreditar, tentando decidir se ele ainda estava com raiva demais
pra achar engraado. Mas a minha expresso desnorteada acabou
descontrolando ele, e  ele comeou a dar uma gargalhada que mais parecia
um rugido. Eu me levantei sozinha, ignorando ele enquanto limpava a
sujeira e o capim do meu casaco. Isso s fez  ele rir ainda mais alto.
Chateada, eu me virei e comecei a andar em direo  floresta. Eu sent
o brao dele na minha cintura. "Pra onde voc est indo, Bella?"
"Assistir um jogo de baseball. Voc no parece estar mais interessado em
jogar, mas eu tenho certeza que os outros vo se divertir sem voc".
"Voc est indo para  o lado errado". Eu me virei sem olhar pra ele, e
comecei a caminhar na direo contrria. Ele me pegou de novo. "No
fique com raiva, eu no consegui evitar. Voc  devia ter visto sua
cara." Ele comeou a rir antes que pudesse evitar. "Oh, ento voc  o
nico que pode ficar com raiva?", eu perguntei, erguendo minhas
sobrancelhas.  "Eu no estava com raiva de voc". " `Bella, voc vai me
matar' ", eu citei. "Isso foi s a constatao de um fato". Eu tentei me
separar dele de novo, mas ele me  segurou depressa. "Voc estava com
raiva", eu insisti. "Sim". "Mas voc acabou de dizer que -" "Que eu no
estava com raiva de voc. Ser que voc no v, Bella?"  De repente ele
estava intenso, todos os traos de zombaria desapareceram. "Ser que
voc no entende?" "V o que?". Eu perguntei, confusa pela mudana do
tom das  suas palavras.

"Eu nunca tenho raiva de voc - como eu poderia? To brava, to
confiante... to clida como voc". "Ento porque?", eu suspirei,
lembrando do mal humor com que  ele se afastava de mim, que eu sempre
justifiquei como frustrao bem justificada- frustrao pelas minhas
fraquezas, minha lentido, minhas reaes humanas desregradas...  Ele
colocou suas duas mos cuidadosamente dos dois lados do meu rosto. "Eu
fiquei furioso comigo mesmo", ele disse gentilmente. "Por eu no parecer
ser capaz de  te manter longe do perigo. S a minha existncia j pe
voc em risco. As vezes eu realmente me odeio. Eu devia ser mais forte,
eu devia ser capaz de-". Eu coloquei  a minha mo na boca dele. "No".
Ele pegou minha mo, tirando ela da sua boca, mas colocando ela no seu
rosto. "Eu te amo", ele disse. "Essa  uma desculpa pobre  para o que eu
estou fazendo, mas  verdade" . Foi a primeira vez que ele disse que me
amava- com todas as palavras. Ele pode no ter reparado, mas eu
certamente  percebi. "Agora, por favor tente se comportar", ele
continuou, ento ele se abaixou e esfregou seus lbios levemente nos
meus. Eu fiquei perfeitamente rgida. E  ento eu suspirei. "Voc
prometer ao Chefe Swan que me levaria pra casa cedo, lembra?  melhor
irmos andando". "Sim, madame". Ele sorriu tristonho e me soltou mas
continuou me segurando com a outra. Ele me guiou pela avencas altas e
molhadas, e pelos musgos pingando, ao redor de uma rvore gigantesca de
cicuta, e l estvamos  ns, na beira de uma enorme campo aberto s
margens dos penhascos do Olmpico. Era duas vezes maior do que qualquer
campo de baseball. Eu podia ver todos os outros  l; Esme, Emmett, e
Rosalie, sentados numa espcie de banco de pedra eram os mais prximos
de ns,  cerca de cem metros de distncia. Muito mais distante eu podia
ver Alice e Jasper, que estavam a pelo menos duzentos e cinquenta metros
de ns, aparentemente jogando alguma coisa pra trs e pra frente, mas eu
nunca vi nenhuma  bola. Parecia que Carlisle estava marcando as bases,
mas ser que elas poderiam ser assim to afastadas? Quando ns
aparecemos, os trs que estavam na rocha se levantaram.  Esme comeou a
vir na nossa direo. Emmett seguiu ela depois de uma longa olhada para
as costas de Rosalie; Rosalie havia se levantado graciosamente e foi
andando  para o campo sem nem sequer olhar na nossa direo. Meu
estmago comeou a mexer sem parar em resposta. "Foi voc que ns
ouvimos, Edward?". Esme perguntou enquanto  se aproximava. "Parecia um
urso gargalhando", Emmett esclareceu. Eu sorri hesitantemente pra Esme.
"Foi ele". "Bella foi no intencionalmente engraada", Edward  explicou,
rapidamente arrumando o placar. Alice havia deixado a posio dela e
vinha correndo, ou danando, na nossa direo. Ela parou fluidamente
perto de ns.  "Chegou a hora", ela anunciou. Assim que ela terminou de
falar, um trovo profundo se fez ouvir fazendo a floresta tremer, e
ento ele foi na direo da cidade.  "Melanclico, no ?", Emmett disse
com uma familiaridade fcil, piscando pra mim. "Vamos l", Alice agarrou
a mo de Emmett e eles seguiram em direo ao campo  gigante; ela corria
como uma gazela. Ele era quase to gracioso e to rpido- apesar de
Emmett no poder ser comparado com uma gazela.

"Voc est pronta pra ver um jogo?", Edward perguntou, seus olhos
ansiosos, brilhando. Eu tentei soar apropriadamente entusiasmada. "Vai
time!". Ele riu silenciosamente  e, depois de assanhar meu cabelo, foi
correndo atrs dos outros dois. A corrida dele foi mais agressiva, mais
um leopardo do que uma gazela, e ele rapidamente alcanou  os outros
dois. A graa e o poder tiraram meu flego. "Vamos descer?" Esme me
perguntou com sua voz suave, meldica, e eu me dei conta de que estava
olhando pra  ele com a boca aberta. Eu rapidamente refiz minha expresso
e balancei a cabea. Esme manteve alguns ps de distncia entre ns, eu
me perguntei se ela estava tomando  cuidado pra no me assustar. Esme
combinou seus passos com os meus sem parecer se incomodar com a
velocidade. "Voc no joga com eles?", eu perguntei timidamente.  "No,
eu prefiro ser a juza- eu gosto de mant-los honestos", ela explicou.
"Ento eles gostam de roubar?" "Oh sim - voc devia ouvir os argumentos
que eles inventam!  Na verdade, eu preferia que voc no ouvisse, eu no
quero que voc pense que eles foram criados por um bando de lobos".
"Voc fala como a minha me", eu ri, surpresa.  Ela sorriu tambm. "Bom,
eu penso neles como meus filhos, de certas formas. Eu nunca superei meus
instintos maternos- Edward te contou que eu perdi um filho?" "No",  eu
murmurei, atordoada, lutando pra entender a vida da qual ela estava
tentando lembrar. "Sim. Meu primeiro e nico filho. Ele morreu apenas
alguns dias depois do  seu nascimento, o pobrezinho", ela suspirou,
"Isso partiu meu corao- foi por isso que eu pulei com abismo, sabe".
Ela disse como se estivesse atestando um fato.  "Edward disse que voc
c-caiu", eu gaguejei. "Sempre um cavalheiro". Ela sorriu. "Edward foi o
primeiro dos meus novos filhos. Eu sempre pensei nele dessa forma,
mesmo apesar dele ser mais velho que eu, de certa forma pelo menos". Ela
sorriu calorosamente pra mim. " por isso que eu estou to feliz que ele
tenha encontrado  voc, querida". A palavra saiu muito natural nos
lbios dela. "Ele foi o homem estranho por muito tempo; e me machuca
v-lo sozinho". "Ento voc no se incomoda?",  eu perguntei, hesitante
de novo. "Que eu seja... a pessoa errada pra ele?" "No", ela estava
pensativa. " voc que ele quer. Vai dar certo, de alguma maneira",  ela
disse, mas a testa dela se enrugou de preocupao. Outro estrondo do
trovo comeou a ser ouvido. Esme parou ento; aparentemente ns
havamos alcanado a borda  do campo. Parecia que eles tinham formado
times. Edward estava no campo esquerdo, Carlisle ficou entre a primeira
e a segunda bases, e Alice segurava a bola, posicionada  no lugar que
aparentava ser o campo do arremessador. Emmett estava balanando um
basto de alumnio, ele assobiava quase sem rastro no ar. Eu esperei que
ele se  aproximasse da rea do batedor, mas eu percebi, quando ele
comeou a entrar em posio, que ele j estava l.- to longe da rea de
arremesso que eu nem julgava  possvel. Jasper estava atrs dele,
pegando a bola para o time adversrio.  claro que nenhum deles estava
usando luva. "Tudo bem", Esme chamou numa voz clara, que  eu sabia que
mesmo Edward ouviria, mesmo estando to longe. "Podem comear". Alice
ficou rgida, enganosamente imvel. O estilo dela parecia ser mais
secreto que  intimidante. Ela segurou a bola com as duas mos na altura
da cintura, e ento, como o bote de uma cobra, a mo dela lanou a bola
que foi parar na mo de Jasper.

"Isso foi um strike?", eu sussurrei pra Esme. "Se eles no conseguem
rebater,  um strike", ela me disse. Jasper atirou a bola de volta para
a mo de Alice que j  estava esperando. Ela se permitiu um breve
sorriso. E ento a mo dela deu um bote de novo. Dessa vez, de alguma
forma, o basto se virou rpido o suficiente para  bater na bola
invisvel. O impacto da bola foi perturbador, como um trovo; o som
ecoou nas montanhas- imediatamente eu percebi porque eles precisavam da
tempestade  de troves. A bola saiu voando como um meteoro pelo campo,
entrando nas profundezas da floresta. "Home run", eu murmurei. "Espere",
Esme avisou, ouvindo atentamente,  uma mo levantada. Emmett corria como
o vento pelas bases com Carlisle na cola dele. Eu me dei conta de que
Edward tinha desaparecido. "Fora!", Esme disse com uma  voz clara. Eu
olhei sem acreditar quando Edward emergiu de dentro das rvores, a bola
erguida na mo, seu sorriso largo era visvel at pra mim. "Emmett bate
mais  forte", Esme explicou. "Mas Edward corre mais rpido". O show
continuou na frente dos meus olhos incrdulos. Era impossvel acompanhar
a velocidade com que a bola  se movia, o compasso com que seus corpos
corriam no campo. Eu descobri o outro motivo pelo qual eles precisavam
da tempestade de troves quando Jasper, tentando  evitar o jogo
infalvel de Edward, jogou uma bola baixa na direo de Carlisle.
Carlisle correu para pegar a bola, e Jasper correu para a primeira base.
Quando eles  colidiram, o som foi como duas montanhas de pedra se
chocando. Eu pulei preocupada, mas de alguma forma, eles no estavam nem
arranhados. "Salvo", Esmo disse numa  voz calma. O time de Emmett estava
ganhando por um ponto - Rosalie conseguiu voar pelas bases depois de
despistar uma das corridas de Edward - mas ento Edward pegou  a
terceira bola fora. Ele veio para o meu lado, brilhando de excitao. "O
que voc acha?", ele perguntou. "De uma coisa eu tenho certeza, eu nunca
mais vou conseguir  assistir outro jogo bobo da liga de Baseball de
novo". "At parece que voc faz muito isso", ele sorriu. "Eu estou
desapontada", eu zombei. "Porque?", ele perguntou,  confuso. "Bem, seria
legal encontrar pelo menos uma coisa que voc no faa melhor do que
qualquer outra pessoa no planeta". Ele mostrou seu sorriso torto
especial,  me deixando sem ar. " minha vez", ele disse indo para a rea
do arremessador. Ele jogou inteligentemente, jogando bolas baixas, fora
do alcance das mos sempre  prontas de Rosalie, correndo duas bases como
um raio antes que Emmett pudesse colocar a bola de volta no jogo.
Carlisle conseguiu arremessar uma bola pra fora do  campo que foi to
longe - com um estrondo to alto que doeu nos meus ouvidos- que ele e
Edward tiveram que ir atrs. Alice trocou cumprimentos com os dois. O
placar  mudou constantemente com o andar do jogo, e eles encrencavam uns
aos outros como jogadores de rua quando um dos times estava na
liderana. Ocasionalmente Esme pedia  ordem. Os troves continuaram, mas
ns permanecemos secos, como Alice havia previsto.

Carlisle ia rebater, Edward ia pegar, quando Alice ficou ofegante. Meus
olhos estavam em Edward, como sempre, e eu vi quando a cabea dele
levantou num estalo pra  olhar pra ela. Seus olhos se encontraram e
alguma coisa passou entre eles num instante. Ele estava ao meu lado
antes que os outros pudessem perguntar o que havia  de errado. "Alice?",
a voz de Esme estava tensa. "Eu no vi - eu no sabia", ela sussurrou. A
essa hora os outros j estavam todos juntos. "O que foi, Alice?",
Carlisle  perguntou com uma voz calma de autoridade. "Eles estavam
viajando muito mais rpido do que eu imaginava. Agora eu sei que estava
errada antes", ela murmurou. Jasper  se inclinou sobre ela, sua postura
era protetora. "O que mudou?", ele perguntou. "Eles nos ouviram jogar e
resolveram mudar de caminho", ela disse, penitente, como  se estivesse
se julgando culpada por o que quer que estivesse assustando ela. Sete
pares de olhos olharam para o meu rosto e desviaram. "Quanto tempo?",
Carlisle  perguntou, olhando na direo de Edward. Seu rosto ficou com
uma expresso de profunda concentrao. "Menos de cinco minutos. Eles
esto correndo - eles querem jogar".  Ele fez uma cara zangada. "Voc
consegue?", Carlisle perguntou, seus olhos vindo na minha direo de
novo. "No, no carregando-", ele cortou. "Alm do mais, a ltima  coisa
que precisamos  que eles sintam o cheiro e comecem a caar".
"Quantos?", Emmett perguntou  Alice. "Trs", ela respondeu
resumidamente. "Trs!", ele zombou.  "Deixe eles virem". As faixas de
msculo se flexionaram nos braos enormes dele. Por uma frao de
segundo que parecer muito maior do que era, Carlisle pensou. S  Emmett
pareceu despreocupado; o rosto olhava para o rosto de Carlisle com olhos
ansiosos. "Vamos continuar o jogo", Carlisle finalmente decidiu. Sua voz
estava calma  e nivelada. "Alice disse que eles esto apenas curiosos".
Tudo isso foi dito to rpido que as palavras duraram menos de segundos.
Eu escutei atenciosamente e entendi  a maior parte, contudo eu no
consegui perguntar o que Esme perguntou  Edward com uma rpida vibrao
de lbios. Eu s vi ele balanar a cabea levemente e o olhar  de alvio
dela. "Voc pega, Esme", ele disse. "Agora eu vou ser o juiz". Ele se
plantou na minha frente. Os outros voltaram para o campo, cautelosamente
observando  a floresta com seus olhos rpidos. Alice e Esme pareciam se
orientar pelo lugar onde eu estava. "Solte o seu cabelo", Edward disse
com uma voz baixa, uniforme. Eu  obedientemente deslizei o prendedor do
meu cabelo e soltei ele ao redor do meu rosto. Eu declarei o bvio. "Os
outros esto vindo". "Sim, fique bem parada, no fale  nada, e no saia
do meu lado,por favor". Ele escondeu bem o estresse na voz dele, mas eu
consegui ouvir. Ele puxou meu longo cabelo para a frente, colocando ele
ao redor do meu rosto. "Isso no vai ajudar", Alice disse suavemente.
"Eu senti o cheiro dela do outro lado do campo". "Eu sei", um tom de
frustrao apareceu na  voz dele. Carlisle foi para a rea de arremesso,
e os outros se juntaram ao jogo sem vontade. "O que Esme te perguntou?",
eu sussurrei.

Ele hesitou por um momento antes de responder. "Se eles estavam com
sede", ele murmurou sem vontade. Os segundos se passaram; o jogo agora
estava aptico. Ningum  ousava dar uma rebatida mais forte, e Emmett,
Rosalie, e Jasper se arrastavam pelo campo. De vez em quando,  despeito
do medo que nublavam nossos pensamentos, eu  pude perceber os olhos de
Rosalie em mim. Eles estavam saem expresso, mas alguma coisa no formato
da boca dela me fez perceber que ela estava com raiva. Edward  no
estava prestando o mnimo de ateno ao jogo, seus olhos e mente estavam
na floresta. "Me desculpe, Bella", ele murmurou impetuosamente. "Foi
estpido, irresponsvel,  ter te exposto dessa maneira. Me desculpe". Eu
ouvi a respirao dele parar e seus olhos se viraram para a floresta.
Ele deu meio passo se colocando entre mim e  o que estava vindo.
Carlisle, Emmett e os outros se viraram na mesma direo, ouvindo sons
de passos que eram baixos demais para os meus ouvidos.

18. A Caada Eles emergiram um por um da floresta, se aproximando doze
metros de uma s vez. O primeiro homem diminuiu imediatamente,
permitindo que o outro homem ficasse na  sua frente, se deixando guiar
pelo homem alto, de cabelos escuros que deixou bem claro quem era que
liderava o bando. A terceira era uma mulher;  distncia, tudo  que eu
conseguia ver dela era que ela tinha um cabelo numa incrvel tom de
vermelho. Eles se enfileiraram antes de continuarem se aproximando
cuidadosamente da famlia  de Edward, exibindo o respeito natural de uma
tropa de predadores quando encontram um grupo maior da sua prpria
espcie. Enquanto eles se aproximavam, eu reparei  no quanto eles eram
diferentes do Cullen. O caminhar deles parecia de gato, e constantemente
isso fazia parecer que eles estavam rastejando. Eles usavam o vestirio
normal de qualquer mochileiro: jeans e uma camisa de boto casual, feita
de um tecido pesado e  prova de gua. No entanto, as roupas estavam
desgastadas, pelo uso,  e eles estavam descalos. Os dois homens tinham
cabelos cuidados,mas o cabelo alaranjado da mulher estava cheio de
folhas e sujeira da floresta. Seus olhos rpidos  estudaram o jeito mais
educado, urbano de Carlisle, que, acompanhado de Emmett e Jasper, andou
cuidadosamente em frente para encontr-los. Sem que nenhuma aparente
comunicao acontecesse entre eles, eles se puseram numa postura mais
usual, ereta. O homem na frente era facilmente o mais bonito, sua pele
tinha um tom de oliva  por baixo da palidez de costume, o seu cabelo era
de um preto forte. Ele tinha uma estatura mdia, tinha msculos fortes,
 claro, mas no era nada comparado com  a fora muscular de Emmett. Ele
tinha um sorriso fluente, que mostrava uma linha de grande dentes
brancos brilhantes. A mulher tinha um aspecto mais selvagem, os  olhos
rpidos dela olhavam sem descanso para o homem que estava na frente
dela, e para o grupo que estava ao nosso redor, seu cabelo catico
estava voando levemente  com a brisa. Sua postura era distintamente
felina. O segundo homem se movia sem parar atrs dele, mais leve que o
lder, seus cabelos castanho claro e feies retangulares  eram
indescritveis. Seus olhos, no entanto, completamente imveis, de alguma
forma pareciam muito vigilantes. Seus olhos eram diferentes tambm. No
eram do dourado  ou preto que eu cheguei a esperar, mas de um vermelho
profundo que era muito perturbador e sinistro. O homem de cabelos
escuros, ainda sorrindo, deu um passo em  direo  Carlisle. "Ns
pensamos ter ouvido um jogo", ele disse numa voz relaxada que tinha um
leve sotaque francs. "Eu sou Laurent, estes so Victoria e James".  Ele
fez gestos para os outros vampiros ao seu lado. "Eu sou Carlisle. Esta 
minha famlia, Emmett e Jasper, Rosalie, Esme e Alice, Edward e Bella".
Ele nos apontou  em grupos, deliberadamente no chamando a ateno para
indivduos. Eu senti um choque quando ele disse meu nome. "Vocs tem
espao para mais alguns jogadores?",  Laurent perguntou num tom
socivel. Carlisle imitou o tom amigvel dele. "Na verdade, ns j
estvamos acabando. Mas certamente estaramos interessados numa outra
hora. Vocs pretendem ficar por muito tempo?" "Ns estvamos indo para o
Norte, na verdade, mas ficamos interessados em ver a vizinhana. Ns no
encontramos companheiros  h um bom tempo". "No, essa regio geralmente
est vazia, com exceo dos visitantes inesperados, como

vocs". A tensa atmosfera havia lentamente se transformado numa conversa
casual; eu conclu que Jasper estava usando seus dons peculiares para
controlar a situao.  "Qual  extenso de rea onde vocs caam?",.
Laurent inquiriu casualmente. Carlisle ignorou a inteno por trs da
pergunta. "A extenso Olympica aqui, acima e  abaixo da Costa, em certas
ocasies. Ns mantemos residncia permanente aqui perto. H outra
residncia permanente como a nossa perto de Denali". Laurent se virou
um pouco nos calcanhares. "Permanente? Como vocs conseguem?". Havia uma
honesta curiosidade na voz dele. "Porque vocs no vo  nossa casa onde
podemos conversas  confortavelmente?", Carlisle convidou. " uma
histria longa". James e Victoria trocaram olhares surpresos com a
meno da palavra "casa", mas Laurent controlou  melhor a sua expresso.
"Isso parece muito interessante, e bem vindo", seu sorriso era genial.
"Ns estivemos numa caada em Ontrio, e ainda no tivemos a
oportunidade  de nos limpar apropriadamente". Ele moveu seus olhos
apreciando a figura refinada de Carlisle. "No se ofendam, mas
gostaramos se vocs refreassem as suas caas  nessa rea. Ns temos que
nos manter fora de suspeita, vocs entendem". Carlisle explicou. "
claro". Laurent afirmou com a cabea. "Ns certamente no vamos invadir
o seu territrio. Ns comemos quando viemos de Seattle, mesmo". Ele
sorriu. Um arrepio percorreu a minha espinha. "Ns vamos te mostrar o
caminho se vocs quiserem  correr conosco- Emmett e Alice, vocs vo com
Edward e Bella pegar o Jipe". Ele disse casualmente. Trs coisas
pareceram acontecer simultaneamente enquanto Carlisle  estava falando.
Meu cabelo voou levemente com a brisa, Edward ficou rgido, e o segundo
homem, James, virou sua cabea de repente, me estudando, sua narinas
infladas.  Uma rpida rigidez passou entre eles quando James comeou a
rastejar mais pra perto. Edward mostrou seus dentes, numa posio de
defesa, um rosnado de animal brotou  da garganta dele. No foi nada como
os sons de brincadeira que eu ouvi dele esta manh. Foi o rudo mais
ameaador que j tinha ouvido, e arrepios percorreram todo  o meu corpo,
desde o meus fios de cabelo at os calcanhares. "O que  isso?". Laurent
perguntou surpreso. Nem Edward nem James relaxaram suas posies
agressivas.  James se moveu levemente para o lado, e Edward se moveu em
resposta. "Ela est conosco". A repulsa de Carlisle foi pra James.
Laurent pareceu sentir meu cheiro com  menos fora que James, mas agora
a conscincia desceu no seu rosto. "Vocs trouxeram um lanche?", ele
perguntou com uma expresso incrdula, dando um passo involuntrio  
frente. Edward rosnou ainda mais ferozmente, asperamente, seus lbios se
curvando sobre seus dentes brilhantes que estavam  amostra. Laurent
andou pra trs de  novo. "Eu disse que ela est conosco". Carlisle
corrigiu com uma voz dura. "Mas ela  humana", Laurent protestou. As
palavras no eram agressivas, apenas um tanto  quanto surpresas. "Sim",
Emmett ficou muito mais visvel do lado de Carlisle, seus olhos estavam
em James. James lentamente abandonou sua posio, mas seus olhos  no
saram de cima de mim, sua narinas ainda infladas. Edward continuou
tenso como um leo na minha frente. Quando Laurent falou, seu tom estava
suavizado- tentando  afastar a hostilidade repentina. "Aparentemente
temos muito a aprender uns sobre os outros".

"Realmente", a voz de Carlisle ainda estava fria. "Mas ns gostaramos
de aceitar seu convite", seus olhos vacilavam entre Carlisle e eu. "E 
claro que no iremos  causar nenhum mal  garota humana. No iremos
invadir seu espao, como eu disse". James olhou sem acreditar e agravado
para Laurent e trocou outro breve olhar com  Victoria, cujos olhos ainda
passavam rapidamente de rosto para rosto. Carlisle mediu a expresso
aberta de Laurent antes de falar. "Ns iremos mostrar o caminho.
Jasper, Rosalie, Esme?", ele chamou. Eles se juntaram me bloqueando
enquanto se convergiam. Alice estava instantaneamente ao meu lado,
Emmett ficou atrs lentamente,  seus olhos se travaram quando ele passou
por James. "Vamos, Bella". A voz de Edward era baixa e inexpressiva.
Durante todo esse tempo eu estive colada no lugar,  aterrorizada demais
pra me mexer. Edward teve que agarrar meu cotovelo e me puxar levemente
pra quebrar o meu transe. Alice e Emmett estavam logo atrs de ns, me
escondendo. Eu tropeava ao lado de Edward, ainda assustada pelo medo.
Eu no podia ouvir se o grupo principal j havia ido embora. A
impacincia de Edward era quase  palpvel enquanto andvamos em
velocidade humana para a floresta. Assim que chagamos  floresta, Edward
me jogou em suas costas sem parar de andar. Eu me agarrei  o mais forte
que pude quando ele comeou a correr, os outros bem atrs dele. Eu
mantive minha cabea abaixada,mas meus olhos, arregalados de medo, no
quiseram fechar.  Eles se moviam pela floresta negra como fantasmas. A
sensao de alegria que parecia dominar Edward quando ele corria estava
completamente ausente. Em seu lugar  havia uma fria que o possua e
fazia ele ir ainda mais rpido. Mesmo eu estando nas costas dele, os
outros acabaram ficando pra trs. Ns chegamos no Jipe num tempo
impossivelmente rpido, Edward mal parou e j estava me jogando no banco
de trs. "Ponha o cinto nela", ele ordenou  Emmett que entrou ao meu
lado. Alice j estava  no banco de frente e Edward j estava ligando o
carro. O motor ligou, ns fizemos uma r, e fizemos uma curva ficando de
frente para a estrada. Edward estava resmungando  algo rpido demais pra
eu entender, mas parecia uma sucesso de palavras profanas. A viagem
sacudida foi muito pior dessa vez e o escuro s a tornou mais
assustadora.  Tanto Emmett quanto Alice olhavam pra fora pela janela.
Ns entramos na estrada principal, e apesar da velocidade ter aumentado,
eu podia ver muito mais claramente  pra onde estvamos indo. Ns
estvamos indo pra o Sul, nos distanciando de Forks. "Onde estamos
indo?", eu perguntei. Ningum respondeu.ningum sequer olhou pra  mim.
"Droga, Edward! Pra onde voc est me levando?" "Ns temos que te levar
pra longe daqui - muito longe - agora". Ele no olhou pra trs, seus
olhos estavam na  estrada. O velocmetro marcava cento e cinqenta
milhas por hora. "Vira! Voc tem, que me levar pra casa!", eu gritei. Eu
lutei contra a estpida subordinao, tirando  o cinto. "Emmett", Edward
disse severamente. E Emmett segurou minhas mos com o seu aperto se ao.
"No! Edward! No, voc no pode fazer isso." "Eu tenho que fazer,
Bella, por favor fique quieta".

"No fico! Voc tem que me levar de volta - Charlie vai chamar o FBI!
Eles vo cair em cima da sua famlia - Carlisle e Esme! Eles tero que
fugir, que se esconder  pra sempre!" "Acalme-se, Bella", sua voz
continuava fria. "Ns j fizemos isso antes". "Comigo no! Vocs no
esto arruinando tudo pra mim!", eu lutei violentamente,  mas foi
totalmente ftil. Alice falou pela primeira vez. "Edward, enconste". Ele
deu uma olhada dura pra ela, e aumentou a velocidade. "Edward, vamos
apenas conversar  sobre isso". "Voc no entende", ele rugiu frustrado.
Eu nunca havia ouvido a voz dele to alta, era ensurdecedora dentro do
Jipe. O velocmetro baixou para perto  de centro e quinze milhas. "Ele 
um perseguidor, Alice. Um perseguidor!" Eu senti Emmett enrijecer ao meu
lado, e eu imaginei o porque dessa reao dele  palavra.  Parecia que
ela significava mais pra eles trs do que pra mim; eu queria entender,
mas no houve oportunidade para eu perguntar. "Encoste, Edward", o tom
de Alice  era razovel, mas com uma ponta de autoridade que eu nunca
havia ouvido antes. O velocmetro passou de cento e vinte. "Faa isso,
Edward". "Me oua, Alice. Eu vi  a mente dele. Perseguir  a paixo
dele, sua obsesso - e ele quer ela, Alice - ela, especificamente. Ele
comea sua perseguio hoje". "Ele no sabe onde -" Ele  interrompeu
ela. "Quanto tempo voc acha que vai levar pra que ele sinta o cheiro
dela naquela cidade? Seu plano j estava traado antes das palavras
sarem da boca  de Laurent". Eu fiquei ofegante sabendo  onde o meu
cheiro o levaria. "Charlie! Voc no pode deix-lo l! Voc no pode
deix-lo". Eu tentei sair da apatia. "Ela  est certa." Alice disse. O
carro diminuiu um pouco. "Vamos apenas olhar para as nossas opes por
um momento", Alice persuadiu. O carro diminuiu de novo, mas
notavelmente.,  e ento ns subitamente subimos no acostamento da
estrada, parando. Eu voei para a frente, e depois bati com tudo quando
voltei para o banco. "No temos opes",  Edward falou arrastado. "Eu
no vou deixar Charlie", eu gritei. Ele me ignorou completamente. "Ns
temos que lev-la de volta", Emmett finalmente falou. "No". Edward  foi
absoluto. "Ele no se compara  ns, Edward. Ele no poder toc-la".
"Ele vai esperar". Emmett sorriu. "Ns tambm podemos esperar" "Voc no
viu- voc no  entende. Quando ele se compromete com uma perseguio,
ele  inabalvel. Ns teramos que mat-lo". Emmett no pareceu
aborrecido pela idia. "Isso  uma opo".  "E a fmea. Ela est com
ele. Se isso se transformar numa luta, o lder se juntar a eles
tambm". "Ns somos um nmero suficiente". "H outra opo", Alice disse
baixinho. Edward de virou furioso pra ela, sua voz era um rugido
devastador. "No - h - outra opo!"

Emmett e eu olhamos pra ele em choque, mas Alice no parecia estar
surpresa. O silncio durou um longo minuto enquanto Edward e Alice se
encaravam. Fui eu quem o  quebrou. "Vocs querem ouvir o meu plano?"
"No", Edward rugiu, Alice olhou pra ele finalmente encolerizada.
"Ouam", eu implorei. "Vocs me levam de volta". "No",  ele
interrompeu. Eu olhei pra ele e continuei. "Vocs me levam pra casa. Eu
digo ao meu pai que quero voltar pra casa em Phoenix. Eu fao minhas
malas. Ns esperamos  at que o perseguidor esteja observando, ento ns
fugimos. Ele vai nos seguir e deixar Charlie em paz. Charlie no vai
colocar o FBI na cola da sua famlia. A  vocs podem me levar para a
droga do lugar que quiserem". Eles me olharam, atordoados. "Realmente,
no  uma m idia". A surpresa na voz de Emmett era definitivamente  um
insulto. "Pode dar certo - e n no podemos simplesmente deixar o pai
dela desprotegido. Voc sabe disso", Alice disse. Todos olharam para
Edward. " perigoso  demais - eu no quero ele  menos de duzentos
metros de distncia dela." Emmett estava super confiante. "Edward, ele
no vai passar por ns". Alice pensou por um  momento. "Eu no o vejo
atacando. Ele vai tentar esperar at que ns deixemos ela sozinha". "No
vai demorar muito at que ele se d conta de que isso no vai
acontecer".  "Eu ordeno que voc me leve pra casa". Eu tentei parecer
firme. Edward pressionou seus dedos nas tmporas e fechou os olhos. "Por
favor", eu disse numa voz muito  mais baixa. Ele no olhou pra cima.
Quando ele falou, sua voz parecia exausta. "Voc vai partir essa noite.
Quer os perseguidores vejam ou no. Voc diz pra Charlie  que no
aguenta passar mais nem um minuto em Forks. Conte qualquer histria. Eu
no me importo com o que ele diga pra voc. Voc tem quinze minutos.
Voc me ouviu?  Quinze minutos a partir do momento que voc entrar em
casa". Ele ligou o motor do Jipe, ns viramos indo de volta pra casa, os
pneus cantando. A agulha do velocmetro  comeou a subir sem parar.
"Emmett?", eu chamei, apontando para as minhas mos com o olhar. "Oh,
desculpe". Ele me soltou. Alguns minutos se passaram em silncio,  s se
ouvia o barulho do motor. Ento Edward falou de novo. " assim que as
coisas vo acontecer. Ns vamos para a casa dela, se o perseguidor no
estiver l, eu  a levo at a porta. Ento ela ter quinze minutos". Ele
me olhou pelo espelho retrovisor. "Emmett, voc cuida do lado de fora da
casa. Alice, voc fica na caminhonete.  Eu ficarei l dentro enquanto
ela estiver. Depois que ela sair, vocs dois pegam o Jipe e vo dizer a
Carlisle". "Sem essa", Emmett interrompeu. "Eu t com voc".  "Pense
bem, Emmett. Eu no sei por quanto tempo ficarei fora". "At que a gente
saiba at onde isso vai, eu fico com voc". Edward suspirou. "Se o
perseguidor estiver  l", ele continuou severamente." Ns dirigimos
direto". "Ns chegaremos l antes dele", Alice disse confiante. Edward
pareceu aceitar isso. Qualquer que fosse o  seu problema com Alice, ele
no pareceu duvidar dela agora. "O que ns vamos fazer com o Jipe?", ela
perguntou.

A voz dele tinha um tom duro. "Voc vai dirigi-lo at em casa". "No, eu
no vou", ela disse calmamente. As palavras profanas impossveis de
escutar recomearam.  "Ns no cabemos todos na minha caminhonete", eu
sussurrei. Edward no aparentou me ouvir. "Eu acho que vocs deviam me
deixar ir sozinha", eu falei ainda mais baixo.  Isso ele ouviu. "Bella,
s faa o que eu digo, s dessa vez", ele disse por entre os dentes
trincados. "Oua, Charlie no  imbecil", eu protestei. "Se voc no
estiver na cidade amanh, ele vai suspeitar". "Isso  irrelevante. Ns
iremos proteger ele, e  s isso que importa". "E quanto  esse
perseguidor? Ele viu a forma  como voc agiu. Ele vai saber que voc
est comigo, onde quer que voc esteja". Emmett olhou pra mi,
insultantemente surpreso de novo. "Edward, escute ela", ele  persuadiu.
"Eu acho que ela est certa". "Sim, ela est", Alice concordou. "Eu no
posso fazer isso", a voz de Edward estava gelada. "Emmet devia ficar
tambm",  eu continuei. "Ele definitivamente deu uma boa olhada pra
Emmett". "O que?", Emmett de virou pra mim. "Voc vai pegar ele mais
facilmente se ficar", Alice concordou.  Edward olhou pra ela incrdulo.
"Voc acha que eu devo deixar ela ir sozinha?" " claro que no", ela
disse. "Eu e Jasper ficamos com ela". "Eu no posso fazer isso",  Edward
repetiu, mas dessa vez havia um trao de derrota na voz dele. A lgica
estava comeando a entrar na cabea dele. Eu tentei ser persuasiva.
"Fique por uma  semana -", eu vi a expresso dele no espelho e emendei.
" - Alguns dias. Deixe Charlie ver que voc no me sequestrou, ento
voc comea a sua caada  James. Tenha  certeza de que ele est
completamente fora da minha cola. Ento venha me encontrar. Venha por
uma rota alternativa,  claro, ento Alice e Jasper podero voltar  pra
casa". Eu podia ver que ele estava comeando a considerar a idia. "Te
encontrar onde?" "Em Phoenix",  claro. "No. Ele vai ouvir que voc foi
pra l", ele  disse impaciente. "E voc vai fazer parecer que  l que
eu estou, obviamente. Ele sabe que vocs estaro comigo. Ele nunca vai
acreditar que vocs vo me levar  pra onde dizem que esto me levando".
"Ela  diablica". Emmett gargalhou. "E se isso no funcionar?" "Existem
sete milhes de pessoas em Phoenix", eu informei.  "No  to difcil
encontrar uma lista telefnica". "Eu no vou pra casa". "Oh?", ele
perguntou, um tom perigoso na voz dele. "Eu sou velha o suficiente pra
ficar  sozinha". "Edward, ns estaremos com ela", Alice lembrou ela. "O
que voc vai fazer em Phoenix?", ele perguntou a ela severamente. "Ficar
dentro de casa". "Eu gosto  disso", Emmett estava pensando em cercar
James, sem dvida. "Cala a boca, Emmett".

"Olha, se ns tentarmos derrot-lo enquanto ela ainda estiver aqui,
existe uma chance muito maior de algum se machucar - ela vai se
machucar, ou voc, tentando  proteger ela. Agora, se ns pegarmos ele
sozinho...". Ele ficou quieto com um sorrisinho no rosto. Eu estava
certa. O Jipe estava andando mais devagar a gora que  estvamos na
cidade. A despeito da minha fala corajosa, os cabelos dos meus braos
estavam de p. Eu pensei em Charlie, sozinho em casa, e tentei ser
corajosa. "Bella",  a voz de Edward estava muito suave. Alice e Emmett
olharam pra fora pela janela. "Se voc deixar alguma coisa acontecer com
voc - qualquer coisa - eu vou te responsabilizar  completamente. Voc
me entendeu?" "Sim", eu engoli seco. Ele se virou para Alice. "Jasper
vai conseguir lidar com isso?" "D algum crdito  ele, Edward. Ele est
indo muito, muito bem, levando tudo em considerao". "Voc vai
conseguir lidar com isso?" E a pequena e graciosa Alice levantou os
lbios numa careta horrorosa  e deu um rugido gutural que me fez colar
no banco acovardada. Edward sorriu pra ela. "Mas mantenha as suas
opinies pra si mesma". Ele murmurou de repente.

19. Despedidas Charlie estava me esperando acordado. Todas as luzes de
casa estavam acesas. Minha mente estava bloqueada e eu estava pensando
em uma maneira dele me deixar ir.  Isso no ia ser prazeroso. Edward
parou devagar, bem atrs da minha caminhonete. Todos os trs estavam
extremamente alerta, parecendo varetas de espingarda nos bancos,
escutando cada som na floresta, olhando para cada sombra, sentindo cada
cheiro, procurando por algo anormal. O motor desligou e eu continuei
sentada, imvel, enquanto  eles escutavam. "Ele no est aqui". Edward
disse tenso. "Vamos l". Emmett se inclinou pra me ajudar com os cintos.
"No se preocupe, Bella", ele disse com uma  voz animada. "Ns vamos
cuidar das coisas aqui rapidamente". Eu senti os meus olhos ficando
midos quando eu olhei pra Emmett. Eu mal o conhecia, mas assim mesmo,
de alguma forma, no saber quando eu o veria de novo depois dessa noite
era angustiante. Eu sabia que esse era apenas um gosto fraco das
despedidas s quais eu teria  que sobrevirem na prxima hora, e esse
pensamento fez as lgrimas comearem a jorrar. "Alice, Emmett", a voz de
Edward era um comando. Eles escorregaram lentamente  para a escurido,
desaparecendo instantaneamente. Edward abriu a porta e me segurou pela
mo, ento me cercou na proteo dos seus braos. Ele caminhou
rapidamente  at a casa, sempre com os olhos revistando a escurido.
"Quinze minutos", ele avisou por baixo do flego. "Eu posso fazer isso",
eu dei uma fungada. Minhas lgrimas  me deram uma inspirao. Eu parei
na varanda e segurei o rosto dele com as minhas mos. Eu olhei
impetuosamente nos olhos dele. "Eu te amo", eu disse numa voz baixa,
intensa. "Eu sempre vou amar voc, no importa o que vai acontecer
agora". "Nada vai te acontecer, Bella", ele disse igualmente impetuoso.
"S siga o plano, est  bem? Mantenha Charlie seguro pra mim. Ele no
vai gostar muito de mim depois disso, e eu quero ter a chance de me
desculpar depois". "Entre, Bella. Ns temos que  nos apressar". A voz
dele era urgente. "S mais uma coisa", eu disse apaixonadamente. "No
oua mais nenhuma palavra que eu disser esta noite!". Ele estava se
inclinando,  ento tudo que eu precisei fazer foi me esticar na ponta
dos ps e beijar os lbios surpresos, congelados dele com toda a fora
que pude. Ento eu me virei e abri  a porta com um chute. "V embora,
Edward". Eu gritei com ele, corri pra dentro e bati com a porta na sua
cara ainda chocada. "Bella?", Charlie estava vagando na  sala de estar,
ento j estava de p. "Me deixe em paz!". Eu gritei com ele entre
lgrimas, que estavam jorrando sem parar agora. Eu subi correndo para o
meu quarto,  batendo a porta e trancando com a chave. Eu corri para a
cama, me jogando no cho para pegar a minha mala de viagem. Eu levantei
rapidamente o meu colcho pra alcanar  o estrado e pegar a meia velha
onde eu guardava as minhas economias secretas. Charlie j estava batendo
na porta. "Bella, voc est bem? O que est acontecendo?".  A voz dele
estava assustada. "Eu no agento mais", eu gritei. Minha voz falhou no
momento certo. "Ele machucou voc?", a voz de Charlie estava beirando a
raiva.

"No!", eu gritei alguns oitavos acima do normal. Eu virei para a minha
penteadeira, e Edward j estava l, silenciosamente tirando braadas de
roupas da gaveta  e jogando elas pra mim. "Ele terminou com voc?"
"No!", eu gritei levemente mais ofegante enquanto jogava as coisas
dentro da sacola. Edward estava jogando o contedo  de outra gaveta pra
mim. A mala j estava quase cheia agora. "O que aconteceu, Bella?",
Charlie gritou da porta, comeando a bater de novo. "Eu terminei com
ele",  eu gritei de volta, sem conseguir fechar o zper da bolsa. As
mos capazes de Edward afastaram as minhas e fecharam o zper
suavemente. Ele colocou a ala cuidadosamente  no meu ombro. "Eu estarei
na caminhonete - v!", ele sussurou, e me empurrou em direo  porta.
Ele desapareceu pela janela. Eu destranquei a porta e empurrei Charlie
com fora, lutando com a minha bolsa pesada enquanto descia as escadas.
"O que aconteceu?", ele gritou. Ele estava bem atrs de mim. "Eu pensei
que voc gostasse  dele". Ele segurou meu cotovelo na cozinha. Ele ainda
estava confuso, mas o seu aperto era firme. Ele me virou pra encar-lo,
e eu podia ver pelo rosto dele que  ele no tinha nenhuma inteno de me
deixar ir. Eu s podia pensar em uma maneira para escapar, e isso
envolvia machuc-lo tanto que eu me odiei s de pensar. Mas  eu no
tinha tempo, e eu tinha que mant-lo a salvo. Eu olhei para o meu pai,
lgrimas frescas nos olhos pelo que eu estava prestes a fazer. "Eu gosto
dele - esse   o problema. Eu no posso mais fazer isso! Eu no posso
mais fincar razes aqui! Eu no quero acabar presa nessa cidade
estpida, chata, como a mame! Eu no vou  cometer o mesmo erro idiota
que ela cometeu. Eu odeio isso - no posso ficar aqui nem mais um
minuto". As mos dele largaram meu brao como se eu tivesse o
eletrocutado.  Eu dei as costas ao seu rosto chocado, ferido, e comecei
a andar para a porta. ""Bells, voc no pode ir agora.  noite". Ele
murmurou atrs de mim. Eu no me virei.  "Eu vou dormir na caminhonete
se precisar". "Espere s mais uma semana", ele implorou, com o rosto
ainda chocado. "Rene vai estar de volta at l". Isso me pegou
completamente despreparada. "O que?" Charlie continuou ansioso, quase
tagarelando de alvio quando eu hesitei. "Ela ligou enquanto voc esteve
fora. As coisas no  esto indo to bem na Flrida, e se Phil no
assinar um contrato at o fim da semana, eles vo voltar para o Arizona.
O treinador assistente dos Sidewinders disse  que eles podem no ter
mais vaga para outro reserva". Eu balancei minha cabea, tentando
reagrupar os meus pensamentos agora confusos. Cada segundo que se
passava  colocava Charlie mais em risco. "Eu tenho uma chave", eu
murmurei girando a maaneta. Ele estava perto de mim, uma das suas mos
se estendeu pra mim, seu rosto confuso.  Eu no podia mais perder tempo
discutindo com ele. Eu ia ter que machuc-lo mais ainda. "Me deixe ir
Charlie", eu repeti as mesmas palavras da minha me quando ela  saiu por
essa mesma h anos atrs. Eu disse elas com a toda a raiva que consegui,
e abri a porta. " No seu certo, t bem? Eu realmente, realmente odeio
Forks!"  Minhas palavras cruis fizeram seu trabalho - Charlie ficou
congelado na porta, atordoado, enquanto eu saia noite afora. Eu estava
com um medo horrendo do quintal  da frente. Eu corri como uma selvagem
para a caminhonete, visualizando uma sombra

escura atrs de mim. Eu joguei minha bolsa na caamba e abri a porta. A
chave estava esperando na ignio. "Eu te ligo amanh", eu gritei,
esperando mais que tudo  poder explicar tudo nessa hora, mas sabendo que
eu jamais poderia. Eu liguei o motor e dei a partida. Edward segurou
minha mo. "Encoste", ele disse quando Charlie  e a casa j haviam
desaparecido. "Eu posso dirigir", eu disse entre as lgrimas que rolavam
pelo meu rosto. Suas longas mos inesperadamente seguraram minha
cintura,  e o p dele empurrou o meu do acelerador. Ele me passou por
cima do colo dele, arrancando minhas mos do volante, e de repente ele
estava no banco do motorista.  A caminhonete no vacilou nem um
centmetro. "Voc no conseguiria encontrar a casa", ele explicou.
Faris brilharam de repente atrs de ns. Eu olhei pra trs de  ns, com
os olhos arregalados de horror. " s Alice", ele me assegurou. Ele
pegou minha mo de novo. Minha mente estava cheia de imagens de Charlie.
"O perseguidor?"  "Ele ouviu o fim da sua performance", ele disso
severamente. "Charlie?", minha voz estava apavorada. "O perseguidor nos
seguiu. Ele est atrs de ns agora mesmo".  Meu corpo ficou gelado.
"Ns podemos despist-lo?" "No", mas ele acelerou enquanto falava. O
motor da caminhonete gemeu em protesto. De repente, o meu plano j  no
parecia mais to brilhante. Eu estava olhando para os faris de Alice
quando a caminhonete balanou e uma sombra escura saltou do lado de fora
da janela. O grito  percorreu a minha corrente sangunea durante uma
frao de segundo antes que Edward tapasse minha boca com a mo dele. "
Emmett". Ele liberou a minha boca, e passou  o brao ao redor da minha
cintura. "Est tudo bem, Bella", ele prometeu. "Voc vai ficar a salvo".
Ns corremos pela cidade vazia em direo a auto-estrado que dava  para
o Norte. "Eu no havia percebido que voc estava to chateada com a vida
numa cidadezinha", ele disse convencionalmente, e eu sabia que ele
estava tentando  me distrair. "Parecia que voc estava se ajustando
muito bem - especialmente recentemente. Talvez eu estivesse apenas me
adulando por estar fazendo a vida mais interessante  pra voc". "Eu no
estava sendo boazinha", eu confessei, ignorando a sua tentativa de me
divertir, olhando para os meus joelhos. "Foi exatamente aquilo que minha
me disse quando deixou ele. Eu acho que voc pode dizer que eu atingi
abaixo da cintura". "No se preocupe. Ele vai te perdoar". Ele sorriu um
pouco, apesar do  sorriso no ter alcanado os olhos dele. Eu olhei pra
ele desesperadamente, ele viu o pnico que havia nos meus olhos. "Bella,
vai ficar tudo bem". "Mas no vai  ficar tudo bem quando eu no estiver
com voc", eu sussurrei. "Ns estaremos juntos de novo em alguns dias",
ele disse, apertando o seu abrao em mim. "No se esquea  que isso foi
idia sua". "Foi a melhor idia -  claro que foi minha". Seu sorriso de
resposta foi vazio e desapareceu rapidamente. "Porque isso aconteceu?",
eu  perguntei, minha voz era inquisitiva. "Porque comigo?" Ele olhou com
os olhos vazios para a estrada. " minha culpa - eu fui um bobo de ter
te exposto daquele jeito".  A raiva na voz dele era dirigida pra si
mesmo.

"No foi isso que eu quis dizer", eu insisti. "Eu estava l, grande
coisa. Isso no incomodou os outros dois. Porque que esse James resolveu
me matar? Tem, gente  em tudo que  lugar, porque eu?" Ele hesitou,
pensando antes de responder. "Eu dei uma boa olhada na mente dele esta
noite", ele comeou com uma voz baixa. "Eu no  tenho certeza de que
havia alguma coisa que eu pudesse fazer pra evitar isso, uma vez que ele
viu voc. Isso  parcialmente sua culpa". Sua voz estava torta. "Se
voc no cheirasse to apavorantemente saborosa, talvez ele no tivesse
se incomodado. Mas quando eu te defendi... bem, isso piorou muito as
coisas. Ele no esta  acostumado a ser contrariado, no importa o quanto
o objeto seja sem importncia. Ele se v como um caador e nada mais.
Sua existncia foi consumida por perseguies,  e um bom desafio  tudo
o que ele pede da vida. de repente ns apresentamos a ele um lindo
desafio - um grande cl de criaturas poderosas todas inclinadas a
proteger  um elemento frgil. Voc no acreditaria em como ele est
eufrico agora. Esse  o jogo favorito dele, e ns fizemos o jogo ficar
ainda mais interessante". O tom  dele estava cheio de repulsa. Ele
pausou por um momento. "Mas se eu tivesse esperado, ele teria te matado
l mesmo", ele disse com uma frustrao desesperada. "Eu  achei... que
no cheirava igual para os outros... como cheiro pra voc", eu disse
hesitantemente. "Voc no cheira. Mas isso no significa que voc tambm
no seja  tentadora para eles. Voc  to apelativa para o perseguidor -
ou qualquer um deles - do mesmo jeito que voc  apelativa pra mim, e
isso teria gerado uma briga  l mesmo". Eu tremi. "Eu no vejo outra
escolha alm de mat-lo agora", ele murmurou. "Carlisle no vai gostar".
Eu podia ouvir os pneus passando pela ponte, apesar  de no conseguir
ver o rio no escuro. Eu sabia que estvamos perto. Eu tinha que
perguntar agora. "Como se pode matar um vampiro?" Ele olhou pra mim com
olhos ilegveis  e com a voz repentinamente spera. "A nica forma de
ter certeza  faz-lo em fragmentos e queimar os pedaos". "E os outros
dois vo lutar com ele?" "A mulher vai.  Eu no tenho certeza sobre
Laurent. Eles no tm laos muito forteseles s esto juntos por
convenincia. Ele ficou com vergonha de James na clareira..." "Mas James
e a mulher - eles vo tentar matar voc?", eu perguntei com a voz crua.
"Bella, no ouse perder seu tempo se preocupando comigo. Preocupe-se
apenas com a sua prpria  segurana e - por favor, por favor - tente no
ser descuidada". "Ele ainda est seguindo?" "Sim. No entanto, ele no
vai atacar a casa. No essa noite". Ele virou  na estrada invisvel,
Alice seguindo logo atrs. Ns dirigimos at a casa. As luzes de dentro
estavam brilhando, mas elas faziam muito pouco para aliviar a escurido
da floresta. Emmett abriu minha porta antes que a caminhonete estivesse
parada; ele me tirou do banco, me agarrou como uma bola no seu peito
largo, e me levou correndo  pela porta. Ns entramos na grande sala,
Edward e Alice dos nossos lados. Todos eles j estavam l; eles j
estavam de p com o som da nossa aproximao. Laurent  ficou entre eles.
Eu podia ouvir leves rugidos saindo da garganta de Emmett quando ele me
colocou no cho ao lado de Edward. "Ele est nos seguindo", Edward
anunciou,  olhando diretamente pra Laurent. O rosto de Laurent estava
descontente. "Era isso que eu temia".

Alice danou at o lado de Jasper e cochichou no seu ouvido; seus lbios
tremiam com a velocidade do seu discurso silencioso. Eles voaram pelas
escadas juntos. Rosalie  observou os dois, e ento se moveu para o lado
de Emmett. Seus lindos olhos eram intensos e - quando se fixaram em mim
- furiosos. "O que ele vai fazer?" Carlisle  perguntou  Laurent com um
tom arrepiante. "Eu lamento", ele respondeu. "Eu temia que quando o seu
garoto defendeu ela, que isso iria irrit-lo". "Voc pode par-lo?"
Laurent balanou a cabea. "Nada pode parar James depois que ele
comea". "Ns vamos par-lo", Emmett prometeu. No havia duvida que ele
estava falando srio. "Voc  no pode par-lo. Eu nunca vi nada como ele
em meus trezentos anos. Ele  absolutamente letal. Foi por isso que eu
me juntei ao bando dele". O bando dele, eu pensei,   claro. O show de
liderana no passava disso, um show. Laurent estava balanando a
cabea. ele olhou pra mim e depois de volta pra Carlisle. "Vocs tm
certeza  de que vale a pena?" O rugido irado de Edward encheu a sala.
Laurent deu um passo pra trs. Carlisle olhou gravemente para Laurent.
"Eu temo que voc ter que fazer  uma escolha". Laurent compreendeu. Ele
pensou por um momento. Seus olhos passaram por todos os rostos, e
finalmente varreram a sala clara. "Eu estou intrigado pelo  estilo de
vida que vocs criaram aqui. Mas eu no vou me meter nisso. Eu no sou
inimigo de nenhum de vocs, mas no vou me colocar contra James. Eu acho
que vou  para o Norte - visitar aquele cl em Denali". Ele hesitou. "No
subestimem James. Ele tem uma mente brilhante e sensos fora do comum.
Ele est to confortvel no  mundo dos humanos quanto vocs parecem
estar, e ele no vai permitir que vocs se intrometam... eu lamento pelo
que isso causou aqui. Lamento mesmo". Ele fez uma  reverncia com a
cabea, mas eu vi quando ele lanou outro olhar confuso na minha
direo. "V em paz". Foi a resposta formal de Carlisle. Laurent deu
outra olhada   sua volta, e ento correu para a porta. O silncio durou
menos de um segundo. "Quo perto?", Carlisle perguntou  Edward. Esme j
estava se mexendo; a mo dela  tocou um teclado complementar acima de
qualquer suspeita, e com um gemido, grandes venezianas de metal
comearam a selar as paredes de vidro. Eu fiquei pasma. "  cerca de
trs milhas antes do rio; ele est circulando pra se encontrar com a
fmea". "Qual  o plano?" "Ns vamos despist-lo, e ento Alice e Jasper
levam ela  para o sul". "E ento?" O tom de Edward era mortal. "Assim
que Bella estiver longe, ns vamos ca-lo". "Eu acho que no h outra
escolha", Carlisle concordou, seu  rosto severo. Edward se virou para
Rosalie. "Leve ela l pra cima e troquem de roupas". Edward comandou.
Ela olhou pra ele com um olhar lvido de descrena. "Porque  eu
deveria?", ela falou. "O que ela  pra mim - alm de uma ameaa que voc
escolheu pra soltar entre ns". Eu dei um passo pra trs pra me proteger
do veneno da  voz dela. "Rose...", Emmett murmurou, colocando uma mo no
ombro dela. Ela afastou ele. Mas eu estava observando Edward o tempo
todo, conhecendo seu temperamento,  preocupada com a reao dele.

Ele me surpreendeu. Ele desviou o olhar de Rosalie como se ela nem
tivesse falado, como se ela nem existisse. "Esme?", ele pediu
calmamente. " claro", Esme murmurou.  Esme j estava ao meu lado em
menos de um pulsar do meu corao, me colocando facilmente em seus
braos e me levando pelas escadas antes que eu pudesse ficar chocada.
"O que ns estamos fazendo?", eu perguntei sem flego enquanto ela me
colocava em um quarto escuro em algum lugar no segundo andar. "Tentando
confundir o cheiro.  No vai funcionar por muito tempo, mas vai ajudar
voc na sada". Eu podia ouvir as roupas dela caindo no cho. "Eu no
acho que vou caber...", eu hesitei, mas as  suas mos j estavam
abruptamente tirando a minha camisa. Eu rapidamente tirei meus jeans
sozinha. Ela me passou alguma coisa que parecia como uma camisa. Eu
lutei  pra colocar os meus braos nos buracos certos. Assim que eu
consegui ela me passou sua cala comprida. Eu coloquei elas mas no
consegui tirar meus ps; elas eram  longas demais. Ela inteligentemente
enrolou as bainhas algumas vezes pra que eu pudesse ficar de p. De
alguma forma, ela j estava usando as minhas roupas. Ela  me puxou de
volta para as escadas, onde Alice estava esperando, uma pequena maleta
de couro estava na mo dela. Cada uma delas agarrou um dos meus
cotovelos e me  carregaram enquanto voavam escadas abaixo. Parecia que
tudo j havia sido resolvido l embaixo durante a nossa ausncia. Edward
e Emmett estavam prontos pra partir,  Emmett carregava uma mala que
parecia ser pesada sobre seu ombro. Carlisle estava passando algo
pequeno para Esme. Ele se virou e passou a mesma coisa para Alice  - era
um pequeno celular prateado. "Esme e Rosalie vo pegar a sua
caminhonete, Bella", ele disse enquanto passava por mim. Eu balancei a
cabea, olhando cautelosamente  para Rosalie. Ela estava olhando para
Carlisle com uma expresso ressentida. "Alice, Jasper - levem a
Mercedes. Vocs vo precisar dos vidros escuros no Sul". Eles  tambm
balanaram a cabea. "Ns vamos com o Jipe". Eu estava surpresa de ver
que Carlisle pretendia ir com Edward. Eu me dei conta, com uma pontada
de medo, que  eles haviam planejado a festa da caada. "Alice", Carlisle
perguntou. "Eles vo morder a isca?" Todo mundo olhou pra Alice quando
ela fechou os olhos e ficou incrivelmente  rgida. Finalmente ela abriu
os olhos. "Ele vai seguir vocs. A mulher vai seguir a caminhonete. Ns
seremos capazes de partir depois disso". A voz dela era resoluta.
"Vamos l", Carlisle comeou a andar em direo  cozinha. Mas Edward
foi para o meu lado na hora. Ele me agarrou com o seu aperto de ao, me
puxando contra ele.  Ele pareceu no se dar de que a famlia dele estava
olhando quando ele puxou meu rosto ao encontro do seu, fazendo meus ps
sarem do cho. Pelo mais breve segundo,  seus lbio estavam gelados e
duros contra os meus. Ento acabou. Ele me colocou no cho, ainda
segurando meu rosto, seus olhos gloriosos queimando nos meus. Seus
olhos ficaram vazios, curiosamente mortos quando ele se virou me dando
as costas. E eles foram embora. Ns ficamos l, os outros olhando em
outras direes enquanto  lgrimas silenciosas rolavam pelo meu rosto. O
momento de silncio permaneceu, e ento o telefone de Esme vibrou na mo
dela. Ele voou para o seu ouvido.

"Agora", ela disse. Rosalie foi saindo pela porta sem outro olhar em
minha direo,mas Esme tocou minha bochecha enquanto passava por mim.
"Fique segura". O sussurro  dela continuou no ar enquanto elas saiam
pela porta. Eu ouvi minha caminhonete comear a funcionar ruidosamente,
e ento ir embora. Jasper e Alice esperaram. O telefone  de Alice j
parecia estar em sua ouvido antes mesmo de vibrar. "Edward disse que a
mulher est na cola de Esme. Eu vou pegar o carro". Ela sumiu por dentro
das sombras  por onde Edward havia sado. Jasper e eu olhamos um para o
outro. Ele ficou na entrada longe de mim... sendo cuidadoso. "Voc est
errada, sabe". Ele disse baixinho.  "O que?", eu me engasguei. "Eu posso
sentir como voc se sente no momento - e voc vale a pena". "No valho
no", eu murmurei. "Se algo acontecer  eles, ter sido  por nada".
"Voc est errada", ele repetiu, sorrindo carinhosamente pra mim. Eu no
ouvi nada, mas do nada Alice entrou na sala pela porta da frente com os
braos  abertos pra mim. "Posso?", ela perguntou. "Voc  a primeira a
pedir permisso", eu dei um sorriso torto. Ela me levantou nos seus
braos esguios to facilmente  quanto Emmett, se curvando protetoramente
sobre mim, e ento ns voamos pela porta, deixando as luzes brilhantes
pra trs.

20. Impacincia Quando eu acordei eu estava confusa. Meus pensamentos
estavam nebulosos, ainda confusos com sonhos e pesadelos; demorou mais
tempo do que devia at que eu lembrasse  de onde eu estava. Esse quarto
era inspido demais pra pertencer  outro lugar que no um hotel. Os
abajures de cabeceira, aparafusados s mesas, eram uma pista  muito
clara, assim como as longas cortinas que combinavam com os forros de
cama, e as paredes cobertas com uma tinta genrica aguada. Eu tentei
lembrar de como havia  chegado aqui, mas primeiro no me veio nada. Eu
lembrava do carro preto brilhante, os vidros das janelas eram mais
escuros do que os de uma limusine. O motor era  quase silencioso, apesar
de estarmos correndo na pista escura com o dobro da velocidade permitida
por lei. E eu me lembrava de Alice estar sentada  meu lado no  banco de
couro preto. De alguma forma, ao longo da noite minha cabea acabou
descansando no seu pescoo de granito. Minha aproximao no pareceu
incomod-la nem  um pouco, e a sua pele fria, dura, era estranhamente
reconfortante para mim. A frente da sua leve camisa de algodo estava
fria, encharcada com as lgrimas que jorravam  dos meus olhos, at que
eles, vermelhos e doloridos, ficaram secos. O sono j havia
desaparecido; meus olhos doloridos continuaram abertos apesar de a noite
j ter  finalmente acabado e de o sol j ter aparecido em algum pico na
Califrnia. A luz cinza fraca, aparecendo no cu sem nuvens, machucou
meus olhos. Mas eu no conseguia  fech-los; quando eu fechava, as
imagens que apareciam vividas demais, como slides atrs das minhas
plpebras eram insuportveis. A expresso devastada de Charlie  - o
rosno gutural de Edward, com os dentes  amostra - o olhar ressentido de
Rosalie - o estudo nos olhos do perseguidor - os olhos mortos de Edward
quando ele me  beijou pela ltima vez... eu no agentava v-los. Ento
eu lutei contra o meu cansao enquanto o sol aparecia mais alto no cu.
Eu ainda estava acordada quando  passamos por uma pequena montanha
atravs do sol, que agora estava atrs de ns, refletido nos telhados do
Vale do Sol. Eu no tinha emoes suficientes sobrando  para ficar
surpresa por termos feito uma viagem de trs dias em um. Eu olhei sem
inexpressivamente para a expanso na minha frente. Phoenixas palmeiras,
o creosoto  inferior, as faixas de pedestres na horizontal no meio da
rua, os campos de golfe enfileirados e os splashes de azul turquesa nas
piscinas, todos submergiam numa  leve nvoa baixa, serras de pedra que
no eram grandes o suficiente para serem chamadas de montanhas. As
sombras das palmeiras se inclinavam sobre a rodovia - definidas,  mais
pontudas do que eu lembrava, mais plidas do que elas deviam ser. Nada
podia se esconder nessas sombras. A estrada clara, aberta, parecia
benigna o suficiente.  Mas eu no me sentia aliviada, no me sentia nem
um pouco bem vinda ao lar. "Qual  o caminho para o aeroporto, Bella?",
Jasper perguntou, e eu vacilei, apresar  da sua voz ser suave e sem
alarmes. Esse foi o primeiro som, alm do barulho do carro, a quebrar o
longo silncio da noite. "Fique na 1-10", eu respondi automaticamente.
"Ns vamos passar bem na frente". Meu crebro trabalhava muito devagar
pela nvoa da falta do sono. "Ns vamos para algum lugar de avio?", eu
perguntei  Alice.  "No, mas  melhor ficar por perto, na dvida". Eu
me lembro do incio da curva ao redor do Sky Harbor Internacional... mas
no lembro do final dela. Eu acho que  foi a que eu cai no sono.

Contudo, agora que eu tento me lembrar, eu tenho uma vaga impresso de
ter sado do carro - o sol estava se pondo no horizonte - meu brao caiu
sobre o ombro de  Alice e ela firmou seu brao na minha cintura, me
carregando enquanto eu tropeava nas sombras mornas, secas. Eu no me
lembrava desse quarto. Eu olhei para o relgio  digital na cabeceira da
cama. Os nmeros vermelhos diziam que eram trs horas, mas eles no
indicavam se era de noite ou de dia. Nem um pouco de luz escapava pela
cortina fina, mas o quarto estava claro por causa da luz do abajur. Eu
me levantei rigidamente e me arrastei at a janela, puxando as cortinas.
Estava escuro l  fora. Trs da manh ento.meu quarto ficava de frente
para um lado deserto da estrada e para o novo estacionamento do
aeroporto. Era levemente confortante poder  distinguir tempo e espao.
Eu olhei para mim mesma. Eu ainda estava usando as roupas de Esme, e
elas no me caiam nem um pouco bem. Eu olhei ao redor para o quarto,
feliz por encontrar a minha bolsa de viagem numa penteadeira baixa. Eu
estava indo pegar as minhas roupas quando uma batidinha de leve na porta
me fez pular. "Posso  entrar?", Alice perguntou. Eu respirei fundo.
"Claro". Ela entrou e olhou pra mim cuidadosamente. "Parece que voc
poderia dormir um pouco mais", ela disse. Eu s  balancei a cabea. Ela
se moveu at as cortinas e fechou elas seguramente antes de se virar pra
mim. "Vamos precisar ficar aqui dentro", ela disse pra mim. "Tudo  bem",
minha voz estava rouca; ela estalou. "Sede?", ela perguntou. Eu levantei
os ombros. "Eu estou bem. E voc?" "Nada que no possa ser arranjado",
ela sorriu.  "Eu pedi comida pra voc, est na sala da frente. Edward me
lembrou de que voc tem que comer mais frequentemente que ns". Eu
fiquei mais alerta instantaneamente.  " Ele ligou?" "No", ela falou, e
observou meu rosto cair. "Isso foi antes de irmos embora". Ela pegou
minha mo cuidadosamente e me levou at a sala de estar da  sute do
hotel. Eu podia ouvir leves rudos de vozes vindos da televiso. Jasper
estava sentado no canto da mesa, seus olhos assistiam as notcias sem
nenhuma ponta  de interesse. Eu sentei no cho perto da mesa de caf,
onde a badeja de comida estava esperando, e comecei a pegar as coisas
sem me dar conta do que estava comendo.  Alice se sentou no brao do
sof e comeou a olhar para a TV de um jeito vazio que nem Jasper. Eu
comi devagar, olhando pra ela, me virando de vez em quando pra  olhar
rapidamente pra Jasper. Eu comecei a perceber que eles estavam rgidos
demais. Eles nunca tiravam os olhos da tela, apesar de os comerciais j
terem comeado  agora. Eu empurrei a bandeja para o lado, meu estmago
estava abruptamente inquieto. Alice olhou pra mim. "Qual  problema,
Alice?", eu perguntei. "No h nada errado".  Seus olhos eram grandes e
honestos... e eu no acreditava neles. "O que ns fazemos agora?" "Ns
esperamos Carlisle ligar". "E ele j devia ter ligado?". Eu podia  ver
que estava chegando perto. Seus olhos flutuaram para o telefone em cima
da sua bolsa preta de couro e de volta pra mim. "O que isso significa?".
Minha voz termia  e eu lutei para control-la. "Que ele no ligou
ainda?"

"Isso s significa que eles ainda no tm nada para nos dizer". Mas a
voz dela estava uniforme demais, e o ar ficou mais difcil de respirar.
Jasper estava de repente  ao lado de Alice, mais perto de mim do que o
normal. "Bella", ele disse numa voz suspeitosamente confortante. "Voc
no tem nada com o que se preocupar. Voc est  completamente segura
aqui". "Eu sei disso". "Ento porque voc est assustada?", ele
perguntou confuso. Ele deve ter sentido a tenacidade das minhas emoes,
mas  ele no conseguia ler as razes por trs delas. "Voc ouviu o que
Laurent disse", minha voz era s um sussurro, mas eu tinha certeza de
que eles conseguia me ouvir.  "Ele disse que James era letal. E se
alguma coisa der errado, e eles se separarem? E se alguma coisa
acontecer com algum deles, Carlisle, Emmett... Edward...", eu  engoli
seco. "E se a fmea machucar Esme...", minha voz havia ficado mais alta,
uma ponta de histeria estava comeando a aparecer nela. "Como eu poderia
viver comigo  mesma sabendo que  minha culpa? Nenhum de vocs devia
estar se arriscando por mim- " "Bella, Bella, pare", ele me interrompeu,
as palavras dele vertiam to rapidamente  que era difcil
compreend-las. "Voc est se preocupando com as coisas erradas, Bella.
Confie em mim - nenhum de ns corre risco. Voc j tem coisas de mais
com  as quais se estressar; no adicione isso tudo  preocupaes
desnecessrias. Me oua!", ele ordenou quando eu desviei o olhar. "Nossa
famlia  forte. Nosso nico  medo  perder voc". "Mas porque vocs
deveriam -" Dessa vez foi Alice que interrompeu , tocando minha bochecha
com seus dedos frios. "J faz um sculo que Edward  est sozinho. Agora
ele encontrou voc. Voc no consegue ver as diferenas que ns vemos,
ns que temos estado com ele h tanto tempo. Voc acha que algum de ns
vai querer olhar nos olhos dele pelos prximos cem anos se ele perder
voc?" Minha sensao de culpa foi diminuindo enquanto eu olhava para os
seus olhos escuros.  Mas mesmo com a calma se espalhando pelo meu corpo,
eu no conseguia confiar nos meus sentimentos com Jasper l. Foi um dia
muito longo. Ns ficamos no quarto. Alice  ligou para a recepo e pediu
que cancelassem o nosso servio de camareiras por enquanto. As janelas
continuaram fechadas e a TV ligada, apesar de ningum estar  assistindo.
O telefone prateado em cima da bolsa de Alice parecia ficar maior
enquanto as horas passavam. Minhas babs conseguiam agentar o suspense
melhor que  eu. Enquanto eu me preocupava e andava pra l e pra c, eles
s ficavam cada vez mais imveis, aquelas duas esttuas cujos olhos me
seguiam imperceptivelmente enquanto  eu me movia. Eu me ocupei em
memorizar o quarto; as listras padronizadas do sof, bronze, pssego,
creme, dourado escuro, e ento bronze de novo. As vezes eu olhava  para
as pinturas abstratas, ocasionalmente achando desenhos nas formas, como
eu encontrava os desenhos nas nuvens quando eu era criana. Eu encontrei
uma mo azul,  uma mulher penteando o cabelo, um gato se estirando. Mas
quando o crculo vermelho se transformou num olho me encarando, eu
desviei o olhar. Enquanto a tarde passava,  eu voltei para a cama,
simplesmente pra ter algo pra fazer. Eu esperava que estando sozinha no
quarto, eu poderia me entregar aos terrveis medos que pairavam na
minha conscincia, impossibilitados de se libertarem por causa da
superviso cuidadosa de Jasper. Mas Alice me seguiu casualmente, como se
por coincidncia ela tivesse  se cansado da sala ao mesmo tempo que eu.
Eu estava comeando a imaginar exatamente que tipo de

instrues Edward havia dado  ela. Eu me estirei na cama, e ela sentou,
com as pernas cruzadas, perto de mim. No incio eu ignorei ela,
repentinamente cansada o  suficiente para dormir. Mas depois de alguns
minutos, o pnico que estava se escondendo na presena de Jasper comeou
a aparecer. Nessa hora eu desisti da idia  de dormir rapidamente, me
curvando numa pequena bola, abraando minhas pernas com os braos.
"Alice?", eu perguntei. "Sim?" Eu mantive minha voz muito calma. "O  que
voc acha que eles esto fazendo?" "Carlisle pretendia levar o
perseguidor to longe para o Norte quanto fosse possvel, esperar que
ele se aproximasse, e ento  encurralar ele. Esme e Rosalie deviam ir
para o oeste enquanto a fmea ainda estivesse atrs delas. Se ela fosse
embora, elas deveriam voltar pra Forks pra tomar  conta do seu pai.
Ento eu imagino que se eles no podem ligar eles esto indo bem.
Significa que o perseguidor est muito perto e eles no querem que ele
os oua".  "E Esme?" "Eu acho que ela j deve ter voltado pra Forks. Ela
no vai ligar se houver alguma chance de que a fmea oua. Eu espero que
eles todos estejam apenas  sendo cuidadosos". "Voc acha que eles esto
a salvo, mesmo?" "Bella, quantas vezes teremos que te dizer que no h
perigo pra ns?" "Contudo, voc me contaria a  verdade?" "Sim. Eu sempre
vou te contar a verdade". A voz dela era intensa. Eu pensei por um
momento, e decidi que ela estava sendo sincera. "Ento me diga... como
 que voc se tornou uma vampira?" Minha pergunta pegou ela fora de
guarda. Ela ficou quieta. Eu me virei pra olhar pra ela, e a expresso
dela parecia ambivalente.  "Edward no quer que eu te diga", ela disse
firmemente, mas eu senti que ela no concordava com isso. "Isso no 
justo. Eu acho que tenho o direito de saber". "Eu  sei". Eu olhei pra
ela esperando. Ela suspirou. "Ele vai ficar extremamente zangado". "Isso
no  da conta dele. Isso  entre eu e voc. Alice, como amiga, eu estou
te implorando". E ns ramos amigas agora, de alguma forma - e ela j
devia saber que seria assim desde o incio. Ela olhou pra mim com seus
olhos esplndidos, inteligentes...  escolhendo. "Eu vou te contar o lado
mecnico da coisa", ela disse finalmente. "mas nem eu mesma me lembro do
que aconteceu, e eu nunca fiz isso ou vi sendo feito,  ento fique
consciente de que s posso te contar o que eu sei na teoria". Eu
esperei. "Como predadores, ns temos um excesso de armas em nosso
arsenal fsico - muito,  muito mais do que aquilo que realmente
necessitamos. A fora, a velocidade, os sentidos aguados, sem mencionar
aqueles como Edward, Jasper e eu, que temos sentidos  extras tambm. E
ento, como uma flor carnvora, ns somos atraentes para a nossa presa".
Eu estava muito rgida, me lembrando do quo sugestivamente Edward havia
me explicado esse mesmo conceito na clareira. Ela sorriu um sorriso
largo, nefasto. "Ns temos outra arma um tanto quanto suprflua. Ns
tambm somos venenosos",  ela disse, seus dentes brilhando. "O veneno
no mata -

 meramente incapacitante. Ele se espalha lentamente, se espalhando na
corrente sangunea, pra que, uma vez mordida, a presa sente dor fsica
demais para escapar.  Um tanto quanto suprfluo, como eu disse. Se ns
estivermos to perto, a presa no vai escapar.  claro que sempre
existem excees. Carlisle, por exemplo". "Ento...  o veneno  deixado
l pra se espalhar...", eu murmurei. "Levam alguns dias para a
transformao estar completa, dependendo de quanto veneno h na corrente
sangunea,  de quo devagar o veneno entra no corao. Enquanto o
corao continua batendo, o veneno se espalha, curando, mudando o corpo
enquanto passa por ele. Eventualmente  o corao para, e a converso
chega ao fim. Mas durante todo o tempo, durante cada minuto, a vtima
estar desejando estar morta". Eu tremi. "No  muito prazeroso,  voc
v". "Edward disse que era uma coisa muito difcil de fazer...eu no
entendi muito bem". "Ns tambm somos como tubares, de certa forma.
Quando ns experimentamos  o sangue, ou mesmo se tivermos apenas sentido
o cheiro dele, se torna muito difcil no se alimentar dele. As vezes 
impossvel. Ento veja, morder algum de verdade,  experimentar do
sangue, isso comearia o frenesi.  difcil para os dois lados - a
luxria pelo sangue de uma lado, a dor horrvel do outro." "Porque voc
acha que  no lembra?" "Eu no sei. Pra todos os outros, a dor da
transformao  a memria mais forte da vida humana. Eu no me lembro de
como  ser humana". Sua voz estava  severa. Ns ficamos em silncio,
cada uma envolvida em seus prprios pensamentos. Os segundos se
passaram, e eu quase esqueci da presena dela, de to envolvida  que
estava nos meus pensamentos. Ento, sem aviso, Alice saltou da cama,
pousando levemente nos seus ps. Minha cabea deu um pulo e eu encarei
ela, alarmada. "Algo  mudou". A voz dela estava alarmada, e ela no
estava mais falando comigo. Ela alcanou a porta ao mesmo tempo que
Jasper. Ele obviamente estava ouvindo a nossa conversa  e ouviu a
exclamao sbita. Ele colocou as mos nos ombros dela e a guiou de
volta para a cama, sentando ela na beirada. "O que voc v?", ele
perguntou atentamente,  olhando dentro dos olhos dela. Os olhos estavam
focados em alguma coisa que estava muito longe. Eu sentei perto dela, me
inclinando para entender sua voz rpida  e baixa. "Eu vejo um quarto. 
longo, e tem espelhos me todo lugar. O cho  de madeira. Ele est nesse
quarto, e ele est esperando. H dourado... uma faixa dourada  por entre
os espelhos". "Onde  o quarto?" "Eu no sei. Est faltando alguma coisa
- outra deciso que ainda no foi tomada". "Quanto tempo?" "Em breve.
Ele estar  na sala dos espelhos hoje, ou talvez amanh. Isso depende.
Ele est esperando por alguma coisa. E ele est no escuro agora". A voz
de Jasper estava calma, metdica,  enquanto ele interrogava ela cheio de
prtica. "O que ele est fazendo?" "Ele est assistindo Tv... no, ele
est passando uma fita de vdeo, no escuro, em outro  lugar". "Voc
consegue ver onde ?" "No,  escuro demais". "Eu no sei. Pra todos os
outros, a dor da transformao  a memria mais forte da vida humana. Eu
no  me lembro de como  ser humana".

Sua voz estava severa. Ns ficamos em silncio, cada uma envolvida em
seus prprios pensamentos. Os segundos se passaram, e eu quase esqueci
da presena dela, de  to envolvida que estava nos meus pensamentos.
Ento, sem aviso, Alice saltou da cama, pousando levemente nos seus ps.
Minha cabea deu um pulo e eu encarei ela,  alarmada. "Algo mudou". A
voz dela estava alarmada, e ela no estava mais falando comigo. Ela
alcanou a porta ao mesmo tempo que Jasper. Ele obviamente estava
ouvindo  a nossa conversa e ouviu a exclamao sbita. Ele colocou as
mos nos ombros dela e a guiou de volta para a cama, sentando ela na
beirada. "O que voc v?", ele  perguntou atentamente, olhando dentro
dos olhos dela. Os olhos estavam focados em alguma coisa que estava
muito longe. Eu sentei perto dela, me inclinando para entender  sua voz
rpida e baixa. "Eu vejo um quarto.  longo, e tem espelhos me todo
lugar. O cho  de madeira. Ele est nesse quarto, e ele est esperando.
H dourado...  uma faixa dourada por entre os espelhos". "Onde  o
quarto?" "Eu no sei. Est faltando alguma coisa - outra deciso que
ainda no foi tomada". "Quanto tempo?" "Em  breve. Ele estar na sala
dos espelhos hoje, ou talvez amanh. Isso depende. Ele est esperando
por alguma coisa. E ele est no escuro agora". A voz de Jasper estava
calma, metdica, enquanto ele interrogava ela cheio de prtica. "O que
ele est fazendo?" "Ele est assistindo Tv... no, ele est passando uma
fita de vdeo, no  escuro, em outro lugar". "Voc consegue ver onde ?"
"No,  escuro demais". "E o quarto dos espelhos, o que mais h l?" "S
os espelhos, e o dourado.  uma faixa,  ao redor da sala. E h uma mesa
preta com um grande som e uma TV. Ele est tocando um videocassete l,
mas ele no est assistindo como faz na sala escura. Nessa  sala ele s
espera". Os olhos dela vaguearam, e ento se focaram no rosto de Jasper.
"No h mais nada?" Ela balanou a cabea. Eles olharam um para o outro,
imveis.  "O que isso significa?", eu perguntei. Nenhum deles respondeu
por um momento, e ento Jasper olhou pra mim. "Significa que os planos
do perseguidor mudaram. Ele  tomou uma deciso que vaio gui-lo ao
quarto dos espelhos, e ao quarto escuro". "Mas ns no sabemos onde
esses quartos so?" "No". "Mas ns sabemos que ele no  estar nas
montanhas  Norte de Washington, sendo caado. Ele vai engan-los". A
voz de Alice estava vazia. "Devemos ligar?", eu perguntei. Eles trocaram
um olhar  srio, indecisos. E ento o telefone tocou. Alice j estava do
outro lado da sala antes que eu pudesse levantar minha cabea pra olhar.
Ela apertou um boto e colocou  o telefone no ouvido dela, mas ela no
foi a primeira a falar. "Carlisle", ela respirou. Ela no pareceu
surpresa ou aliviada, como eu estava. "Sim", ela disse,  olhando pra
mim. Ela escutou por um momento.

"Eu acabei de v-lo", ela descreveu de novo a viso que tinha acabado de
ter. "O que quer que tenha colocado ele naquele avio... est levando
ele para aquelas salas".  Ela parou. "Sim", Alice disse para o telefone,
e ento falou comigo. "Bella?" Ela segurou o telefone na minha direo.
Eu corri pra ele. "Al", eu respirei. "Bella",  Edward disse. "Oh,
Edward! Eu estava to preocupada". "Bella", ele suspirou frustrado. "Eu
te disse pra no se preocupar com nada a no ser voc mesma". Era to
incrivelmente bom poder ouvir a voz dele. Eu senti a nuvem de desespero
enfraquecer e ir embora enquanto ele falava. "Onde vocs esto?" "Ns
estamos em Vancouver.  Bella, me desculpe - ns o perdemos. Ele parece
estar suspeitando de ns - ele est sendo cuidadoso o suficiente pra no
ficar a uma distncia que possamos ouvir  os pensamentos dele. Mas agora
ele foi embora - parece que ele entrou num avio. Ns achamos que ele
voltou pra Forks pra recomear tudo". Eu podia ouvir Alice conversando
com Jasper atrs de mim, as palavras rpidas dela saam acompanhadas de
um zumbido. "Eu sei. Alice disse que ele havia escapado". "Contudo, voc
no precisa se preocupar.  Ele no encontrar nada que o leve a voc.
Voc s tem que esperar a at que ns o encontremos de novo". "Eu vou
ficar bem. Esme est com Charlie?" "Sim- a fmea  esteve na cidade. Ela
esteve na casa, mas s enquanto Charlie estava no trabalho. Ela no se
aproximou dele, ento no tenha medo. Ele est a salvo com Esme e
Rosalie  tomando conta". "O que ela est fazendo?" "Possivelmente
tentando encontrar uma pista. Ela vasculhou a cidade inteira durante a
noite. Rosalie encontrou ela no aeroporto,  em todas as estradas ao
redor, na escola... ela est vasculhando, Bella, mas no h nada para
encontrar". "E voc tem certeza que Charlie est a salvo?" "Sim, Esme
no vai perder ele de vista. E ns estaremos l em breve. Se o
perseguidor chegar perto de Forks, ns pegamos ele". "Eu sinto sua
falta", eu sussurrei. "Eu sei,  Bella. Acredite em mim, eu sei.  como
se voc tivesse levado metade de mim com voc". "Ento, venha peg-la",
eu desafiei. "Breve, assim que eu puder. Mas eu vou  te deixar a salvo
primeiro". A voz dele estava dura. "Eu te amo", eu lembrei ele. "Ser
que voc poderia acreditar que, a despeito de tudo em que eu te envolvi,
eu te amo tambm?" "Sim, na verdade, eu posso". "Eu vou te buscar logo".
"Eu estarei esperando". Assim que o telefone ficou mudo, a nuvem de
depresso comeou a  pairar sobre mim de novo. Eu me virei pra entregar
o celular pra Alice, e encontrei Jasper inclinado sobre a mesa, onde
Alice estava fazendo desenhos num papel com  o emblema do hotel. Eu me
inclinei no sof, olhando por cima dos ombros dela. Ela desenhou uma
sala: longa, retangular, com uma sesso quadrada, mais fina l no
final.

As placas de madeira estavam expostas na longitudinal em todo o cho da
sala. Nas paredes, as linhas denotavam o espao de um espelho para o
outro. E ento, atravessando  os espelhos, acima da altura cintura, uma
longa faixa. A faixa que Alice dizia ser dourada. " um estdio de
Bal", eu disse, repentinamente reconhecendo as formas  familiares. Eles
olharam pra mim, surpresos. "Voc conhece essa sala?". A voz de Jasper
parecia calma, mas havia algo por baixo dela que eu no podia
identificar.  Alice abaixou a cabea para o seu trabalho, agora sua mo
voava sobre o papel, o formato da sada de emergncia no fundo da sala,
o som e a TV numa mesa baixa que  ficava no canto da frente da sala.
"Parece com um lugar que eu costumava freqentar para ter aulas de dana
- quando eu tinha oito ou nove anos. O formato  o mesmo".  Eu toquei o
papel no local onde a parte quadrada aparecia, estreitando a parte de
trs da sala. " aqui que eram os banheiros - as portas passavam pela
outra sala  de dana. Mas o som ficava aqui" - eu apontei o canto
esquerdo - "Era mais velho e no havia uma TV. Havia uma janela na sala
de espera - voc podia ver a sala nessa  posio se voc olhasse por
ela". Alice e Jasper estavam olhando pra mim. "Voc tem certeza de que 
a mesma sala?" Jasper perguntou, ainda calmo. "No, nem um pouco  - eu
creio que todos os estdios de dana sejam parecidos - os espelhos, as
barras". Eu tracei as barras nos espelhos com o dedo. " s que o
formato me pareceu  familiar". Eu toquei a porta, que ficava exatamente
no lugar onde eu lembrava. "Voc teria algum motivo pra ir l agora?"
Alice perguntou, me tirando do devaneio.  "No, fazem quase dez anos que
eu no vou l. Eu era uma danarina horrvel - eles sempre me colocavam
no fundo dos recitais", eu admiti. "Ento no tem jeito disso  estar
ligado  voc?", Alice perguntou atentamente. "No, eu nem acho que o
dono seja o mesmo. Eu estou certa de que  algum outro estdio de dana,
em outro lugar".  "Onde era o estdio que voc freqentava?", Jasper
perguntou numa voz casual. "Era na esquina da casa da minha me. Eu
costumava ir andando pra l depois da escola...",  eu disse, minha voz
fugindo. Eu no perdi o olhar que eles trocaram. "Aqui em Phoenix,
ento?", a voz dele ainda estava casual. "Sim", eu sussurrei. "Rua
cinqenta  e oito com Cactus". Ns todos sentamos em silncio, olhando
para o desenho. "Alice, o telefone  seguro?" "Sim", ela me assegurou.
"O nmero vai ser localizado em  Washigton". "Ento eu posso us-lo para
ligar para a minha me". "Eu pensei que ela estivesse na Flrida". "Ela
est - mas ela vai voltar pra casa em breve, e ela  no pode voltar pra
casa enquanto..." Minha voz tremeu. Eu estava pensando no que Edward
havia dito, sobre a fmea ter estado na casa de Charlie, na escola, onde
meus documentos estariam. "Como  que voc vai encontr-la?" "Eles no
tm nmeros permanentes exceto em casa - ela tem que checar as mensagens
regularmente". "Jasper?",  Alice perguntou. Ele pensou. "Eu acho que no
pode fazer mal nenhum - mas tome o cuidado de no dizer onde est, 
claro". Eu peguei o telefone ansiosamente e disquei  o nmero familiar.
Ele tocou quatro vezes, e ento eu ouvi a voz a voz suave da minha me
me dizendo pra deixar uma mensagem.

"Me", eu falei depois do bipe. "sou eu. Escute, eu preciso que voc
faa uma coisa.  importante. Assim que voc escutar essa mensagem, me
ligue neste nmero".  Alice j estava a meu lado, escrevendo o nmero
pra mim em cima do desenho dela. Eu o li cuidadosamente, duas vezes.
"Por favor, no v a lugar nenhum antes que  eu tenha falado com voc.
No se preocupe, eu estou bem, mas eu preciso falar com voc
imediatamente, no importa a hora que voc receber esta ligao, est
bem?  Eu te amo, me, tchau". Eu fechei meus olhos e rezei com todas as
minhas foras pra que ela recebesse a mensagem antes de ir pra casa. Eu
sentei no sof, batucando  no prato que continha as frutas, antecipando
a longa noite. Eu pensei em ligar pra Charlie, mas eu no sabia se ele
estaria em casa agora ou no. Eu me concentrei  no jornal, assistindo
histrias sobre a Flrida ou sobre o treinamento de Primavera - greves,
ou furaces ou algum ataque terrorista - qualquer coisa que pudesse
fazer eles voltarem mais cedo pra casa. Imortalidade deve garantir
pacincia infinita. Nem Jasper nem Alice pareciam sentir a necessidade
de alguma coisa pra fazer.  Por algum tempo, Alice desenhou os traos da
sala escura que ela havia visto, tudo o que ela podia ver pela leve luz
da TV. Mas quando ela terminou, ela simplesmente  ficou olhando para o
vazio das paredes, com seus olhos eternos. Jasper, tambm, parecia no
ter nenhuma necessidade de se mover, ou de dar uma olhadinha pelas
cortinas,  eu sair correndo pela porta, como eu queria. Eu devo ter pego
no sono no sof, esperando o telefone tocar de novo. O toque frio de
Alice me acordou brevemente enquanto  ela me carregava para a cama, mas
eu j estava inconsciente antes de encostar no travesseiro.

21. Ligao Eu podia sentie que era cedo demais quando eu acordei de
novo, e eu sabia que os meus horrios do dia e da noite estavam mudando
lentamente. Eu fiquei deitada na  minha cama ouvindo as vozes baixinhas
de Alice e Jasper na outra sala. Era muito estranho que elas fossem
altas o suficiente pra eu ouvir. Eu rolei at que meus  ps tocassem o
cho e ento me arrastei at a sala. O relgio da TV dizia que havia
acabado de passar das duas da manh. Alice e Jasper ainda estavam
sentados no  sof, Alice rabiscando de novo enquanto Jasper olhava por
cima do ombro dela. Eles no olharam pra cima quando eu entrei, de to
concentrados que estavam no trabalho  de Alice. Eu engatinhei at o lado
de Jasper pra espionar. "Ela viu mais alguma coisa?", eu perguntei
baixinho pra ela. "Sim. Alguma coisa trouxe ele de volta   sala de
videocassete, agora est claro". Eu observei enquanto Alice desenhava
uma sala quadrada com vigas escuras que atravessavam o teto. As paredes
eram cobertas  de madeiras, um pouco escuras demais, fora de moda. Um
dos lados da entrada era de pedra - uma lareira de pedra cor de broze
que ficava entre a entrada de duas salas.  Haviam uma grande janela na
parede que dava para o Sul, e uma abertura na parede do lado oeste que
dava uma viso para a sala de estar. O foco da sala por essa
perspectiva,  a TV e o videocassete, que ficavam equilibrados num
aparedor pequeno demais, estavam no lado do corredor que ficava mais
prximo do lado sul. Um sof antigo ficava  no lado contrrio ao da TV,
uma mesa de caf redonda ficava na frente dele. "O telefone fica aqui",
eu sussurrei, apontando. Os dois pares de olhos me encararam.  " a casa
da minha me". Alice j estava fora do sof, com o telefone na mo,
discando. Eu olhei para a precisa descrio da sala familiar da minha
me. Como no  era do seu costume, Jasper escorregou pra perto de mim.
Ele colocou levemente sua mo no meu ombro, e o seu contato fsico
pareceu fazer sua inflncia calmante ser  ainda mais forte. O pnico
ficou nublado, desfocado. Os lbios de Alice estavam tremendo com a
rapidez de suas palavras, o rudo baixo era impossvel de decifrar.  Eu
no conseguia me concentrar. "Bella", Alice disse, eu olhei pra ela
entorpecida. "Bella, Edward est vindo te buscar. Ele e Emmett e
Carlisle vo te levar para  algum lugar, pra te esconder por algum
tempo". "Edward est vindo?", as trs palavras eram como um manto de
vida, que segurava minha cabea pra cima durante um dilvio.  "Sim, ele
est pegando o primeiro vo para Seattle. Ns vamos encontr-lo no
aeroporto e voc ir com ele". "Mas, minha me... ele veio aqui pra
pegar minha me,  Alice!", a despeito de Jasper, a histeria estava
borbulhando nas minhas palavras. "Jasper e eu ficaremos at que ela
esteja a salvo". "Eu no vou vencer, Alice.  Vocs no podem cuidar de
todas as pessoas que eu conheo pra sempre. Ele vai achar algum, ele
vai machucar algum que eu amo... Alice, eu no consigo-". "Ns vamos
peg-lo, Bella", ela me assegurou. "E se voc se machucar, Alice? Voc
acha que vai ficar tudo bem pra mim? Voc acha

que ele s pode me machucar com a minha famlia humana?" Alice deu um
olhar cheio de significado pra Jasper. Uma pesada e profundo nuvem de
legargia passou por mim  e os meus olhos fecharam sem minha permisso.
Minha mente lutou contra a nuvem , se dando conta do que estava
acontecendo. Eu forcei meus olhos a se abrirem e me  levantei, me
distanciando das mos de Jasper. "Eu no quero voltar a dormir", eu
falei. Eu andei para o quarto e fechei a porta, bati ela na verdade,
assim eu estaria  livre para ficar despedaada em privacidade. Dessa vez
Alice no me seguiu. Por trs horas e meia eu olhei para a parede,
curvada como uma bola, me balanando. Minha  mente estava dando voltas,
tentando encontrar uma forma de sair desse pesadelo. No havia
escapatria, no havia como adiar. Eu s podia ver um final aparecendo
sombriamente no meu futuro. A nica pergunta era quantas pessoas se
machucariam at que eu chegasse la. O nico consolo, a nica esperana
que eu tinha, era que  eu veria Edward em breve. Talvez, se eu pudesse
apenas ver o rosto dele de novo, eu tambm poderia ver a soluo que me
iludia agora. Quando o telefone tocou, eu  voltei para a sala, um pouco
envergonhada pelo meu comportamento. Eu esperava no ter ofendido nenhum
dos dois, que eles soubessem o quanto eu estava grata pelos  sacrifcios
que eles estavam fazendo por minha culpa. Alice estava atendendo ele to
rapidamente como sempre, mas o que chamou minha ateno foi que, pela
primeira  vez, Jasper no estava no quarto. Eu olhei para o relgio eram
cinco e meia da manh. "Eles esto entrando no avio", Alice me disse.
"Eles vo aterrisar as nove  e quarenta e cinco". S mais algumas hora
para respirar at que ele estivesse al. "Onde est Jasper?" "Ele foi
fazer o check-out". "Vocs no vo ficar aqui?" "No,  ns vamos nos
relocar para algum lugar mais prximo da casa da sua me". Meu estmago
revirou desconfortavelmente com as palavras dela. Mas o telefone tocou
de novo,  me distraindo. Ela pareceu surpresa, mas eu j estava me
aproximando, pegando esperanosamente o telefone. "Al?", Alice
perguntou. "No, ela est bem aqui". Ela  me passou o telefone. Sua me,
ela murmurou. "Al?" "Bella, Bella", era avoz da minha me, num tom
famliar que eu j havia ouvido milhares de vezes na minha infncia,
toda vez que ficava na beira da calada ou desaparecia de vista num
lugar lotado. Era o som do pnico. Eu suspirei. Eu j estava esperando
isso, apesar de ter tentado  poassar a mensagem da forma mais calma
possvel, levando em considerao a emergncia da situao. "Me, fique
calma", eu disse na minha voz mais tranquilizadora,  caminhando
vagarosamente pra longe de Alice. Eu no tinha certeza de que
conseguiria mentir convenientemente com os olhos dela grudados em mim.
"Est tudo bem, t  legal? S me d um minuto e eu vou explicar tudo, eu
prometo". Eu pausei, surpresa por ela ainda no ter me interrompido.
"Me?" "Tome muito cuidado pra no falar  nada at que eu diga". A voz
que eu ouvi agora no era familiar e era inesperada. Era uma voz
masculina baixa, uma voz muito agradvel, genrica - o tipo de voz  que
voc ouve no fundo de um comercial de carros luxuosos. Ele falava muito
rapidamente.

"Agora, eu no preciso machucar sua me, ento por favor, faa
exatamente o que eu disser e ela vai ficar bem". Ele pausou por uma
minuto enquanto eu s ouvia, muda  de horror. "Isso  muito bom", ele
parabenizou. "Agopra repita depois de mim, e tente parecer natural. Por
favor diga, 'No, me, fique onde voc est'". "No, me,fique  onde
voc est", minha voz mal passava de um sussurro. "Eu vejo que isso vai
ser bem difcil". A voz estava divertida, ainda leve e amigvel. "Porque
voc no vai  para outro lugar pra que o seu rosto no arruine tudo? No
h nenhuma razo pra sua me sofrer. Enquanto voc est andando, por
favor diga 'Me, por favor, me oua'.  Diga isso agora". "Me, por
favor, me oua", minha voz implorou. Eu andei bem devagar para o quarto,
sentindo os olhos preocupados de Alice na minhas costas. Eu  fechei a
porta atrs de mim, tentando pensar claramente apesar do terror que
prendia meu crebro. "Agora, voc est sozinha? S responda sim ou no".
"Sim". "Mas  eles ainda podem te ouvir, eu tenho certeza". "Sim". "Tudo
bem ento", a voz de concordncia continuou. "diga, 'Me, confie em
mim'". "Me, confie em mim". "Isso  est funcionando melhor do que eu
esperava. Eu estava preparado para esperar, mas a sua me chegou antes
do horrio.  mais fcil assim, no ? Menos suspense, menos  ansiedade
pra voc". Eu esperei. ""Agora eu quero que voc me oua muito
cuidadosamente. Eu vou precisar que voc se afaste dos seus amigos; voc
acha que consegue  fazer isso? Responda sim ou no". "No". "Eu lamento
ouvir isso. Eu esperava que voc fosse um pouco mais criativa que isso.
Voc acha que poderia se afastar deles  se a vida da sua me dependesse
disso? Rsponda sim ou no". De alguma forma, tinha que haver um jeito.
Eu me lembrei que estavamos indo ao aeroporto. Aeroporto Sky  Harbor
Internacional: lotado, pessoas atrasadas... "Sim". "Isso  melhor. Eu
tenho certeza que no ser fcil, mais se eu tiver a mnima impresso de
que voc tem  companhia, bem, isso vai ser muito ruim para a sua me", a
voz amigvel prometeu. "Voc j deve nos conhecer suficientemente bem
pra saber o quo rapidamente eu  vou saber se voc tentar trazer algum
com voc. E como eu poderia lidar rapidinho com a sua me se esse fosse
o caso. Voc est me entendendo? Responda sim ou no".  "Sim", minha voz
quebrou. "Miuto bom, Bella. Agora aqui est o que voc precisa fazer. Eu
quero que voc v para a casa da sua me. Perto do telefone haver um
nmero.  Ligue pra ele e eu te direi pra onde ir a partir da". Eu j
sabia pra onde iria, e onde isso iria acabar. Mas eu seguiria exatamente
as instrues dele. "Voc pode  fazer isso? Responda sim ou no". "Sim".
"Antes do meio dia, por favor, Bella. Eu no tenho o dia inteiro", ele
disse educadamente. "Onde est Phil?", eu perguntei.  "Aw, tome cuidado,
Bella. Espere at que eu te pea pra falar, por favor". Eu esperei.

"Agora, isso  importante, no deixe os seus amigos suspeitarem quando
voc voltar pra eles. Diga pra eles que sua me ligou, e que voc
conseguiu convenc-la a  ficar longe de casa por mais algum tempo. Agora
repita depois de mim 'Obrigada, me'. Diga agora". "Obrigada, me", as
lgrimas estavam chegando. Eu tentei afast-las.  "Diga 'Eu te amo, me,
a gente se v logo'. Diga agora". "Eu te amo, me", minha voz estava
grossa. "A gente se v logo", eu prometi. "Adeus, Bella. Eu estou
ansioso  pra v-la de novo". Ele desligou. Eu segurei o telefone no meu
ouvido. Meu corpo estava congelado de terror - eu no conseguia fazer
meus dedos solta-lo. Eu sabia  que tinha que pensar, mas minha cabea
estava cheia com o som de pnico da voz da minha me.. Os segundos foram
se passando enquanto eu lutava pra me controlar.  Lentamente,
lentamente, meus pensamentos comearam a transpor a parede de tijolos
que a dor havia construido. Para planejar. Eu no tinha escolhas, a no
ser uma:  ir para a sala espelhada e morrer. Eu no tinha garantias,
nada pra dar que pudesse manter minha me viva. Eu s podia esperar que
James se desse por satisfeito  depois que James ganhasse o jogo, que
derrotar Edward fosse o suficiente. O desespero tomou conta de mim; no
tinha como barganhar, no havia nada que eu pudesse  oferecer ou recusar
que influenciasse ele. Mas eu ainda no tinha escolha. Eu tinha que
tentar. Eu afastei o terror to bem quanto pude. Minha deciso estava
tomada.  Eu no ganhava nada perdendo meu tempo agonizando por causa do
desfecho. Eu tinha que pensar com clareza, porque Alice e Jasper estavam
esperando por mim, e despist-los  era absolutamente essencial, e
absolutamente impossvel. Eu estava subitamente aliviada por Jasper no
estar l. Se ele estivesse aqui pra sentir a minha angstia  nos ltimos
cinco minutos, como era que eu ia evitar as suspeitas deles? Eu afastei
o medo, a ansiedade, tentei sufoc-los. Eu no podia me dar ao luxo de
sentlos.  Eu no sabia quando ele voltaria. Eu me concentrei na minha
fuga. Eu tinha que rezar pra que a familiaridade com o aeroporto
funcionasse a meu favor. D e alguma  forma, eu tinha que manter Alice
longe... Eu sabia que Alice estaria na outra sala esperando por mim,
curiosa. Mas eu tinha que lidar com mais uma coisa em particular,  antes
que Jasper voltasse. Eu tinha que aceitar o fato de que no veria Edward
novamente, nem uma imagem do seu rosto pra levar comigo para a sala dos
espelhos.  Eu ai mago-lo, e no podia dizer adeus. Eu deixei as ondas
de tortura me lavarem por algum tempo, seguir seu caminho por um tempo.
Ento eu afastei elas tambm,  e fui enfrentar Alice. A nica expresso
que eu consegui controlar foi um olhar bobo, morto. Eu v o alarme dela
e no esperei que ela perguntasse. Eu s tinha um  script, e agora no
consegui improvisar. "Minha me estava preocupada, ela queria voltar
voltar pra casa. Mas est tudo bem, eu convenc ela a ficar longe".
Minha  voz estava sem sem vida. "Ns vamos cuidar pra que ela fique bem,
Bella, no se preocupe". Eu me virei; eu no podia permitir que ela
visse meu rosto agora. Meu  olho caiu sobre uma folha vazia com o
emblema do hotel em cima da mesa. Eu fui at ela, um plano se formando.
Havia um envelope l, tambm. Isso era bom. "Alice",  eu perguntei
lentamente, sem me virar, mantendo o nvel da minha voz. "Se eu escrever
uma carta para a minha me, voc entregaria pra ela? Deixar na casa, eu
quero  dizer".

"Claro, Bella", a voz dela era cuidadosa. Ela podia me ver perdendo o
controle. Eu tinha que controlar melhor as minhas emoes. Eu fui para o
meu quarto de novo,  e me ajoelhei na mesinha de cabeceira para
escrever. "Edward", eu escrevi. Minha mo estava tremendo, a letra quase
no era legvel. Eu te amo. Eu lamento muito.  Ele est com a minha me.
Eu sei que isso pode no funcionar. Eu lamento muito, muito. No fique
com raiva de Alice e Jasper. Se eu conseguir me afastar deles vai  ser
um milagre. Agradea eles por mim. Especialmente Alice, por favor. E por
favor, por favor, no v atrs dele.  isso que ele quer. Eu acho. Eu
no vou conseguir  aguentar se algum se machucar por minha causa,
especialmente voc. Por favor, isso  a nica coisa que eu posso te
pedir agora. Por mim. Eu te amo. Me perdoe. Bella.  Eu dobrei a carta
cuidadosamente, e a coloquei no envelope. Eventualmente ele irai
encontr-la. Eu esperava que ele pudesse entender, e me escutar, s
dessa vez.  Ento eu cuidadosamente fechei meu corao.

22. Esconde - esconde Levou muito menos tempo do que eu espera - todo o
terror, o desespero, a dor do meu corao partido. Os minutos estavam se
passando mais devagar do que o normal.  Jasper ainda no tinha voltado
quando eu retornei para Alice. Eu estava com medo de ficar no mesmo
quarto com ela, com medo que ela adivinhasse... e com medo de  me
esconder dela pela mesma razo. Eu teria pensado que estava longe da
possibilidade de me surpreender, meus pensamentos estavam torturados e
desestabilizados,  mas eu fiquei surpresa quando v Alice se inclinar na
mesa, agarrando a borda com as duas mos. "Alice?" Ela no reagiu quando
eu chamei o nome dela, mas a cabea  dela estava se balanando
lentamente de um lado para o outro, e eu v o rosto dela. Seus olhos
estavam vazios, ofuscados... Meus pensamentos viajaram para a minha
me. Eu j estava atrasada? Eu corri para o lado dela, me lanando
automaticamente pra pegar na mo dela. "Alice!", a voz de Jasper cortou,
e ento ele estava atrs  dela, as mos dele sobre as mos dela, fazendo
elas soltarem a borda da mesa. Do outro lado da sala, a porta estava se
fechando com um click baixinho. "O que foi?",  ele quis saber. Ela
desviou o rosto de mim e o colocou no peito dele. "Bella", ela disse. A
cabea dela se virou pra mim, os olhos dela se prendendo aos meus, a
expresso deles ainda estava estranhamente vazia. Eu me dei conta na
hora de que ela no estava falando comigo, ela estava respondendo 
pergunta de Jasper. "O que  voc viu?", eu disse - e no havia pergunta
nenhuma no tom vazio, sem importncia da minha voz. Jasper olhou pra mim
asperamente. Eu mantive a expresso vazia e  esperei. Os olhos dele
estavam confusos enquanto passavam rapidamente do rosto de Alice para o
meu, sentindo o caos... eu imagino que tenha sido pelo que Alice havia
acabado de ver. Eu senti uma atmosfera tranquila pousar ao meu redor. Eu
a receb bem, usando ela pra manter os meus sentimentos em disciplina,
sobre controle. Alice,  tambm se recuperou. "Nada, de verdade", ela
respondeu finalmente, a voz dela incrivelmente calma e convincente. "S
o mesmo quarto de antes". Ela finalmente olhou  pra mim, sua expresso
estava suave e reservada. "Voc queria tomar o caf da manh?" "No, eu
vou comer no aeroporto". Eu estava muito calma tambm. Eu fui para  o
banheiro pra tomar um banho. Quase como se eu estivesse desenvolvendo o
estranho poder de Jasper, eu podia sentir o desespero - bem dissimulado
- selvagem de Alice  para que eu saisse da sala, para estar sozinha com
Jasper. Assim ela poderia dizer a ele que os dois estavam fazendo alguma
coisa errada, que eles iam falhar...  Eu me aprontei metodicamente, me
concentrando em cada pequena tarefa. Eu deixei meu cabelo solto, se
torcendo, cobrindo meu rosto. O sentimento de paz que Jasper  criou
funcionou e me ajudou a pensar com clareza. Me ajudou a planejar. Eu
procurei na minha bolsa at que encontrei minha meia cheia de dinheiro.
Eu coloquei tudo  que havia nela no meu bolso. Eu estava ansiosa para
chegar ao aeroporto,e feliz quando ns samos por volta das sete. Dessa
vez eu me sentei sozinha no fundo do  carro escuro. Alice estava
inclinada na porta, seu rosto estava virado pra Jasper, mas por trs dos
culos escuros, seus olhos se viravam pra mim a cada segundo.

"Alice?", eu perguntei indiferente. Ela estava sendo cautelosa. "Sim?"
"Como isso funciona? As coisas que voc v?", eu olhei pra fora pela
janela, e minha voz soou  aborrecida. "Edward disse que no era
definitivo... que as coisas mudam?" Dizer o nome dele era mais difcil
do que eu pensei. Deve ter sido isso que alertou Jasper,  porque um
flash de serenidade invadiu o carro. "Sim... as coisas mudam", ela
murmurou - esperanosamente, eu esperava. "Algumas coisas so mais
certas que outras...como  o clima. As pessoas so mais difceis. Eu s
vejo os caminhos onde as pessoas esto quando elas ainda esto neles.
Somente elas podem mudar suas mentes - tomar uma  deciso, no importa o
quanto ela seja pequena - muda todo o futuro". Eu balancei a cabea
pensativamente. "Ento voc no conseguiu ver James em Phoenix at que
ele decidiu vir pra c". "Sim", ela respondeu, cautelosa de novo. E ela
no tinha me visto na sala dos espelhos com James at que eu decid ir
encontr-lo l. Eu  tentei no pensar no que mais ela havia visto. Eu
tentei no fazer o meu pnico deixar Jasper ainda mais suspeito. De
qualquer forma, eles iam estar me observando  ainda mais cuidadosamente
depois da viso de Alice. Isso ia ser impossvel. Ns chegamos no
aeroporto. A sorte estava comigo, ou talvez fosse somente pontos de
desvantagem.  O avio de Edward estava aterrisando no terminal quatro, o
maior terminal, onde a maioria dos vos desembarcava - ento no era uma
grande surpresa que o dele fosse  aterrisar l. Mas esse era o terminal
que eu precisava: o maior o mais confuso. E havia uma porta no nvel
trs que podia ser a minha nica chance. Ns paramos no  quarto andar da
enorme garagem. Eu guiei o caminho, por conhecer melhor o trajeto do que
eles. Ns pegamos o elevador at o nvel trs, onde os passageiros
desembarcavam.  Alice e Jasper ficaram um longo tempo no balco
procurando os vos que haviam chegado. Eu ouvia eles discutindo os prs
e contras de Nova York, Atlanta, Chicago.  Lugares que eu nunca havia
visitado. E nunca visitaria. Eu esperei pela minha oportunidade,
impaciente, sem conseguir fazer meu p parar de se mexer. Ns nos
sentamos  numa longa fileira de cadeiras perto dos detectores de metal,
Jasper e Alice estavam fingindo observar as pessoas, mas na cerdade
estavam observando a mim. Cada  centmetro que eu me mexia na cadeira
era acompanhado por olhares nos cantos dos olhos deles. Eu no tinha
esperanas. Ser que eu deveria correr? Eles ousariam  me deter
fisicamente nesse local pblico? Ou eles simplesmente me seguiriam? Eu
puxei o envelope sem lacre da minha bolsa e o coloquei em cima da bolsa
de couro  preto de Alice. Ela olhou pra mim. "Minha carta", eu disse.
Ela afirmou com a cabea e o colocou embaixo da bolsa. Ele a encontraria
rpido o suficiente. Os minutos  foram se passando e o momento da
chegada de Edward se aproximava. Era impressionante como cada clula do
meu corpo parecia saber que ele estava chegando, e ansiava  pela sua
chegada. Isso dificultou as coisas. Eu me peguei tentando inventar
desculpas pra ficar, pra v-lo antes e depois escapar. Mas eu sabia que
isso era impossvel  se eu queria ter alguma chance de escapar. Vrias
vezes Alice se ofereceu pra ir pegar meu caf da manh comigo. Depois,
eu disse pra ela, ainda no.

Eu olhei para o painel de vos, observando enquanto vos aps vos
chegavam no horrio. O vo de Seattle se aproximava a cada segundo do
topo do painl. E ento,  quando eu s tinha meia hora para escapar, os
nmeros mudaram. O vo dele estava dez minutos adiantado. Eu no tinha
mais tempo. "Eu acho que vou comer agora", eu  disse rapidamente. Alice
ficou de p. "Eu vou com voc". "Voc se importa se Jasper vier?", eu
perguntei. "Eu estou me sentindo um pouco...", eu no terminei a frase.
Meus olhos j estavam selvagens o suficiente pra convenc-los do que eu
no precisei dizer. Jasper ficou de p. Os olhos de Alice estavam
confusos, mas - eu v aliviada  - no suspeitos. Ela deve estar
atribuindo a viso dela  alguma manobra do perseguidor, e no a uma
traio minha. Jasper caminhou silenciosamente ao meu lado,  sua mo na
curva das minhas costas, como se ele estivesse me guiando. Eu fingi um
pouco de interesse pelos poucos restaurantes do aeroporto, minha cabea
estava  procurando aquilo que eu realmente queria. E l estava ele,
virando o corredor, fora da viso aguda de Alice: o banheiro feminino do
terceiro nvel. "Voc se importa?",  eu perguntei a Jasper enquanto
passavamos. "S vai demorar um momentinho". "Eu vou ficar aqui", ele
disse. Assim que a porta se fechou atrs de mim, eu j estava  correndo.
Eu me lembrei da outra vez que me perdi nesse banheiro, porque ele tem
duas sadas. Do lado de fora das portas, eu tinha que correr uma curta
distncia  at os elevadores, e se Jasper ficasse onde ele disse que
ficaria, ele jamais poderia me ver. Eu no olhei pra trs enquanto
corria. Essa era a minha nica chance,  e mesmo que ele me visse, eu
tinha que continuar correndo. As pessoas me olharam,mas eu ignorei elas.
Virando na esquina, os elevadres estavam me esperando, eu corri  em
frente, jogando minha mo nas portas que estavam se fechando de um
elevador que estava descendo. Dentro, eu me espremi entre os passageiros
irritados, e chequei  pra ter certeza de que haviam apertado o boto
para o nvel um. Ele j estava aceso e as portas se fecharam. Assim que
a porta se abriu eu j estava fora de novo,  e ouvi o som de murmrios
aborrecidos atrs de mim. Eu me controlei enquanto passava pelos guardas
nos carrosis de bagagem, mas comecei a correr de novo quando  as portas
da sada comearam a aparecer. Eu no tinha como saber se Jasper j
estava procurando por mim. Se ele estivesse sentindo o meu cheiro, eu s
tinha alguns  segundos. Eu pulei pra fora pelas portas automticas,
quase me chocando com os vidros porque elas se abriram devagar demais.
No havia nenhum tax  vista na longa  curva lotada. Eu no tinha
tempo. Alice e Jasper no demoraria a se dar conta que eu tinha ido
embora, se  que j no haviam percebido. Eles me achariam num piscar
de olhos. Um transporte pblico para o Hyatt estava fechando as portas a
alguns metros de distncia atrs de mim. "Espere!", eu chamei, correndo,
acenando para o  motorista. "Esse  o transporte para o Hyatt", o
motorista disse confuso enquanto abria as portas. "Sim", eu gritei, "
pra l que eu estou indo". Eu sub os degraus  correndo. Ele olhou
curioso para as minhas poucas bagagens, mas ento levantou os ombros,
sem se importar o suficiente pra perguntar.

A maioria dos bancos estava vazia. Eu me sentei to longe dos viajantes
quanto foi possvel, e olhei pra fora da janela enquanto primeiro a
calada, depois o aeroporto  iam se afastando. Eu no pude deixar de
imaginar Edward, onde ele iria ficar na pista quando descobrisse at
onde o meu cheiro ia. Eu no choraria ainda, eu disse  pra mim mesma. Eu
ainda tinha um grande caminho a percorrer. Minha sorte continuou. Na
frente do Hyatt, um casal de aparecia cansada estava tirando a ltima
mala  deles da mala de um txi. Eu pulei pra fora do transporte e corri
para o txi, deslizando no banco atrs do motorista. O casal cansado e o
motorista do transporte  pblico olharam pra mim surpresos. Eu disse o
endereo da minha me ao surpreso motorista de txi. "Eu preciso chegar
a o mais rpido possvel". "Isso  em Scottsdale",  ele reclamou. Eu
joguei quatro notas de vinte no banco. "Isso vai ser suficiente?"
"Claro, garota, sem problemas." Eu me encostei no banco, cruzando meus
braos  no colo. A cidade familiar cmeou a passar correndo por mim, mas
eu no olhava para a janela. Eu disse para mim mesma para manter o
controle. Eu estava determinada  a no estragar as coisas a esse ponto,
agora que o meu plano estava completamente sucedido. No havia motivo
pra mergulhar em mais medo, mais ansiedade. Minha tarefa  estava
passada, agora eu s tinha que cumpri-la. Ento, ao invs de entrar em
pnico, eu fechei meus olhos e passei os vinte minutos da viagem com
Edward. Eu imaginei  que tinha ficado no aeroporto pra me encontrar com
Edward. Eu visualizei como eu ficaria na ponta dos ps, pra ver o seu
rosto mais rpido. Como ele se moveria rapidamente,  graciosamente entre
as pessoas que nos separavam. E ento eu correria para fechar os metros
restantes entre ns - descuidada, como sempre - e eu estaria nos seus
braos de mrmore, finalmente a salvo. Eu me perguntei pra onde ns
teramos ido. Pra algum lugar  Norte, pra que ele pudesse sair durante
o dia. Ou talvez algum  lugar muito remoto, para que pudssemos sair
juntos no sol de novo. Eu imaginei ele numa costa, sua pele brilhando
como o mar. No importaria quanto tempo ns tivssemos  que nos
esconder. Ficar presa num quarto de hotel com ele seria uma espcie de
paraso. Tantas perguntas que eu ainda tinha que fazer pra ele. Eu podia
falar com  ele pra sempre, no dormir nunca, nunca sair de perto dele.
Eu podia ver o rosto dele to claramente agora... quase ouvir a voz
dele. E, a despeito de todo o terror  e da falta de esperana, eu estava
flutuando de felicidade. Eu estava to envolvida nos meus sonhos de
fuga, que perdi a noo dos segundos passando. "Ei, qual   o nmero?" A
pergunta do motorista perfurou minhas fantasias, deixando todas as cores
escaparem das minhas adorveis iluses. Medo, vazio e dor estavam
esperando  pra preencher o vazio que elas deixaram pra trs. "Cinqenta
e oito - vinte um", minha voz saiu estrangulada. O motorista olhou pra
mim, nervoso por eu estar tendo  uma crise ou alguma coisa assim.
"Ento, aqui estamos". Ele estava ansioso pra me ver fora do carro dele,
provavelmente com medo que eu pedisse o troco. "Obrigada",  eu murmurei.
No havia necessidade de ter medo, eu lembrei pra mim mesma. A casa
estava vazia. Eu tinha que correr; minha me estava esperando por mim,
assustada,  dependendo de mim. Eu corri para a porta, me abaixando
automaticamente pra pegar a chave embaixo do

tapete. Eu destranquei a porta. Estava escuro l dentro, vazio, normal.
Eu corri para o telefone, ligando a luz da cozinha no caminho. L, no
balco branco, estava  um nmero de dez dgitos escritos com uma letra
pequena, organizada. Meus dedos tremiam no teclado, cometendo erros. Eu
tive que desligar e comear tudo de novo.  Dessa vez eu me concentrei s
nos botes, cuidadosamente apertando um de cada vez. Eu consegu. Eu
segurei o telefone na minha orelha com a mo tremendo. S chamou  uma
vez. "Ol, Bella", a voz calma atendeu. "Isso foi muito rpido. Eu estou
impressionado." "Minha me est bem?" "Ela est perfeitamente bem. No
se preocupe,  Bella, eu no estou disputando ela. A no ser que voc no
tenha vindo sozinha,  claro". Leve, divertido. "Eu estou sozinha". Eu
nunca estive to sozinha a minha  vida inteira. "Muito bom. Agora, voc
sabe onde  o estdio de bal que fica na esquina da sua casa?" "Sim, eu
sei como chegar a". "Bem , ento, eu te vejo em breve".  Eu desliguei.
Eu corr para a porta, pela porta, e para o calor escaldante. No havia
tempo de olhar pra trs para a minha casa, e eu no queriam v-la como
ela  estava agora - vazia, um simbolo de medo e no um santurio. A
ltima pessoa a andar entre aquelas paredes familiares era o meu
inimigo. Pelo canto do meu olho,  eu quase conseguia ver aminha me na
sombra do eucalipto onde eu brincava quando era criana. Ou ajoelhada no
monte de sujeira perto da caixa de correio, o cemetrio  de todas as
flores que ela tentou plantar. A smemrias eram melhores do que qualquer
realidade que eu pudesse ver hoje. Mas eu corri pra longe delas, virei a
esquina,  deixando tudo pra trs. Eu me sentia to lenta, como se eu
estivesse correndo na areia molhada- eu no parecia conseguir me
impulsionar o suficiente no concreto.  Eu tropecei vrias vezes, caindo
uma, me segurando com as mos, arranhando elas na calada, e ento me
levantando pra continuar correndo em frente. Mas pelo menos  eu consegui
chegar na esquina. S mais uma rua agora; eu corr, o suor caindo pelo
meu rosto, eu estava ofegante. O sol estava quente ne minha pele,
brilhando demais  quando entrava em contato com o concreto branco e me
cegava. Eu me sent perigosamente exposta. Mais impetuosa do que eu
jamais sonhei ser capaz, eu desejava as  florestas verdes, protetoras de
Forks... de casa. Quando eu virei a esquina, na Cactus, eu podia ver o
estdio, exatamente como eu lembrava dele. O estacionamento  estava
vazio, as venezianas verticais estavam fechadas. Eu no conseguia mais
correr - no conseguia mais respirar; o esforo e o medo me esgotaram.
Eu pensei na  minha me pra manter meus ps se movendo, um na frente do
outro. Enquanto eu me aproximava eu consegui ver a subscrio dentro da
porta. Estava escrito  mo num  papel rosa escuro; dizia que o estdio
estava fechado para as frias de primavera. Eu toquei a maaneta e virei
ela cuidadosamente. Estava aberta. Eu lutei pra respirar  e abr a
porta. O saguo estava escuro e vazio, frio, o ar-condicionado estava
funcionando. As cadeiras de plstico estavam expostas ao longo das
paredes, e o tapete  tinha cheiro de shampoo. O palco de dana oeste
estava vazio, e eu podia ver pela janela de viso aberta. O palco de
dana leste, a maior sala, estava com as luzes  acesas. Mas as cortinas
estavam fechadas na janela.

O terror me pegou to forte que eu estava, literalmente, presa por ele.
Eu no conseguia fazer meus ps se moverem. E ento a voz da minha me
me chamou. "Bella,  Bella?", o mesmo tom histrico de pnico. Eu me
grudei na porta para ouvir o som da voz dela. "Bella, voc me assustou!
Nunca faa isso comigo de novo!", a voz dela  continuou enquanto eu
corria pela sala longa, de teto baixo. Eu olhei em volta, tentando
descobrir de onde a voz dela estava vindo. Eu ouvi uma risada, e me
virei  pra ver de onde ela estava vindo. L estava ela, na tela da TV,
espalhando meu cabelo de alvio. Era o dia de ao de grao, e eu tinha
doze anos. Ns tinhamos  ido para a Califrnia, no ano anterior  morte
dela. Ns fomos para a praia um dia, e eu fui muito longe na beira do
pier. Eu v meus ps falhando, procurando equilbrio.  "Bella? Bella?",
ela chamou por mim amedrontada. E a tela da Tv ficou azul. Eu me virei
lentamente. Ele estava em p muito rgido perto da sada de emergncia
no  fundo, ento eu no havia notado ele antes. Na mo dele havia um
controle remoto. Ns olhamos um para o outro por um longo momento, ento
ele sorriu. Ele caminhou  na minha direo, perto demais, e ento passou
por mim pra colocar o controle perto do video cassete. Eu me virei
cuidadosamente pra observ-lo. "Me perdoe por isso,  Bella, mas no 
melhor que a sua me no tenha que se envolver nisso?", a voz dele era
corts, carinhosa. E ento eu me toquei. Minha me estava a salvo. Ela
ainda  estava na Flrida. Ela nunca recebeu minha mensagem. Ela nunca
sentiu medo pelos olhos vermelhos escuros no rosto anormalmente plido
que estava na minha frente  agora. Ela estava a salvo. "Sim", eu
respondi, minha voz saturada de alvio. "Voc no parece estar com raiva
por eu ter te enganado". "Eu no estou". Minha sbita  situao me
encorajou. O que imporatava agora? Estaria acabado em breve. Charlie e
minha me no se machucariam nunca, no haveria nada a temer. Eu me
senti quase  vertiginosa. Alguma parte analtica da minha mente me disse
que eu estava perto de romper de tanto estresse. "Que estranho. Voc
est falando a verdade". Seus olhos  me estudaram com interesse. Sua
iris estavam quase pretas, s um pouco da cor rubi perto dos cantos.
Sede. "Eu vou dar esse crdito ao seu bando, vocs humanos podem  ser
bem interessantes. Eu acho que consigo ver a graa de observar vocs. 
impressionante - alguns de vocs no tem o menor senso de interesse por
s prprios".  Ele estava a alguns passos de mim, com os braos
cruzados, me olhando cheio de curiosidade. No havia nenhuma ameaa no
seu rosto ou na sua posio. Ele tinha uma  aparncia muito comum, nada
de especial nem no seu rosto nem no seu corpo. S a pele branca e os
crculos embaixo dos olhos aos quais eu j estava to acostumada.  Ele
usava uma camisa azul clara de mangas compridas e jeans de um azul
desgastado. "Eu acho que voc vai me dizer que o seu namorado vai te
vingar?", ele me perguntou,  parecendo esperanoso. "No, eu acho que
no. Pelo menos eu ped pra ele no fazer isso". "E o que foi que ele
respondeu?" "Eu no sei", era estranhamente fcil  conversar com esse
gentl caador. "Eu deixei uma carta pra ele". "Que romntico, uma
ltima carta. E voc acha que ele vai honrar seu pedido?". Sua voz
estava um  pouco mais dura agora, o sarcasmo casando com o seu tom
educado.

"Eu espero que sim". "Hmmmm. Ento as nossas esperanas so diferentes.
Veja, isso tudo foi fcil demais, rpido demais. Pra ser honesto, eu
estou desapontado. Eu  esperava um desafio muito maior. E, no final,tudo
que eu precisei foi de um pouco de sorte". Eu esperei em silncio.
"Quando Victria no conseguiu pegar seu pai,  eu tive que saber um
pouco mais sobre voc. No havia nenhum sentido em correr o planeta
inteiro a sua procura quando eu podia confortavelmente esperar por voc
no lugar de minha escolha. Ento, depois que eu falei com Victria, eu
decidi vir a Phoenix pra fazer uma visita a sua me. Eu ouvi voc
dizendo que estava indo  pra casa. Primeiro eu nem sonhei que voc
estivesse falando srio. Mas depois eu imaginei. Os humanos podem ser
muito previsveis; eles gostam de estar em algum  lugar familiar, algum
lugar seguro. E seria a estratgia perfeita ir para o nico lugar onde
voc no deveria estar se escondendo - o lugar pra onde voc disse que
iria. "Mas  claro que eu no tinha certeza, foi s um chute. Eu
geralmente tenho um pressentimento em relao  minha presa, um sexto
sentido, se voc preferir.  Eu escutei a sua mensagem para a sua me
quando cheguei na casa dela, mas  claro que eu no sabia de onde voc
estava ligando. Foi muito tili ter o seu telefone,  mas pelo que eu
sabia voc podia estar at na Antrtida, e o jogo no ia funcionar a no
ser que voc estivesse por perto. "Ento o seu namorado pegou um avio
pra  Phoenix. Victria estava monitorando eles pra mim, naturalmente;
num jogo com tantos jogadores, no se pode estar sozinho. E ento eles
me disseram o que eu esperava  saber, que voc estava aqui afinal. Eu
estava preparado; eu j tinha assistido os charmosos videos caseiros. E
a foi s uma questo de blefe. "Fcil de mais, voc  v, realmente no
se aplica aos meus padres. Ento, voc entende, eu estava esperando que
voc estivesse errada sobre o seu namorado. Edward, no ?" Eu no
respondi.  O desafio j estava cansando. Eu sent que ele j estava
acabando de se regozijar. O discurso no era pra mim mesmo. No havia
nenhuma glria em me derrotar, uma  humana fraca. "Voc se importaria,
muito, se eu mesmo deixasse uma carta para o seu Edward?" Ele deu um
passo pra trs e tocou uma cmera do tamanho de uma mo que  estava
cuidadosamente posicionada em cima do som. Uma pequena luz vermelha
indicava que ela j estava ligada. Ele ajustou ela algumas vezes, abriu
o visor. Eu olhei  pra ele horrorizada. "Me desculpe, mas eu no acho
que ele ser capaz de resistir eme caar depois que ele assistir isso. E
eu no quero que ele perca nada. Era  tudo pra ele,  claro. Voc 
simplesmente uma humana, que infelizmente estava no lugar errado, na
hora errada, e com o grupo errado, eu devo dizer". Ele deu um  passo em
minha direao, sorrindo. "Antes de comearmos..." Eu senti uma pontada
de nusea no meu estmago enquanto ele falava. Isso era lgo que eu no
estava esperando.  "Eu s gostaria de esfregar isso, s um pouco. A
resposta estava l o tempo inteiro, e eu estava com medo que Edward a
visse e estragasse toda a minha diverso.  Isso aconteceu, oh, h muitos
anos atrs. A nica vez que uma presa me escapou. "Veja, esse vampiro
que estava to apaixonado pela vtima, fez a escolha que seu  Edward foi
fraco demais pra fazer. Quando o velho que eu conhecia estava atrs da
amiginha dele, ele roubou ela do asilo onde trabalhava - eu nunca vou
entender  essa obcesso que alguns vampiros tm por vocs humanos - e
assim que ele a libertou ele a

deixou em segurana. Ela nem pareceu notar a dor, a pobre criaturinha.
Ela esteve presa naquele buraco negro da cela durante tanto tempo. Cem
anos antes ela teria  sido queimada numa estaca pelas vises dela. Na
decada de 1920 ela foi jogada num asilo com tratamentos de choque.
Quando ela abriu os olhos, forte com a fresca  juventude, foi como se
ela nunca tivesse visto o sol antes. O vampiro velho transformou ela
numa nova forte vampira, ento no havia mais motivo pra eu tocar nela".
Ele suspirou. "Eu destru o outro velho em vingana". "Alice", eu
respirei, aturdida. "Sim, sua amiguinha. Eu fiquei surpreso por v-la
naquela clareira. Ento eu  acho que a seu grupo vai tirar algum
conforto disso tudo. Eu peguei voc, mas eles tm ela. Anica vtima que
me escapou, uma honra, na verdade. "E ela cheirava  to bem. Eu ainda
lamento no ter podido prov-la. Ela cheirava ainda melhor que voc.
Desculpe - eu no pretendia te ofender. Voc tem um cheiro bom. Floral,
de  alguma forma..." Ele deu outro passo na minha direo, at ficar a
apenas alguns centmentros de distncia. Ele levantou uma mecha do meu
cabelo e cheirou ela deliciado.  Ento ele gentlimente colocou a mecha
de volta no lugar, e eu senti os dedos gelados dele na minha garganta.
Ela alisou rapidamente a minha bochecha com o polegar,  seu rosto estava
curioso. Eu queria tanto correr, mas estava congelada. Eu no conseguia
nem balanar. "No", ele murmurou pra s mesmo enquanto abaixava a mo,
"eu no entendo". Ele suspirou. "Bem, eu acho que devemos comear logo.
E ento eu vou poder ligar pra os seus amigos e dizer onde te encontrar,
e a minha pequena  mensagem". Eu definitivamente estava passando mal
agora. Havia dor se aproximando, eu podia ver nos olhos dele. Pra ele
no seria suficiente ganhar, se alimentar  e ir embora. No haveria um
fim rpido como eu esperava. Meus joelhos comearam a tremer, eu eu
temia que fosse cair. Ele deu um passo pra trs e comeou a andar  em
crculos, casualmente, como se ele estivesse tentando ter uma viso
melhor da esttua de um museu. Seu rosto ainda estava aberto e amigvel
enquanto ele decidia  por onde comear. Ento ele rastejou pra frente,
se arrastando daquele jeito que eu j conhecia, e seu sorriso prazeiroso
cresceu lentamente, at que no era mais  um sorriso e sim uma contoro
dos dentes, expostos e brilhantes. Eu no consegui me conter - eu tentei
correr. Foi to intil quanto eu imaginei que seria, como  meus joelhos
j estavam fracos, o pnico tomou conta e eu tropecei no caminho  sada
de emergncia. Ele estava na minha frente num flash. Eu no vi se ele
usou  as mos ou os ps de to rpido que foi. Um golpe destruidor
atingiu meu peito - eu me senti voando pra trs, e ento eu ouv o crash
quando minha cabea bateu contra  os espelhos. O vidro rachou, alguns
pedaos tremendo e alguns caindo no cho perto de mim. Eu estava
atordoada demais pra sentir a dor. Eu ainda no conseguia respirar.  Ele
andou lentamente na minha direo. "Esse  um efeito muito bom",ele
disse, examinando o estado do vidro, sua voz amigvel de novo. "Eu achei
que essa sala daria  um toque visual dramtico ao meu filmezinho. Foi
por isso que eu escolhi esse lugar pra te encontrar.  perfeito no ?"
Eu ignorei ele, lutando pra me equilibrar  nas mos e nos joelhos,
rastejando at a outra porta. Ele estava em cima de mim na hora, seu p
pisando com fora na minha perna. Eu ouvi o estalo antes de sentir  a
dor. Mas ento eu sent, e ento no pude segurar o meu grito

de agonia. Eu me virei pra alcanar minha perna, e ele estava de p ao
meu lado, sorrindo. "Voc gostaria de repensar o seu ltimo pedido?",
ele perguntou prazeirosamente.  A ponta do p dele cutucou minha perna e
eu ouv um grito penetrante, eu fiquei chocada ao perceber que ele era
meu. "Voc no iria preferir que Edward tentasse  me encontrar?", ele
testou. "No!", eu resmunguei. "No, Edward, no-", ento alguma coisa
atingiu meu rosto, me jogando de novo na direo dos espelhos. Alm da
dor da minha perna, eu sent o rasgo do vidro na minha cabea onde ele
entrou. Ento, uma umidade quente comeou a se espalhar no meu cabelo
com uma velocidade alarmante.  Eu podia sentir ela inundar o ombro da
minha camisa, podia ouv-la pingando no cho de madeira. O cheiro dela
fez meu estmago revirar. Apesar da nusea e do enjo  eu v algo que me
deu uma repentina, final ponta de esperana. Seus olhos meramente
intencionados antes, agora queimavam com uma necessidade incontrolvel.
O sangue  - espalhando o vermelho na minha blusa branca, formando
rapidamente uma poa no cho - estava deixando ele louco de sede. No
importava o quanto as intenes fossem  originais, ele no poderia
continuar com isso por muito tempo. Que seja rpido agora, era tudo o
que eu podia esperar enquanto o fluxo de sangue que saia da minha
cabea levava minha conscincia com ele. Meus olhos estavam se fechando.
Eu ouvi, como se estivesse embaixo da gua, o rosno final do caador. Eu
podia ver, atravs  dos longos tneis em que meus olhos haviam se
transformado, a figura escura dele vindo na minha direo. Como meu
esforo final, eu levantei miha mo num gesto instintivo  pra proteger
meu rosto. Meus olhos se fecharam e eu flutuei.

23. O anjo Enquanto eu flutuava, eu sonhei. Onde eu flutuava, embaixo de
uam gua escura, eu ouvi o som mais feliz que minha mente poderia
imaginar -to lindo, to animador,  quanto era horrvel. Era um outro
rosnado; um rosnado mais profundo, mais selvagem que estava cheio de
fria. Eu fiu trazida de volta, quase  superfcie, por uma  dor
pulsante na minha mo meio levantada, mas eu no consegui achar o
caminho o suficiente pra abrir os olhos. E ento eu sabia que estava
morta. Porque, pela gua  pesada, eu ouvi o som de um anjo chamando meu
nome, me chamando para o nico cu que eu queria. "Ah, no, Bella,
no!", a voz do anjo chorava horrorizada. Por trs  daquele som desejado
havia outro barulho - um horrvel rudo de tumulto do qual minha mente
se afastava. Um violento rugido baixo, um chocante barulho de estalo,  e
um som alto e agudo, de repente apareceram... Em vez disso eu tentei me
concentrar na voz do anjo. "Bella, por favor! Bella, me oua, por favor,
por favor, Bella,  por favor!", ele implorou. Sim, eu queria dizer.
Qualquer coisa. Mas eu no conseguia encontrar meus lbios. "Carlisle!",
o anjo chamou, agonia na sua voz perfeita.  "Bella, Bella, ah, no, por
favor, no, no!" E o anjo chorava sem lgrimas, soluos despedaados.
Um anjo no deveria chorar, era errado. Eu tentei encontr-lo,  diz-lo
que estava tudo bem, mas a gua era profunda demais, estava me
pressionando, e eu no podia respirar. Ouve um ponto pressionado na
minha cabea. Doeu. Ento,  quando a dor quebrou a escurido chegando
at mim, outras dores vieram, dores mais fortes. Eu chorei, ofegante,
quebrando o caminho pela escurido. "Bella!", o anjo  chamou. "Ela
perdeu algum sangue, mas o corte na cabea no  fundo", uma voz calma
me informou. "Cuidado com a perna dela, est quebrada". Um rugido de
raiva ficou  estrangulado no lbios do meu anjo. Eu senti uma coisa me
cutucando do meu lado. Isso no podia ser o paraso, podia? Havia dor
demais pra isso. "e algumas costelas  tambm, eu acho", continuou a voz
metdica. Mas as dores agudas estavam sumindo. Havia uma dor nova, uma
dor escaldante na minha mo que apagava todas as outras.  Algum estava
me queimando. "Edward", eu tentei dizer pra ele,mas minha voz estava
muito pesada e lenta. Nem eu conseguia me entender. "Bella, voc vai
ficar bem.  Voc pode me ouvir, Bella? Eu te amo." "Edward", eu tentei
de novo. Minha voz estava um pouco mais clara. "Sim, eu estou aqui"
"Est doendo", eu solucei. "Eu sei,  Bella, eu sei" - ento na outra
direo, angustiado- "Voc no pode fazer nada?" "Minha bolasa, por
favor... Tape a respirao, Alice, vai ajudar", Carlisle prometeu.
"Alice?", eu gem. "Ela est aqui, ela sabia onde te encontrar". "Minha
mo est doendo", eu tentei dizer pra ele. "Eu sei, Bella. Carlisle vai
te dar alguma coisa,  a dor vai parar".

"Minha mo est quimando!", eu gritei, finalmente escapando dos ltimos
vestgios da escurido, meus olhos se abrindo. Eu no podia ver o rosto
dele, havia algo  escuro e quentinho que estava nublando meus olhos.
Porque eles no podiam ver o fogo e apaglo? A voz dele estava
amedrontada. "Bella?" "O fogo! Algum apague o  fogo!", eu gritei
enquanto ele me queimava. "Carlisle! A mo dela!" "Ele mordeu ela", a
voz de Carlisle no estava mais calma, estava pasma. Eu ouv Edward
prender  o flego, horrorizado. "Edward, voc tem que fazer isso". Era a
voz de Alice, perto da minha cabea. Dedos frios limparam a umidade dos
meus olhos. "No!", ele berrou.  "Pode haver uma chance", Carlisle
disse. "O que?", Edward implorou. "Veja se consegue sugar o veneno pra
fora. A ferida ainda est limpa". Enquanto Carlisle falava,  eu podia
sentir uma presso maior na minha cabea, alguma coisa cutucando e
puxando o meu couro cabeludo. A dor que isso causava estava perdida na
dor do fogo. "Isso  vai funcionar?", a voz de Alice estava tensa. "Eu
no sei", Carlisle disse. "Mas temos que nos apressar". "Carlisle, eu",
Edward hesitou. "Eu no sei se consigo  fazer isso". Havia agonia na sua
linda voz de novo. "A deciso  sua, Edward, de qualquer forma. Eu no
posso ajud-lo. Eu preciso fazer esse sangramento parar aqui,  se ns
vamos tirar sangue da mo dela". Eu me estorci na dor da tortura
insuportvel, o movimento fazendo a dor da minha perna queimar
intensamente. "Edward!", eu  gritei. Eu me dei conta de que meus olhos
estavam fechados de novo. Eu abri eles, desesperada para achar o rosto
dele. E eu o encontrei. Finalmente eu conseguia  ver o seu rosto
perfeito, olhando pra mim, contorcido numa mscara de indeciso e dor.
"Alice, me d alguma coisa para parar a perna dela!", Carlisle estava
curvado  sobre mim, trabalhando na minha cabea. "Edward, voc precisa
fazer isso agora, ou ento ser tarde demais". O rosto de Edward estava
cansado. Eu observei enquanto  a dvida dos seus olhos era subitamente
trocada por uam determinao gritante. A mandbula dele se apertou. Eu
senti seus dedos frios, fortes, na minha mo que estava  queimando, ele
colocou ela no lugar. Ento sua cabea se inclinou sobre ela, e os
lbios frios dele se pressionaram na minha pele. Primeiro a dor foi
pior. Eu gritei  e me contorci contra as mos geladas que me seguravam
no lugar. Eu ouv avoz de Alice tentando me acalmar. Alguma coisa pesada
segurava minha perna no cho, e Carlisle  segurava minha cabea presa no
vo do seu brao de pedra. Ento, lentamente, minhas estores se
acalmaram enquanto minha mo ia ficando mais e mais entorpecida.  O fogo
estava diminuindo, se concentrando em um pequeno ponto. Eu senti minha
conscincia sumindo enquanto a dor diminuia. Eu estava com medo de cair
nas guas escuras  de novo, com medo de perd-lo na escurido. "Edward",
eu tentei dizer, mas eu no conseguia ouvir minha voz. Eles podiam me
ouvir. "Ele est bem aqui, Bella". "Fique,  Edward, fique comigo..."

"Eu vou". A voz dele estava tensa, mas de alguma forma triumfante. Eu
suspirei contente. O fogo havia desaparecido, as outras dores estavam
adormecidas, vazando  pelo meu corpo. "Est tudo fora?", Carlisle
perguntou de algum lugar distante. "O sangue dela est limpo", Edward
disse baixinho. "Eu pude sentir o gosto da morfina".  "Bella?", Carlisle
me chamou. Eu tentei responder. "Mmmmmmmm?" "O fogo foi embora?" "Sim",
eu suspirei. "Obrigada, Edward". "Eu te amo.", ele respondeu. "Eu sei",
eu respirei, cansada demais. Eu ouv o meu som favorito no mundo
inteiro: a risada baixinha de Edward, fraca de alivio. "Bella?",
Carlisle chamou de novo. Eu fiz  uma careta; eu queria dormir. "O que?"
"Onde est a sua me?" "Na Flrida", eu suspirei. "Ele me enganou,
Edward. Ele assistiu aos nossos vdeos. O ultraje na minha  voz era uma
entonao frgil de dor. Mas isso me lembrou. "Alice", eu tentei abrir
meus olhos. "Alice, o vdeo - ele conhecia voc, Alice, ela sabia de
onde voc  tinha vindo". Eu tentei falar urgentemente, mas minha voz
estava grogue. "Eu cheirei gasolina", eu acrescentei, surpresa entre a
neblina que havia no meu crebro.  " hora de mover ela", Carlisle
disse. "No, eu quero dormir", eu reclamei. "Voc pode dormir, meu bem,
eu vou carregar voc", Edward me confortou. E eu estava nos  braos
dele, embalada no peito dele - flutuando, toda a dor havia desaparecido.
"Durma agora, Bella", foram suas ltimas palavras que eu ouvi.

24. Um Impasse Meus olhos abriram para uma brilhante, branca luz. Eu
estava em um quarto que no me era familiar, um quarto branco. A parede
perto de mim estava cobertas por longas  venezianas verticais; acima da
minha cabea, as ofuscantes luzes me cegaram. Eu estava apoiada em uma
dura, irregular cama - uma cama com grades. O travesseiro era  liso e
grumoso. Havia um irritante som de bip vindo de algum lugar. Eu tinha
esperanas de que significasse que eu ainda estava viva. Morte no devia
ser to desconfortvel.  Minhas mos estavam completamente deformadas
com tubos claros, e alguma coisa estava amarrada cruzando meu rosto,
embaixo do meu nariz. Eu levantei minha mo para  tirar aquilo. "No,
no faa." E dedos frios alcanaram minha mo. "Edward?" Eu virei minha
cabea vagarozamente, e seu delicado rosto estava apenas  uma polegada
do meu, seu queixo apoiado na beira da minha grade. Eu percebi que eu
estava viva, dessa vez com agradecimento e sublimidade. "Oh, Edward. Eu
sinto muito!" "Shhhh,"  ele me silenciou. "Tudo est bem agora." "O que
aconteceu?" Eu no conseguia lembrar perfeitamente, e minha meste se
rebelava contra mim enquanto eu tentava relembrar.  "Eu quase cheguei
tarde demais. Eu podia ter chegado tarde demais," ele sussurrou, sua voz
atormentada. "Eu fui to estpida, Edward. Eu achei que ele estava com
minha me." "Ele enganou a todos ns." "Eu tenho que ligar para Charlie
e para minha me," Eu percebi pela neblina. "Alice ligou para eles.
Rene est aqui - bem,  aqui no hospital. Ela est comendo alguma coisa
nesse momento." "Ela est aqui?" Eu tentei sentar, mas o giro da minha
cabea ficou mais rpido, e sua mo me empurrou  gentilmente para o
travasseiro. "Ele vai estar de volta logo," ele prometeu. "E voc tem
que ficar tranqila." "Mas o que voc disse a ela?" Eu entrei em pnico.
Eu no queria ficar tranquila. Minha me estava l e eu estava me
recuperando do ataque de um vampiro. "Porque voc disse a ela que eu
estou aqui?" "Voc caiu por  dois andares de uma escada e por uma
janela." Ele pausou. "Voc tem que admitir, isso podia ter acontecido."

Eu suspirei, e isso doeu. Eu olhei para baixo para meu corpo embaixo do
lenol, para o grande bloco que era minha perna. "O quo mal eu estou?"
Eu perguntei. "Voc  tem uma perna quebrada, quatro costelas quebradas,
algumas fendas em seus ossos, machas roxas cobrindo cada polegada de seu
corpo, e voc perdeu um monte de sangue.  Eles fizemos alguma
transfuses em voc. Eu no gostei disso - isso fez voc cheirar
completamente diferente por um tempo." "Isso deve ter sido uma boa
mudana pra  voc." "No, eu gosto de como voc cheira." "Como voc fez
isso?" Eu perguntei calmamente. Ele soube o que eu quis dizer de
primeira. "Eu no tenho certeza." Ele  olhou pra longe dos meus olhos
curiosos, levantando minha mo enfaixada da cama e segurando gentilmente
com a dele, cuidadoso em no romper o fio que me conectava  aos
monitores. Eu esperei pacientemente pelo resto. Ele continuou sem
responder a minha contemplao. "Era impossvel... parar," ele
sussurrou. "Impossvel. Mas  eu fiz." Ele olhou pra cima finalmente, com
um meio sorriso. "Eu tenho que te amar." "Eu no tenho um gosto to bom
quanto o cheiro?" Eu sorri em resposta. Aquilo  machucou meu rosto. "At
melhor - melhor do que eu imaginava." "Sinto muito," Eu me desculpei.
Ele levantou seus olhos para o teto. "De todas as coisas para se
desculpar."  "Pelo que eu devia me desculpar?" "Por chegar muito perto
de ficar pra longe de mim pra sempre" "Sinto muito" Eu me desculpei
novamente. "Eu sei porque voc fez  isso." Sua voz era reconfortante.
"Era ainda irracional,  claro. Voc deveria ter me esperado, deveria
ter me contado." "Voc no me deixaria ter ido." "No," ele  concordou
em um tom amargo, "Eu no deixaria."

Algumas memrias muito desagradveis estavam comeando a voltar para
mim. Eu estremeci, e ento recuei. Ele estava instantaneamente inquieto.
"Bella, o que aconteceu?"  "O que aconteceu com James?" "Depois que eu o
separei de voc, Emmet e Jasper tomaram conta dele." Havia uma feroz
conotao de pesar em sua voz. Isso me confundiu.  "Eu no vi Emmet e
Jasper l." "Eles tiveram que sair do quarto... tinha muito sangue."
"Mas voc ficou." "Sim, eu fiquei." "E Alice, e Carlisle..." Eu falei
curiosa.  "Eles tambm te amam, voc sabe." Um flash de imagens
dolorosas da ltima vez que eu tinha visto Alice me lembrou de uma
coisa. "Alice viu a fita?" Eu perguntei  ansiosamente. "Sim". Um novo
som obscureceu a voz dele, um tom de dio. "Ela sempre esteve no escuro,
por isso no conseguia lembrar". "Eu sei. Ela entende agora".  A voz
dele estava uniforme, mas seu rosto estava negro de fria. Eu tentei
alcansar o rosto dele com a minha mo livre, mas alguma coisa me parou.
Eu olhei pra baixo  pra ver o tubo puxando minha mo. "Ugh", eu
estremec. "O que foi?", ele perguntou ansiosamente - distrado, mas no
o suficiente. A escurido no abandonou os olhos  dele completamente.
"Agulhas", eu expliquei, desviando o olhar daquela que estava na minha
mo. Eu me concentrei nos ladrilhos do teto e tentei respirar fundo a
despeito da dor nas minhas costelas. "Medo de agulhas", ele murmurou pra
si mesmo por baixo do flego, balanando a cabea. "Oh, um vampiro
sdico, tentando torturar  ela at a morte, claro, sem problema, ela
corre pra encontr-lo. Um tubo na mo, por outro lado..." Eu revirei
meus olhos. Eu fiquei satisfeita de ver que pelo menos  isso no doia.
Eu decid mudar de assunto. "Porque voc est aqui?", eu perguntei. Ele
olhou pra mim, primeiro a confuso depois a dor tocou os olhos dele. As
sobrancelhas  dele ficaram juntas quando ele fez uma careta. "Voc quer
que eu v embora?" "No!", eu protestei, horrorizada pelo pensamento.
"No, eu quis dizer, porque minha  me acha que voc est aqui? Eu
preciso lembrar da histria direitinho pra quando ela voltar". "Oh",ele
disse, e a testa dele se suavizou num mrmore de novo. "Eu  vim pra
Phoenix pra colocar algum senso na sua cabea, pra te convencer a voltar
pra Forks". Os olhos

dele eram to intensos e to sinceros, que eu mesma quase acreditei
nele. "Voc concordou em me ver e foi dirigindo at o hotel onde eu
estava com Carlisle e Alice  -  claro de que estava aqui com a
superviso de meu pai", ele inseriu virtuosamente, "Mas voc tropeou
nas escadas  caminho do meu quarto e... bem, voc j sabe  o resto.
Porm, voc no precisa lembrar dos detalhes; voc tem uma desculpa
muito boa pra no se lembrar dos detalhes mais importantes". Eu pensei
nisso por um  momento. "Tem algumas falhas nessa histria. Como nenhuma
janela quebrada". "Na verdade no", ele disse. "Alice se divertiu um
pouco demais fabricando as evidncias.  Tudo j foi cuidado de forma
muito convincente - voc poderia provavelmente at processar o hotel se
voc quisesse. Voc no tem nada com o que se preocupar", ele  prometeu,
alisando minha bochecha com o mais leve dos toques. "Seu nico trabalho
agora  sarar". Eu no estava to envolvida pelas dores ou pela nvoa
dod medicamentos  pra no responder ao toque dele. O bipe do monitor
pulou erraticamente - agora ele no era mais o nico que podia ouvir o
meu corao se comportando mal. "Isso vai  ser vergonhoso", eu murmurei
pra mim mesma. Ele gargalhou, e um olhar especulativo apareceu nos olhos
dele. "Hmm, eu imagino..." Ele se inclinou; o barulho do bipe  acelerou
selvagemente antes mesmo que seus lbios me tocassem. Mas quando me
tocaram, mesmo que com a mais leve presso, o bipe parou completamente.
Ele pulou pra  trs abruptamente, sua expresso ansiosa se tornando de
alvio enquanto o monitor reportava meu corao voltando a bater.
"Parece que eu vou ter que ser mais cuidadoso  com voc do que o
normal". Ele fez uma careta. "Eu no terminei de beijar voc", eu
reclamei. "No me faa ter que ir at a". Ele sorriu largamente, e se
inclinou  pra pressionar seus lbios gentilmente nos meus. O monitor
ficou louco. Mas ento seus lbios se esticaram. Ele se afastou. "Eu
acho que estou ouvindo sua me",  ele disse, sorrindo largamente de
novo. "No me deixe", eu chorei, uma sensao irracional de pnico
passando por mim. Eu no podia deix-lo ir - ele podia desaparecer  de
novo. Ele leu o terror nos meus olhos por um breve segundo. "Eu no
vou", ele prometeu solenemente, e ento sorriu. "Eu vou tirar uma
soneca". Ele saiu da cadeira  de plstico ao meu lado e foi para um sof
de couro falso azulturquesa reclinvel que havia no p da cama,
inclinando ele pra trs, e fechando seus olhos. Ele ficou  perfeitamente
imvel. "No esquea de respirar", eu sussurrei sarcasticamente. Ele
respirou fundo, os olhos ainda fechados. Eu podia ouvir minha me agora.
Ela estava  falando com algum, talvez uma enfermeira, ela parecia
cansada e aborrecida. Eu queria pular da cama e correr pra ela, pra
acalmar ela, pra prometer que estava tudo  bem. Mas eu no estava em
forma pra pular, ento eu esperei pacientemente. A porta abriu um
pouquinho, e ela observou pela abertura. "Me!", eu sussurrei, minha
voz cheia de amor e alvio. Ela olhou para a figura imvel de Edward no
sof reclinvel, e foi na ponta dos ps at minha cama. "Ele no vai
embora nunca, no ?",  ela murmurou pra s mesma. "Me, eu estou to
feliz de ver voc!"

Ela se inclinou pra me abraar gentilmente, e eu senti lgrimas quentes
rolando nas bochechas dela. "Bella, eu estava to chateada!" "Me
desculpe, me. Mas vai ficar  tudo bem agora, est tudo bem". Eu
confortei ela. "Eu estou feliz s por ver seus olhos abertos", ela
sentou na borda da cama. De repente eu me dei conta de que  no sabia
quando era. "Por quanto tempo eu fiquei fechada?" " sexta, querida,
voc esteve fora por algum tempo". "Sexta?", eu estava chocada. Eu
tentei me lembrar  que dia era quando... mas eu no queria pensar nisso.
"Eles tiveram que te manter sedada por algum tempo, querida - voc tem
um monte de ferimentos". "Eu sei", eu  podia sent-los. "Voc teve sorte
porque o Dr. Cullen estava l. Ele  um homem muito legal... porm novo
demais. E ele parece mais um modelo do que um mdico..."  "Voc conheceu
Carlisle?" "E a irm de Edward. Ela  uma garota adorvel". "Ela ", eu
concordei sinceramente. Ela olhou por cima do ombro para Edward, que
ainda  estava com oe olhos fechados no sof. "Voc no me contou que
tinha to bons amigos em Forks". Eu bajulei e ento gem. "O que di?",
ela perguntou ansiosamente,  se virando pra mim de novo. Os olhos de
Edward vieram na minha direo. "Eu estou bem", eu assegurei aos dois.
"Eu s tenho que lembrar de no me mexer". Ele voltou   sua sonora
soneca. Eu usei a vantagem da distrao pelo comentrio da minha me pra
evitar que assunto no fosse para o meu comportamento menos-cuidadoso.
"Onde  est Phil?", eu perguntei rapidamente. "Flrida - oh, Bella! Voc
nunca vai adivinhar! Quando estamos prestes a ir embora, as melhores
notcias!" "Phil conseguiu  um contrato?", eu adivinhei. "Sim! Como voc
adivinhou! Os Suns, d pra acreditar?" "Isso  timo, me", eu disse com
todo o entusiasmo que pude, apesar de no ter  a mnima idia de quem
ela estava falando. "E voc vai gostar tanto de Jacksonsville", ela
esguichava enquanto eu olhava vagamente pra ela. "Eu fiquei um pouco
preocupada  quando Phil comeou a falar de Akron, com toda aquela neve e
tudo mais, porque voc sabe que eu odeio o frio, mas Jacksonsville! 
sempre ensolarado, e a umidade  no to ruim assim. Ns achamos a casa
mais fofa, amarela, com a ornamentao branca, e com uma entrada como a
dos filmes antigos, e um enorme carvalho, e  s  a alguns minutos do
oceano, e voc ter seu prprio banheiro-" "Espere, me", eu interromp.
Edward ainda estava com os olhos fechados, mas estava tenso demais pra
fingir que estava adormecido. "Do que  que voc t falando? Eu no vou
para a Flrida. Eu vivo em Forks". "Mas voc no tem que viver mais, sua
boba", ela riu.  "Phil vai conseguir ficar mais parado agora... ns
falamos muito sobre isso, e o que eu vou fazer  deixar de ir a alguns
jogos, metade do tempo com ele, metade  do tempo com voc".

"Me", eu hesitei, imaginando o melhor jeito de ser diplomtica sobre
isso. "Eu quero viver em Forks. Eu j estou acostumada com a escola, eu
tenho algumas amigas"  - ela olhou pra Edward de novo quando eu falei
das amigas, ento eu tentei outra direo. "Charlie precisa de mim. Ele
fica sozinho l, e ele no sabe cozinhar nem  um pouco". "Voc quer
ficar em Forks?", ela perguntou, desnorteada. Essa era uma idia
inconcebvel para ela. E ento os olhos dela Foram parar em Edward de
novo.  "Porque?" "Eu te disse - escola, Charlie, ai!", eu levantei os
ombros. M idia. As mos dela flutuaram por cima de mim sem poder fazer
nada, tentando encontrar  um lugar onde ela pudesse segurar em
segurana. Ela encontrou minha testa; no haviam bandagens l. "Bella,
querida, voc odeia Forks", ela me lembrou. "No  to  ruim assim". Ela
fez uma careta olhando pra frente e pra trs entre Edward e eu, dessa
vez muito deliberadamente. " esse garoto?", ela sussurrou. Eu abri
minha  boca para mentir, mas os olhos dela estavam me analisando, e eu
sabia que ela veria alm da mentira. "Ele  parte disso", eu admiti. Eu
no precisava contar qual  era o tamanho da parte. "Ento, voc teve uma
chance de conversar com Edward?", eu perguntei. "Sim", ela hesitou
olhando para a sua forma perfeitamente imvel. "E  eu quero falar com
voc sobre isso". Uh-oh. "Sobre o que?", eu perguntei. "Eu acho que esse
garoto est apaixonado por voc", ela acusou, mantendo a voz baixa. "Eu
tambm acho que sim", eu confiei. "E como voc se sente em relao a
ele?" Ela escondeu muito mal a curiosidade na voz dela. Eu suspirei,
desviando o olhar. No  importava o quanto eu amasse minha me, essa no
era uma conversa que eu queria ter com ela. "Eu estou louca por ele". A
- isso parece com algo que uma adolescente  diria sobre o primeiro
namorado dela. "Bem, ele parece muito legal, e, minha nossa, ele 
incrivelmente lindo, mas voc  to jovem, Bella...", a voz dela estava
incerta; at onde eu podia lembrar, essa era a primeira vez desde que eu
tinha oito anos que eu ouv alguma coisa aproximada de autoridade
materna. Eu reconheci  aquele tom razovel mas firme que ns tinhamos
nas nossas conversas sobre homens. "Eu sei,me. No se preocupe.  s
uma paixonite", eu acalmei ela. "Isso mesmo",  ela concordou, facilmente
agradada. Ento ela suspirou e deu uma olhada cheia de culpa para o
grande relgio redondo na parede. "Voc precisa ir?" Ela mordeu o lbio.
"Phil deve ligar em pouco tempo... eu no sabia quando voc
acordaria..." "Sem problemas, me", eu tentei no mostrar muito o alvio
pra que ela se sentisse um pouco  culpada. "Eu no vou ficar sozinha".
"Eu volto logo. Eu estive dormindo aqui, sabe", ela anunciou, orgulhosa
de s mesma. "Oh, me, voc no precisava fazer isso!  Voc pode dormir
em casa - eu nunca iria reparar". A onda de medicamentos pra dor fazia a
minha concentrao dificil mesmo agora, apesar de, aparentemente, eu ter
ficado dormindo durante dias.

"Eu estava nervosa demais", ela admitiu timidamente. "Aconteceu algum
crime no bairro, e eu no gosto de ficar l sozinha". "Crime?", eu
perguntei alarmada. "Algum  invadiu aquele estdio de dana na esquina
da nossa casa e tocou fogo nele no sobrou nada! E eles deixaram um
carro roubado l na frente. Voc lembra de quando  tinha aulas de dana
l, querida?" "Eu me lembro", eu me arrepiei e estremec. "Eu posso
ficar, beb, se voc precisar de mim". "No, me, eu vou ficar bem.
Edward  vai ficar comigo". Pareceu que esse era o motivo pelo qual ela
queria ficar. "Eu vou voltar  noite", isso pareceu tanto um aviso
quanto uma promessa, e ela olhou  para Edward de novo quando disse isso.
"Eu te amo, me". "Eu te amo tambm, Bella. Tente ser mais cuidadosa
quando anda, querida. Eu no quero perder voc". Os olhos  de Edward
continuaram fechados, mas um sorriso largo apareceu no rosto dele. Uma
enfermeira invadiu o quarto nessa hora pra checar meus tubos e fios.
Minha me beijou  minha testa, deu uma tapinha na minha mo com o
curativo e foi embora. A enfermeira estava checando o papel da minha
avaliao e o monitor do meu corao. "Voc  est se sentindo ansiosa,
querida? O seu corao est parecendo um pouco rpido aqui". "Eu estou
bem", eu assegurei ela. "Eu vou dizer  medica que est cuidando  de
voc que voc est acordada. Ela vai vir te ver em um minuto". Assim que
ela fechou a porta, Edward estava  meu lado. "Voc roubou um carro?",
eu ergui minhas  sobrancelhas. Ele sorriu, sem arrependimento. "Era um
bom carro, muito rpido". "Como foi a sua soneca?", eu perguntei.
"Interessante", os olhos dele estreitaram.  "O que?" Ele olhou pra baixo
enquanto falava. "Eu estou surpreso. Eu pensei que a Flrida... e a sua
me... bem, eu pensei que isso era tudo o que voc podia querer".  Eu
olhei pra ele sem compreender. "Mas voc ficaria preso o dia inteiro em
casa na Flrida. E voc s poderia sair durante a noite, como um vampiro
de verdade".  Ela quase sorriu, mas no exatamente. E o rosto dele
estava grave. "Eu ficaria em Forks, Bella. Ou algum lugar assim", ele
explicou. "Algum lugar onde eu no te  machucasse mais". No incio eu
no toquei. Eu continuei a olhar pra ele com o olhar vazio enquanto as
palavras se encaixavam uma a uma na minha cabea como um horrvel
quebra-cabea. Eu mal tinha consciencia do som do meu corao
acelerando, apesar de que, a minha respirao que estava
hiperventilando, me deixou consciente da dor  aguda das minhas costelas
protestando. Ele no disse nada; ele observou meu rosto cautelosamente
enquanto uma dor que no tinha nada a ver com meus ossos quebrados,  um
dor que era muito pior, ameaava me deixar aos pedaos. E ento outra
enfermeira entrou propositalmente no quarto. Edward estava rgido como
uma pedra enquanto  ela olhava pra mim primeiro com um olho treinado e
depois para o monitor.

"Est na hora dos remdios pra dor agora, querida?", ela perguntou
carinhosamente, dando tapinhos no tubo de entrada. "No, no", eu
murmurei, tentando esconder  a agonia que havia na minha voz. "Eu no
preciso de nada agora". Eu no podia me dar ao luxo de fechar os olhos
agora. "No precisa ser corajosa, querida.  melhor  se voc no se
estressar; voc deve descansar". Ela esperou, mas eu s balancei minha
cabea. "Ok", ela suspirou. "Aperte o boto quando estiver pronta". Ela
deu  uma olhada pra Edward e depois deu outra olhada ansiosa pra o
monitor, antes de ir. As mos frias dele estavam no meu rosto; eu olhei
pra ele com os olhos bem abertos.  "Shhh, Bella, acalme-se". "No me
deixe", eu implorei com uma voz quebrada. "Eu no vou", ele prometeu.
"Agora relaxe antes que eu chame a enfermeira pra te sedar".  Mas meu
corao no conseguia se aquietar. "Bella", ele acariciou meu rosto
ansiosamente. "Eu no vou a lugar nenhum. Eu vou ficar aqui at quando
voc precisar  de mim". "Voc promete que no vai me deixar?", eu
sussurrei. Eu tentei controlar a minha respirao, pelo menos. Minhas
costelas estavam reclamando. O cheiro do  hlito dele era um calmante.
Pareceu diminuir as dores da minha respirao. Ele continuou segurando o
meu olhar enquanto meu corpo relaxava lentamente e o bipe voltava  ao
ritmo normal. Os olhos dele estavam escuros, mais prximos do preto do
que do dourado hoje. "Melhor?", ele perguntou. "Sim", eu disse
cautelosamente. Ele balanou  a cabea e murmurou alguma coisa
impossvel de entender. Eu achei ter entendido a palavra " Reao".
"Porque voc disse isso?", eu sussurrei, tentando evitar que  a minha
voz tremesse. "Voc se cansou de ter que ficar me salvando o tempo
inteiro? Voc quer que eu v embora?" "No, eu no quero ficar sem voc,
Bella,  claro  que no. Seja racional. E eu tambm no tenho problema
nenhum em salvar voc - isso se no fosse pelo fato de que sou eu que
est te colocando em risco... que eu  sou a razo pela qual voc est
aqui". "Sim, voc  a razo", eu fiz uma careta. "A razo pela qual eu
estou aqui -viva". "Por pouco", a voz dele era um sussurro.  "Coberta de
gaze e de gesso e quase impossibilitada de se mexer". "Eu no estava me
referindo  mais recente experincia de quase-morte", eu disse rugindo,
irritada.  "Eu estava falando das outras- voc pode escolher uma. "Se
no fosse por voc eu estaria dando um passeio pelo cemetrio de Forks".
Ele estremeceu com as minhas  palavras, mas o olhar de perseguio no
deixou os olhos dele. "No entanto, essa no  a pior parte", ele
continuou a sussurrar. Ele agia como se eu no tivesse  falado. "No ver
voc l no cho... amassada e quebrada". A voz dele estava chocada. "No
foi pensar que eu estava atrasado. Nem mesmo ouvir voc gritando de dor
- todas essas memrias insuportveis que eu vou carregar comigo por toda
a eternidade. No, a pior parte foi sentir... saber que eu no podia
parar. Acreditar que  eu mesmo fosse acreditar voc". "Mas voc no
matou". "Mas eu podia. To facilmente".

Eu precisava ficar calma... mas ele estava tentando se convencer a me
deixar, e o pnico fluia nos meus pulmes, tentando sair. "Me prometa",
eu sussurrei. "O que?"  "Voc sabe o que", eu estava comeando a ficar
com raiva agora. Ele estava to teimosamente determinado a continuar na
negativa. Ele ouviu a mudana na minha voz,  seus olhos se estreitaram.
"Eu no pareo ser forte o suficiente pra ficar longe de voc, ento eu
acho que voc seguir seu caminho... quer isso mate voc ou no",  ele
acrescentou duramente. "Bom", ele, porm, no prometeu - um fato que eu
no deixei passar. O pnico s estava meio controlado; eu no tinha mais
controle para  segurar a raiva. "Voc me disse como parou... agora eu
quero saber porque", eu quis saber. "Porque?", ele perguntou
cautlosamente. "Porque voc fez isso? Porque  voc no deixou o veneno
se espalhar? A essas horas eu seria como voc". Os olhos de Edward
pareceram ficar completamente negros, e eu me lembrei que isso era uma
coisa que eu nunca quis que eu soubesse. Alice deve ter estado
preocupada com as coisas que descobriu sobre s mesma... ou ento fou
muito cuidadosa com os pensamentos  dela perto dele - claramente ele no
sbia que ela tinha me enchido com todas as conversas sobre os mecanismos
dos vampiros. Ele estava surpreso, e furioso. As narinas  dele inflaram
e a boca dele parecia ter sudo esculpida numa pedra. Ele no ia
responder, isso estava claro. "Eu serei a primeira a admitir que no
tenho nenhuma  experincia com relacionamentos", eu disse. "Mas me
parece lgico... um homem e uma mulher tem que ser parecidos em algo...
como, um deles no pode sempre estar  sendo abatido e o outro salvando.
Eles tem que salvar uma ao outro igualmente". Ele dobrou os brao do
lado da minha cama e descansou o queixo nos braos. Sua expresso  era
suave, a raiva havia abrandado. Evidentemente ele havia decidido que no
estava com raiva de mim. Eu esperava ter uma chance de avisar Alice
antes que ele se  encontrasse com ela. "Voc me salvou". Ele disse
baixinho. "Eu no posso ser Lois Lane", eu insist. "Eu quero ser o
Superman tambm". "Voc no sabe o que est  pedindo". A voz dele era
suave; ele olhava intencionalmente para a pontinha do travesseiro. "Eu
acho que sei." "Bella, eu no sei. Eu j tive quase noventa anos  pra
pensar nisso e ainda no tenho certeza". "Voc queria que Carlisle no
tivesse salvado voc?" "No, eu no desejo isso", ele parou antes de
continuar. "Mas a  minha vida estava acabada. Eu no estava desistindo
de nada". "Voc  a minha vida. Voc  a nica coisa que eu me
incomodaria em perder". Eu estava ficando melhor  nisso. Era muito mais
fcil admitir o quanto eu precisava dele. No entanto, ele estava muito
calmo. Decidido. "Eu no posso fazer isso, Bella. Eu no vou fazer isso
com voc". "Porque no?", minha garganta arranhou e as palavras no
sairam to altas como eu havia planejado. "No me diga que  muito
difcil! Depois de hoje, ou  eu acho alguns dias atrs... de qualquer
forma, depois daquilo, isso no devia ser nada". Ele olhou pra mim. "E a
dor?", ele perguntou.

Eu embranquec. Eu no pude evitar. Mas eu tentei evitar que a minha
expresso mostrasse que eu lembrava da dor... do fogo nas minhas veias.
"Isso  problema meu",  eu disse. "Eu posso aguentar". " impossvel
aguentar a coragem a partir do momento que ela se transforma em
loucura". "Isso no  problema. Trs dias. Grande coisa".  Edward fez
outra careta quando as minhas palavras relembraram ele de que eu estava
mais bem informada do que deveria estar. Eu observei ele reprimir,
observei os  olhos dele ficarem especulativos. "Charlie?", ele perguntou
curtamente. "Rene?" Os minutos se passaram em silncio enquanto eu
lutava pra responder a pergunta dele.  Eu abri a minha boca, mas nenhum
som saiu dela. Eu fechei ela de novo. Ele esperou, e a sua expresso se
tornou trimfante porque ele sabia que eu no tinha nenhuma  resposta de
verdade. "Olha, isso tambm no  nenhum problema", eu finalmente
murmurei, minha voz no estava convincente, como sempre quando eu
mentia. "Rene sempre  fez as escolhas que funcionavam pra ela - e ela
sempe quis que eu fizesse o mesmo. E a alegria de Charlie, ele est
acostumado a ficar sozinho. Eu no posso tomar  conta dele pra sempre.
Eu tenho a minha prpria vida pra viver". "Exatamente", ele cortou. "E
eu no vou acabar com ela pra voc". "Se voc est est esperando pra
ficar comigo no meu leito de morte, eu tenho notcias pra voc! Eu
estava l!" "Voc vai se recuperar", ele me lembrou. Eu respirei fundo
pra me acalmar, ignorando  o espasmo de dor que isso causava. Eu encarei
ele, ele me encarou de volta. No havia compromisso no rosto dele.
"No", eu disse lentamente. "Eu no vou". A testa  dele se enrrugou. "
claro que vai. Voc pode ficar com um cicatriz ou duas..." "Voc est
errado", eu insist. "Eu vou morrer". "Srio, Bella", ele estava ansioso
agora. "Voc vai sair daqui em alguns dias. Duas semanas no mximo". Eu
olhei pra ele. "Eu posso no morrer agora... mas eu vou morrer alguma
hora. A cada minuto  do dia, eu chego mais perto. Eu vou ficarvelha".
Ele fez uma careta quando se tocou do que eu estava falando,
pressionando seus longos dedos nas tmporas e fechando  os olhos. "Isso
 o que supostamente acontece.  assim que deve acontecer. Aconteceria
se eu no existisse- e eu no deveria existir". Eu soprei. Ele abriu os
olhos  surpreso. "Isso  estpido. Isso  como algum que acabou de
ganhar na loteria, pegando o dinheiro, e dizendo, 'Olha, vamos voltar a
ser como as coisas deviam ser.   melhor assim'. Eu no vou aceitar
isso". "Eu no sou bem um premio de loteria", ele rugiu. "Isso mesmo.
Voc  muito melhor". Ele rolou os olhos e ajeitou os lbios.  "Bella,
ns no vamos mais continuar com essa discusso. Eu me recuso a te
amaldioar  noite eterna e esse  o fim". "Se voc acha que acaba aqui,
voc no me conhece  muito bem", eu avisei ele. "Voc no  o nico
vampiro que eu conheo". Os olhos dele ficaram pretos de novo. "Alice
no ousaria". E por um momento ele pareceu to  assustador que eu no
pude deixar de acreditar - Eu no podia imaginar uma pessoa corajosa o
suficiente pra passar por cima dele. "Alice j viu isso, no foi?",  eu
adivinhei. " por isso que as coisas que ela fala aborrecem voc. Ela
sabe que eu serei como vocs... um dia"

"Ela est errada. Ela tambm viu voc morta, mas isso tambm no
aconteceu". "Voc nunca vai me pegar apostando contra Alice". Ns
olhamos um para o outro por um  longo tempo. Estava silencioso, exceto
pelo barulho das mquinas, o bipe, as gotas, o tique do grande relgio
na parede. Finalmente a expresso dele se suavisou.  "Ento onde isso
nos deixa?", eu imaginei. Ele gargalhou sem humor. "Eu acredito que se
chama impasse". Eu suspirei, "Ouch", eu murmurei. "Como voc est se
sentindo?",  olhando para o boto da enfermeira. "Eu estou bem", eu
ment. "Eu no acredito em voc", ele disse gentilmente. "Eu no vou
voltar a dormir". "Voc precisa descansar.  Toda essa discusso no faz
bem a voc". "Ento desista", eu provoquei. "Boa tentativa". Ele
alcanou o boto. "No!" Ele me ignorou. "Sim?", o comunicador na parede
respondeu. "Eu acho que estamos prontos para mais remdios para a dor",
ele disse calmamente, ignorando minha expresso furiosa. "Eu vou mandar
a enfermeira", a  voz parecia muito entediada. "Eu no vou tomar", eu
prometi. Ele olhou na direo do saco de flidos ao pendurada do lado da
minha cama. "Eu acho que eles no vo  te pedir pra engolir nada". O meu
corao comeou a bater forte. Ele viu o medo nos meus olhos e suspirou
frustrado. "Bella, voc est sentindo dor. Voc precisa  relaxar pra se
curar. Porque voc est sendo to difcil? Eles no vo mais colocar
agulhas em voc". "Eu no estou com medo das agulhas", eu murmurei. "Eu
estou  com medo de fechar meus olhos". Ento ele sorriu o seu sorriso
torto, e pegou meu rosto entre as mos dele. "Eu disse que no vou pra
lugar nenhum. No tenha medo.  Enquanto isso te fizer feliz, eu vou
ficar aqui". Eu sorr de volta, ignorando a dor nas minhas bochechas.
"Voc est falando de pra sempre, sabe". "Oh, voc vai  superar isso - 
s uma paixonite". Eu balancei minha cabea sem acreditar - isso me
deixou tonta. "Eu fiquei chocada quando Rene comprou essa. Eu sei que
voc  sabe mais que isso". "Isso  a beleza de ser humano", ele me
disse. "As coisas mudam". Meus olhos reviraram. "No segure o flego".
Ele estava sorrindo quando a  enfermeira entrou, segurando uma seringa.
"Com licena", ela disse bruscamente pra Edward. Ele se levantou e
cruzou o pequeno quarto, se encostando na parede. Ele  cruzou os braos
e esperou. Eu mantive meus olhos nele, ainda apreensiva. Ele encontrou
meus olhos calmamente. "A est, meu bem". A enferemeira sorriu enquanto
enjetava o medicamento no tubo. "Voc vai se sentir melhor agora".
"Obrigada", eu murmurei, sem entusiasmo. No demorou muito. Eu pude
sentir a sonolncia invadir  minha corrente sangunea quase
imediatamente. "Eu acho que isso ser suficiente", ela disse enquanto
minhas plpebras se fechavam.

Ela deve ter deixado o quarto, porque alguma coisa suave e gelada estava
tocando o meu rosto. "Fique", a palavra saiu mal articulada. "Eu fico",
ele prometeu. A  voz dele era linda, como uma cano de ninar. "Como eu
j disse, enquanto isso te fizer feliz... enquanto isso for o melhor pra
voc". Eu tentei balanar a minha  cabea, mas ela estava pesada demais.
"N  a mesma coisa", eu murmurei. Ele riu. "No se preocupe com isso
agora, Bella. Voc pode discutir comigo quando se acordar".  Eu acho que
sorri. "T". Eu pude sentir os lbios dele no meu ouvido. "Eu te amo",
ele sussurrou. "Eu tambm". "Eu sei", ele sorriu baixinho. Eu virei
minha cabea  levemente... procurando. Ele sabia o que eu estava
procurando. Seua lbios tocaram o meus gentilmente. "Obrigada", eu
suspirei. " disposio". Eu j no estava  mais completamente l. Mas
eu lutei contra o torpor lentamente. Havia s mais uma coisa que eu
queria dizer pra ele. "Edward?", eu lutei pra pronunciar o nome dele
claramente. "Sim?" "Eu aposto em Alice", eu murmurei. E ento a noite se
fechou sobre mim.

Eplogo: Uma Ocasio Edward me ajudou a entrar no carro dele, sendo
muito cuidadoso com os detalhes de seda e chiffon, as flores que ele
colocou nos meus cachos estilosamente elaborados,  e o grande gesso na
minha perna. Ele ignorou a expresso de raiva da minha boca. Depois que
ele me ajeitou, ele foi para o banco do motorista e samos pelo caminho
longo e estreito. "Em que ponto voc pretende me dizer exatamente onde
estamos indo?", eu perguntei fazendo beicinho. Eu odiava surpresas. E
ele sabia disso. "Eu  estou chocado que voc ainda no tenha
descoberto". Ele jogou um sorriso de zombaria na minha direo, e a
minha respirao ficou presa na garganta. Ser que um  dia eu ia me
acostumar  perfeio dele? "Eu mencionei que voc est muito bonito,
no mencionei?", eu verifiquei. "Sim", ele sorriu largamente de novo. Eu
nunca  havia visto ele vestido de preto antes,e, com o contraste na pela
plida dele, a sua beleza era absolutamente surreal. Isso eu no podia
negar, at o fato de que  ele estava usando um smoking estava me
deixando nervosa. No to nervosa quanto o meu vestido, ou o sapato. S
um sapato, j que o meu p estava seguramente preso  no gesso. Mas o
salto agulha, preso apenas pelos laos de fita de cetim, certamente no
iam me ajudar quando eu tentasse me movimentar. "Eu no vou mais voltar
se  Alice continuar me tratando como a Barbie porquinho-dandia quando
eu vier". Eu estorqui. Eu passei a melhor parte do dia presa no banheiro
estonteantemente grande  de Alice, eu fui uma vtima desamparada
enquanto ela brincava de cabeleireira e maquiadora. Quando eu tentava
escapar ou reclamava, ela me lembrava que no tinha  memrias de como
era ser humana, e me pedia para no atrapalhar a sua vigorosa diverso.
Ento ela me vestiu com um vestido ridculo - azul escuro, cheio de
detalhes  e sem os ombros, com uma etiqueta francesa que eu no consegui
ler - um vestido que combinava mais com uma passarela do que com Forks.
Nada de bom podia sair de  uma vestimenta formal, disso eu tinha
certeza. A no ser... mas eu estava com medo de colocar as minhas
suspeitas em palavras, mesmo em minha prpria cabea. Eu  fui distrada
pelo som do telefone tocando. Edward puxou o telefone do bolso do seu
palet, olhando brevemente no identificador de chamadas antes de
atender. "Al,  Charlie", ele disse cautelosamente. "Charlie?", eu fiz
uma careta. Charlie tem sido... difcil desde o meu retorno  Forks. Ele
compartimentou minha m experincia  em duas reaes. Com Carlisle ele
era quase idolatradamente grato. Por outro lado, ele estava teimosamente
preso  idia de que era culpa de Edward - porque se no  fosse por
culpa dele eu no teria ido embora de casa em primeiro lugar. E Edward
estava longe de discordar dele. Nesses dias eu estava tendo regras que
nunca tive  antes: Toque de recolher... horrios de visita. Alguma coisa
que Charlie disse fez os olhos de Edward crescer de descrena, e ento
um grande sorriso apareceu no  rosto dele. "Voc est brincando!", ele
deu uma risada. "O que ?", eu quis saber. Ele me ignorou. "Porque voc
no me deixa falar com ele?" Edward sugeriu com um  prazer evidente. Ele
esperou por um segundo. "Ol, Tyler. Aqui  Edward Cullen". A voz dele
estava amigvel, na superfcie. Eu conhecia esse tom bem o suficiente
pra ouvir a leve ponta de ameaa. O que  que Tyler

estava fazendo na minha casa? A horrvel verdade comeou a descer sobre
mim. Eu olhei novamente para o vestido inapropriado que Alice havia me
forado a usar. "Eu  lamento se houve alguma espcie de falta de
comunicao, mas Bella no est disponvel essa noite". O tom de Edward
mudou e a ameaa ficou de repente muito mais  evidente enquanto ele
continuava. "Pra falar a verdade, ela no estar disponvel noite
nenhuma, quando se tratar de algum que no seja eu mesmo. Sem ofensa.
Eu  lamento pela sua noite". Ele no parecia lamentar nem um pouco. E
ento ele fechou o telefone com um estalo, um grande sorriso no rosto
dele. Meu rosto e meu pescoo  estavam vermelhos de raiva. Eu podia
sentir as lgrimas induzidas pela raiva comearem a encher meus olhos.
Ele olhou pra mim surpreso. "A ltima parte foi demais?  Eu no
pretendia te ofender". Eu ignorei isso. "Voc est me levando para o
baile!", eu gritei. Agora era embaraosamente bvio. Se eu estivesse
prestando um pouco  de ateno, eu teria reparado a data nos cartazes
que estavam decorando os prdios da escola. Mas eu nunca sonhei que ele
me submeteria a isso. Ser que ele no  me conhecia nem um pouco? Ele
no estava esperando a fora da minha reao, isso estava claro. Ele
pressionou os lbios e revirou os olhos. "No seja difcil, Bella".
Meus olhos foram para a janela; ns j estvamos no meio do caminho para
a escola. "Porque voc est fazendo isso comigo?", eu quis saber,
horrorizada. Ele fez um  gesto para o smoking. "Srio, Bella, o que voc
achou que estivssemos indo fazer?" Eu estava mortificada. Primeiro,
porque eu no vi o bvio. E tambm porque minha  a vaga suspeita -
esperana, na verdade - do porque eu estivesse me arrumando o dia
inteiro, enquanto Alice me transformava numa Rainha da beleza, estavam
muito  distantes da realidade. As minhas esperanas pareciam muito bobas
agora. Eu achei que havia alguma ocasio brotando. Mas baile! Essa foi a
ltima coisa que passou  pela minha cabea. Lgrimas de raiva rolaram
pelas minhas bochechas. Eu lembrei com desnimo que estava
descaracteristicamente usando rmel. Eu limpei rapidamente  embaixo dos
olhos pra prevenir qualquer mancha. Minha mo no estava preta quando eu
a puxei; Talvez Alice soubesse que precisaria de maquiagem  prova de
gua.  "Isso  completamente ridculo. Porque voc est chorando?", ele
quis saber frustrado. "Porque eu estou com raiva!" "Bella", ele usou
toda a fora dos seus ardentes  olhos dourados em mim. "O que?", eu
murmurei, distrada. "Me distraia", ele insistiu. Seus olhos estavam
derretendo toda a minha fria. Era impossvel brigar com  ele quando ele
trapaceava daquele jeito. Eu desisti sem glria. "Est bem", eu fiz
beicinho, sem conseguir sem to efetiva quanto eu esperava ser. "Eu vou
quieta.  Mas voc vai ver. Eu sempre estou aberta  mais m sorte. Eu
provavelmente vou quebrar minha outra perna. Olhe pra esse sapato!  uma
armadilha!", eu levantei minha  perna como evidncia. "Hmmmm", ele olhou
para a minha perna por mais tempo do que o necessrio. "Me lembre de
agradecer Alice por essa noite". "Ela vai estar l?"  Isso me confortou
um pouquinho. "Com Jasper, Emmett... e Rosalie", ele admitiu.

O sentimento de conforto desapareceu. Eu no fiz muito progresso com
Rosalie, apesar de estar em muitos bons termos com o seu as vezes
marido. Emmett gostava de  me ter por perto - ele achava que as minhas
reaes humanas bizarras eram hilrias... ou talvez fosse s o fato de
que eu caia muito que ele achava engraado. Rosalie  agia como se eu nem
existisse. Enquanto eu balanava a minha cabea pra dissipar a direo
que os meus pensamentos tinham tomado, eu pensei em outra coisa.
"Charlie  est nisso tudo?", eu perguntei, suspeitando de repente. "
claro", ele sorriu, e depois gargalhou. "No entanto, aparentemente,
Tyler no estava". Eu travei meus  dentes. Como Tyler podia ter se
iludido tanto, eu no podia imaginar. Na escola, onde Charlie no podia
nos atrapalhar, Edward e eu ramos inseparveis exceto por  aqueles
raros dias de sol. Estvamos na escola agora; o conversvel vermelho de
Rosalie era notvel. As nuvens estavam finas hoje, haviam alguns finos
raios de sol  escapando no cu  oeste. Ele saiu e deu a volta no carro
pra abrir minha porta. Ele levantou sua mo. Eu fiquei teimosamente
sentada no meu banco, com os braos  cruzados, sentindo uma puno
secreta de presuno. O estacionamento estava lotado de pessoas vestidas
formalmente: testemunhas. Ele no podia me remover  fora  do carro
como j teria feito se estivssemos sozinhos. Ele suspirou. "Quando
algum tenta te matar, voc  corajosa como um leo - e a, quando
algum menciona danar...",  ele balanou a cabea. Eu engoli seco.
Danar. "Bella, eu no vou deixar nada te machucar - nem voc mesma. Eu
no vou largar de voc em hora nenhuma, eu prometo".  Eu pensei nisso e
de repente estava me sentindo muito melhor. Ele podia ver isso no meu
rosto. "Isso, agora", ele disse gentilmente. "No vai ser to ruim
assim".  Ele abaixou e passou um dos braos pela minha cintura. Eu
segurei a outra mo dele e ele me puxou pra fora do carro. Ele manteu o
brao apertado ao meu redor, me  segurando enquanto eu mancava em
direo  escola. Em Phoeniz, eles fazem bailes em sales de hotis.
Esse baile era no ginsio da escola,  claro. Possivelmente  era o nico
espao grande o suficiente para um baile. Quando ns entramos, eu dei
uma risadinha. Realmente havia bales com formatos e ornamentos de papel
crepe  enfeitando as paredes. "Isso parece um filme de terror esperando
pra acontecer", eu ri silenciosamente. "Bem", ele murmurou enquanto nos
aproximvamos da mesa dos  ingressos - ele estava carregando a maior
parte do meu peso, mas eu ainda tinha que arrastar e empurrar o meu p
para frente - tem mais vampiros presentes do que  o necessrio". Eu
olhei para o espao de dana; um espao grande havia se aberto no
espao, onde dois casais rodopiavam graciosamente. Os outros danarinos
se empurravam  nos lados para dar espao  eles - ningum queria
contrastar com o brilho deles. Emmett e Jasper estavam intimidantes e
indefectveis em seus smokings. Alice estava  arrebatadora num vestido
de cetim preto com detalhes geomtricos que abriam tringulos na sua
pele branca da cor da neve. E Rosalie estava... bem, Rosalie. Ela estava
alm da imaginao. Seu vvido vestido vermelho era aberto nas costas,
apertado na panturrilha onde se abria um detalhe flutuante, com um
decote que ia do seu pescoo  at a cintura. Eu senti pena de todas as
garotas presentes, eu mesma includa. "Voc quer que v fechar as portas
pra que voc possa massacrar os moradores da cidade  sem levantar
suspeita?", eu sussurrei conspirando. "E onde  que voc se encaixa
nesse esquema?", ele olhou pra mim.

"Oh, eu estou com os vampiros,  claro". Ele sorriu com relutncia.
"Qualquer coisa pra se mandar do baile". "Qualquer coisa". Ele comprou
nossos ingressos, e ento  me virou na direo da pista de dana. Eu me
agarrei nele e levantei meu p. "Eu tenho a noite inteira", ele avisou
Eventualmente ele me arrastou pra onde a famlia  dele estava rodopiando
elegantemente - em um estilo que no se adequava nem um pouco  msica
que estava tocando agora. Eu observei horrorizada. "Edward", minha
garganta estava to seca que eu quase no consegui sussurrar. "Eu
honestamente no posso danar!", eu podia sentir o pnico borbulhando no
meu peito. "No se preocupe,  boba", ele sussurrou de volta. "Eu posso".
Ele colocou meus braos ao redor do pescoo dele e me levantou pra
colocar os ps dele embaixo dos meus. E ento estvamos  rodopiando
tambm. "Eu me sinto como se tivesse cinco anos de idade", eu sorri
depois de alguns minutos de rodopio sem esforos. "Voc parece ter cinco
anos", ele  murmurou, me puxando mais pra perto por um segundo, assim
meus ps ficaram  alguns centmetros do cho por alguns segundos. Alice
encontrou meu olhar numa volta  e sorriu me encorajando - eu sorri de
volta. Eu estava surpresa de perceber que eu realmente estava
aproveitando... um pouco. "Ok, isso no  inteiramente ruim",  eu
admiti. Mas Edward estava olhando na direo das portas, e o rosto dele
aparentava raiva. "O que foi?", eu me perguntei em voz alta. Eu segui o
olhar dele, desorientada  pelos rodopios, mas eu finalmente vi o que
estava incomodando ele. Jacob Black, no de smoking, mas com uma camisa
de mangas longas e de gravata, seu cabelo puxado  pra trs no seu rabo
de cavalo de sempre, estava atravessando a pista em nossa direo.
Depois do primeiro choque do reconhecimento, eu no pude deixar de me
sentir  mal por Jacob. Ele estava claramente desconfortvel -
dolorosamente desconfortvel. O rosto dele estava pedindo desculpas
enquanto seus olhos encontravam os meus.  Edward rosnou bem baixinho.
"Se comporte" eu soprei. A voz de Edward estava severa. "Ele quer
conversar com voc". Jacob chegou at ns nessa hora, a vergonha e  as
desculpas ainda mais evidentes no rosto dele. "Ei, Bella, eu estava
esperando que voc estivesse aqui". Jacob soou como se ele estivesse
esperando exatamente  o contrrio. Mas o sorriso dele estava to clido
como sempre. "Oi, Jacob", eu sorri de volta. "E a?" "Eu posso
atrapalhar?", ele pediu tentadoramente, olhando  pra Edward pela
primeira vez. Eu estava chocada de ver que Jacob nem precisou olhar pra
cima. Ele j deve ter crescido uns cinco centmetros desde a primeira
vez  que eu vi ele. O rosto de Edward estava composto, sua expresso
vazia. A nica resposta dele foi me colocar cuidadosamente nos meus
prprios ps, e dar um passo  pra trs. "Obrigado", Jacob disse
amigavelmente. Edward s balanou a cabea, olhando pra mim atentamente
antes de se virar e ir embora. Jacob colocou as mos na  minha cintura,
e eu coloquei as minhas mos nos ombros dele. "Nossa, Jake, qual  a sua
altura agora?" Ele estava presumido. "Um e oitenta e quatro".

Ns no estvamos realmente danando - minha perna tornava isso
impossvel. Ao invs disso ele se movimentava estranhamente de um lado
pra o outro sem movermos os  ps. Estava tudo bem; o sbito crescimento
tinha o deixado parecendo meio desequilibrado e desordenado, ele
provavelmente no era um danarino melhor que eu. "Ento,como   que
voc veio parar hoje?", eu perguntei realmente curiosa. Levando em conta
a reao de Edward, eu j podia advinhar. "Voc acredita que meu pai me
pagou vinte  pratas pra que eu viesse ao seu baile?", ele admitiu, um
pouco envergonhado. "Sim, eu acredito", eu murmurei. "Bem, pelo menos eu
espero que voc aproveite, pelo  menos. J viu algo que voc gostasse?",
eu caoei, balanando a cabea na direo de um grupo de garotas
alinhadas na parede com os enfeites. "Sim", ele suspirou.  "Mas ela est
acompanhada". Ele olhou pra baixo pra me olhar nos olhos s por um
segundo - ento ns dois desviamos o olhar, envergonhados. "Alis, voc
est muito  bonita", ele acrescentou, timidamente. "Umm, obrigada.
Ento, porque Billy te pagou pra vir at aqui?" eu perguntei
rapidamente, apesar de j saber a resposta. Jacob  no pareceu
agradecido pela mudana no assunto; ele desviou o olhar, desconfortvel
de novo. "Ele disse que aqui seria um lugar 'seguro' pra conversar com
voc.  Eu juro que o velho est enlouquecendo". Eu me juntei  risada
dele fracamente. "De qualquer forma, ele disse que se eu te dissesse uma
coisa, ele me daria o cilindro  mestre que eu preciso", ele confessou
com um sorriso envergonhado. "Me diga, ento. Eu quero que voc termine
o seu carro". Eu sorri de volta. Pelo menos Jacob no  acreditava em
nada disso. Isso tornava a situao um pouco mais fcil. Na parede,
Edward estava olhando o rosto dele, seu prprio rosto estava sem
expresso. Eu  v uma garota do segundo ano com um vestido rosa olhar
pra ele com uma tmida especulao, mas ele no pareceu estar consciente
da presena dela. Jacob desviou o  olhar de novo, envergonhado. "No
fique com raiva, t?" "No tem jeito de eu ficar com raiva de voc,
Jacob", eu assegurei pra ele. "Eu no vou nem ficar com raiva  de Billy.
S diga o que voc tem que dizer". "Bem - isso  estpido, me desculpe,
Bella - ele quer que voc termine com o seu namorado. Ele me disse pra
te pedir  'por favor'". Ele balanou a cabea com desgosto. "Ele ainda 
supersticioso, n?" ". Ele ficou... meio fora de s quando voc se
machucou em Phoenix. Ele no acreditou..."  Jacob parou se sentindo
embaraado. Eu revirei meus olhos. "Eu ca". "Eu sei disso", ele disse
rapidamente. "Ele acha que Edward tem alguma coisa a ver com isso",  eu
no estava perguntando, e independente da minha promessa, eu estava com
raiva. Jacob no me olhou nos olhos. Ns no estvamos nem nos
incomodando em nos mexer  com a msica, apesar das mos dele ainda
estarem na minha cintura, e as minhas no pescoo dele. "Olha, Jacob, eu
sei que Billy provavelmente no vai acreditar nisso,  mas s pra que
voc saiba" - ele olhou pra mim agora, respondendo ao novo tom severo na
minha voz "Edward realmente salvou minha vida. Se no fosse por Edward e
seu pai, eu estaria morta". "Eu sei", ele aclamou, mas pareceu que as
minhas palavras haviam afetado ele um pouco. Talvez ele seja capaz de
convencer Billy disso,  pelo menos.

"Ei, eu lamento que voc tenha que ter vindo fazer isso, Jacob", eu me
desculpei. "De qualquer forma, voc ganhou as suas partes, no ?" "",
ele ainda parecia  estranho... chateado. "Tem mais?", eu perguntei sem
acreditar. "Esquea", ele murmurou. "Eu vou arrumar um emprego e
conseguir o dinheiro sozinho". Eu olhei pra  ele at que ele olhou pra
mim. "Cospe logo, Jacob". " ruim demais". "Eu no ligo. Me diga", eu
insisti. "Ok, mas, Deus, isso  ruim". Ele balanou a cabea. "Ele
disse pra te dizer, no, pra te avisar, que - e so palavras dele, no
minhas -". Ele levantou uma mo da minha cintura e fez pequenos gestos
no ar - "Ele estar  observando". Ele esperou timidamente pela minha
reao. Pareceu uma coisa de algum filme sobre a mfia. Eu ri alto. "Eu
lamento por voc ter que fazer isso, Jake",  eu ri silenciosamente. "Eu
no me importei tanto assim". Ele sorriu aliviado. Seus olhos estavam
apreciativos enquanto vasculhavam rapidamente o meu vestido. "Ento,  eu
digo pra ele que voc o mandou cuidar dos assuntos dele?", ele perguntou
esperanosamente. "No", eu suspirei. "Diga a ele que eu estou
agradecida. Eu sei que  as intenes eram boas". A msica acabou, eu
tirei meus braos. As mos dele hesitaram na minha cintura, e ele olhou
para a minha perna engessada. "Voc quer danar  de novo? Ou eu posso te
ajudar a ir a algum outro lugar?" Edward respondeu por mim. "Est tudo
bem, Jacob. Eu cuido dela". Jacob vacilou, e olhou com os olhos
arregalados  pra Edward, que estava bem ao nosso lado. "Oi, eu no te vi
a", ele gaguejou. "Eu acho que a gente se v por a, Bella". Ele deu um
passo pra trs, acenando sem  vontade. Eu sorri. ", a gente se v
depois". "Desculpe", ele disse de novo antes de se virar para as portas.
Edward colocou seus braos ao redor do meu corpo quando  a prxima
msica comeou. Era um pouco agitada demais para dana lenta, mas isso
no pareceu preocup-lo. Eu coloquei minha cabea no peito dele,
contente. "Se sentindo  melhor?", eu caoei. "Na verdade no", ele disse
resumidamente. "No fique com raiva de Billy", eu suspirei. "Ele s se
preocupa pelo bem de Charlie. No  nada  pessoal". "Eu no estou
irritado com Billy", ele me corrigiu com uma voz entrecortada. "Mas o
filho dele j est me irritando". Eu me separei pra olhar pra ele.  O
rosto dele estava srio. "Porque?" "Primeiro de tudo, ele me fez quebrar
minha promessa". Eu olhei pra ele confusa. Ele deu um meio sorriso. "Eu
prometi que no  ia me separar de voc essa noite", ele explicou. "Oh.
Bem, eu te perdo". "Obrigado. Mas tem outra coisa". Edward fez uma
careta. Eu esperei pacientemente.

"Ele te chamou de bonita", ele finalmente continuou, sua careta ficando
ainda mais profunda. "Isso  praticamente um insulto, pelo jeito como
voc est hoje. Voc  est muito mais que linda". Eu sorri. "Eu acho que
voc est sendo influenciado". "Eu no acho que seja isso. Alm do mais,
eu tenho uma tima viso". Ns estvamos  rodopiando de novo, meus ps
em cima dos dele enquanto ele me segurava bem juntinho. "Ento, voc vai
explicar a razo pra isso tudo?", eu imaginei. Ele olhou pra  mim,
confuso, e eu olhei significantemente para o papel crepe nas paredes.
Ele considerou por um momento, e ento mudou de direo, rodopiando
comigo at a multido  de pessoas na porta dos fundos. Eu peguei uma
olhada de Jssica e Mike, danando e olhando pra mim curiosamente.
Jssica acenou, e eu sorri de volta rapidamente.  Angela estava l
tambm, parecendo abenoadamente feliz nos braos do pequeno Ben Cheney;
ela no olhava pra os olhos dele que era uma cabea menor que ela. Lee
e Samantha; Lauren olhando na nossa direo, com Conner; eu podia dizer
o nome de todos os rostos que passaram rodopiando por ns. E ento
estvamos do lado de fora,  na fria, e fraca luz do por do sol que
estava sumindo. Assim que estvamos sozinhos, ele me pegou nos braos, e
me carregou no cho escuro at que alcanamos os  bancos embaixo das
grandes sombras das rvores ancis. Ele se sentou l, me mantendo
embalada no peito dele. A lua j estava no cu, visvel atravs das
nuvens,  e o rosto plido dele brilhava na luz branca. Sua boca estava
dura, seus olhos confusos. "O ponto?" eu perguntei suavemente. Ele me
ignorou, olhando para a lua.  " o crepsculo, de novo", ele murmurou.
"Outro final. No importa quanto os dias sejam perfeitos, eles sempre
tm que acabar". "Algumas coisas no tm que acabar",  eu murmurei por
entre os dentes, subitamente tensa. Ele suspirou. "Eu te trouxe para o
baile", ele disse lentamente, finalmente respondendo a minha pergunta.
"Porque  eu no queria que voc perdesse nada. Eu no quero que a minha
presena tire nada de voc, se eu puder evitar. Eu quero que voc seja
humana. Eu quero que voc viva  a sua vida como se eu tivesse morrido em
1918 como eu deveria ter morrido". Eu tremi com as palavras dele, e
ento balancei a cabea com raiva. "Em que estranha  dimenso paralela
eu iria para um baile por vontade prpria? Se voc no fosse milhares de
vezes mais forte que eu, eu nunca deixaria voc se livrar dessa". Ele
sorriu brevemente, mas o sorriso no alcanou os olhos dele. "No foi
to ruim assim, voc mesma disse isso". "Mas isso  porque eu estou com
voc". Ns ficamos  quietos por um instante; ele olhava para a lua e eu
olhava para ele. Eu queria que houvesse alguma forma de explicar pra ele
o quanto minha vida humana era desinteressante.  "Voc me diz uma
coisa?", ele me perguntou, olhando pra mim com um leve sorriso. "Eu no
digo sempre?" "S me prometa que voc vai dizer", ele insistiu,
sorrindo.  Eu sabia que ia me arrepender disso quase instantaneamente.
"T bom".

"Voc pareceu honestamente surpresa quando soube que eu estava te
trazendo pra c", ele comeou. "Eu estava", eu interferi. "Exatamente",
ele concordou. "Mas voc  devia ter outra teoria... eu estou curioso -
para o que voc pensou que eu estivesse me vestindo?" Sim,
arrependimento instantneo. Eu curvei os lbios, hesitando.  "Eu no
quero te dizer". "Voc prometeu", ele protestou. "Eu sei". "Qual  o
problema?" Ele sabia que era pura verginha que estava me segurando. "Eu
acho que vai  te deixar com raiva - ou triste". As sobrancelhas se
juntaram sobre os olhos dele enquanto ele pensava nisso. "Eu ainda quero
saber. Por favor?" Eu suspirei. Ele  esperou. "Bem... eu achei que fosse
algum tipo de... ocasio. Mas eu no achei que fosse uma coisa to
humana... baile!" eu ridicularizei. "Humana?", ele perguntou  vazio. Ele
se prendeu na palavra chave. Eu olhei pra baixo para o meu vestido,
dedilhando um pedao de chiffon. Ele esperou em silncio. "Tudo bem", eu
confessei  rapidamente. "Ento eu estava esperando que voc tivesse
mudado de idia... que voc fosse me mudar, afinal". Uma dzia de
emoes passou pelo rosto dele. Algumas  eu reconheci: raiva... dor... e
ento quando ele pareceu se recompor a expresso dele ficou divertida.
"E voc pensou que isso seria uma ocasio black-tie, no pensou?"  ele
zombou, tocando a lapela do palet do smoking dele. Eu fiz uma carranca
pra esconder minha vergonha. "Eu no sei como essas coisas funcionam.
Pra mim, pelo menos,  parecia mais racional do que um baile". Ele ainda
estava sorrindo. "No  engraado", eu disse. "No, voc est certa, no
", ele concordou, o sorriso desaparecendo.  "No entanto, eu preferia
tratar disso como uma piada, do que acreditar que voc estava falando
srio". "Mas eu estou falando srio". Ele suspirou profundamente.  "Eu
sei. Voc quer mesmo tanto assim?" A dor estava de volta nos olhos dele.
Eu mord meu lbio e afirmei com a cabea. "To pronta para isso ser o
fim", ele murmurou,  quase pra s mesmo. "Pronta para esse ser o ltimo
crepsculo da vida dele, apesar da sua vida estar s comeando. Voc
est pronta pra abrir mo de tudo". "No   o fim,  o comeo", eu
discordei por baixo do meu flego. "Eu no valho a pena", ele disse
tristemente. "Voc se lembra de quando me disse que eu no me via muito
claramente?", eu perguntei, erguendo minhas sobrancelhas. "Voc
obviamente tem o mesmo problema". "Eu sei o que eu sou". Eu suspirei.
Mas o humor dele se virou pra  mim. Ele curvou os lbios, e os olhos
dele estavam sondando. Ele examinou meu rosto por um longo momento.
"Voc est pronta agora, ento?", ele perguntou. "Umm",  eu engoli seco.
"Sim?" Ele sorriu e inclinou sua cabea lentamente at que seus lbios
frios passaram na minha pele, bem abaixo do contorno da minha mandbula.

"Agora mesmo?", ele sussurrou, a respirao dele estava fria no meu
pescoo. Eu me arrepiei involuntariamente. "Sim", eu sussurrei, assim
minha voz no teria a chance  de falhar. Se ele achasse que eu estava
blefando, ele ficaria decepcionado. Eu j havia tomado a deciso, e
tinha certeza. No importava que o meu corpo estivesse  rgido feito uma
tbua, minhas mos curvadas nos punhos, minha respirao
descompassada... Ele gargalhou sombriamente, e se afastou. O rosto dele
parecia desapontado.  "Voc realmente acredita que eu desistiria assim
to fcil", ele disse com um leve tom de divertimento na voz dele. "Uma
garota pode sonhar". As sobrancelhas dele  se ergueram. " com isso que
voc sonha? Ser um monstro?" "No exatamente", eu fiz uma careta pela
escolha das palavras dele. Monstro, realmente. "Eu sonho mais  em estar
com voc por toda a eternidade". A expresso deve mudou, se suavizou e
ficou triste pela sbita dor na minha voz. "Bella". Seus dedos
lentamente traaram  os contornos dos meus lbios. "Eu vou ficar com
voc - isso no  o suficiente?" Eu sorri por baixo dos dedos dele.
"Suficiente por enquanto". Ele fez uma careta  pela minha tenacidade.
Ningum ia se render essa noite. Ele exalou, e o som foi praticamente um
rosnado. Eu toquei o rosto dele. "Olha", eu disse. "Eu te amo mais  do
que tudo no mundo junto. Isso no  o suficiente?" "Sim,  suficiente",
ele respondeu sorrindo. "Suficiente pra sempre". E ele se inclinou pra
tocar a minha garganta  com seus lbios frios mais uma vez.
